25 de janeiro de 2021

Os cristãos, os perseguidores e os leões

 

Os cristãos, os perseguidores e os leões

Julio Severo

Enquanto os cristãos discutem hoje a perigo de vir um governo que os persiga implacavelmente e a direita explore esse medo para eleger seus candidatos, os cristãos do Império Romano já viviam esse perigo diariamente.



Eles eram torturados, queimados vivos e jogados às arenas dos leões. Eles eram comidos vivos e nada sobrava de seus corpos nem mesmo para enterrar dignamente num cemitério.

A perseguição do Império Romano era total: política e religiosa.

Contudo, não havia só perseguição romana. Por motivos religiosos, os judeus não cristãos perseguiam os judeus cristãos e ainda atiçavam o Império Romano contra os cristãos. Os judeus não cristãos se achavam um povo muito mais escolhido por Deus do que Jesus Cristo e os judeus cristãos. Essa percepção judaica errada persiste até hoje.

A reação dos cristãos era orar pelo sanguinário imperador Nero. O Apóstolo Paulo disse:

“Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças, em favor de todas as pessoas; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todas as pessoas sejam salvas e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1 Timóteo 2:1-4 King James Atualizada)

Paulo não xingava os romanos e os judeus perseguidores. Ele não xingava Nero. No lugar dos palavrões, ele encorajava os cristãos a orar pelo cruel imperador Nero e sua salvação.

Paulo podia ter essa atitude espiritual porque ele não era cristão apenas de nome. Através da oração e leitura da Bíblia, ele vivia em profunda amizade espiritual com Jesus.

Contudo, se ele vivesse envolvido em interesses políticos, ele xingaria Nero dia e noite. Ele xingaria os judeus que perseguiam os cristãos.

A qualidade dos que desconhecem a Deus é sua boca de privada, cheia da sujeira de seus corações. A qualidade dos que conhecem a Deus é sua boca de louvor, oração e pregação do Evangelho.

Os cristãos de hoje não são torturados nem comidos por leões e xingam todo mundo e não oram por ninguém. Os cristãos da época de Paulo eram torturados e comidos por leões, não xingavam ninguém, mas oravam por todos.

Foi xingando, caluniando e mentindo que o ditador comunista russo Lênin construiu a União Soviética. Foi com servos como Paulo que não xingavam, mas oravam, louvavam e pregavam o Evangelho que Jesus Cristo expandiu o Reino de Deus no mundo inteiro — um reino que é maior do que o Império Romano, maior do que o Império Americano, maior do que o Facebook, maior do que o Twitter e maior do que o Google.

Espero que o exemplo espiritual que Paulo deixou dois mil anos atrás, quando ele e muitos cristãos eram perseguidos sem xingar, sirva de lição para os cristãos modernos, que não oram nem leem a Bíblia, mas falam tantos palavrões e vulgaridades como se eles fossem mais espirituais do que Paulo e até Jesus Cristo.

Versão em inglês deste artigo: Christians, Persecutors and Lions

Fonte: www.juliosevero.com

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3 comentários :

Neves disse...

Ledo engano acharem que a Direita ou a Esquerda irão proteger os Cristãos mais adiante. Ambos funcionam como um meio para implantarem o Governo Único. É necessário que venha primeiramente o caos e, nada melhor quando existe uma polaridade. O foco para os Cristãos é o Evangelho do Reino, cumprir o IDE em dias bons ou mais, sob perseguição ou sob liberdade. Ao olhar para os irmãos do passado, não os vejo envolvidos com Partidos Políticos ou qualquer ideologia política. Não se perdia tempo com isso. Mas, não deixavam de orar pelas autoridades justas ou não.

João Rappoport disse...

Tenho certeza que a Bíblia Sagrada é clara em relação ao papel do Estado na sociedade: nem totalitário (comunista e fascista), nem inexistente (anarquista). Deve ser, por excelência, um Estado mínimo, ou seja, desempenhando funções biblicamente consagradas por Deus: tendo a espada e sendo um autorizado ministro do Senhor, o Estado deve julgar e proteger a vida humana. Nessa parte, os anglo-saxões nas Trezes Colônias souberam pôr em prática como nenhum outro grupo religioso cristão.

Como disse o conservador Nicolás Gomes Dávila: "O indivíduo encolhe na proporção do aumento do Estado". Faço apenas um acréscimo: não somente o homem, como também Deus.

Anônimo disse...

Que indireta, hein! Um ex-fazedor de mapas astrológicos deve estar incomodado...