29 de junho de 2020

Instituto Inter-Americano foi fechado por causa de Julio Severo, acusa Olavo de Carvalho, que pediu que seus adeptos escrevam contra Severo


Instituto Inter-Americano foi fechado por causa de Julio Severo, acusa Olavo de Carvalho, que pediu que seus adeptos escrevam contra Severo

Julio Severo
Em um novo vídeo, publicado em 21 de junho de 2020 (https://youtu.be/yn8ZjEkJKmI), Carvalho pede que seus adeptos escrevam muitos artigos contra mim, de modo que esses artigos possam embasar ações legais. Assim, ele vem incitando todos os tipos de ataques contra mim, seja mediante ações governamentais, ações legais ou artigos ou até mesmo filmes, se isso for possível.

Sua principal acusação no vídeo é de que ele teve de fechar o Instituto Inter-Americano (Inter-American Institute) por minha causa, porque eu enviava meus artigos aos membros do Instituto Inter-Americano (IIA) e que meus artigos se tornaram o centro da atenção no instituto, de acordo com a acusação de Carvalho, que pediu que seus adeptos peguem agora todos os meus artigos para usarem como base para ataques contra mim. Ele disse:
“Por exemplo, pegar todas as matérias que esse seu Julio Severo distribuiu para o pessoal, sobretudo aqui nos Estados Unidos, sobretudo para o pessoal do Inter-American Institute. Toda semana ele inventava alguma coisa e distribuia para todos os membros do Inter-American. Até que chegou um ponto que eu tive de fechar o Inter-American porque ele não fazia mais sentido. Era só isso que se discutia no Inter-American. Então perdeu o sentido.”
Ele acrescentou que o fechamento do Instituto Inter-Americano por causa dos meus artigos foi sem dúvida algum tipo de ação do Foro de São Paulo. Ele disse em sua acusação:
“É claro que isso é o Foro de São Paulo, gente.”
É inacreditável. Ele enfrenta um único evangélico — que ora e tem um livro de orações publicado nos Estados Unidos — e acha que está enfrentando um grande exército ou alguma força gigantesca.
Se os membros do Instituto Inter-Americano queriam ler meus artigos, eles — que eram homens cultos — sabiam o que queriam.
As dicussões ocorriam num grupo de email liderado por John Haskins, um calvinista apóstata que foi o real fundador do instituto, mas que por algum motivo entregou a fundação a Carvalho. Digo apóstata porque hoje Haskins não frequenta nenhuma igreja e acha que todas (ou quase) são heréticas.
Depois de quase 10 anos no grupo, pedi para sair, mas evidentemente as informações que dei a eles — traduções de comentários de Carvalho disponíveis somente em português — foram muito úteis. Americanos são leitores analíticos. O hábito de Carvalho engrandecer a si e seus supostos méritos é algo que agrada a brasileiros que não são leitores analíticos. Mas os americanos gostaram de ler as informações que disponibilizei.
Os americanos eram e são livres para ler e interpretar os textos de Carvalho. Eles são igualmente livres para ler e interpretar textos de Carvalho que traduzi para o inglês. Não faz sentido desejar tirar dos leitores tal liberdade. Só donos de seitas fazem isso.
Não faz sentido também privar os leitores americanos de tudo o que Carvalho diz contra os evangélicos em português. Já que Carvalho nunca teve coragem de traduzir esses ataques, eu fiz isso.
O que foi que os americanos não sabiam sobre Carvalho:
* Eles não sabiam que ele usa diariamente palavrões e termos sujos e imorais em seu Facebook.
* Eles não sabiam que ele é o maior defensor brasileiro da Inquisição.
* Eles não sabiam que ele foi durante muitos anos astrólogo profissional.
* Eles não sabiam das conexões ocultistas passadas e presentes dele.
* Eles não sabiam que ele tem debochado e atacado os evangélicos e o protestantismo em geral.
Enquanto os membros do Instituto Inter-Americano liam meus artigos, eu discutia com Haskins. Uma dessas discussões está registrada aqui: Resposta para John Haskins, criador do Instituto Inter-Americano (Inter-American Institute).
Haskins alegou que Carvalho não tem mais nada a haver com astrologia porque ele teria brigado com os outros astrólogos decádas atrás e provado que a astrologia é fraude, embora Carvalho nunca tenha dito isso em português. O problema é que Haskins tentou defender Carvalho sem entender nada de português, a língua mais falada por Carvalho, que também alega que ele brigou com ocultistas.
Mas brigas e confusões, que são problemas frequentes entre ocultistas, são problemas frequentes na trajetória de Carvalho. O Mídia Sem Máscara, site dele, está fechado porque Carvalho brigou com a maioria dos colunistas, inclusive Heitor de Paola e Graça Salgueiro, que eram os escritores principais do site. Ele brigou com o webmaster. Ele brigou comigo também em outubro de 2013 porque ele queria me forçar, mesmo me xingando e caluniando, a aceitar a defesa da Inquisição que ele faz com tanta paixão. Como evangélico que defende Israel e os judeus, jamais posso defender a Inquisição e o Holocausto.
Se então uma briga de Carvalho com astrólogos e ocultistas é prova suficiente de que ele não tem hoje nenhum envolvimento com a astrologia e o ocultismo, então a briga que ele teve com os maiores colunistas do Mídia Sem Máscara é prova suficiente de que ele não tem hoje nenhum envolvimento com o conservadorismo?
Ele pode ter brigado décadas atrás com Fritjol Schuon e Martin Lings e outros membros da Escola Tradicionalista, uma seita ocultista que segue o ocultista islâmico René Guénon, que foi a maior inspiração “conservadora” de Carvalho. Mas hoje ele tem envolvimento com outros membros dessa seita, inclusive o católico Steve Bannon, o católico Wolfgang Smith e o muçulmano Seyyed Hossein Nasr, todos influenciados por Guénon.
Ele diz que não é mais esquerdista, mas nunca conseguiu se livrar de hábitos esquerdistas como falar palavrões e difamar.
O IIA praticamente não tinha atividade fora da Internet. E uma das principais atividades do IIA parecia facilitar questões de vistos para membros da família de Carvalho.
Em seu video acusatório, Carvalho disse:
“Agora durante meio século não houve mídia conservadora, oposição conservadora, não houve uma estação de rádio conservadora, não houve um discurso conservador, não teve nada, só tinha esquerda… Se num país de maioria conservadora você não tinha um jornalizinho conservador, não tinha um partido conservador, não tinha uma rádio conservadora e não tinha uma igreja conservadora.”
Em 1978, a antiga TV Tupi transmitia todos os dias, de segunda a sexta às 11h da manhã, o programa Clube 700, do Pr. Pat Robertson. Muitas vezes, esse programa expunha os males do marxismo. Mesmo sem sucesso, Robertson concorreu à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano na campanha de 1988.
Anos antes, havia o programa de Rex Humbard, um televangelista conservador.
Em 1979 o Ministério Jimmy Swaggart começou também seus programas de TV no Brasil, frequentemente atacando o marxismo, o comunismo, o socialismo, a agenda gay, a agenda de aborto, etc.
Todos eles estavam alcançando o grande público, pois a TV era de longe o maior canal de contato com a população. Com seus programas de TV, os televangelistas americanos traziam informações a milhões de pessoas.
Eu aprendi a admirar Ronald Reagan com a ajuda de televangelistas americanos, que apresentavam tudo de bom que ele fazia. Era uma propaganda positiva que mostrava que Reagan era evangélico e fazia muitas coisas evangélicas.
A influência dos televangelistas americanos era tão grande no Brasil que em 1978, o programa “Fantástico” da Rede Globo apresentou uma reportagem especial contra Billy Graham, Pat Robertson e Rex Humbard. Para seu ataque, o “Fantástico” entrevistou o Rev. William Sloane Coffin, pastor presbiteriano liberal que era contra os televangelistas. O programa “Fantástico,” transmitido aos domingos, era o maior programa da TV brasileira.
Mesmo que não houvesse um único programa de TV evangélico, havia as editoras e revistas evangélica que em grande parte eram conservadoras.
Até certo ponto, é bom que Carvalho sofra de alucinações, provocadas pelo seu próprio ego inchado, de que ele é a causa do conservadorismo brasileiro. Assim, ele não tem tempo de acusar os evangélicos de serem produtos da CIA.
Simplesmente ignorando a realidade de que os evangélicos são a maior força conservadora, Carvalho disse:
“Ou seja, nós saímos do totalitarismo, vocês não entenderam ainda, po*ra? E quem fez isso? Foi o Bolsonaro? Não. Fui eu. Fui eu sozinho. Então, gente, lamento dizer, mas o personagem central de toda essa história fui eu.”
É natural que uma pessoa que se enxegue e exija a atenção do universo tenha uma trajetória de brigas. Vai brigar com todo mundo que se oponha ao culto de sua personalidade.
Falta muito pouco para ele dizer que ele foi o primeiro astronauta, ou que a Terra é plana.
Apesar de que ele e seus adeptos reconhecem que ele sozinho fez tudo, já em 2017 a mídia americana reconhecia que os evangélicos eram a maior força conservadora do Brasil.
Mas Carvalho, ignorando essa força e até desconhecendo todo o trabalho da CIA promovendo o movimento evangélico conservador no Brasil, disse:
“Eu abri as portas para que houvesse um movimento conservador.”
Eu simplesmente não sabia que foi Carvalho que colocou o programa Clube 700 na TV brasileira em 1978. Eu também não sabia que ele havia lançado no Brasil o programa de Jimmy Swaggart em 1979 e orientado esse e outros televangelistas a elogiar Reagan. Só há um problema: Na década de 1970, Carvalho estava ocupadíssimo em dar aulas de astrologia. E mesmo na década de 1980 ele estava ocupadíssimo com seu envolvimento em grupos ocultistas.
Se não foi Carvalho quem lançou os televangelistas conservadores americanos que mudaram para sempre a TV brasileira, então o que foi que ele fez? O que ele fez foi abrir as portas do Brasil para a Escola Tradicionalista, que erroneamente é vista como movimento conservador. Aliás, embora tenha uma fachada conservadora, a Escola Tradicionalista é na essência ocultista na linha de Guénon.
Carvalho então apela para seus seguidores darem prioridade para defendê-lo, especialmente contra mim, escrevendo artigos contra mim. Ele disse:
“É preciso fazer. O futuro do Brasil depende disso. Como vítima central da maior campanha de difamação e calúnia que já foi feita no Brasil e talvez no mundo. Estou sofrendo há 25 anos pelo menos. Para vocês terem ideia da coisa, se você pegar só um episódio desse, o episódio Julio Severo. Só o que o Julio Severo fez, dá umas 200 páginas de narrativa.”
Vitimismo é tática padrão de comunistas, e Carvalho faz uso dessa tática com abundância.
Em seu vitimismo exagerado, ele se coloca como o centro dos ataques não só no Brasil, mas até no mundo inteiro. Contudo, não é bem assim. Todos os membros da Escola Tradicionalista são criticados, pois essa escola é uma seita ocultista que abriga famosos direitistas fascistas ocultistas. O mais criticado, durante a história, foi Julius Evola, o Antonio Gramsci da direita. Depois, Steve Bannon. Aliás, o principal livro moderno contra a Escola Tradicionalista é “War for Eternity” (Guerra pela Eternidade), publicado pela editora HarperCollins em 2020 e escrito pelo escritor judeu americano Benjamin R. Teitelbaum.
Nem de longe o foco desse livro é Olavo de Carvalho, que em nível mundial é uma figura desconhecida e estranha. O foco é Steve Bannon, que é mencionado 269 vezes. Julius Evola é mencionado 103 vezes. E Olavo de Carvalho? Ele é citado apenas 19 vezes, como exemplo de um tradicionalista que se tornou guru do presidente Jair Bolsonaro. A atenção que ele ganhou, embora pequena, foi exclusivamente às custas da atenção que Bolsonaro que lhe dá, assim como Rasputin ganhou muita fama às custas da atenção que o czar russo lhe dava. Se não fosse Bolsonaro, é duvidoso que ele chegaria a ser mencionado por Teitelbaum ou qualquer outro escritor ou jornalista americano.
Embora existam grandes paralelos entre Julius Evola e Olavo de Carvalho, Evola é seguido por fascistas esotéricos da Europa, EUA e o mundo inteiro, enquanto Carvalho é seguido apenas por fascistas esotéricos brasileiros. Mas, em sua cabeça, ele se acha muito mais famoso agora do que Steve Bannon, Julius Evola e outros membros da Escola Tradicionalista.
Fora do Brasil, Carvalho é em grande parte desconhecido, apesar de que ele vive como imigrante brasileiro autoexilado nos EUA desde 2005.
Por isso, os membros cultos do Instituto Inter-Americano acharam tão interessante ler meus artigos, que revelavam opiniões obscuras dele, disponíveis só em português, que Carvalho recusava mostrar para o público americano.
Eu mostrei para o público americano.
Resultado: O Instituto Inter-Americano, que só funcionava para inchar o ego de Carvalho e tratar de questões de vistos de imigração para sua família, foi fechado.
A história do Instituto Inter-Americano se resume então em John Haskins fundando-o, Olavo de Carvalho assumindo sua fundação e presidência e, mais tarde, fechando sua atividade — restrita à internet — por causa de um evangélico brasileiro, eu, Julio Severo, que pude identificar os perigos da Escola Tradicionalista.
Parece que os membros do Instituto Inter-Americano acabaram entendendo que a função do IIA era apenas servir de fachada para os objetivos ocultos, egocêntricos e ocultistas de Carvalho.
Leitura recomendada:

5 comentários :

Flávio disse...

Carvalho pode ter um golias (governo e massa de seguidores acefalos). Como Davi vc tem Deus como sua forca

Anônimo disse...

Oro a Deus pelo dia em que vão tirar de dentro da Igreja toda influência de ideologias, seja de esquerda ou de direita; e que elas voltem para o seu lugar de origem: o mundo com seu kosmos humano. Quanto à Júlio Severo, merece ser ouvido. Quanto à Olavo de Carvalho, não consigo ouvir; muitos palavrões e minha Bíblia me proíbe tal (Ef 4.29). Agora, gente falando palavrão é só o que tem na direita também e aliás, um ´´direitopata´´ talvez seja pior do que um ´´esquerdopata´´; ainda estou refletindo sobre isto.

E J Kovaleski disse...

Júlio, meu irmão! Faltou você citar aí o maior conservador brasileiro que era o Pr. Eneas Tognini. Ele foi chamado por generais em 1963 para orar pelo Brasil. Nessa ocasião ele instituiu um dia de oração e jejum nacional, que era em 15 de novembro. No ano seguinte, como resposta de oração, ocorreu o contra-golpe contra o Jango. Enquanto haviam evangélicos conservadores protegendo o Brasil em 1963, esse patético astrólogo de araque provavelmente estava fumando maconha com seus amigos marxistas e fazendo cursinho do Omar Cardoso.
Quando houve aquele famigerado “comitê da verdade” o Pr Eneas foi citado lá e perseguido (inclusive por “crentes” socialistas). Mas jamais citariam um ridículo esotérico que na prática é mais marxista que o Zé Dirceu.

Ana Viterbo disse...

Muito bom. Eu já tentei ouvir as coisas que ele se arvora ensinar...mas percebi uma arrogância e um ataque aos evangélicos abandonei rapidamente...

Anônimo disse...

O Olavo de Carvalho te persegue desde quando você foi íntegro e honesto com os amigos conservadores dele. Lembro-me dele ter ficado furioso quando você revelou o verdadeiro caráter dele, isto é, um sujeito extremamente boca suja e preconceituoso com os protestantes.

Enfim, quero te parabenizar por ser um dos primeiros conservadores a revelar ao público quem era Olavo de Carvalho.