23 de outubro de 2018

Como a poderosa união de Trump com evangélicos salvou os EUA de Steve Bannon e seu plano ocultista de um governo “tradicionalista”


Como a poderosa união de Trump com evangélicos salvou os EUA de Steve Bannon e seu plano ocultista de um governo “tradicionalista”

Julio Severo
Tão importante quanto nomear indivíduos capazes em um governo é demitir indivíduos duvidosos. É necessário muito discernimento, ou a intervenção de Deus, para fazer as duas coisas. Em 2018, a decisão de Trump de demitir Steve Bannon pode ter sido uma das decisões mais importantes de seu governo. A carta completa de Trump dizia:
Steve Bannon
Steve Bannon não tem nada a ver comigo ou com minha presidência. Quando foi demitido, ele não só perdeu o emprego, ele perdeu também a cabeça. Steve era um funcionário que trabalhava para mim depois de eu já ter ganhado a indicação ao derrotar dezessete candidatos, muitas vezes descritos como os nomes mais talentosos já reunidos no Partido Republicano.
Agora que ele está sozinho, Steve está aprendendo que ganhar não é tão fácil quanto eu faço parecer. Steve teve muito pouco a ver com nossa vitória histórica, que foi dada pelos homens e mulheres esquecidos deste país. No entanto, Steve teve tudo a ver com a perda de uma vaga no Senado no Alabama, mantida por mais de trinta anos pelos republicanos. Steve não representa minha base, ele só está nisso para se autopromover.
Steve finge estar em guerra com a mídia, que ele chama de partido de oposição, mas ele passava seu tempo na Casa Branca vazando informações falsas para a mídia para se fazer parecer mais importante do que ele era. Essa é a única coisa que ele faz bem. Steve raramente estava em uma reunião frente a frente comigo e só finge ter tido influência para enganar algumas pessoas sem acesso e que não entendem, pessoas a quem ele ajudou a escrever livros fajutos.
Temos muitos grandes membros republicanos do Congresso e candidatos que apoiam muito a agenda “Engrandeça os EUA de Novo.” Como eu, eles amam os Estados Unidos da América e estão ajudando a recuperar finalmente nosso país e construí-lo, em vez de simplesmente tentar destruí-lo.
Provavelmente, Trump não entendeu completamente a extensão das forças das trevas por trás de Bannon. Mas ele entendeu completamente que algo estava terrivelmente errado e que havia manipulação e auto-engrandecimento.
Mais provavelmente ainda, ao notar o aparecimento do mal, Trump acabou escapando das profundezas de um mal não tão aparente representado pela ideologia tradicionalista de Bannon. E somente através das orações as profundezas do mal podem ser evitadas ou escapadas, mesmo quando elas não são claramente vistas e compreendidas.
Trump está cercado de evangélicos que oram. Por exemplo, em agosto passado, Trump convidou para um “jantar digno de chefes de Estado” na Casa Branca cerca de 100 líderes evangélicos para o que foi um evento repleto de orações.
Entre os evangélicos notáveis que participaram do encontro estão Franklin Graham, James Dobson, Paula White, Greg Laurie, o presidente do Conselho de Pesquisa da Família Tony Perkins, o apresentador de rádio conservador Eric Metaxas, o televangelista Kenneth Copeland, o pastor de megaigreja Jentezen Franklin e Ralph Reed, da Coalizão Fé e Liberdade.
Graham observou que muitas orações foram oferecidas durante a noite.
“O apoio que vocês me deram foi incrível,” disse Trump aos líderes evangélicos, reconhecendo que sua base evangélica conservadora teve um grande papel em ajudá-lo a vencer a eleição presidencial de 2016.
O que Trump reconheceu nos evangélicos, ele não reconheceu em Bannon, apesar de que Bannon pensava que ele, não os evangélicos, deu a vitória a Trump.
Bannon via na mente uma onda conservadora poderosa liderada pelo tradicionalismo (um tradicionalismo esotérico) e imaginou-se como o papa de tal onda.
Os evangélicos e suas orações podem ter desempenhado um papel muito mais vastamente vital em ajudar Trump do que ele poderia imaginar. A oração foi certamente fundamental para libertar a ele e os EUA de um ocultismo de alto nível e suas influências em torno de Bannon. Vamos ver quais são essas influências.
Há um livro que revela a espiritualidade tenebrosa de Bannon. No livro “Barganha do Diabo: Steve Bannon, Donald Trump e a Invasão da Presidência” (Penguin Publishing Group, 2017), o escritor Joshua Green, que pessoalmente entrevistou Bannon e Trump, argumentou que encontrou as “origens secretas e estranhas da fantasia nacionalista de Steve Bannon,” e o segredo é que Bannon é inspirado por várias fontes ocultistas.
Green explicou que quando Bannon era jovem, ele era “um autodidata voraz” e “embarcou no que descreveu como ‘um estudo sistemático das religiões mundiais,’” acrescentando: “Começando pela história da Igreja Católica Romana… ele avançou para o misticismo cristão e daí para a metafísica oriental… A leitura de Bannon acabou levando-o à obra de René Guénon, um ocultista e metafísico francês do início do século XX que foi criado como católico romano, praticou a maçonaria e mais tarde se tornou um muçulmano sufi.”
De acordo com Green, Bannon tem um “profundo interesse no misticismo cristão e no hinduísmo esotérico” e um “fascínio especial por Guénon.”
Green explicou que “Guénon desenvolveu uma filosofia muitas vezes mencionada como ‘tradicionalismo,’ uma forma de antimodernismo com conotações precisas. Guénon era um tradicionalista ‘primitivo,’ um crente na ideia de que certas religiões antigas, inclusive a Vedanta Hindu, o Sufismo e o Catolicismo medieval, eram repositórios de verdades espirituais comuns, reveladas nas primeiras eras do mundo, que estavam sendo destruídas com o surgimento da modernidade secular no Ocidente.”
Green disse que “O sentido antimodernista da filosofia de Guénon atraiu vários seguidores notáveis” e “O mais notório deles foi Júlio Evola,” que “aliara-se a Benito Mussolini, e suas ideias se tornaram a base da teoria racial fascista; mais tarde… as ideias de Evola ganharam força na Alemanha nazista.”
De acordo com Green:
“Os temas comuns do colapso da civilização ocidental e a perda do espírito transcendente em livros como ‘A crise do Mundo Moderno’ de Guénon (1927) e ‘A Revolta contra o Mundo Moderno’ (1934) de Evola atraíram o interesse de Bannon para o tradicionalismo (embora ele também foi muito atraído pelos seus aspectos espirituais, citando o livro de Guénon de 1925, ‘O Homem e Sua Transformação Conforme a Vedanta’, como ‘uma descoberta que mudou minha vida.’) Bannon… trouxe ao tradicionalismo de Guénon uma forte dose de pensamento social católico.”
Ele ficou tão alarmado com o estado da Igreja Católica que, em 2013, Bannon iniciou suas atividades em Roma e realizou uma reunião no Vaticano com o cardeal Raymond Burke, em um esforço para apoiar os tradicionalistas católicos marginalizados pelo papa Francisco. Green explicou os esforços de Bannon para infundir o tradicionalismo de Guénon na Igreja Católica:
“Expondo essa visão em uma conferência de 2014 no Vaticano, Bannon uniu Guénon, Evola e seu próprio pânico racial-religioso para lançar suas crenças no contexto histórico.”
Bannon buscou trazer o tradicionalismo de Guénon entre os católicos ultraconservadores de todo o mundo. Green disse:
“Onde quer que ele pudesse, ele se alinhou com políticos e causas comprometidas em derrubar seu edifício globalista: católicos conservadores como Burke, Nigel Farage e UKIP, Frente Nacional de Marine Le Pen, Geert Wilders e o Partido pela Liberdade.”
As ideias de Guénon são mais bem-sucedidas entre católicos. O Brasil, a maior nação católica do mundo, tem uma legião de adeptos de Guénon.
Não eram apenas os católicos que Bannon estava usando. De acordo com Green:
“No verão de 2016, Bannon descreveu Trump como um ‘instrumento bruto para nós.’”
Trump nunca foi capaz de ver a espiritualidade escura que guia Bannon. Como então Trump foi capaz de escapar de suas armadilhas? Segundo Green:
“A queda de Bannon de sua exaltada condição como principal conselheiro de Trump não foi o resultado de uma disputa política, mas consequência da irritação de Trump de que o perfil de Bannon tinha vindo a rivalizar com o próprio perfil dele. Trump foi ficando irado com a noção popular de que Bannon era o único que estava comandando todo o espetáculo — que ele era, como dizia uma infame capa da revista Time, ‘O Grande Manipulador’…  “Você tem de lembrar, ele não esteve envolvido em minha campanha até muito tarde,’ disse Trump ao jonral New York Post. ‘Eu sou meu próprio estrategista.’”
Trump demitiu Bannon em uma época em que ele estava sendo chamado de “Rasputin de Trump.” Trump o demitiu em um momento em que até mesmo a imprensa secular estava vendo o ocultismo de Bannon, com um site secular publicando um artigo muito claro intitulado “A era Trump está se transformando em uma era de ouro para intelectuais fascistas esotéricos.”
Trump concordaria com Green, que rotulou Bannon como um “tipo de personagem reconhecível no governo americano: o vigarista político que busca lucrar com as últimas tendências.”
Green também disse:
“Durante anos, antes de entrar na campanha presidencial de Trump, Bannon tinha sido uma figura em Washington sem distinção particular, que tendia a habitar as facções mais extremistas da política republicana, onde ele se sentia mais à vontade. Às vezes, ele se afastava tanto que ele e seus compatriotas eram rejeitados por grupos tradicionais de centro-direita.”
“Bannon prosperou no caos que criava e fazia tudo o que podia para espalhar esse caos,” disse Green.
Apesar de Bannon se ver como “alt-right” (direita alternativa), Trump também revelou, segundo o jornal Daily Beast, seu próprio apelido para a ideologia nacionalista de Bannon: “alt-left” (esquerda alternativa). Mesmo que Bannon se identificasse como “um nacionalista de direita, anti-globalista,” o Daily Beast disse que “uma vez ele se chamou de ‘leninista.’”
Existem muitas contradições aparentes em Bannon: ele diz que é católico, mas tem um profundo fascínio pelo misticismo e pela metafísica oriental. Ele diz que é contra a invasão islâmica, mas admira muito René Guénon, um ocultista islâmico. Embora já tenha trabalhado no Goldman Sachs — um poderoso banco capitalista —, ele também se descreveu como um “leninista” que queria “destruir o Estado.” “Por um lado, ele critica o capitalismo com um fervor quase marxista; por outro lado, ele é conselheiro de um amigo magnata capitalista imobiliário,” disse Jake Romm, da Forward.
Ao mesmo tempo que Bannon elogia Guénon e outros ocultistas, ele diz que rejeita algumas de suas ideias extremas.
Em seu artigo na revista National Review intitulado “Quem era Steve Bannon?” o autor Kevin D. Williamson disse que Trump disse que “A contribuição de Steve Bannon para sua ascensão e seu sucesso foi grosseiramente exagerada. Bannon posava de tantas coisas — magnata da mídia, agente político astuto e manipulador de olhos frios para o Trump playboy indisciplinado — mas o que ele realmente é é um amador rico com um talento para convencer outros amadores ricos de que ele é um visionário de pensamento profundo. Um desses ricos amadores foi Donald Trump.”
Bannon se gabava de que ele apoiava Trump, mas depois ele ajudou um dos maiores livros anti-Trump já publicados: Fogo e Fúria, de Michael Wolff. De acordo com Jeffrey A. Tucker, a principal fonte de Wolff é Steve Bannon. Não é de admirar que Trump o tenha expulsado da Casa Branca!
A tentativa de Bannon de mostrar seu brilhantismo no livro de Wolff, vazando informações internas de Trump e seu círculo íntimo, inclusive alegadamente dizendo que Ivanka é “burra como um tijolo,” saiu pela culatra e efetivamente acabou com seu breve mandato como uma figura influente na política americana.
“Como alguém tão politicamente imprudente poderia ter uma reputação de gênio político? Bannon conseguira criar essa imagem graças a este truque simples: impressionar os repórteres com o fato de ler muitos livros,” disse Bill Scher.
Existem muitas contradições em Bannon. E contradições são naturais para qualquer um envolvido no ocultismo. Trump nunca viu seu ocultismo, mas viu a confusão ocultista em seu rastro.
Ao usar Trump como um “instrumento bruto para nós” (o “nós” são tradicionalistas, adeptos de Guénon), Bannon esperava ser um líder tradicionalista que guiasse os conservadores, especialmente os católicos.
Bill Scher resumiu tudo em seu artigo, na revista Politico, intitulado: “Steve Bannon nunca foi muito esperto: como estrategista político, ele é um perigo apenas para si mesmo.” Eu diria que todo ocultista é um perigo para si e para os outros.
"Se não nos unirmos como parceiros com outros em outros países, então este conflito só vai metastatizar,” disse Bannon em 2014. Ele estava se referindo a um conflito que ele percebeu entre “valores judaico-cristãos” e “fascismo islâmico.” Ele estava tentando sequestrar uma boa causa em nome da agenda tradicionalista. Falando em uma conferência realizada no Vaticano, ele convocou os tradicionalistas cristãos de todas as tendências a se unirem em uma coalizão para fazer uma guerra santa contra o islamismo.
Bannon representava sua própria marca de catolicismo conservador. Seu discurso no Vaticano foi uma inspiração e um avanço para o movimento tradicionalista.
Embora Bannon e outros adeptos de Guénon tenham buscado e busquem unir os conservadores católicos sob bandeiras tradicionalistas, sua missão enfrenta desafios especiais, principalmente nos Estados Unidos, dos evangélicos. Enquanto os católicos conseguem ver adeptos de Guénon como líderes para guiá-los e ajudá-los, os evangélicos americanos têm líderes — especialmente Franklin Graham — que não têm nenhum interesse no misticismo, metafísica oriental e Guénon. Aliás, enquanto Guénon e seu tradicionalismo ocultista exercem alguma influência entre os católicos, não exercem nenhuma influência entre os evangélicos.
A Igreja Católica vem enfrentando enormes desafios com a Teologia da Libertação. Os católicos que se opõem a ela são mais tradicionalistas, e seu amor pela tradição facilita que se tornem presas do tradicionalismo de adeptos de Guénon, especialmente porque o tradicionalismo de Guénon é antimarxista. Assim, os católicos que abraçam a Teologia da Libertação caem na armadilha liberal de Marx, e os católicos que adotam o tradicionalismo caem na armadilha antimarxista de Guénon.
Uma lacuna entre evangélicos conservadores e católicos tradicionalistas influenciados por adeptos de Guénon parece estar se ampliando rapidamente nos Estados Unidos. Muitos evangélicos devotos não reconhecem o ocultismo como parte do movimento conservador. Mesmo quando defendem os valores da família, os evangélicos também têm preocupações com princípios bíblicos.
O sucesso que Bannon e outros adeptos de Guénon têm tido entre os católicos, inclusive tendo uma presença no Vaticano para exaltar Guénon e Júlio Evola, eles nunca terão entre os evangélicos.
Isso explica por que muitos adeptos de Guénon veem o evangelicalismo conservador americano como uma aberração do catolicismo histórico.
Embora Bannon e outros adeptos de Guénon tenham visto Bannon como o “estrategista” que deu a vitória a Trump, é amplamente conhecido que os evangélicos deram a vitória a Trump. Além disso, como Trump reconheceu em sua mensagem demitindo Bannon, “Steve teve muito pouco a ver com a nossa vitória histórica, que foi dada pelos homens e mulheres esquecidos deste país.”
A mensagem de Trump para Bannon é uma mensagem que todo líder inteligente deve dar aos adeptos de Guénon por tentarem sequestrar o sucesso dos outros, por tentarem sequestrar o movimento conservador para promover o movimento tradicionalista.
Indivíduos tradicionalistas têm uma grande fé espiritual, mas não baseada no Cristianismo puro. É baseada em uma salada religiosa mista, resultando em confusão. Eles são muito astutos e destrutivos — um perigo para si mesmos e para os outros.
Em vez de se envolver com tal espiritualidade através de Bannon, Trump tem firmemente escolhido se envolver com evangélicos e neopentecostais, cuja fé é antagônica ao esoterismo e ao ocultismo.
Então, Trump acabou expulsando o esotérico Bannon como seu conselheiro, preferindo manter os evangélicos e neopentecostais como seus conselheiros.
Tornou-se uma situação desconfortável para Trump. As pessoas chamavam Bannon de Rasputin, como se ele fosse uma influência hipnótica ou como se ele fosse maior do que Trump. Mas a verdade é que Bannon estava no lugar certo e na hora certa. Isso ficou plenamente provado quando Bannon se envolveu na campanha política do juiz Roy Moore, um candidato muito conservador ao Senado dos EUA. Seguindo as estratégias de Bannon, Moore perdeu. Bannon não é nada sem Trump.
A melhor definição sobre um adepto de Guénon foi dada por Trump, que disse sobre Bannon: “Ele passava seu tempo na Casa Branca vazando informações falsas para a mídia para se fazer parecer mais importante do que ele era. Essa é a única coisa que ele faz bem.” Os adeptos de Guénon usam os outros para autopromoção.
Bannon pensava que, usando Trump como um “instrumento bruto” para os tradicionalistas, ele poderia salvar o mundo da crise prevista por Guénon. Mas como pode um homem não salvo das trevas salvar outras das trevas?
O círculo íntimo de evangélicos que oram acabou salvando Trump e os Estados Unidos de um Rasputin e sua influência ocultista. E, eventualmente, as orações também podem salvar Rasputin de sua escuridão espiritual.
Com informações de Devil’s Bargain, Christian Post, Politico magazine, National Review, Daily Beast, American Institute for Economic Research, Newsweek, The Atlantic, New Republic e Forward.
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