19 de março de 2019

Televangelista Silas Malafaia diz que é simplesmente ridículo descartar os evangélicos para creditar a vitória de Bolsonaro ao astrólogo Olavo de Carvalho


Televangelista Silas Malafaia diz que é simplesmente ridículo descartar os evangélicos para creditar a vitória de Bolsonaro ao astrólogo Olavo de Carvalho

Julio Severo
Quando Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, disse que “sem Olavo, não haveria a eleição de Jair Bolsonaro,” seu comentário me chocou, e publiquei o seguinte artigo: Eduardo Bolsonaro diz que “sem Olavo, não haveria a eleição de Jair Bolsonaro”.
Silas Malafaia apoiando Jair Bolsonaro durante a eleição
Mas outra pessoa, muito mais importante do que eu, também ficou chocada: o televangelista mais proeminente do Brasil.
Em um tuíte de 18 de março de 2019, o Pr. Silas Malafaia, um televangelista pentecostal que é conhecido em todo o Brasil e outras nações, afirmou que Bolsonaro pessoalmente lhe disse várias vezes que se 80% dos evangélicos o apoiassem, ele seria eleito presidente. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Bolsonaro conseguiu no mínimo 70% dos votos evangélicos, e foi eleito.
Malafaia, que é um peso-pesado evangélico conservador no Brasil, acrescentou:
“Vem agora seu filho, aprendiz de político, dizer que Olavo de Carvalho é o maior responsável pela vitória do pai. SIMPLESMENTE RIDÍCULO!”
A intervenção de Malafaia no Twitter dissipou a FakeNews anti-evangélica de que Olavo de Carvalho, que tem histórico de ocultismo islâmico e astrologia, foi o homem responsável pela eleição de Bolsonaro.
Diferente de Carvalho, que tem mais fama à custa de Bolsonaro como presidente, Malafaia já era internacionalmente famoso muito antes de Bolsonaro e Carvalho.
Em 2011, o jornal americano New York Times entrevistou Malafaia em uma reportagem intitulada “Líder evangélico ergue-se nas guerras culturais do Brasil.” Assim, a fama internacional de Malafaia nas guerras culturais contra o aborto e a agenda gay não é algo novo. E é por méritos próprios.
Obviamente, os evangélicos, que foram ambiciosamente cobiçados por Bolsonaro durante a eleição, estão tendo muito pouco espaço agora que o poder governamental está firmemente nas mãos dele.
Por alguma razão, depois da eleição, Bolsonaro parou de valorizar seus apoiadores evangélicos e começou a glorificar o astrólogo Olavo, que vive como imigrante auto-exilado nos EUA há 15 anos, mas nunca conseguiu alcançar fama por seus próprios méritos.
Talvez agora, com Bolsonaro fazendo propaganda gratuita para ele, ele possa alcançar alguma fama. Além disso, Steve Bannon, que havia sido expulso por Trump por vazar informações secretas, prometeu tornar Carvalho famoso nos EUA. Bannon está agora próximo de Bolsonaro, por causa de Carvalho e Eduardo.
Depois de ser demitido por Trump, Bannon criou um movimento para influenciar direitistas na Europa e na América Latina.
Bannon e Carvalho tiveram dois encontros em janeiro passado. Ambos têm o mesmo histórico: Eles foram inspirados por René Guénon, um ocultista islâmico que fundou a Escola Tradicionalista para promover o conservadorismo esotérico e combater o marxismo. Bannon, Carvalho e Guénon vieram do mesmo histórico católico.
Bannon, Carvalho e Eduardo estão fazendo todo o possível para expandir o movimento guenoniano de Bannon — às custas dos evangélicos que elegeram Bolsonaro.
O grande problema deles é que o astrólogo a quem eles atribuem à vitória de Bolsonaro não tem milhões de seguidores. Em contraste, os evangélicos representam milhões de eleitores no Brasil.
A fanpage de Facebook do astrólogo Olavo tem mais de 500 mil seguidores, praticamente o mesmo número de fãs de Walter Mercado, astrólogo porto-riquenho que ficou famoso na TV brasileira com seu bordão “Ligue Djá!” na década de 1990.
Assim, dizer que um astrólogo brasileiro foi responsável pela eleição do presidente brasileiro é a mesma coisa que dizer que um astrólogo porto-riquenho foi responsável pela eleição do presidente dos EUA.
Somente pessoas sob um poderoso feitiço veem a realidade de maneira invertida. Rasputin mantinha o czar russo sob tal feitiço. É por isso que chamo Carvalho de Rasputin de Bolsonaro. Outros o chamam de “guru de Bolsonaro.” Carvalho rejeita e chama esses nomes de FakeNews.
Agora Carvalho está na situação difícil de acusar o governo Trump de produzir FakeNews depois que a Voz da América (VOA) informou que Bolsonaro estava no domingo na embaixada brasileira em Washington com:
“Bannon e o escritor brasileiro Olavo de Carvalho, que vive nos EUA, considerado o guru ideológico de Bolsonaro.”
VOA, a maior emissora internacional dos EUA, chamou oficialmente Carvalho de “guru ideológico de Bolsonaro.” VOA pertence ao governo dos EUA e transmite as opiniões do governo dos EUA. Então a maior emissora do governo dos EUA transmitiu para o mundo inteiro que Bolsonaro encontra-se dependente de um guru.
Bolsonaro não pode se queixar de que ele foi retratado internacionalmente pelo governo dos EUA como dependente de um guru. Sua decisão de ter Bannon em um jantar exclusivo na embaixada brasileira na véspera de seu encontro com Trump foi uma bofetada na cara de Trump.
E dizer que um astrólogo, não milhões de evangélicos, foi o homem responsável pela eleição de Bolsonaro foi uma bofetada na cara dos evangélicos.
Bannon foi expulso por Trump por oportunismo. Trump disse:
“Steve finge estar em guerra com a mídia, que ele chama de partido de oposição, mas ele passava seu tempo na Casa Branca vazando informações falsas para a mídia para se fazer parecer mais importante do que ele era. Essa é a única coisa que ele faz bem.”
Tal oportunismo é uma descrição perfeita de Carvalho e de como ele e seus adeptos estão tirando vantagem dos evangélicos brasileiros “vazando informações falsas para a mídia” (“sem Olavo, não haveria a eleição de Jair Bolsonaro”) para se fazerem parecer muito mais importantes do que eles são.
Trump fez muito bem ao demitir um oportunista guenoniano: Bannon. Mas Bolsonaro está semeando problemas para si mesmo tornando-se dependente de dois oportunistas guenonianos: Bannon e Carvalho.
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8 comentários :

O Sousa da Ponte - João Melo de Sousa disse...

O Bolsonaro parece querer afastar-se das grandes igrejas evangélicas. Isto tem alguma lógica pelas ligações que elas têm com a lavagem de dinheiro e muitas ligações perigosas ao narcotráfico.
Os milhões gerados e levados para fora do Brasil escondem negócios muito próximos com organizações mafiosas como os narcotraficantes.
Bolsonaro não se quer ver envolvido com este tipo de escândalos.
Parece-me só isso.
Há muitas investigações internacionais sobre lavagem de dinheiro, rapto de crianças e narco tráfego pelas grandes igrejas evangélicas. É inevitável que acabem por serem investigadas e os responsáveis presos.
Uma coisa é ser eleito com o voto evangélico outra muito diferente é ver-se envolvido com os dirigentes.
Penso mesmo que o juiz Moro o terá avisado dos riscos que corre com a bancada evangélica.

Marcos Cruz disse...

Bolsonaro está realmente embruxado. Ele está dando toda mordomia e visibilidade possível para este astrólogo. Infelizmente ele está bem distante do seu verdadeiro eleitorado, que Deus tenha misericórdia dessa nação.

Unknown disse...

Verdade. Não consigo entender o que levou o Bolsonaro a agir de forma totalmente indiferente para com os evangélicos, o grupo conservador que o elegeu. Sinceramente, eu desconfiava que Bolsonaro cederia em muitas questões por conta da oposição que ele teria tanto na mídia como na rede de televisão e ele antigamente não se importava com as críticas,porém o mesmo agora vive sob um código de percepção de eleitorado em que mede seu desempenho presidencial conforme vão falando dele, e so falam mal.

J. SSousa disse...

Que maluquice é essa?!

Alexandre Costa disse...

Fazendo apenas uma correção na fala do Malafaia, o filho do Bolsonaro não é aprendiz de político e sim de feiticeiro, Já o próprio Bolsonaro se afastar das igrejas com medo de lavagem de dinheiro e associação com o narcotráfico é uma afirmação totalmente ridícula, Pois se fosse realmente esse o caso ele nunca tinha entrado na política, afinal em qual profissão se encontra mais corruptos por metro quadrado?

Unknown disse...

Ao que tudo indica, nós evangélicos ficamos "chupando dedo" , carregamos o cara nas costas e o mérito ficou para os olavetes neoconbr . Espero que na próxima eleição os cristãos PAREM de bajular políticos.

Leonardo Lima disse...

Esse Bannon me parece ser pouco confiável. Não acho bom se envolver com esses caras.

O Sousa da Ponte - João Melo de Sousa disse...

O problema com as igrejas evangélicas são as ligações perigosas com os narcos.

Uma coisa é o apoio dos evangélicos como massa que vota outra são as lideranças.

Os brasileiros evangélicos são gente boa. Pagam o dízimo e são gente honesta

Os dirigentes são mafiosos perigosos.

Fazer algum trato com os líderes evangélicos é perigoso.

A bancada evangélica é uma máfia perigosa.

Silas, Macedo & companhia são criminosos empedernidos capazes de tudo.

O juiz Moro deve saber de muita coisa. Bolsonaro se quer alguma credibilidade tem de se afastar destas máfias.

Até porque qualquer concessão a essa gente vai custar-lhe muito caro.

É como negociar com o Pablo Escobar.

Pode render de imediato mas é vender a alma ao diabo.

Não se é desonesto por pagar o dízimo ou trizimo.

Quem recebe e investe nos EUA ou na Suíça é que é perigoso.

Eu, francamente, não me envolvia com líderes evangélicos ou narcos.

Podia ganhar muito no imediato mas vem sempre o futuro.
E é gente sem escrúpulos e moral ..

O Bolsonaro está a proteger-se.

Os brasileiros são evangélicos venham os votos.

Fazer tráfico de drogas ou lavar dinheiro dos cartéis com os dirigentes.... Isso não.