26 de fevereiro de 2019

Conselho de Pesquisa da Família: Servindo ao conservadorismo ou servindo ao Partido Republicano?


Conselho de Pesquisa da Família: Servindo ao conservadorismo ou servindo ao Partido Republicano?

Julio Severo
Em um artigo intitulado “Nova iniciativa de Trump: Legalizar a homossexualidade em todos os países,” o WorldNetDaily, um dos sites conservadores mais proeminentes do mundo, disse:
“O homossexual mais destacado no governo Trump está liderando uma iniciativa para descriminalizar a homossexualidade em dezenas de países onde ela ainda é ilegal.”
O homossexual mais destacado é Richard Grenell, embaixador dos EUA na Alemanha.
Entretanto, o Family Research Council — Conselho de Pesquisa da Família (CPF) — teve uma interpretação diferente. Em seu artigo intitulado “Direitos Humanos São Direitos Humanos,” o CPF disse que “Grenell escreveu em um artigo de opinião no jornal alemão Bild que ‘autoridades governamentais devem. . . exigir que os países membros da ONU descriminalizem a homossexualidade,” mas assegurando que “Há apenas um problema — além do embaixador, não parece que o presidente Trump — ou qualquer outra pessoa no seu governo — tenha autorizado essa ‘campanha.’”
Assim, enquanto o WorldNetDaily informou sobre uma iniciativa do governo Trump, liderada por Grenell, para descriminalizar a homossexualidade em todo o mundo, o CPF informou basicamente que o caso não é tão sério.
Argumentarei que o caso é muito sério. Grenell é o mais proeminente ativista homossexual no Partido Republicano e no governo Trump. Ele é casado com outro homem homossexual e defende muitos itens da agenda gay, inclusive o “casamento” homossexual. Nenhum conservador real jamais nomearia tal ativista gay para qualquer cargo do governo, mas Trump fez isso. Trump fez exatamente o que Obama teria feito. O que um presidente deve esperar depois de nomear um ativista gay? Campanhas pró-família?
O CPF disse corretamente:
“Nos últimos oito anos, o presidente Barack Obama e a secretária de Estado Hillary Clinton espancaram as capitais estrangeiras com ‘diplomacia’ com o objetivo de promover uma agenda LGBT em todo o mundo e na ONU — prejudicando nossas relações com muitos países como resultado. O governo Trump deveria acabar com tais esforços, não fazendo deles uma prioridade.”
No entanto, imediatamente o CPF mencionou o secretário de Estado Mike Pompeo como um bom exemplo e que “Agora a maré mudou.”
Como é que essa mudança aconteceu? No governo Obama, a secretária de Estado Hillary Clinton celebrava junho como mês de orgulho homossexual no Departamento de Estado. Se a maré mudou, como o CPF disse, então hoje, sob Trump, não há celebração de orgulho homossexual no Departamento de Estado, certo? Errado!
Sob Trump, o ex-secretário de Estado Rex Tillerson proclamou junho de 2017 como “Mês do Orgulho LGBT.” E novamente sob Trump, o atual secretário de Estado Mike Pompeo proclamou junho de 2018 como “Mês do Orgulho LGBTI.”
Então, onde foi que a maré mudou?
O CPF acredita que uma opinião de Pompeo resume as melhores intenções. O CPF disse:
“Agora a maré mudou. O secretário de Estado Mike Pompeo articulou a maneira correta de pensar sobre tudo isso… Pompeo respondeu: ‘Acredito profundamente que os indivíduos LGBT têm todo direito que toda pessoa tem.’”
Ao dizer que os homossexuais têm todo direito que qualquer outra pessoa tem, Pompeo acabou revelando a real intenção do governo Trump, porque se toda pessoa tem direito ao casamento e adoção de crianças, a declaração de Pompeo sugere que todo homossexual também tem direito ao casamento e adoção de crianças.
A maré não mudou no que se refere a celebrações de orgulho homossexual no Departamento de Estado. Mas, no que diz respeito aos valores evangélicos, a maré mudou. Pompeo se vê como um evangélico conservador. Se os evangélicos conservadores estão celebrando a homossexualidade no Departamento de Estado, a maré realmente mudou — para pior.
Então, tentando fazer uma concessão para agradar aos ativistas gays e aos conservadores, o CPF terminou seu texto dizendo:
“Vamos encontrar um denominador comum para pedir o fim de todas as formas de violência física contra os homossexuais — mas sem impor os valores da revolução sexual ao resto do mundo.”
Assim, o CPF mostrou que apoia uma campanha para acabar com “todas as formas de violência física contra homossexuais.” Contudo, por que se lembrar da violência contra homossexuais, mas não da violência cometida por homossexuais? O CPF esqueceu que há uma epidemia de abuso homossexual contra meninos?
Quando penso em violência e homossexualidade, o primeiro pensamento que vem à minha mente não é de indivíduos que sofrem violência por seu estilo de vida sexual. O primeiro pensamento é de crianças que sofrem violência homossexual — física e psicológica. Há um enorme esforço para encobrir o sofrimento das crianças nas mãos de predadores homossexuais.
A interpretação que tenho com relação ao artigo do CPF é que o CPF tentou minimizar e proteger o governo Trump dos efeitos esperados da presença de um ativista homossexual no governo. O CPF basicamente minimizou a campanha para descriminalizar a homossexualidade em todo o mundo, mas ao mesmo tempo reconheceu que está disposto a aceitar uma campanha para acabar com “todas as formas de violência física contra homossexuais.”
Que tal uma campanha para acabar com todas as formas de violência física homossexual contra meninos? Uma campanha para proteger os meninos e sua inocência não deveria ser muito mais importante do que proteger indivíduos que escolheram um estilo de vida sexual imoral e pervertido?
Não faz sentido apoiar uma campanha para acabar com “todas as formas de violência física contra homossexuais” enquanto milhares e milhares de meninos sofrem violência sexual de homossexuais.
Se eu fosse o Secretário de Estado, a maré mudaria. Eu lançaria um “Mês de Proteção de Crianças Contra Propaganda e Violência Homossexual.” Eu também lançaria uma iniciativa para encorajar as nações a proteger crianças e adolescentes da propaganda homossexual e de sua violência psicológica e física.
Em minha opinião, o CPF e seu presidente, Tony Perkins, precisam ser francos se realmente acreditam em valores conservadores.
No ano passado, o CPF participou da Conferência de Ação Política Conservadora (CAPC), a maior e mais antiga conferência “conservadora” anual dos Estados Unidos. Vergonhosamente, a CPAC baniu a organização pró-família MassResistance como expositor, enquanto ao mesmo tempo permitiu que o grupo homossexualista Log Cabin Republicans permanecesse. Log Cabin Republicans é uma ala de militantes homossexuais dentro do Partido Republicano.
Por que o CPF não defendeu o grupo conservador e denunciou o grupo homossexualista?
“É inconcebível que uma organização que se autoproclame conservadora como a CAPC proíba um estande de patrocínio para uma grande organização pró-família como MassResistance — enquanto permite que o grupo de ativistas gays Log Cabin Republicans patrocine um estande na mesma conferência,” disse Peter LaBarbera, fundador e presidente de Americanos em Favor da Verdade acerca da Homossexualidade (cuja sigla em inglês é AFTAH). O que é interessante é que a entidade precursora de AFTAH foi lançada na CAPC 26 anos atrás.
“Está tudo de cabeça para baixo,” continuou LaBarbera. “É o Log Cabin Republicans, que faz cruzadas para avançar o ‘casamento’ homossexual, que está minando o conservadorismo.”
Quando o banimento de MassResistance virou escândalo depois que foi denunciado por LaBarbera, LifeSiteNews e outros sites pró-vida, a CAPC convidou o CPF para ter um estande, como estratégia de último minuto para acobertar seu banimento escandaloso contra MassResistance. Foi inapropriado o CPF aceitar o convite sem denunciar as ações anticonservadoras do CAPC.
Assim, a maré não mudou nas celebrações homossexuais no Departamento de Estado, mas mudou na luta conservadora contra a agenda homossexual. Como LaBarbera disse com razão, banir grupos conservadores e convidar grupos homossexuais para o mais importante evento conservador dos EUA mostra que tudo “está de cabeça para baixo.”
Mesmo que Trump não tenha aprovado a campanha do ativista homossexual Richard Grenell, recordemos que Trump nomeou um juiz gay em outubro passado e ele mesmo nomeou Grenell. E quem mais do que Trump autorizou, em 2017 e 2018, o Departamento de Estado a celebrar junho como mês do orgulho homossexual?
Além disso, em 2017 Trump manteve Randy Berry como Embaixador Especial dos Direitos Humanos dos Indivíduos LGBTI, um cargo criado pelo governo Obama. Aliás, esse cargo do Departamento de Estado, o qual foi uma inovação mundial, foi lançado pioneiramente por Obama para promover a aceitação da homossexualidade, bissexualidade e transgenerismo no exterior como a política externa oficial dos EUA.
Trump manteve esse símbolo poderosíssimo do imperialismo homossexual do ex-governo Obama, mesmo depois que líderes evangélicos haviam pedido especificamente para que esse cargo fosse eliminado.
Naquela época, Tony Perkins disse: “Manter Berry só sinaliza ao mundo que a agenda radical dos anos de Obama ainda está profundamente entrincheirada no Departamento de Estado.” Por que Perkins acha que agora o Departamento de Estado mudou para melhor?
Por que o CPF e Perkins fingem ignorar tais avanços homossexuais no governo Trump? Por que eles se recusam a expor esses escândalos em sua cruel realidade? Por que minimizá-los?
Provérbios 27: 6 ensina que os amigos verdadeiros nos corrigem. Se o CPF é um verdadeiro amigo de Trump e do Partido Republicano, precisa corrigi-los com toda a franqueza. Só desse jeito a maré poderá mudar.
Não é fácil corrigir amigos, e sei do que estou falando: Sou amigo do CPF há mais de 25 anos.
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Um comentário :

Flávio disse...

É necessário um presidente muito mais a direita