5 de outubro de 2020

Presidente Jair Bolsonaro fala sobre cristofobia na ONU e indica juiz pró-aborto para o Supremo Tribunal Federal


Presidente Jair Bolsonaro fala sobre cristofobia na ONU e indica juiz pró-aborto para o Supremo Tribunal Federal

Julio Severo
“Apelo a toda a comunidade internacional para proteger a liberdade religiosa e lutar contra a cristofobia,” disse o presidente Jair Bolsonaro em seu discurso na ONU em 22 de setembro de 2020.
Ele terminou seu discurso dizendo:
“O Brasil é um país cristão e conservador, e tem a família como base.”
A reportagem oficial da ONU intitulada “Presidente brasileiro descreve medidas tomadas para enfrentar a pandemia de COVID-19, desemprego” cobriu muitos assuntos de seu discurso, mas não mencionou nada sobre “cristofobia” e “país cristão e conservador.”
Como o discurso de Bolsonaro foi muito longo, minha opinião como conservador é que ele poderia explicar com mais detalhes sobre a cristofobia, especialmente porque cerca de 100.000 cristãos são massacrados por ano, principalmente por muçulmanos. Nenhuma outra questão é mais importante do que esse massacre covarde de cristãos, com outros milhões sendo submetidos a tortura e estupro. Mas o presidente brasileiro optou por falar muito pouco e a ONU optou por não tratar nada desse pouco.
A ONU não mencionou nada para não ofender a Arábia Saudita, o Irã, a China e outras nações que perseguem os cristãos. Bolsonaro falou muito pouco também para não os ofender muito? Não deveria ser ofensivo especificar a perseguição, suas principais vítimas e os perseguidores. Afinal, se ele explicou em detalhes sobre a Amazônia (mencionada por ele 6 vezes), COVID-19 (mencionada por ele 7 vezes), questões econômicas (mencionadas por ele 8 vezes) e questões ambientais (mencionadas por ele 10 vezes), por que não também sobre a cristofobia, que ele mencionou apenas uma vez sem esclarecer nada?
“O Brasil é um país cristão e conservador” nunca foi uma realidade no Congresso Nacional, onde Bolsonaro atuou como deputado por cerca de 3 décadas. Mesmo tendo apoiado Hugo Chávez na Venezuela, quando ele defendeu crianças em idade escolar contra a doutrinação homossexual, ele não recebeu apoio da Conferência Nacional dos Bispos Católicos do Brasil. Mas ele recebeu total apoio da Frente Parlamentar Evangélica.
Aliás, a luta contra o kit gay para alunos de escola tornou Bolsonaro famoso entre conservadores — embora sua luta hoje não seja tão forte quanto era no passado.
Por décadas, a Frente Parlamentar Evangélica tem sido a força mais conservadora no Congresso Nacional, e eu fui um conselheiro espiritual dessa frente por muitos anos, especialmente em questões sobre aborto e a agenda gay.
Nenhum grupo na política brasileira tradicionalmente lutou mais contra a cristofobia do que a Frente Parlamentar Evangélica lutou.
Bolsonaro é católico, mas ele sempre soube que quando precisava de apoio para uma causa conservadora, apenas a bancada evangélica poderia ajudá-lo.
Portanto, não é de se estranhar que em 10 de julho de 2019, depois de participar de um culto da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso Nacional, Bolsonaro disse:
“Muitos tentam nos deixar de lado dizendo que o estado é laico. O estado é laico, mas nós somos cristãos. Ou para plagiar a minha querida Damares [Alves, ministra]: Nós somos terrivelmente cristãos. E esse espírito deve estar presente em todos os poderes. Por isso, o meu compromisso: poderei indicar dois ministros para o Supremo Tribunal Federal [STF]. Um deles será terrivelmente evangélico.”
Em outra reunião oficial no Congresso Nacional, Bolsonaro confirmou:
“Reafirmo meu compromisso aqui: o estado é laico, mas nós somos cristãos. E entre as duas vagas que terei direito a indicar para o Supremo, um será terrivelmente evangélico.”
Os evangélicos nunca pediram a ele uma indicação evangélica para o Supremo Tribunal Federal, mas eles entenderam que seu compromisso era um sinal de gratidão.
Por sua própria experiência, recebendo o apoio de parlamentares “terrivelmente evangélicos,” Bolsonaro sabe muito bem que os homens “terrivelmente evangélicos” são “terrivelmente conservadores.”
Poucos dias depois do discurso de Bolsonaro na ONU, uma vaga foi aberta no Supremo Tribunal Federal, mas ele optou por preenchê-la com Kassio Nunes Marques, desembargador elogiado por toda a esquerda no Brasil.
De acordo com Janaína Paschoal, a famosa advogada que requereu com sucesso o impeachment da ex-presidente socialista Dilma Rousseff, em sua dissertação de mestrado Marques disse que “o Judiciário pode ser acionado para fazer frente à maioria conservadora” nos casos de aborto.
Janaína ficou perplexa que em uma dissertação sobre saúde, Marques trouxe o assunto do aborto, inclusive Roe versus Wade, a decisão do Supremo Tribunal dos EUA que legalizou o aborto nos EUA em 1973. Isto é, ele tratou do aborto como uma questão de saúde das mulheres, não como assassinato, não como uma questão de vida ou morte. Ele o tratou exatamente como os ativistas do aborto tratam.
Então Marques falou do aborto onde a sua discussão não era necessária e ele é elogiado pela esquerda. O que os conservadores devem esperar dele no Supremo Tribunal Federal?
O que os conservadores devem esperar dele sobre a cristofobia quando ele disse que “o Judiciário pode ser acionado para fazer frente à maioria conservadora”?
Durante décadas, Bolsonaro foi apoiado não pela esquerda, mas pela Frente Parlamentar Evangélica. Para sua eleição presidencial, ele recebeu apoio em massa dos evangélicos, não da esquerda. Portanto, seu compromisso de indicar um juiz “terrivelmente evangélico” para o Supremo Tribunal Federal foi apenas gratidão. Mas como seu fracasso em cumprir seu compromisso deve ser visto pelos conservadores?
A indicação de um juiz para o Supremo Tribunal Federal é uma extensão das posturas de um presidente. Os ex-presidentes socialistas nomearam seus próprios juízes, que agora votam em apoio de causas de esquerda. Portanto, Bolsonaro deveria indicar alguém para mudar esse desequilíbrio.
Talvez o legado mais importante de um presidente seja sua indicação ao Supremo Tribunal Federal. Embora presidentes socialistas tenham deixado o governo brasileiro anos atrás, os ministros escolhidos por eles continuam o legado esquerdista deles. Que tipo de legado Bolsonaro pretende deixar para o futuro do Brasil no Supremo Tribunal Federal?
Se ele pensa que um ministro “terrivelmente evangélico” nunca será aceito por causa do conservadorismo, por que prometer e não cumprir?
Nos EUA, o presidente Donald Trump indicou Amy Coney Barrett para o Supremo Tribunal dos EUA. Ela é católica. Ela é pró-vida. Ela é uma mãe de 7 filhos que dá educação escolar em casa. E ela é uma carismática que fala em línguas estranhas.
Como evangélico conservador pró-vida, não tenho nenhum problema de Bolsonaro indicar uma versão brasileira de Amy Coney Barrett. Católica. Pró-vida. Uma mãe de vários filhos que dá educação escolar em casa. E uma carismática que fala em línguas estranhas.
No entanto, vejo muitos problemas quando ele indica um juiz elogiado pela esquerda, um juiz que disse que “o Judiciário pode ser acionado para fazer frente à maioria conservadora” nos casos de aborto. Sim, vejo problemas quando Marques está pronto para acionar o Judiciário contra o “país cristão e conservador” que Bolsonaro apresentou na ONU.
Bolsonaro fez seu longo discurso na ONU parecer bonito ao falar sobre a cristofobia, que ele citou só uma vez sem esclarecer nada. Mesmo assim, conservadores ficaram exultantes.
Ele fez um comentário muito bonito quando prometeu indicar um ministro “terrivelmente evangélico” para o Supremo Tribunal Federal. Os evangélicos, que são sua principal base política, ficaram exultantes.
Entretanto, quando ele indicou o juiz pró-aborto Kassio Nunes Marques para o Supremo Tribunal Federal, suas ações falaram terrivelmente mais alto do que seus discursos e comentários bonitos.
Silas Malafaia, o televangelista mais proeminente do Brasil que apoiou a candidatura de Bolsonaro, rejeitou totalmente sua escolha para o Supremo Tribunal Federal.
Leitura recomendada:

7 comentários :

Flávio disse...

Maior decepção não sei se teremos

Eliseu Pereira Lopes Junior disse...

Tirado do Facebook da Janaína Paschoal, mais uma informação chocante sobre Kassio Nunes indicado do Bolsonaro para vago do STF:

O Desembargador indicado ao STF, pelo Presidente Jair Bolsonaro, com fulcro nas diferenças culturais, defendeu em texto que as adolescentes indígenas mães deveriam ter direito a benefício previdenciário antes dos 16 anos. Até aí, tudo bem!
O problema começa quando ele narra, com muita naturalidade, o estupro de meninas indígenas. Abaixo, segue o link do artigo acadêmico e uma fotografia aumentada do trecho preocupante.
Sou uma ferrenha defensora dos direitos das minorias, mas costumo lembrar que o indivíduo é a minoria da minoria. No caso, estamos falando de meninas, obrigadas ao ato sexual com vários homens adultos, antes mesmo da primeira menstruação! Cultura também se muda!
Peço, encarecidamente, aos Srs Senadores, que indaguem o indicado acerca desse posicionamento e, principalmente, que perguntem se ele concorda que bebês sabidamente alvos do fenômeno denominado infanticídio indígena devem ser retirados da tribo, antes que atentem contra sua vida.
Esclareço que não estou discutindo incidência de norma penal, mas a devida proteção da vida de bebês e da dignidade sexual de meninas. Ou crianças indígenas merecem menos tutela estatal em nome da cultura?
Os méritos acadêmicos do indicado são inegáveis, mas seus posicionamentos são alinhados aos mais radicais dos uspianos! É inacreditável! Bolsonaro nunca mais! Precisamos, urgentemente, de uma alternativa!

https://www.facebook.com/304608606619206/posts/1012352239178169/

Alexandre disse...

Quando se diz que esse cara não gira bem das idéias, ainda tem gente que duvida.

Flávio disse...

Estranho como a esquerda luta contra a cultura ocidental mas defende estrupo em cultura

Waldson Lima disse...

Minha decepção com o Governo de Jair Bolsonaro, em quem votei como nossa alternativa, tem aumentado muitíssimo. Não sei quem é pior: esquerda ou uma direita com repetidas ações de esquerda.
Lamentável!!!

Anônimo disse...

O Sistema cobra seu preço sempre. JB é apenas uma forma transição sem grandes rupturas. O assunto mais importante, as armas, não é mais comentado.

Anônimo disse...

Bolsonaro nunca me decepcionou. O cara passou 30 anos no Congresso defendendo esterilização de pobre. Ele mesmo ja fez vasectomia e depois reverteu. No ano 2000 deu uma entrevista dizendo que a decisão de abortar seu próprio filho ficou a cargo da mulher dele. A decepcao só pode sentir quem esteve mal informado.