2 de janeiro de 2010

Crise militar: seu nome é Dilma Rousseff

Crise militar: seu nome é Dilma Rousseff

Reinaldo Azevedo
Ainda que eu tivesse cometido algumas injustiças com Lula, coisa de que discordo, de uma certamente eu o teria poupado: jamais o considerei um idiota. Nunca! Até aponto a sua notável inteligência política, coisa que não deve ser confundida, obviamente, com cultura. O governo vive, a despeito das negativas, uma crise militar. Que é muito mais grave do que se nota à primeira vista. Ela foi originalmente pensada nas mentes travessas de Tarso Genro, ministro da Justiça, e Paulo Vanucchi, titular da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Mas tomou consistência e corpo nos cérebros não menos temerários da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), candidata do PT à Presidência, e de Franklin Martins, ministro da Comunicação Social, hoje e cada vez mais o Rasputin deste rascunho de czarina que pretende suceder Lula.
O imbróglio não deixa de ser um ensaio geral do que pode ser um governo Dilma. Se vocês acham que a ópera, com o tenor Lula, tem lá seus flertes com o desastre, vocês ainda não sabem do que é capaz a soprano. A crise atual mistura temperamento macunaímico, sordidez e trapaça. Dilma, Franklin e Vanucchi, a turma da pesada que, no passado, optou pelo terrorismo e hoje ocupa posições no alto e nos altíssimos escalões da República resolveu dar um beiço nos três comandantes militares. O tiro, tudo indica, saiu pela culatra. E sobrou uma lição  aos soldados. Vamos devagar.
Tratemos um pouco do que vocês certamente já sabem e um tanto do que talvez não saibam. Na semana passada, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos publicou um decreto, devidamente assinado pelo presidente Lula. Entre outras providências, instituía uma tal Comissão Nacional da Verdade para investigar crimes contra os direitos humanos cometidos durante o regime militar.
Pois bem.  A questão havia sido negociada com os comandos militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. E olhem que estes senhores tinham ido bastante longe — e fica a lição: com essa gente, ceder um braço corresponde a ceder os dois, mais as duas pernas e também a cabeça. Os militares aceitaram a criação da tal comissão desde que o texto não restringisse a apuração de violações ao governo militar: também as organizações terroristas de esquerda teriam sua atuação devidamente deslindada.
É preciso dizer com clareza, não? Dilma Rousseff pertenceu a uma organização terrorista, homicida mesmo: a Vanguarda Popular Revolucionária. Franklin Martins também praticou terrorismo. O seu MR-8 seqüestrava e matava. Vanucchi foi da Ação Libertadora Nacional, o que significa dizer que era um servo do Manual da Guerrilha, de Carlos Marighella, um verdadeiro manual de… terrorismo, que pregava até ataques a hospitais e dizia por que os bravos militantes deviam matar os soldados.
Pois bem… Quiseram os fatos que estes três se juntassem, com o conhecimento de Tarso Genro, para redigir — alguém redigiu a estrovenga; falo de aliança política —,  aquele decreto. E o combinado com os militares não foi cumprido: além de especificar que a Comissão da Verdade investigaria apenas um lado da batalha,  há propostas singelas como estas:
— determina que as leis aprovadas entre 1964 e 1985 sejam simplesmente revogadas caso se considere que elas atentam contra a tal “verdade”;
— determina que os logradouros públicos e monumentos que tenham sido batizados com nome de pessoas ligada ao “regime” sejam rebatizados.
Vocês entenderam direito: Lula assinou um decreto que não só dá um pé no traseiro do alto comando como, ainda, anuncia, na prática, a EXTINÇÃO DA LEI DA ANISTIA — para um dos lados, é óbvio. É isto: eles tentaram rever a tal lei. Viram que isso não é possível. Decidiram, então, dar uma de Daniel Ortega, que mandou suprimir trechos da Constituição de que ele  não gosta.

LULA SABIA

Já disse: não tomo Lula por idiota — porque só um idiota não saberia. Mas admito: muita coisa tem as digitais do presidente sem que ele tenha a menor idéia do que vai lá. Isso é possível, sim. É por isso que existe uma CASA CIVIL. Não há — NOTEM BEM: NÃO HÁ — decreto presidencial que não tenha a chancela desse ministério. É uma de suas funções — a rigor, é uma de suas principais tarefas.
Logo, funcionalmente, a responsável pelo texto é Dilma Rousseff. Que já se manifestou a favor da revisão da Lei da Anistia, ainda que dê outro nome ao que quer fazer.  A questão é saber se Lula se comportou como um cretino ou como um irresponsável: se assinou algo dessa gravidade na inocência, sem ter sido advertido pela Casa Civil, então foi feito de bobo e tem de demitir Dilma. Se, como imagino, sabia muito bem o que ia lá e decidiu testar a elasticidade ou complacência dos militares, agiu como um irresponsável.

Demissão

Trapaceados, os três comandantes militares decidiram pedir demissão. Os generais de quatro estrelas se reuniram para tratar de um assunto não ligado à profissão pela primeira vez em muitos anos.  A tal Comissão da Verdade terá de redigir um projeto de lei para ser enviado ao Congresso dando forma e caráter à tal investigação. Lula tem quatro opções:
1 —  deixa o texto como está e negocia com os militares um projeto de lei que contemple a investigação dos dois lados;
2 —  muda o decreto e o devolve ao que havia sido negociado;
3 —  simplesmente recua do texto na íntegra;
4 —  a quarta opção é dizer o famoso “ninguém manda nimim” e deixar tudo como está. Pois é… Só que o “tudo como está” pode significar uma crise sem precedentes, grave mesmo, com possíveis atos de indisciplina.

“A Lei da Anistia é um conquista do povo brasileiro, é seu patrimônio. E de milhares de pessoas que lutaram pela democracia. Por isso, mudá-la, na forma como querem fazer alguns, ou extingui-la é um atentado contra a própria democracia. É constrangedor assistirmos a cenas como essa”, afirma o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional.
Terão os comandantes militares se esquecido do modo como operam as esquerdas, de sua vocação para o ato sorrateiro, para as ações solertes? Só isso pode explicar aquela primeira concordância com a tal Comissão da Verdade. Do conjunto da obra, resta, pois, essa lição. E também há uma outra: em matéria eleitoral e nessa política que precisa de voto, Dilma é uma teleguiada de Lula: sem ele, ela não existe. Mas  Dilma é quem é. E também quem foi. Com um simples decreto, que passou por sua mesa de ministra da Casa Civil, criou-se o mais grave incidente militar do governo Lula. O projeto é tê-la agora na Presidência. Vimos como agem com quem tem armas. Dá para imaginar do que são capazes com quem não tem.

Encerro

O nome da comissão — “da Verdade” — só pode ser coisa de algum piadista infiltrado no grupo. Como não pensar imediatamente em 1984, de George Orwell. Essa gente tem um perfil totalitário de manual; são stalinistas do calcanhar rachado. Querem até rever o batismo de logradouros públicos, num daqueles atos típicos de reescritura da história.
Eis um país com Dilma Rousseff no topo. E com Franklin Martins no topo do topo.
Divulgação: www.juliosevero.com
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4 comentários :

Silvio Ricardo disse...

O esgoto invadiu não só a política neste país mas também o jornalismo. O comportamento dos políticos não difere muito do comportamento dos jornalistas brasileiros. São essencialmente hipócritas em tudo que fazem e dizem.

Aí está o link do vídeo do Boris Casoy ridicularizando os garis, grandes responsáveis pela limpeza de nossas cidades.

Será que esse idiota teria coragem de usar sua verve sarcástica contra quem de fato merece? Duvido muito! De frente pro Lula ele deve tremer que nem vara verde, e ainda beijar-lhe os pés. É um pateta!

http://www.youtube.com/watch?v=f_E4j7vi3js

Herberti disse...

Estes ex-terroristas não estão satisfeitos em serem aceitos como cidadãos respeitáveis, de terem sido legalmente eleitos para funções de grande responsabilidade. E isto depois de todo o mal que fizeram à nação, afrontando a ordem instituída, influenciando toda uma geração de jovens para o ódio e o crime, sequestrando, assaltando e, depois, deixando uns pobres otários para "pagarem o pato". Agora que uns são ministros, outros deputados, outros jornalistas famosos, outros artistas de renome, querem reescrever o passado, para passarem à História futura como sendo os legalistas, lutando contra um governo subversivo. Isto só pode algum tipo de psicose.
Ah sim. Ainda estou esperando alguém que me mostre algo de concreto e positivo que a esquerda fez pelo Brasil. Uma só basta!

Paulo Teixeira disse...

Os esquerdopatas estão pensando que as Forças Armadas brasileiras são as argentinas. Estas estão manchadas até hoje e os militares de lá, saíram do poder escurraçados. Pagam um preço alto até hoje.

As Forças Armadas brasileiras gozam de um alto prestígio perante a população, basta acompanhar as pesquisas de opinião realizadas de vez em quando. Cerca de 80% dos brasileiros respeitam e confiam nas Forças Armadas.

Olhemos o cenário: com a política brasileira desacreditada e um bando querendo promover `caças às bruxas`, a fim de prender e julgar militares e civis que impediram o estabelecimento do comunismo nesta nação, não demora muito e logo, logo pode aparecer um salvador da pátria para pôr fim à bandalheira existente em Brasília e impedir a tal `caça às bruxas`. Tem gente cutucando a onça com vara curta.

Ten Martins disse...

Desacreditar a instituição do Exercito faz parte do plano sórdido do PT, se a instituição for desacreditada não terá o apoio da população...80% de aceitação da população nas Forças Armadas não pode na cabeça doente deles! Esbarra na popularidade Dele que dizem ser desta magnitude.
Mentiras, mentiras, mentiras é só isso que a boca do nosso presidente, profere, inverte as coisas, dizendo que lutavam pela democracia com um sinismo assustador, querem reescrever a historia segundo suas inverdades, rasgam a anistia de forma covarde; por acaso vão caçar os direitos políticos da terrorista? Vão julgá-la pelas mortes que ela causou direta ou indiretamente? É triste de ver pessoas que lutaram de verdade pelo ideal democrático com o apoio da sociedade serem caçados como marginais, qdo os verdadeiros marginais,usurpadores (assaltantes, latrocidas, estupradores, terroristas, estão aí fazendo-se passar por defensores da democracia, mas não passam de seres mitologicos do socialismo lenista os quais defendem tudo o que não presta e lesam a sociedade buscando implantar seu sistema terrorista a lá Fidel, pai da mentira.
Ten Martins