23 de setembro de 2019

Neto de Billy Graham lança nova igreja, argumentando que seus adultérios passados não foram abuso de poder


Neto de Billy Graham lança nova igreja, argumentando que seus adultérios passados não foram abuso de poder

Julio Severo
Tullian Tchividjian está liderando uma nova igreja depois de se demitir devido a seus casos de adultério em 2015. Tchividjian, neto de Billy Graham, foi forçado a renunciar ao cargo de pastor em junho de 2015, mas ele alega agora que todos os seus relacionamentos românticos ou sexuais com mulheres — que incluíam mulheres que ele aconselhava na igreja — foram consensuais e não abuso de seu poder pastoral.
Tullian Tchividjian pregando em seu Santuário
A nova igreja que Tchividjian está lançando se chama O Santuário e fica na Flórida, EUA.
Tchividjian, um homem musculoso e tatuado, é muito diferente de seu avô evangelista, conhecido por sua seriedade e usar ternos.
Tchividjian é filho de Gigi Tchividjian, a filha mais velha do avô dele. Graham morreu em 2018 de causas naturais aos 99 anos de idade.
Além de pregar, Tchividjian é autor de vários livros sobre o Cristianismo.
Uma mulher que teve um caso extraconjugal com Tchividjian diz que o relacionamento foi “abuso pastoral e má conduta sexual” por parte Tchividjian.
Contudo, o pastor que é famoso na internet diz que isso não é verdade. Mas ele admite que teve dois casos adúlteros — um dos quais foi com uma mulher que era membro da igreja, Rachel Steele. O caso deles durou entre maio e junho de 2015.
Esse caso eventualmente levou à sua renúncia da Igreja Presbiteriana Coral Ridge em Fort Lauderdale, Flórida, e acabou com seu casamento com a ex-esposa Kim. O presbitério do sul da Flórida também revogou suas credenciais pastorais.
Depois da Igreja Presbiteriana Coral Ridge, ele começou a trabalhar para a Igreja Willow Creek em Winter Springs, Flórida. Mas nem essa igreja esquerdista, que tentou lhe dar uma chance, aguentou o comportamento dele: Depois de confessar outro caso de adultério, ele foi demitido da igreja.
Sem salário, casa e mordomias, Tchividjian diz que sofreu depressão profunda depois de ser demitido da Igreja Willow Creek, afirmando que até queria cometer suicídio. Ele disse que sua depressão só passou depois que ele se casou com outra mulher, Stacie Philipps, em 2016.
“Algumas pessoas acham que eu deveria calar a boca e rastejar para dentro de uma caverna e nunca mais sair porque não estou qualificado para liderar espiritualmente de qualquer maneira por causa de tudo o que passei e do que fiz,” disse ele.
Tchividjian insiste em que seus adultérios não foram abuso de poder pastoral sobre mulheres que ele aconselhava dentro da igreja.
Contudo, Rachel Steele acusou-o de abusar de seu poder como pastor. “Ele era meu líder espiritual. Você sabe, ele era o meu herói. Ele era o professor que me ensinava… Ele definitivamente tinha um lugar de autoridade na minha vida,” disse Rachel. “Você confia em um homem assim muito mais.”
Tchividjian é acusado também pela organização Resposta Santa ao Abuso no Ambiente Cristão, ou RSAAC, que é liderada pelo irmão de Tchividjian.
Uma declaração publicada por RSAAC em seu site acusa Tchividjian de “má conduta sexual pastoral contra várias mulheres.”
Na primeira pregação de Tchividjian no Santuário, ele falou do seu “passado” e argumentou que Deus pode redimir qualquer coisa. Mais tarde, ele postou no Twitter esta mensagem:
Pode alguma coisa boa sair do fracasso? Pode alguma coisa boa sair do adultério ou do divórcio? Pode alguma coisa boa sair de solidão, desânimo ou perda? Pode alguma coisa boa sair de um casamento emocionalmente morto ou de uma vida descasada ou sonhos despedaçados?
— Tullian Tchividjian (@TullianT) August 8, 2019
Aparentemente o que mais pesou em sua decisão pessoal de voltar a pastorear foi saudades da velha vida abastada de pastor.
Depois dos diversos adultérios, Tchividjian podia voltar para Deus? Podia. Mas o que ele está fazendo é voltar a ser pastor, para gozar a boa vida financeira — com casa grande e salário elevado — que ele gozava no passado. Tendo fracassado em encontrar um emprego que lhe proporcionasse tal boa vida financeira, ele viu que não existe outra saída a não ser voltar à sua velha vida de pastor.
Mas toda essa boa vida ele já tinha e só perdeu por descontrole sexual. A igreja que ele pastoreava no passado era grande e forte.
A Igreja Presbiteriana Coral Ridge, sob a liderança do Rev. D. James Kennedy, tinha participação ativa nas décadas de 1980 e 1990 no movimento conservador, combatendo agendas malignas, inclusive o aborto e a homossexualidade. Depois da morte dele, Tullian Tchividjian assumiu a liderança, afastando a Igreja Presbiteriana Coral Ridge das guerras culturais.
Como pastor da Igreja Presbiteriana Coral Ridge, Tchividjian afirmou que o envolvimento dos evangélicos no movimento político conservador prejudicava o Cristianismo.
“No curso dos últimos 20 ou 30 anos, o evangelicalismo, especificamente sua ligação com a Direita cristã e políticas conservadoras, tem feito mais danos ao nome do Cristianismo do que qualquer outra coisa,” ele disse.
Tchividjian acabou banindo os membros conservadores, inclusive a filha de D. James Kennedy, porque eles queriam continuar a tradição da Igreja Presbiteriana Coral Ridge de envolvimento nas guerras culturais. Mas a atitude dele de se afastar da luta contra o aborto e a agenda gay não tinha nada a ver com a família Graham. Franklin Graham, filho de Billy Graham e presidente da Associação Evangelística Billy Graham, tem estado muito ativo nas guerras culturais.
A mídia secular não está atacando Tchividjian por causa de seus adultérios. Isso não é surpresa: Pelo fato de que ele evitava guerras culturais, a mídia está lhe dando um bônus. Se ele estivesse ativamente lutando contra o aborto e a agenda gay, as manchetes nacionais e internacionais explodiriam sem dó nem piedade com títulos como “Proeminente Pastor Antigay e Antiaborto Cai em Escândalos Sexuais!” seguidas de reportagens crivadas de críticas ácidas.
Ao escolher se distanciar do conservadorismo, com sua luta cristã necessária contra o aborto e a agenda gay, Tchividjian e seus adultérios ganharam a simpatia e proteção especial da mídia esquerdista.
A esquerda pouco se importa se ele chama sua nova igreja de Santuário. Mas pelos padrões de Deus, Santuário não é brincadeira e jamais deveria ser um lugar em que o púlpito está manchado pelas sombras de um pastor que adulterava com mulheres que ele aconselhava na igreja.
Com informações de Charisma e Daily Mail.
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