24 de fevereiro de 2019

Sim, os poloneses estão impregnados de antissemitismo desde o seio de suas mães


Sim, os poloneses estão impregnados de antissemitismo desde o seio de suas mães

A grande maioria dos poloneses e outros continuam sendo inimigos do povo judeu, mas alguns políticos, diplomatas e pesquisadores do Holocausto estupidamente afirmam estarem chocados com essa “generalização.”

Israel Harel
Todos os que estão pedindo ao ministro das Relações Exteriores de Israel, Yisrael Katz, que peça desculpas por seus comentários ecoando o comentário de Yitzhak Shamir de 1989 de que “os poloneses estão impregnados de antissemitismo desde o seio de suas mães” estão se comportando como judeus envergonhados numa era que pensávamos havia desaparecido há muito tempo. Shamir, que em sua infância sofreu os golpes e maldições dos poloneses, resume a verdade do pesadelo de mil anos que era a vida judaica na Polônia — a verdade que os poloneses estão tentando negar e distorcer. Essa terrível verdade também foi sentida pelos pais de Katz, sobreviventes do Holocausto da Romênia e da Hungria.
Depois de mais de 70 anos de independência, há judeus em Israel que seguem a linha do governo polonês em sua exigência de que Katz peça desculpas. Alguns até acusam Katz de nada menos do que racismo. Políticos, inclusive Tzachi Hanegbi, diplomatas e acadêmicos especializados no Holocausto, a serviço, inclusive pago, de poloneses e alemães, estão chocados com a “generalização.”
Esses pesquisadores se esforçam para provar que “nem todos os poloneses (e alemães, ucranianos, húngaros, letões, lituanos, russos, romenos, holandeses, italianos, franceses e assim por diante) são culpados pelos crimes de seus governos, que colaboraram com os nazistas. Como parte dos preparativos “psicológicos” do Yad Vashem para as delegações militares na Polônia, uma lição é sobre a decadência em que Israel se encontra, de acordo com essa instituição oficial. Pessoas como essas, escreveu o poeta Avraham Shlonsky logo após o Holocausto, continuam a não aprender nada depois da passagem de toda tempestade.
É verdade que entre os poloneses havia e ainda há gentios justos. Mas a grande maioria eram e são inimigos do povo judeu. Se não fosse por esse ódio inato, não teria havido milhares de pogroms, decretos e expulsões, inclusive a Inquisição Espanhola e culminando no Holocausto. Somente por causa desse ódio profundo e arraigado, que dura até hoje, os países europeus e a Alemanha também conseguem negociar com o Irã. Isso inclui a venda de armas para um país que declara abertamente (e está fazendo preparativos nesse sentido) que visa completar o trabalho do diabo e aniquilar o Estado judeu.
Para muitos israelenses, e certamente para os judeus da Diáspora, é difícil aceitar que até o Holocausto não tenha arrancado o antigo ódio que os cristãos (e os muçulmanos, mas esse é outro caso) abrigam para com os judeus. Como o antissemitismo atualmente não é politicamente correto, o ódio reprimido em relação aos judeus é expresso como ódio ao Estado judeu. Um dos mais antigos slogans do “antigo” antissemitismo era “judeus para a Palestina.” Agora que os judeus estabeleceram sua soberania na Palestina, os antissemitas exigem “judeus fora da Palestina.” E muitos judeus, especialmente em Israel e nos Estados Unidos, se identificam com eles, como judeus no passado que se identificavam com a imundície que lhes era lançada pelos antissemitas.
Com a crescente onda antissemita na França, seu presidente abalado, Emmanuel Macron, prometeu aprovar leis contra o antissemitismo. Ele também notificou a comunidade judaica de que, como parte dessa legislação, ele promoveria um projeto de lei que proibiria equiparar o sionismo ao racismo. (Quando é que tal lei será aprovada em Israel?)
Não duvido das suas intenções sinceras, mas nenhuma legislação irá neutralizar o ódio arraigado aos judeus no país dele. O antissemitismo é uma doença mental-religiosa. Combatê-la através de organizações judaicas no exterior e com ações hesitantes de Israel não é suficiente. Enquanto não reconhecermos que o antissemitismo é uma doença crônica, não conseguiremos empreender uma campanha eficaz contra ele, e ele continuará fazendo muitas vítimas.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do jornal israelense Haaretz: Yes, Poles Imbibed anti-Semitism With Their Mothers’ Milk
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