15 de setembro de 2020

Entendendo a nova direita do Brasil, seu avô homossexual e seu pai ocultista


Entendendo a nova direita do Brasil, seu avô homossexual e seu pai ocultista

Uma análise evangélica conservadora da “nova direita brasileira” de Nick Burns

Julio Severo
O brasilianista Nick Burns produziu um longo artigo intitulado “The New Brazilian Right” (A Nova Direita Brasileira) em 2019, abordando as forças que controlam o governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
Embora o socialista Fernando Haddad, que perdeu as eleições presidenciais brasileiras para Bolsonaro em 2018, atribuísse sua derrota aos evangélicos, desde que Bolsonaro foi empossado em 2019, seu foco principal não foi os evangélicos, pois cargos no Ministério da Educação, Relações Exteriores e até mesmo na embaixada brasileira nos Estados Unidos foram entregues a um grupo extremista direitista.
Burns disse:
“Finalmente, há uma presença evangélica, inclusive um punhado de ministros liderados por uma pregadora visivelmente pouco carismática chamada Damares Alves, uma das duas mulheres em ministérios governamentais. Os evangélicos, cujas fileiras aumentaram consideravelmente nas últimas décadas nesse país historicamente católico, agora representam cerca de 30% dos brasileiros e foram o único bloco que votou decisivamente a favor de Bolsonaro em 2018. Há uma influente bancada evangélica no Congresso Nacional, mas as estatísticas de evangélicos nos ministérios governamentais não parecem ter um grande destaque nas negociações internas do governo.”
Embora eu não concorde com Burns em todos os pontos, seu artigo nos ajuda a entender por que os evangélicos, que foram decisivos para a eleição de Bolsonaro, foram amplamente ignorados depois da posse dele.
Contudo, cargos, especialmente cargos em ministérios governamentais de alto nível, ele deu ao grupo extremista. Por exemplo, antes de sua posse, Bolsonaro nomeou um membro do grupo extremista para ministro da Educação, o qual fracassou em alguns meses, e Bolsonaro nomeou outro membro desse grupo. Depois que esse membro também fracassou, finalmente Bolsonaro nomeou um presbiteriano, Milton Ribeiro. Ele nomeou evangélicos apenas quando não tinha escolha, mas geralmente sua primeira escolha foi selecionar um membro do grupo extremista da Nova Direita.
Talvez Bolsonaro tenha nomeado Ribeiro como ministro da Educação por respeito aos evangélicos, que foram seus principais eleitores em 2018. Mas parece que esse respeito não é muito grande. Ao que tudo indica, ele não quer deixar os evangélicos influenciarem muito o Ministério da Educação.
Logo antes de nomear Ribeiro, Bolsonaro nomeou vários adeptos de Olavo de Carvalho para o Conselho Nacional da Educação, a fim de garantir que a influência de Carvalho prossiga na educação brasileira.
O Conselho Nacional de Educação é um órgão colegiado integrante da estrutura do Ministério da Educação que atua na formulação e avaliação da política nacional de educação. Dessa forma, o MEC estará sob direção de um presbiteriano, mas a formulação da política nacional de educação estará na prática sob a direção de olavistas.
A nomeação de olavistas no Conselho Nacional da Educação pode indicar que Bolsonaro se encontra hipnotizado pelo fascismo esotérico de Carvalho, pois todas as suas nomeações de olavistas foram um fracasso. Não há justificativa para continuar tais fracassos.
Não é de hoje que os evangélicos, que foram considerados vitais para a eleição de Bolsonaro, ansiavam um cargo de ministro da Educação. Logo no início de 2019, o televangelista Silas Malafaia havia recomendado o evangélico Guilherme Schelb para o Ministério da Educação, mas sua recomendação virou pó diante da influência do guru esotérico Olavo de Carvalho, que indicou seu adepto Ricardo Vélez.
Uma boa qualidade de Vélez: ele não gostava do socialismo. Duas péssimas qualidades dele: Ele não gostava de Trump, mas gostava de Hillary Clinton.
Quando Vélez virou desastre no Ministério da Educação, o próprio Bolsonaro confessou que o havia escolhido cegamente. Ele disse:
“Errei no começo quando indiquei Ricardo Vélez como ministro. Foi uma indicação do Olavo de Carvalho? Foi, não vou negar… Depois liguei para ele: ‘Olavo, você conhecia o Vélez de onde?’”
Mesmo com o fracasso de Vélez, Bolsonaro deu nova oportunidade a Carvalho, que indicou Abraham Weintraub em maio de 2019. Sem demora, Weintraub anunciou que uma de suas prioridades seria aumentar o número de creches. Minha reação veio no artigo “Ministro da Educação Abraham Weintraub e seu socialismo de direita ou estatismo de direita,” em que eu disse:
“O conceito de creche — de afastar a criança da mãe o mais cedo possível — é um conceito adotado, defendido e amplamente praticado no socialismo.”
Supõe-se que Bolsonaro não tenha dado a Carvalho oportunidade de fazer uma terceira indicação (desastrosa) porque logo no ínicio de junho de 2020, Carvalho chamou o governo Bolsonaro de “merd*,” dizendo que pode derrubá-lo.
Em janeiro de 2020, Bolsonaro demitiu Roberto Alvim, a principal autoridade da cultura brasileira, depois que Alvim citou o nazista Goebbels enquanto falava sobre arte nacionalista em um vídeo que tinha o compositor favorito de Hitler tocando ao fundo. Alvim é um adepto fiel de Carvalho.
Para a Fundação Nacional de Arte, Bolsonaro nomeou Dante Mantovani, um fiel adepto de Carvalho. Depois que Mantovani falou sobre o que ele nunca deveria falar, ele foi demitido. Depois de intensa pressão de Carvalho, ele foi reempossado e novamente demitido.
Entre declarações estúpidas de Mantovani estão:
“Terrabolistas são ótimos em fazer piadinhas acerca da auto-evidente planicidade da superfície terrestre, mas são absolutamente incapazes de apresentar um único argumento ou prova da delirante esfericidade da Terra. O mais próximo que chegam de um argumento em favor da bola giratória são as imagens de computação gráfica feitas pela agência de desinformação e propaganda da Guerra Fria, a NASA, cujos próprios autores já vieram a público dizer que é tudo fake.”
Olavo de Carvalho, o guru de Mantovani, Alvim e outras autoridades do governo brasileiro, finalmente reconheceu que fez uma recomendação errada no caso do ministro da Educação. Ele confessou que recomendou Vélez a Bolsonaro, apesar de não ter contato com Vélez há mais de 20 anos! Essa foi a desculpa dele.
No entanto, no caso de Ernesto Araújo, a quem ele recomendou a Bolsonaro como ministro de Relações Exteriores, ele disse que acertou na mosca. Araújo elogiou abertamente Julius Evola, o guru do ditador fascista italiano Benito Mussolini. Evola é autor de vários livros de direita, antimarxistas e ocultistas. Sim, ele defendia ao mesmo tempo a ideologia anti-marxista de direita e a bruxaria.
Tenho certeza de que ele acertou na mosca, porque Araújo tem as mesmas preferências ocultistas que Carvalho tem.
Se o ocultismo deu azar para Evola e Mussolini, como pode representar boa sorte para o Brasil?
As perguntas são: Por que Bolsonaro ignorou amplamente os evangélicos para cargos no governo desde sua posse? Por que ele tem privilegiado Carvalho e sua nova direita? O artigo de Nick Burns responde à última pergunta.
Nick Burns afirma que Bruno Tolentino é o avô da nova direita brasileira. Essa direita, que recebeu a maioria dos cargos iniciais no governo Bolsonaro, não deve ser confundida com o conservadorismo evangélico, que na prática elegeu Bolsonaro.
É difícil negar a alegação de Burns de que Tolentino é o avô da nova direita brasileira no governo Bolsonaro, porque Olavo de Carvalho, apelidado de Rasputin de Bolsonaro, elogiou Tolentino muitas vezes durante décadas.
No artigo “Bruno Tolentino (1940-2007),” Carvalho confessou que passou muitas noites com Tolentino, acrescentando que “Bruno Tolentino não perdeu nada. O Brasil perdeu,” significando que a morte de Tolentino foi uma perda para o Brasil.
De acordo com Burns, Tolentino, que morreu em 2007, “foi diagnosticado com AIDS em 1996.” Burns rotula Tolentino como um “ex-presidiário bisexual.”
“Em 1964, Tolentino partiu para a Europa depois que um golpe militar destituiu o presidente João Goulart,” disse Burns. Só os esquerdistas deixaram o Brasil em 1964. Em seu artigo, Carvalho explica que Tolentino viveu quase 30 anos exilado na Inglaterra. Por que ele escolheu a Inglaterra, não Cuba, é um mistério que Carvalho não explicou.
Burns descreve Tolentino como “um mitologizador habitual de si mesmo” — característica totalmente herdada por Carvalho. Então o avô da Nova Direita foi um mitologizador de si mesmo que criou em Carvalho um mitologizador de si mesmo. Tal avô, tal pai.
Burns diz que Tolentino teve um “caso homossexual com um jovem inglês, Simon Pringle,” acrescentando que “Tolentino obrigou seu ‘rapaz amante em jeans apertados’ [seu parceiro homossexual Pringle] a ajudá-lo em uma tentativa de contrabandear haxixe do Marrocos para a Inglaterra de barco.” Burns explicou como Tolentino e seu parceiro homossexual fizeram seu contrabando de drogas: “Pringle lembra que Tolentino relatou os detalhes da trama por um místico irlandês para descobrir se os presságios favoreceriam isso.”
Tolentino foi condenado por tráfico de drogas em 1987. Ele foi condenado a onze anos de prisão, mas cumpriu apenas treze meses.
Esse não parece o único envolvimento de Tolentino com o ocultismo, porque Burns disse: “Tolentino também tinha uma tendência ocultista — mas ele nunca cometeu a indignidade de divulgá-la.” Provavelmente, ele está aludindo que enquanto Carvalho publicou vários livros sobre suas práticas ocultistas, Tolentino nunca publicou nada sobre suas práticas ocultistas.
Burns disse que o exílio de Tolentino na Inglaterra terminou com deportação. Ele disse:
“Em setembro de 1987, Tolentino foi pego em Heathrow com um quilo de cocaína na mala. Ele foi condenado a onze anos de prisão e cumpriu cinco… antes de ser libertado e deportado para o Brasil em 1993.”
Para os conservadores, a vida do avô da Nova Direita no Brasil era uma contradição. Apesar de ser considerado “profundamente católico” e casado com uma mulher, ele teve por vários anos um parceiro homossexual na Inglaterra e acreditava na astrologia e no candomblé e regularmente consultava um místico irlandês.
Para os brasileiros, não é estranho, porque o catolicismo no Brasil é tradicionalmente sincrético. Simon Pringle acabou escrevendo o livro “Das Booty — Bruno Tolentino, candomblé, tráfico e poesia: uma história real.”
Embora Burns tenha mostrado que Olavo de Carvalho herdou de Tolentino muito de sua filosofia direitista, ele foi incapaz de expor ou compreender outra grande influência ocultista em Carvalho: o ocultista islâmico René Guénon — talvez porque hoje Carvalho tenha feito um esforço extraordinário para esconder o fato de que ele é autor de vários livros de ocultismo publicados na década de 1980.

Burns explica como a interação de Carvalho com Tolentino foi um dos fatores mais importantes para estabelecê-lo na direita. Ele disse:
“Carvalho havia sido um crítico trotskista do regime militar, durante o qual ele se envolveu com esoterismo e astrologia e escreveu críticas para a imprensa convencional e alternativa. Na década de 1990, ele mudou-se para a direita e topou com o círculo de Tolentino. Sob a influência de seu amigo, o poeta, que foi seu hóspede durante algum tempo, Carvalho escreveu o que é considerado seu engajamento intelectual mais aceito, O Jardim das Aflições.”
Burns mostrou que, muito diferente dos conservadores intelectuais americanos, Carvalho
“decidiu… afirmar que sabe tudo. Somente um autodidata poderia fazer tal afirmação… Embora sua afirmação não tenha resultado em muito sucesso intelectual, ela foi muito bem-sucedida politicamente. Basta olhar para o vídeo do YouTube em que Carvalho insiste que não há ‘absolutamente nenhuma evidência’ a favor ou contra o heliocentrismo para ver como exatamente teve sucesso.”
Os críticos da “sabedoria” de Carvalho são tratados com crueldade e violência, disse Burns, acrescentando:
“Todo aquele que discorda dele é um idiota, analfabeto, deficiente mental, microcefálico.”
Carvalho é inflexível na ideia de que a Inquisição católica nunca matou nenhum judeu e protestante e que é um mito e mentira criados por protestantes, especialmente protestantes americanos. E quando você argumenta com sucesso que ele está errado e mentindo descaradamente, seu contra-argumento “filosófico” é insultar qualquer um que desafie seu status auto-concedido de homem que sabe tudo sobre isso.
A esquerda, a quem Carvalho reputa ser seu maior inimigo, não o incomoda nem ataca de forma alguma a respeito da Inquisição. Na verdade, quem tem contestado de forma suprema e, consequentemente, tem sido supremamente insultado por sua boca suja, por apresentar fatos históricos sobre a Inquisição é um conservador evangélico. Eu.
Mesmo nos Estados Unidos, onde Carvalho vive em um exílio auto-imposto desde 2005, ele não é atacado e colocado na lista negra como eu, apesar de ter recebido de um hipnotizado Bolsonaro propaganda massiva.
Apesar de Carvalho também se considerar católico, suas posturas sobre a homossexualidade são confusas, e Burns percebeu isso. Carvalho acredita em uma homossexualidade “natural” não condenada por Deus. Burns acha estranho que, como católico, Carvalho não expresse claramente suas opiniões sobre a homossexualidade, mas ele parece desconfiar da relação próxima de Carvalho com o homossexual Tolentino. Ele disse:
“Talvez ironicamente, a maneira como Carvalho descreve o caso intelectual entre ele e Tolentino durante aquelas noites sem dormir em meados da década de 1990, enquanto Carvalho escrevia O Jardim das Aflições, parece ecoar a discussão de Sócrates sobre o amor pelo mesmo sexo no Simpósio: ‘gerar uma coisa bela por meio do corpo e da alma.’”
Olavo de Carvalho e Steve Bannon
Não se sabe se as posturas de Bannon e Carvalho — posturas de origem ocultistas — sobre a questão homossexual afetaram governos conservadores, especialmente porque o governo Trump tem avançado a agenda gay, e o governo Bolsonaro tem também avançado essa agenda na surdina.
Burns descreveu a união de Carvalho e Tolentino:
“Dupla improvável de um ex-astrólogo trotskista e um ex-presidiário bissexual, e a história de como eles lideraram um punhado de descontentes beligerantes com gostos ecléticos, biografias obscuras, poucas credenciais e nenhuma conexão política para criar a forma mais antiga do que agora é a ideologia oficial do governo brasileiro.”
Como prova adicional de que a Nova Direita no governo Bolsonaro é diretamente influenciada por Carvalho, Burns disse que Ernesto Araújo, o chanceler brasileiro escolhido por Carvalho, “parece oferecer uma defesa conservadora não apenas da superstição [ocultismo] popular, mas também, por procuração, da inclinação de Carvalho para com o ocultismo.”
Araújo, admirador declarado de Carvalho, é também admirador declarado de René Guénon, há anos recomendado por Carvalho. Araújo também é um admirador declarado de Julius Evola, um filósofo italiano que com seus livros que defendem o ocultismo e a direita inspirou o fascismo e o nazismo.
Burns disse:
“Um dos pontos baixos intelectuais de Araújo foi propor o boato ‘o nazismo era de esquerda,’ que foi posteriormente levado em público por Bolsonaro, mesmo durante uma visita de estado a Israel. A reação da imprensa brasileira e internacional foi furiosa.”
Embora para sua eleição Bolsonaro dependesse de evangélicos, ele tem tido o cuidado de conceder poder à Nova Direita, não a evangélicos conservadores. Burns disse:
“O poder direto e visível que Carvalho exerce sobre o governo, desde a seleção e escolha de ministros até o uso de sua presença nas redes sociais para semear discórdia entre os militares e seus aliados no governo, é certamente sem precedentes.”
Como Tolentino era muito elogiado por Carvalho, é preciso entender como os maus hábitos do pai da Nova Direita estão influenciando o governo Bolsonaro. Tolentino era um especialista em automitologização. De acordo com um obituário escrito pelo estudioso literário Chris Miller, Tolentino era um personagem “mais estranho que a ficção,” e suas afirmações sobre amizades literárias tinham tantos exageros que tornavam muito difícil diferenciar a verdade da ficção.
Tal é o comportamento de um automitologizador e mitomaníaco. Isso está longe de Carvalho, que foi influenciado por Tolentino?
Se Tolentino é o avô da Nova Direita, Carvalho pode ser considerado o pai da Nova Direita que colonizou o governo Bolsonaro?
“Eu sei lá o que é a nova direita. Eu quero que ela se dane. É um bando de picaretas,” Carvalho disse em entrevista à Folha de S. Paulo, jornal que ele abomina como esquerdista, mas não perde uma única oportunidade de ser entrevistado por eles. Abominar e aceitar ao mesmo tempo é uma atitude oportunista.
Alguém tem dúvida de que os olavistas são um bando de picaretas? A resposta de Carvalho só confirma o que muitos já perceberam.
“Se a direita brasileira aceita como ‘líder’ qualquer um que a grande mídia lhe apresente como tal, o futuro da esquerda está garantido,” disse Carvalho, que a grande mídia, inclusive a Folha de S. Paulo, apresenta como “líder” da direita brasileira. A língua dele deu um tiro pela culatra.
Atacar e ao mesmo tempo abraçar é um comportamento típico dos adeptos de René Guénon. Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expulsou Steve Bannon, um adepto de Guénon, da Casa Branca, ele disse:
“Steve finge estar em guerra com a mídia, que ele chama de partido de oposição, mas ele passava seu tempo na Casa Branca vazando informações falsas para a mídia para se fazer parecer mais importante do que ele era. Essa é a única coisa que ele faz bem. Steve raramente estava em uma reunião frente a frente comigo e só finge ter tido influência para enganar algumas pessoas sem acesso e que não entendem, pessoas a quem ele ajudou a escrever livros fajutos.”
Os guenonianos são oportunistas e Trump viu isso muito bem. Carvalho e Bannon tornaram-se aliados, mas Carvalho se distanciou de Bannon assim que Bannon se envolveu em escândalos.
Apesar de os adeptos de Carvalho alegarem que ele luta contra o comunismo desde a década de 1980, na verdade, na década de 1980 Carvalho viajou para os Estados Unidos para participar de reuniões secretas de Martin Lings, um adepto de Guénon.
Bannon e Carvalho são os modernos Julius Evolas: convenientemente populistas, direitistas, católicos, mas ocultistas. Nick Burns parece ter ignorado isso.
Onde Tolentino se encaixa nisso? Ele e Carvalho estiveram juntos o tempo todo quando Carvalho escrevia seus best-sellers — O Jardim das Aflições e O Imbecil Coletivo — na década de 1990 que acabaram inspirando a Nova Direita brasileira. Aliás, eles estavam tão juntos que não se sabe se Tolentino foi o verdadeiro autor ou inspirou a maioria das ideias de Carvalho.
Assim, as origens suspeitas da Nova Direita Brasileira — com Tolentino, Guenon e outras influências ocultistas — forneceram os ingredientes para transformar Olavo de Carvalho em um novo Julius Evola, um católico sincrético que se tornou o messias da Nova Direita que defende apaixonadamente o revisionismo da Inquisição. Tudo isso contribuiu para tornar Carvalho o Rasputin de Bolsonaro, altamente premiado e propagandeado por Bolsonaro.
Se tudo der errado no governo Bolsonaro, Carvalho será o primeiro a repudiar o que ele chama de sua própria criação. Provavelmente, ele culpará os evangélicos.
“A direita está repleta de puros doentes mentais,” disse Carvalho, fingindo esquecer que esses doentes mentais têm um pai doente mental, oportunista, ocultista e enganador. Essa é a direita que ele criou inspirado em Tolentino e Guénon.
“Por isso é que, quando me apresentam como ‘filósofo conservador,’ a única resposta que me ocorre é: — ‘Conservador é a puta que o pariu, que conservou você na barriga por nove meses em vez de deixá-lo cair na privada,’” disse Carvalho.
Por que Jair Bolsonaro tem impedido os evangélicos, que o elegeram, de terem uma presença proeminente em seu governo, mas permitiu que “doentes mentais” e “um bando de picaretas” colonizassem com destaque seu governo é um mistério que apenas as forças das trevas e ocultistas sabem.
Já que a única maneira proeminente que Bolsonaro permitiu que os evangélicos contribuíssem para seu governo foi orando ou nomeando-os somente depois de fracassos enormes de adeptos de Carvalho que ele havia indicado em primeiro lugar, os evangélicos deveriam usar a oração para o bem do Brasil.
O legado de um avô homossexual e um pai ocultista na Nova Direita no governo Bolsonaro é uma maldição enorme no Brasil.
Os evangélicos conservadores que oraram pela derrota da esquerda e pela vitória de Bolsonaro agora têm um novo desafio: orar contra as forças das trevas e ocultistas da Nova Direita que colonizaram proeminentemente o governo Bolsonaro.
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3 comentários :

O Sousa da Ponte - João Melo de Sousa disse...

Para mim que estou fora do Brasil mas que está atento ao que se passa aí as coisas parecem-me mais simples.

O Brasil , cuja população é de cerca de 60 % de negros e pardos, é governada desde tempos imemoriais por uma elite branca.

Esta elite detêm a riqueza do Brasil e vive, em democracia ou liberdade, dependente de negociatas com os diversos governos. A corrupção, o compadrio fazem parte da estrutura econômica do Brasil.

As classes médias altas e altas do Brasil são esta elite que tem as seguintes características :

São de origem europeia. Quanto mais a norte melhor. As esposas são louras. Tem os filhos em colégios privados e usam saúde privada.

Ideologicamente são vagamente conservadores. Desprezam, não odeiam, pobre - sempre fazendo pobrice -, negro (pardo é negro) , viado pobre ou negro, escola pública, omnibus, favela, favelado e cortiço.

Desprezam a diarista que é evangélica e dá 10 por cento ao pastor mas admiram o pastor por ser um empreendedor.

São contra a legalização do aborto mas tiram filho no hospital privado.

- Imagina o povão a poder fazer aborto....se já assim é a devassidão dos pobres imagina liberado. Nós fazemos em Miami.

Aqui não há uma verdadeira ideologia. Não são muito cultos mas conhecem o suficiente do jogo politico para se manterem à tona.


O Olavo De Carvalho na Europa é uma piada. Na elite brasileira é um "intelectual" que cita, a quem nunca leu nenhum livro, textos que eles não entendem.

É de direita logo deve ser bom.

Bolsonaro é o que os brasileiros pardos e pobres queriam ser:

Branco, mulher nova, sem medo de dizer que é racista.

Se o pardo o defender poderá vir a ser visto como branco nas elites.

Para as elites pardo, negro ou pobre é igual. Pobre a fazer pobrice.

A estratégia de Bolsonaro é simples.

Não se comprometer com nada. Passa a responsabilidade para o congresso ou os tribunais.

Vai permitir inflação o que vai lhe dar margem para aumentar a distribuição de dinheiro. Dinheiro desvalorizado mas que para o povo parece muito. Uma ou duas privatizações , a preço de saldo e paga a todo o mundo e aínda fica com o troco, tem as grandes denominações evangélicas ao lado e a grande industria e agro negócio. Os traficantes , dependentes dos evangélicos para exportar e lavar o dinheiro, vão apoiar.

Eu não quero dizer que Lula ou o PT fariam melhor ou que são inocentes.

Quero dizer é que os evangélicos como o Júlio, que até acreditam em Deus (pasme-se!), comeram gato por lebre com o Trump e o Bolsonaro.

Eles são anti gays se isso lhes der vantagem. E desprezam os dizimistas....coisas de pobre a fazer pobrice.


Edgar disse...

Os principais ministros do governo Bolsonaro não são nem olavistas e nem evangelicos. Paulo Guedes, o superministro não é nem olavista e nem evangélico, mas parece não ser criticado nem por evangelicos e nem por olavistas, apesar da pessima situação da economia brasileira. Tanto olavistas como evagelicos disseminam a ideia que o estado é algo negativo, por isso nao criticam o Ministro com seu plano de desmonte do estado brasileiro. Enquanto isso, EUA e China fazem pesados investimentos estatais para obterem a vanguarda tecnologica mundial. Os EUA ja possuem drones capazes de assassinar uma pessoa qualquer em qualquer lugar do mundo. A China ja conseguiu teletranspotar um foton para o espaço. Ja o Brasil pretende chegar onde exportando soja e minerio de ferro e dando uma renda minima para a população a fim de nao estourar uma revolta popular? A quem interessa o desmonte de nosso estado nacional para que apenas sirvamos materia prima para a China? Será que o Brasil pode-se dar ao luxo de nao ter uma política nacional e apenas importar pautas sejam liberais ou conservadoras dos EUA, que na maior parte das vezes não tem sintonia com nossa realidade?

Unknown disse...

Fico aqui pensando. O mundo jaz no maligno. Claro, não é por isso que devemos entregar tudo de bandeja para pessoas que não temem a Deus, principalmente quando a decisão destas influenciam diretamente nossa vida em sociedade.

Mas penso: será que um servo de Deus conseguiria uma posição de liderança nacional para governar e escalar uma equipe de pessoas semelhantes? Penso que não. Os governos estão contaminados, só haverá um governo justo quando O Justo governar.

Até lá, ficaremos nessa de tentar discernir "o menos pior", aquele que nos subjugará menos, aquele que instituirá menos políticas contra o povo, principalmente contra o exercício da fé cristã.

Votei no Bolsonaro e quando penso em me arrepender lembro dos candidatos concorrentes. Na verdade não me arrependi porque sabia desde o início que seria um governo de homem, o que tinha pra hoje.