31 de agosto de 2020

Investigação: imigrantes africanos “abandonados para morrer” nos infernais centros de detenção de Covid na Arábia Saudita


Investigação: imigrantes africanos “abandonados para morrer” nos infernais centros de detenção de Covid na Arábia Saudita

“Os guardas simplesmente jogam os corpos para fora como se fossem lixo,” disse um

Will Brown
Comentário de Julio Severo: A esquerda reclama de como imigrantes muçulmanos da África são tratados na Europa, como se eles sofressem horrores. Agora, em primeiro mão do jornal The Telegraph da Inglaterra, trago reportagem de como a Arábia Saudita, a capital mundial do islamismo, trata muçulmanos pobres da África que imigram para a Arábia Saudita em busca de melhores condições de vida. Essa dura realidade mostra que a Arábia Saudita não tem disposição nenhuma de acolher muçulmanos africanos. A Arábia Saudita é o maior aliado islâmico dos EUA. Se um país não aliado cometesse apenas 10 por cento dos abusos que os sauditas cometem, os EUA condenariam e imporiam sanções. Mas, por ser o maior comprador de armas americanas, a Arábia Saudita goza de imunidade extraordinária para cometer todos os tipos de abusos de direitos humanos. Um questonamento importante é: Se nem a Arábia Saudita quer saber de muçulmanos da África, por que os saudits facilitam a invasão deles na Europa? Na Árabia Saudita, os muçulmanos africanos trabalham demais e são torturados. Na Europa, os muçulmanos africanos recebem regalias de sobra e usam seu tempo sem trabalho para estuprar milhares de meninas e moças europeias. Eis a reportagem traduzida por mim:
A Arábia Saudita, um dos países mais ricos do mundo, está mantendo centenas, senão milhares de imigrantes africanos, presos em condições hediondas que lembram os campos de escravos da Líbia como parte de uma campanha para impedir a disseminação de Covid-19, uma investigação do jornal The Sunday Telegraph revelou.
Imagens fortes de celulares enviadas ao jornal por imigrantes mantidos dentro dos centros de detenção mostram dezenas de homens emaciados, enfraquecidos pelo calor da Arábia, deitados sem camisa em fileiras apertadas em pequenas salas com janelas com grades.
Uma foto mostra o que parece ser um cadáver envolto em um cobertor roxo e branco no meio deles. Eles dizem que é o corpo de um imigrante que morreu de insolação e que outros mal estão recebendo comida e água suficientes para sobreviver.
Outra imagem, forte demais para ser publicada, mostra um jovem africano enforcado em uma grade de janela em uma parede interna de azulejos. O adolescente se matou depois de perder a esperança, dizem seus amigos, muitos dos quais estão detidos desde abril.
Os imigrantes, vários exibindo cicatrizes nas costas, afirmam que são espancados por guardas que gritam ofensas raciais contra eles. “É um inferno aqui. Somos tratados como animais e espancados todos os dias,” disse Abebe, um etíope que está detido em um dos centros há mais de quatro meses.
“Se eu vir que não há como escapar, vou tirar minha própria vida. Outros já fizeram isso,” acrescentou ele por meio de um intermediário que conseguiu se comunicar por um telefone contrabandeado.
“Meu único crime é deixar meu país em busca de uma vida melhor. Mas eles nos espancam com chicotes e cabos elétricos como se fôssemos assassinos.”
As imagens e depoimentos estão gerando indignação entre ativistas de direitos humanos e têm ressonância particular à luz dos protestos globais do Black Lives Matter.
"Fotos que emergem de centros de detenção no sul da Arábia Saudita mostram que as autoridades locais estão submetendo os imigrantes do Sudeste da África a condições miseráveis, superlotadas e desumanizantes, sem se importar com sua segurança ou dignidade,” disse Adam Coogle, vice-diretor de Human Rights Watch no Oriente Médio, depois de verem as imagens no The Sunday Telegraph.
“Os esquálidos centros de detenção no sul da Arábia Saudita estão muito aquém dos padrões internacionais. Para um país rico como a Arábia Saudita, não há desculpa para manter os imigrantes em condições tão deploráveis,” acrescentou Coogle.
A Arábia Saudita, rica em petróleo, há muito tempo explora a mão-de-obra imigrante da África e da Ásia. Em junho de 2019, cerca de 6,6 milhões de trabalhadores estrangeiros constituíam cerca de 20 por cento da população desse país, a maioria ocupando empregos mal pagos e muitas vezes fisicamente árduos.
Os imigrantes trabalham principalmente na construção e em tarefas domésticas manuais que os sauditas preferem eles mesmos não fazer. Muitos são do sul da Ásia, mas um grande contingente vem do Sudeste da África, que fica do outro lado do Mar Vermelho.
Os centros de detenção identificados pelo The Sunday Telegraph abrigam principalmente homens etíopes e dizem que há outros lotados de mulheres.
Na última década, dezenas de milhares de jovens etíopes foram para a Arábia Saudita, muitas vezes ajudados por agentes de recrutamento sauditas e traficantes de pessoas, em uma tentativa de escapar da pobreza em seu país.
Eles são presos em parte como resultado da pandemia, mas também pela “saudização” da força de trabalho na Arábia Saudita, uma política introduzida por Muhamad Bin Salman, o príncipe herdeiro que assumiu o poder há três anos.
Os testemunhos coletados pelo The Sunday Telegraph diretamente dos imigrantes em canais criptografados sobre as condições em que se encontram agora são angustiantes.
“Um grande número de presos pensa em suicídio ou sofre de doenças mentais por viverem nessas condições por cinco meses,” disse um deles. “Os guardas zombam de nós, eles dizem ‘seu governo não se importa, o que devemos fazer com você?’”
“Um rapaz de cerca de dezesseis anos deu um jeito de se enforcar no mês passado. Os guardas simplesmente jogam os corpos para fora como se fossem lixo,” disse outro.
Quando a pandemia atingiu em março, o governo saudita na capital Riad temia que os imigrantes, que muitas vezes vivem em condições de superlotação, atuassem como vetores do vírus.
Quase 3.000 etíopes foram deportados pelos serviços de segurança sauditas de volta à Etiópia nos primeiros dez dias de abril e um memorando da ONU que vazou disse que outros 200.000 seriam deportados em seguida. Uma moratória foi então imposta às deportações depois que a pressão internacional foi exercida sobre Riade.
O Sunday Telegraph revelou que muitos dos imigrantes agendados para deportação há cinco meses foram abandonados para apodrecer em centros de detenção infestados de doenças. “Fomos abandonados para morrer aqui,” disse um deles, que disse estar trancado em uma sala do tamanho de uma sala de aula e não sair para fora desde março.
“Covid19? Quem sabe?” acrescentou ele, “Há muitas doenças aqui. Todo mundo está doente aqui; todo mundo tem algum problema.”
As imagens contrabandeadas mostram que muitos dos detidos sofrem de infecções de pele que os desfiguram. Eles afirmam que não recebem tratamento médico.
“Comemos um pedacinho de pão de dia e arroz à noite. Quase não há água e as privadas estão transbordando. Transbordam para o espaço onde comemos. Já nos acostumamos com o cheiro. Mas há mais de cem de nós em uma única sala, e o calor está nos matando,” disse outro jovem etíope.
Um pequeno videoclipe contrabandeado mostra vários quartos com o chão coberto de excremento de uma privada no chão que transborda. Um homem etíope pode ser ouvido gritando: “As privadas estão entupidas. Tentamos desbloqueá-las, mas não conseguimos. Então vivemos neste excremento, dormimos nele também.”
“Para [os sauditas] ou mesmo para Abiy, é como se fôssemos formigas. Quando morremos, é como se uma formiga morresse, ninguém se importa ou presta atenção,” acrescentou o homem, referindo-se ao primeiro-ministro vencedor do Prêmio Nobel da Paz da Etiópia, Abiy Ahmed.
A Arábia Saudita é profundamente estratificada por raça e castas. Os imigrantes africanos gozam de poucos direitos legais e muitos queixam-se de exploração, violência sexual e ofensas raciais por parte dos empregadores.
Novas leis que limitam ainda mais os direitos e as perspectivas de emprego de trabalhadores estrangeiros foram introduzidas em 2013 e as repressões continuaram sob o governo do jovem príncipe herdeiro Muhamad Bin Salman, que assumiu o poder em 2017.
O Sunday Telegraph conseguiu localizar geograficamente dois dos centros. Um está em Al Shumaisi, perto da cidade sagrada de Meca, e o outro em Jazan, uma cidade portuária perto do Iêmen. Acredita-se que haja outros abrigando milhares de etíopes.
Os imigrantes em cada um dos centros disseram que havia centenas deles em cada sala. Imagens de satélite mostram que há vários edifícios em ambos os centros, o que significa que pode haver muito mais imigrantes em cada centro que não dá para contar.
Vários dos imigrantes disseram que foram capturados e presos, como se fossem criminosos, em suas casas em várias cidades da Arábia Saudita antes de serem colocados nos campos. Outros são refugiados africanos do Iêmen devastado pela guerra.
No início deste mês, Human Rights Watch relatou que as forças Houthi usaram o Covid-19 como pretexto para expulsar milhares de imigrantes etíopes para a vizinha Arábia Saudita.
Depoimentos coletados pela ONG dizem que os Houthis mataram dezenas de etíopes e forçaram outros sob a mira de armas a cruzar a fronteira com a Arábia Saudita. Os guardas sauditas de fronteira então atiraram nos imigrantes em fuga, matando dezenas de outros.
“A Arábia Saudita, um país rico, há muito tempo mantém imigrantes sem documentos, inclusive muitos do Sudeste da África, em condições tão lotadas, sem higiene e terríveis que os imigrantes muitas vezes saem traumatizados ou doentes,” disse Coogle.
“É justo questionar se as autoridades sauditas estão propositalmente permitindo que essas condições de detenção existam para punir os imigrantes,” acrescentou ele.
O Sunday Telegraph abordou a embaixada da Arábia Saudita em Londres para comentar, mas não recebeu nenhuma resposta até o momento da impressão.
Um representante do governo etíope no Oriente Médio também foi abordado sem sucesso para comentar o assunto.
* Os nomes dos migrantes foram alterados para proteger sua identidade.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do jornal The Telegraph: Investigation: African migrants 'left to die' in Saudi Arabia’s hellish Covid detention centres 
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2 comentários :

Cicero disse...

A rica e petrolífera Meca na Arábia Saudita é a Babilônia de Ap 18 que negocia homens escravos também!

"E sobre ela choram e lamentam os mercadores da terra; porque ninguém mais compra as suas mercadorias:
Mercadorias de ouro, e de prata, e de pedras preciosas, e de pérolas, e de linho fino, e de púrpura, e de seda, e de escarlata; e toda a madeira odorífera, e todo o vaso de marfim, e todo o vaso de madeira preciosíssima, de bronze e de ferro, e de mármore;
E canela, e perfume, e mirra, e incenso, e vinho, e azeite, e flor de farinha, e trigo, e gado, e ovelhas; e cavalos, e carros, e CORPOS E ALMAS DE HOMENS ."
Apocalipse 18:11-13.

Alexandre disse...

Enquanto os cristãos erradicaram a escravidão em seus respectivos países, a religião da paz mantém essa prática até os dias de hoje, agora faz uma pesquisa rápida no google e vê se já foi feita alguma manifestação tipo Black Lives Matter na frente da embaixada de alguma dessas nações.