20 de abril de 2009

Pedido no STF que Lula se explique sobre “gente branca de olhos azuis”

Pedido no STF que Lula se explique sobre “gente branca de olhos azuis”

Espaço Vital

O caxiense Clóvis Victorio Mezzomo encaminhou ao Supremo Tribunal Federal, na quinta-feira (02), pedido de interpelação judicial contra o Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva pela declaração feita à imprensa de que a atual crise econômica mundial é “fomentada por comportamentos irracionais de gente branca, de olhos azuis, que antes da crise pareciam que sabiam tudo, e que agora demonstra não saber nada (sic)”. 

A afirmação foi feita durante a recente visita do primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, no dia 26 de março. 

O autor da ação — que é autor do livro “Como Agem os Vencedores” — alega ter se sentido pessoalmente ofendido pela declaração e pede que Lula seja “notificado a apresentar suas explicações para a alegação de que a causa da crise mundial repousa em razões genéticas, ou seja, uma raça ou etnia portadora de genes recessivos é culpada pela crise internacional, mais especificamente a ´gente branca, de olhos azuis´”. 

Clóvis Mezzomo explica que é brasileiro de ascendência italiana, com pele de tez extremamente alva e olhos verdes. Diz ainda que nasceu em Caxias do Sul (RS), foi criado em Estância Velha (RS) e trabalhou desde a infância cercado por homens e mulheres de “pele branca e olhos azuis”, os quais, “juntamente com europeus ibéricos, negros e índios muito fizeram pela prosperidade e progresso da região”. 

De acordo com a ação, Lula — ao afirmar, categórica e publicamente, que o homem caucasiano engendrou e foi o culpado pelo atual estado de coisas — “imputou a uma etnia a responsabilidade integral pela crise internacional, em uma postura intoleravelmente racista”. 

Segundo o autor, o ordenamento jurídico reprime com veemência a prática de racismo, a iniciar pelo preâmbulo da Constituição Federal. São citados ainda o artigo 5º, pelo qual “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” e o inciso XLII, para o qual “a prática de racismo constitui crime inafiançável e imprescritível”. 

Outros dispositivos que compõem a alegação do direito violado são o artigo 140 do Código Penal — “injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro”; o Regimento Interno do Senado Federal, segundo o qual é vedado fazer pronunciamentos de preconceito de raça; a Lei nº 7.716, de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor; e o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. 

O interpelante — que disse ter trabalhado no Repórter Esso e no jornal Última Hora, além de ter sido editor da revista “Parlamento” — deu como endereço, para fins de intimação, o escritório de Advocacia de seus filhos Adriano Mezzomo e Rodrigo Mezzomo (que assinam a petição), situado na Avenida Franklin Roosevelt, no Rio de Janeiro. (Pet nº 4553 - com informações do STF e da redação do Espaço Vital http://www.espacovital.com.br/noticia_ler.php?id=14411). 

Fonte: Percival Puggina

Divulgação: www.juliosevero.com

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4 comentários :

Maria José disse...

Excelente e muito louvável a atitude do Sr Clóvis Mezzomo. Todos os brasileiros louros e de olhos azuis deveriam aderir a esta ação. E se o PLC 122 for aprovado, ainda agrava mais o crime do nosso "idiota" Presidente.
Meus Parabéns, Sr Clóvis Mezzomo.

Anônimo disse...

Torço sinceramente para que o molusco parasita sofra essa derrocada. Menos demagógico e hipócrita esse discurso, impossível!

Danilo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Parabéns ao Sr. Clóvis!... Não podemos confundir ofensas étnicas com suposta análise da situação econômica mundial.