3 de junho de 2009

Para avaliar a crítica à Igreja

Para avaliar a crítica à Igreja

Edson Camargo

Todo cristão sabe que viver o Evangelho não é tão simples. Tudo que é real, verdadeiro, é complexo, como complexa é a realidade, já observava C. S. Lewis. É só com a presença do Espírito Santo em sua vida, que o homem pode viver segundo os preceitos de Cristo, e perfeição, só com a Redenção plena consumada. Mesmo assim, estou pra ver um esporte tão irresponsavelmente praticado, algo ser feito de forma tão leviana quanto a crítica à Igreja. E aí estão as grandes publicações evangélicas, com gente séria, sim, disposta a exortar e a servir a seus irmãos, repartindo conhecimento, mas também com batalhões de pitaqueiros e suas colunas fixas, que não me deixam mentir.

Sem querer repetir o ar professoral dos textos insossos de muitos desses presunçosos, apresento aqui algumas perguntas que faço quando busco avaliar a qualidade do trabalho de alguns destes auto-nomeados guias da igreja brasileira. Algumas óbvias, algumas difíceis. Necessárias, mas não sei se suficientes. Mas que valem também para todas as outras leituras. Reportagens, aulas, ensaios, documentários, colunas de jornais, de revistas não-cristãs, etc.. Ao identificar fragilidades no meu método, aí está minha caixa de comentários. Me ajude.

1 - Quem a faz?

2 - De quê ele reclama?

3 - Como o faz? Ele está alicerçado numa visão de mundo realmente cristã, bíblica? Como é a sua argumentação? Há rigor lógico e conceitual na exposição de suas teses, ou tudo se reduz a opiniões pessoais? Aqui há uma questão fundamental: se você identificar uma lógica manca, falácias, conclusões que não condizem com as premissas, há boa probabilidade de você estar lendo um picareta. Outro ponto a ser destacado: o importante é que o colunista enxergue o objeto, o assunto do seu artigo com clareza. Às vezes uma argumentação aparentemente rigorosa esconde desconhecimento sobre aspectos elementares do assunto. Quem já leu o Delfim Neto sabe do que estou falando.

4 - De qual perspectiva? (teológica, política, filosófica, etc...)

5 - Quando a fez? Em que momento está, com quais contextos históricos faz comparações e qual é sua interpretação histórica?

6 - Por que a faz? O quê o motiva a fazê-la. (Se confessa suas motivações, comparar com os possíveis desdobramentos e conseqüências de tal crítica. Se o crítico não faz isso, seu histórico e posicionamentos intelectuais esclarecem muita coisa. Apelar para sub-freudismos chulos – mania nacional – do tipo: "ih, esse aí brigou com a mulher", não resolve o problema e evidencia mais a SUA tosquice intelectual do que a do crítico em análise. Tentar "ler as entrelinhas", no sentido de tentar identificar motivações de forma puramente subjetiva, fazendo eisegeses (impor sentidos ao texto) grosseiras – outra mania comum, que pegou graças ao freudismo tido em boa conta por muita gente, também confunde mais do que esclarece.)

7 - Como se dá a relação entre: identificação com o problema/intercessão/sentimentos/posições intelectuais que se evidenciam na crítica. A igreja é o Corpo de Cristo, a família com muito irmãos na qual Jesus é o primogênito, é a noiva do Senhor. Tendo sempre isso em mente, pode-se perceber se o autor escreve com o intuito de servir à igreja, com amor, ou apenas para aparecer, o que é muito comum.

8 – Qual o histórico, no campo da idéias, e o perfil dos entusiastas do posicionamento do crítico. Quem são, quem são seu mentores, quem são seus comparsas, o que pensam. Vale lembrar a promessa de Cristo sobre a possibilidade de conhecimento objetivo e certeiro quanto a isso: “Pelos frutos os conhecereis”. Glória somente ao Cordeiro!

Para concluir, mais duas observações:

1 - Se há dificuldades em tentar responder para si mesmo algumas dessas questões, e não é fácil mesmo – e se você considera fácil, cuidado -, busque cristãos sérios que possam orientar suas leituras, participe de grupos de estudo bíblico, teológico e filosófico. Eu faço parte de um, e ajuda muito. Lembre-se dos grandes heróis da fé, pregadores e avivalistas da história: sempre sedentos por Deus, e incansáveis na busca por conhecimento.

2 – Sim, a mula pode falar a Balaão. Deus pode usar quem menos imaginávamos, para nos mostrar fatos e verdades importantes do que tem acontecido à igreja e sobre o que ela tem feito. Por mais que discordemos de tudo mais que a mula defenda. Mas a mula falar é a exceção, não a regra, e cautela é necessária.

Se você quiser fazer crítica eclesiológica:

Sem buscar discernimento e sabedoria da parte de Deus, e sem base nas Escrituras, nem comece. Você será parte do problema, e só contribuirá para o diagnóstico como amostra, evidenciando sintomas. Nesse sentido, todo cristão dá sua contribuição, queira ou não. Já o número dos que têm algo a acrescentar, a edificar, é muito menor.
E só faça isso se você tem tal chamado. Não imite esses intelectualóides frívolos que são pagos para encher de letrinhas as páginas de certas revistas ditas evangélicas. Não se exponha ao ridículo, você é filho do Rei do Reis.

Fonte: Blog Profeta Urbano

Divulgação: www.juliosevero.com

3 comentários :

Henrique Lima disse...

Muito bom post pra orientar os cristãos que costumam ler as críticas a igreja de uma forma desordenada e com uma certa falta de busca da verdade.

Como diria Karl Popper, mais ou menos algo parecido: "Antigamente o que regia o mundo era a falta de informação, hoje é a mentira"

A retórica de hoje tem um "q" de facismo, anticristão, ateísmo, carregada de doutrinas pagãs.

É necessário este post!

Anônimo disse...

Irmão,gostaria de saber se tem notícias dos irmãos perseguidos na Índia? No amor de Jesus. Mary

Anônimo disse...

A princípio, uma entidade religiosa não se enquadraria como fornecedora em uma relação de consumo quando no exercício de atribuições próprias de propagação da doutrina e realização de seus cultos. Porém, questiono se a campanha que a Paróquia São Francisco de Assis (CNPJ: 00.108.217/0051-89), situada à SGAN, representada pelo ministro religioso Evilásio Andrade da Silva (pároco), está realizando não poderia ser enquadrada no CDC. É comum que tais entidades, justamente por não desenvolverem atividades comerciais, busquem o apoio financeiro daqueles que aderem a suas doutrinas para suportar as despesas de manutenção. Para tanto, campanhas como pagamento de dízimo e doações são bastante comuns dentro dessas entidades.

Porém, quando uma entidade resolve fazer campanha de arrecadação baseada na possibilidade do colaborador participar de sorteios de diversos prêmios, inclusive prêmios caros como carros, geladeiras e TV LCD, somente para exemplificar, ela se utiliza de um artifício de convencimento, para atrair mais colaboradores, que decidem pela adesão à campanha de doação de dinheiro incentivados pela possibilidade de serem contemplados pelo sorteio de um dos bens anunciados. Nesse contexto, cria-se a expectativa no colaborador, que, mantendo-se fiel à sua contribuição mensal, se reserva o direito de participar dos sorteios programados. A relação criada entre o colaborador e a organização religiosa difere daquela entre "dizimista" e a mesma organização, pois há a expectativa daquele em ter o direito de participar dos sorteios, bem como o de ver garantidas a realização dos mesmos. Isto é, mantendo seu pagamento em dia, o colaborador se vê no direito a uma contraprestação, como numa relação de consumo, qual seja, de que os sorteios sejam realizados e de que, caso seja sorteado, possa receber o prêmio. Se não houvesse essa possibilidade, ele não aderiria à campanha.

Sérgio Gomes Trindade,
Brasília