24 de junho de 2020

Defensor do ocultista Julius Evola foi escolhido como examinador para aprovar novos diplomatas do Brasil


Defensor do ocultista Julius Evola foi escolhido como examinador para aprovar novos diplomatas do Brasil

Julio Severo
Agora, o brasileiro que quiser ser diplomata deverá ser examinado e aprovado por um entusiasta do filósofo italiano Julius Evola, que era o guru do ditador fascista italiano Benito Mussolini.
A notícia saiu na revista Época, em reportagem intitulada “Ernesto Araújo nomeia especialista em filósofo fascista para banca examinadora do Itamaraty,” que disse:
César Alberto Ranquetat Júnior foi nomeado pelo chanceler para o posto na sexta-feira 19 [2020].
Ranquetat é considerado o maior especialista em Evola no Brasil.
Em 2014, disse Ranquetat em uma conferência em homenagem a Evola, na Argentina:
“Fiquei encantado com o pensamento evoliano, principalmente pela coragem e audácia de Evola. É um autor de uma coerência, retidão e clareza inigualáveis,” e acrescentou:
“A ideia de realizar encontros evolianos no Brasil, modéstia à parte, surgiu da minha pessoa. Minha ideia era que o pensamento de Evola se expandisse, se difundisse de maneira mais significativa em setores políticos, mundo da cultura, etc.”
Em nota, Ranquetat negou que tenha sido escolhido por gostar de Evola. Ele disse que foi escolhido por suas credenciais como pesquisador profissional.
Contudo, ele não negou ter feito as declarações elogiosas a Evola, inclusive que ele teve a ideia de realizar encontros de Evola no Brasil e de ajudar a expandir as ideias de Evola no Brasil. E nem dava para negar. Uma breve pesquisa que fiz no Google revela o envolvimento de Ranquetat com o nome e eventos de Evola.
Achar que a devoção de Evola nas ideias de Ranquetat não vai interferir na hora de examinar e aprovar novos diplomatas do Brasil é uma ilusão.
E achar que Ranquetat é um pioneiro trazendo Julius Evola para dentro do Itamaraty, que é a diplomacia brasileira, é outra ilusão.
O Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, já elogiou, em artigo publicado em revista diplomática, Julius Evola, Steve Bannon e Olavo de Carvalho — todos eles membros da Escola Tradicionalista, uma seita ocultista que abriga de forma especial fascistas esotéricos.
A vasta maioria dos brasileiros não conhece Evola. Mas não é difícil entendê-lo: Há importantes paralelos entre Evola e Olavo de Carvalho, e ambos são publicamente admirados por Ernesto Araújo.
Pode ser pura coincidência que Ranquetat, um admirador de Evola, tenha sido escolhido por Araújo, outro admirador de Evola.
Como escritor evangélico, estou muitíssimo preocupado. Os evangélicos brasileiros elegeram o governo do Presidente Jair Bolsonaro não para se tornar uma plataforma de Evola, Bannon, Carvalho e outros membros ocultistas da Escola Tradicionalista. Eles elegeram o governo Bolsonaro para se opor à agenda de aborto, socialismo e homossexualidade.
Nunca foi a vontade dos evangélicos tirar a esquerda para, em seu lugar, colocar ocultistas admiradores de Evola.
Evola nada mais foi do que um Steve Bannon italiano ou Olavo de Carvalho italiano.
O que fazer com os membros da Escola Tradicionalista? O melhor exemplo vem do Presidente Donald Trump. Por algum tempo, Trump foi enganado por um membro da Escola Tradicionalista — Steve Bannon. Mas depois que Trump viu, e declarou, que Bannon não passava de um traidor e oportunista, Bannon foi expulso da Casa Branca. Você pode ler aqui a carta humilhante que Trump dirigiu a Bannon.
O governo Bolsonaro precisa urgentemente imitar Trump e expulsar todos os membros da Escola Tradicionalista.
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3 comentários :

Anônimo disse...

Suspeito que o governo Bolsonaro já seja simpático a escola tradicionalista.

Bolsonaristas já flertam com monarquia, terra plana, acham a idade media a melhor época de todas (ignorando a inquisição). Já amam o mundo da tradição contra o liberalismo democrático republicano.

Alexandre disse...

Só pra variar o governo Bolsonaro continua acendendo uma vela pra Deus e outra pro diabo, resta saber até quando o Malafaia irá participar desta farsa.

Unknown disse...

Penso que Bolsonaro já está traindo seu eleitorado evangélico há algum tempo. A utilidade dos evangélicos terminou após a eleição.