20 de novembro de 2018

Como o socialismo quase destruiu os peregrinos, os primeiros colonizadores evangélicos dos EUA


Como o socialismo quase destruiu os peregrinos, os primeiros colonizadores evangélicos dos EUA

Eddie Hyatt
Muitos anos antes do socialismo provocar o colapso do Império Soviético e devastar a nação da Venezuela, as incompetências do socialismo foram demonstradas aqui mesmo em solo americano. Os peregrinos (evangélicos que foram os primeiros a habitar os EUA) que desembarcaram em Cape Cod, no outono de 1620, inicialmente tentaram um tipo de vida comunitária, mas a dissolveram quando se tornou óbvio que sua comunidade não conseguiu sobreviver com tal sistema (Hyatt, Pilgrims and Patriots, 36-38).

Os peregrinos experimentam a dor do socialismo

A jornada dos peregrinos para a América foi financiada por um grupo de capitalistas de risco que forneceu o navio e suprimentos para sua jornada ao Novo Mundo. Em troca, os peregrinos concordaram em viver comunitariamente com todos, recebendo a mesma recompensa pelo seu trabalho, e com tudo acima de suas necessidades básicas indo para um fundo comum a ser usado para pagar seus credores.
William Bradford, que serviu como governador de Plymouth por muitos anos, contou dos desafios desse sistema socialista. Os homens jovens, ele disse, se ressentiam de receber o mesmo que os homens mais velhos, quando faziam muito mais do trabalho. Como resultado, eles tendiam a ficar relaxados, pois sabiam que receberiam o mesmo, não importando o quanto trabalhassem.
Os homens mais velhos sentiam que mereciam mais honra e recompensa por causa de sua idade e se ressentiam de receber o mesmo pagamento que os jovens no meio deles. Como todos recebiam o mesmo, não importando o quanto trabalhassem, as mulheres muitas vezes se recusavam a ir para o campo para trabalhar, reclamando de doenças e dores de cabeça. Obrigá-las a ir, disse Bradford, teria sido considerado tirania e opressão.
Esse sistema socialista desencorajou o trabalho e a inovação e criou uma atmosfera em que as brigas aumentavam. Quando se tornou óbvio que a escassez e talvez a fome seriam o destino deles, Bradford e os líderes da colônia decidiram fazer uma mudança. Depois de muita oração e discussão, eles decidiram dispensar aquela parte do acordo com seus credores que exigia que eles vivessem comunitariamente até que sua dívida fosse paga.

Eles experimentam os ganhos da livre empresa

De acordo com Bradford, eles então dividiram a terra ao redor deles, distribuindo a cada família certa porção que seria deles para trabalhar e usar para suas próprias necessidades. Bradford disse que houve uma mudança imediata. Os jovens começaram a trabalhar muito mais porque agora sabiam que comeriam o fruto de seus próprios trabalhos.
Não houve mais queixas dos homens mais velhos pela mesma razão. E agora as mulheres eram vistas indo para os campos para trabalhar, levando as crianças consigo, porque sabiam que elas e suas famílias se beneficiariam pessoalmente.
Em vez de faltar comida, cada família agora produzia mais comida e milho do que precisavam, e começaram a trocar entre si por móveis, roupas e outros bens. Eles também tinham excesso suficiente para negociar com os índios por peles e outros itens. Em resumo, a colônia começou a prosperar quando se livrou de sua forma de governo socialista e implementou um sistema empresarial livre.
De sua experiência com o socialismo, Bradford escreveu:
Descobriu-se que esta comunidade [socialismo] gerou muita confusão e descontentamento e retardou muito o emprego que teria sido em seu benefício e conforto… e mostrou a vaidade desse conceito de Platão, e aplaudido por alguns nestes últimos tempos, que a tomada de propriedade e unificar tudo em comunidade os faria felizes e prósperos; como se eles fossem mais sábios que Deus (Hyatt, Pilgrims and Patriots, 38).

Cristianismo e Capitalismo

Bradford acreditava que o socialismo não funcionava porque contrariava a vontade de Deus para a humanidade em um mundo caído. Por causa do estado caído da humanidade, não se pode esperar que ele trabalhe sem recompensa. Nas Escrituras, Deus recompensa os indivíduos por seu trabalho e boas obras. O capitalismo funciona porque é compatível com a realidade da natureza humana e do mundo em que vivemos.
Para o capitalismo ter pleno sucesso, porém, ele deve funcionar em um ambiente cristão forte. Caso contrário, os fortes e poderosos pisarão nos fracos e nos pobres. O capitalismo funcionou para os peregrinos porque eles eram pessoas compassivas que cuidavam daqueles que estavam no meio deles quando estavam doentes, feridos ou incapazes de trabalhar.
O verdadeiro Cristianismo traz uma compaixão que ajuda os fracos e pobres, sem nenhum programa governamental que destrói a iniciativa. Isso é o que aconteceu na igreja primitiva e é o que aconteceu com os peregrinos, que queriam imitar essa igreja.

Socialismo Deifica o Estado

O socialismo moderno está enraizado no marxismo, onde a fé em Deus é substituída pela fé no governo. O Estado é deificado e se torna o tudo em todos para a sociedade. As pessoas são ensinadas a olhar para o governo para resolver todos os problemas e atender a todas as necessidades. Isso, por sua vez, requer uma elite governante, como o antigo politburo soviético, que controla todas os aspectos da sociedade, e é por isso que Walter Williams, professor de economia na Universidade George Mason, diz: “O socialismo é apenas outra forma de tirania.”
No pensamento marxista/socialista, a fé em Deus é vista como um inimigo do Estado. É por isso que, durante o século XX, milhões de cristãos foram presos e condenados à morte em regimes socialistas/comunistas como a China, o Camboja, Cuba e a União Soviética. O deus do socialismo é um deus ciumento e não tolerará rivais.
O socialismo tem um histórico terrível, o que torna incrível que muitas das gerações mais jovens o estejam aceitando. Observando que o socialismo tem sido mantido vivo nos ambientes isolados das universidades, Thomas Sowell opinou: “O socialismo em geral tem um histórico de falhas tão flagrantes que somente um intelectual conseguiria ignorá-lo ou evitá-lo.”

A responsabilidade Cristã

Jamais esquecerei minha visita à Europa Oriental logo depois da queda do Império Soviético. Fiquei impressionado com o ambiente cinzento e monótono. Até os prédios pareciam tão simples, planos e sem brilho. Era óbvio que o sistema marxista havia roubado as pessoas da vida, energia e criatividade. Lembro-me aqui das palavras de Winston Churchill: “Os que não aprendem com a história estão condenados a repeti-la.”
Como cristãos, nossa responsabilidade é chamar as pessoas a Cristo e ajudá-las a viver seu Cristianismo no mundo real. Viver nosso Cristianismo significa uma vida de responsabilidade, sem buscar esmolas do governo, mas trabalhando e prosperando de uma forma que possamos dar uma mãozinha aos que estão em necessidade. Desejamos o melhor para o maior número de pessoas, e é por isso que devemos rejeitar a visão contemporânea de um sistema socialista imposto pelo governo nos EUA.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês da revista Charisma: How Socialism Very Nearly Destroyed the Pilgrims
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Um comentário :

Rodolfo José Andrello disse...

Bom dia Julio. Sabe me dizer se há alguma obra secular que aborde esse episódio do coletivismo de 1620 mencionado no seu post? Desde já agradeço.