29 de dezembro de 2008

O “socialismo dos tolos”

O “socialismo dos tolos”

Por: Nuno Guerreiro Josué*

Um glorioso choque cultural que recentemente aconteceu no Irã fez-me rir em voz alta. Os filhos de Che Guevara, o pin-up revolucionário, foram convidados à Universidade de Teerã para comemorar o 40º aniversário da morte de seu pai e para celebrar a crescente solidariedade entre “e esquerda e o Islã revolucionário”, participando numa conferência parcialmente custeada pelo presidente venezuelano Hugo Chavez.

Houve saudações fraternais e sorrisos gerais à medida que eram denunciadas “as ambições planetárias devoradoras” dos Estados Unidos da América. Mas foi então que um dos oradores, Hajj Saeed Qassemi, o coordenador da Associação dos Voluntários Mártires-Suicidas (que presumivelmente se mantém vivo desinteressadamente em nome da causa), revelou que Che era “um homem verdadeiramente religioso que acreditava em D-us e que odiava o comunismo e a União Soviética”.

Aleida, a filha de Che, interrogou-se se algo se teria perdido na tradução. “O meu pai nunca mencionou D-us”, disse ela, para consternação da assistência. “Ele nunca conheceu D-us”. Na confusão, Aleida e o irmão foram rapidamente acompanhados à saída e escoltados para o hotel. “No fim do dia, os dois Gueveras tinham-se tornado ‘não-pessoas’. A imprensa controlada pelo Estado subitamente esqueceu sua existência”, registrou o escritor iraniano Amir Taheri.

Depois da sua partida, Qassemi prosseguiu afirmando que Fidel Castro, o “guia supremo” de Che Guevara, é também um homem de D-us. “A União Soviética acabou”, disse ele. “A liderança dos oprimidos passou para a nossa república islâmica. Aqueles que querem destruir a América têm de perceber isto e deixar os jogos de palavras”.

Este texto é o princípio de um artigo assinado por Sarah Baxter no Sunday Times de Londres (onde são analisadas as irrefletidas e afetuosas relações entre a esquerda “revolucionária” ocidental e o fundamentalismo islâmico. O texto pode ser lido na integra em Times Online — Where do you stand in the new culture wars? (www.timesonline.co.uk/tol/news/world/middle_east/article2701379.ece).

Mas sintomático é também o fato dos emblemáticos filhos de Guevara (e Hugo Chavez, Daniel Ortega e Evo Morales antes deles) nem terem pensado duas vezes em associar-se à figura sinistra de Ahmadinejad – o testa de ferro de um regime que demanda o extermínio dos judeus, persegue minorias étnicas e religiosas no seu território (ver Iran: Death penalty/stoning — Amnesty International [http://web.amnesty.org/library/Index/ENGMDE131132006?open] e Murder with Impunity: Iran targets the Baha’i — again [www.weeklystandard.com/Content/Public/Articles/000/000/014/284idyfu.asp}; executa comunistas e homossexuais (ver Report: Iran Gay Teens Executed [www.365gay.com/newscon05/07/072105iran.htm}; Iran:Two More Executions for Homosexual Conduct - Human Rights Watch [http://hrw.org/english/docs/2005/11/21/iran12072.htm])… e nos últimos tempos, após a infame “conferência” para negar a veracidade do Holocausto, se tornou a “luz” que ilumina as cabeças (algumas raspadas) de energúmenos neonazistas.

Outro exemplo dessa estranha relação simbiótica, entre movimentos que racionalmente seriam naturalmente opostos, é o encontro que reúne anualmente, no Cairo, esquerdistas revolucionários europeus (a esmagadora maioria dos quais “ateus, laicos e republicanos”) e membros da Fraternidade Islâmica, uma organização cujo lema é: “Alá é o nosso objetivo. O Profeta o nosso líder. O Corão a nossa lei. Jihad é o nosso caminho. Morrer pelo caminho de Alá é a nossa maior esperança.” O programa da reunião de maio último, dispensa comentários e foi recentemente publicado na outrora respeitada revista marxista Monthly Review e pode ser lido em “Resistance Movements Unite! Cairo International Conference and Liberation Forum” (http://mrzine.monthlyreview.org/cairo021107.html).

Unidos por ideais comuns de um antiamericanismo e de um anti-semitismo primários, o fanatismo religioso e aqueles que sopram as últimas cinzas do materialismo dialético vão encontrando terreno comum naquilo que, nos finais do século XIX, August Bebel chamou “o socialismo dos tolos”.

* Nuno Guerreiro Josué é o proprietário e redator do excelente blog português "Rua da Judiaria" (http://ruadajudiaria.com).

Fonte: Visão Judaica Online

Divulgação: www.juliosevero.com

2 comentários :

Anônimo disse...

"A complicada equação da geo-política palestina ainda contém o elemento religioso. E para minha vergonha, a tradição evangélica, da qual fiz parte, legitima o direito de expulsar, matar, dizimar os palestinos, baseando-se na posse da terra que Deus deu a Abraão há milênios." Trecho do artigo "Crueza histórica" de Ricardo Gondim.
Ainda bem que Ricardo Gondim não viveu na época em Deus mandava dizimar nações inteiras. Ele seria capaz de processar Deus por violação dos direitos humanos.
O evangelho nos manda amar os inimigos mas os judeus não são evangélicos na sua fé. Eles ainda vivem sob uma promessa do mesmo Deus que nós cultuamos com outros e novos princípios. Independente da progressão da revelação de Deus, Ele, de fato, independente de qualquer exegese, mandou matar aqueles povos todos. E os direitos humanos são os mesmos para qualquer época. Neste caso teríamos que admitir que Deus foi injusto e então Ele não é santo. Afinal, Deus mandou ou não mandou matar seres humanos? Afinal, a bíblia é ou não é a palavra de Deus? ou ela não disse o que quis dizer? Será que aquelas mortes eram uma metáfora?
Ele fala como se a promessa de Deusa Abrão nada valesse. Apesar de termos os princípios de amor, a promessa para Israel, no entendimento deles, continua valendo. Sua base de ação, mesmo que cruel, desumana, atrasada e reprovável, ainda é a palavra de Deus para eles. E assim acontecerá; Israel herdará a terra.
Mas todo esse escândalo se deve ao fato de termos pressupostos diferentes dos de Deus.
Deus não valoriza a vida humana neste mundo tanto quanto nós. Inclusive foi Deus que instituiu a pena de morte no Éden. Deus valoriza uma espécie de vida com uma duração maior do que esta e em outro mundo. É tão fato que enviou Seu Filho para morrer jovem, tendo em vista o futuro em outro mundo e vida. E Ele não aceitou a pieguice dos choro das mulheres.
Nós é que valorizamos a vida humana neste mundo mais do que Deus. Será que somos melhores do que Ele?
Essa divergência já havia entre Erasmo e Lutero. Um achava que o Deus do outro era muito sanguinário. O outro achava que o Deus do um era muito humano.
Sei que vou ter que ouvir "muita coisa" por apresentar aqui esta reflexão e que muitos vão me chamar de fundamentalista e direitista para cima, para dizer pouco. Principalmente por se tratar de uma discordância a um texto do Ricardo Gondim.
Seus "fãs" vão sair em sua defesa com paus e pedras por eu ter discordado do "imaculado Gondim". É compreensível. As pessoas quase sempre tem um alto conceito do gênero humano, embora a bíblia afirme o contrário. O humanismo acha que há algo de bom no homem. A única coisa que existe de bom no homem é o que não depende da sua vontade: o fato de ser imagem e semelhança de Deus.
Interessante que as vidas tiradas pelos terroristas do Hamas ao longo destes anos não atrai tanta reprovação. Se o ataque de Israel está baseado numa promessa antiga de Deus, a ação do Hamas está baseada em quê? Ou os direitos humanos valem só para um lado.
Gondim é o primeiro emo careca que já vi...e pela pieguice deve ser descendente de algum produtor mexicano de novelas de televisão.

Pr Julio Soder

Jorge Fernandes Isah disse...

Pr. Júlio Soder,
Concordo com a sua opinião sobre o Ricardo Gondim. Ele é um escarnecedor de Deus, ao qual quer imputar-lhE uma humanidade (e diga-se, caída) que Ele não tem. E o piegas que usou é um elogio diante de tanta paspalhice que o Gondim escreve.
Concordo em relação à promessa de Deus à Israel, e de que a comunidade, os organismos e a mídia internacionais não se escandalizam nem se revoltam quando os bárbaros islâmicos explodem prédios, ônibus e mercados espalhando carne, ossos e escombros civis por todos os lados.
Interessante é que exigem que Israel baixe as armas, enquanto são os terroristas islâmicos que descumprem os acordos de paz, e insistem em ataques aos israelenses (nenhuma das três guerras entre árabes e israelenses começou por Israel, mas foi Israel quem as venceu). Historicamente, nenhum povo foi e é tão odiado como os judeus (vide a loucura da Inquisição, e a loucura Nazista).
Em relação a Deus ordenar a morte e o extermínio de povos, se nós, os crentes, não ficássemos tão preocupados com a nossa "imagem" e em vender um deus que tenha a nossa imagem, simplesmente aceitaríamos o que a Bíblia afirma: Deus é santo, justo, reto e bom, mesmo mandando matar povos inteiros, mesmo odiando o pecador (outro erro é afirmar que Deus odeia o pecado mas ama o pecador), e mesmo condenando a maioria da humanidade ao Inferno. Como Paulo disse em Romanos 9.18;20(para citar um texto do N.T.): "Logo, pois, compadece-se (Deus) de quem quer, e endurece a quem quer... Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?".
A loucura é não aceitar a revelação bíblica de Deus, e ficar conjecturando e criando teorias e doutrinas que "humanizam", enfraquecem e degradam a Deus, tentando "domesticá-lo".
Deus não é bom por seguir o nosso conceito de bondade, mas Deus é bom por definição e essência, mesmo condenando o pecado, o pecador, decretando a morte e o extermínio de povos e nações. A bondade de Deus está muito acima do nosso escopo de bondade. Como disse em Isaias 45.7: "Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas... Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos" (Is 55.8-9).
Deus é imutável, quer o homem aceite ou não.
Abraços.