26 de junho de 2008

SIM SIM e NÃO NÃO

SIM SIM e NÃO NÃO

Dr. Belcorígenes de Souza Sampaio Júnior

Não tenho nenhuma militância política, nem pretendo doutrinar ninguém. Aliás, compreendo com muita clareza a advertência bíblica de que “cada um dará conta de si mesmo a Deus”. Contudo, como cristão e jurista não posso me calar diante desta ameaça que paira sobre todos aqueles que, como eu, possuem a doutrina cristã como regra de fé e vida.

Não obstante ao hercúleo esforço semântico que alguns fazem para dissimular a mascarada intenção de nivelar as verdades eternas da fé religiosa ao plano da mera opinião pessoal, pode-se claramente notar nos textos que tentam veicular a doutrina cristã com o ódio homossexual, a eiva da influência ideológica do academicismo ateísta e amorfo entronizado no nosso país. O principal sintoma disto é a louvação da ambigüidade e o sacrifico da coerência lógica, tudo em nome de uma pretensa “aceitação” do diferente, e sob o epíteto da promoção da “igualdade”. Esquecem-se de que a igualdade, como bem a definiu Aristóteles, é a mera correlação ou equivalência de quantidades. Em outras palavras, ao aferir iguais direitos aos cidadãos em uma determinada sociedade é que se esta promovendo a igualdade, e não ao subtraí-los. Assim, a lei “anti-homofobia” (não é surpresa que o conceito da expressão seja vago), é o supremo dos paradoxos da mediocridade reinante na pretensa “massa pensante” deste país, pois promove exatamente o contrário do que afirma combater. Se aprovada teremos a seguinte situação: Um homossexual poderá afirmar a sua identidade-ideológica de militante da causa gay, já um opositor desta ideologia não o poderá fazer sob pena de prisão. Tal deformação jurídica já nasce sob a égide da inconstitucionalidade, pois sacrifica a liberdade ideológica, religiosa e de manifestação do pensamento, garantidas na nossa constituição de 88. Antes disto, é uma agressão ao bom-senso e à lógica.

Aqueles “cristãos” que permanecem “comprometidos” com algumas ideologias político-partidárias que sustentam tal aberratio fingem desimportância do tema, mancomunados que estão com a nova cartilha política internacional, centrada no relativismo moral e na negação dos valores judaico-cristãos, informadores do cabedal axiológico ocidental. Daí que as ambigüidades de caráter são passivamente toleradas, podendo personalidades anticristãs como Marta Suplicy, por exemplo, assumir a defesa do aborto, da eutanásia, do casamento homossexual, e ato contínuo proferir mimos a líderes e entidades ditas “cristãs”. Aliás, alguns líderes religiosos há muito estão sendo preparados para assumir seu papel de importância nesta Nova Ordem. São “pastores caídos”, grande parte deles enlameados pelos pecados e praticas que esta classe política tenta “normatizar” e “normalizar” entre nós: desagregação da família, corrupção, dossiês, etc. Alguns tão grandiloqüentes se fazem notar que parecem irremediavelmente atingidos pela “síndrome de lúcifer”.

Enquanto a massa ignara marcha entorpecida pelos “chavões” e “palavras de ordem” desta nova era sem Deus e sem os Seus valores, um exército de pequenos frankensteins intelectuais se prepara para deificar o novo homo-saber. Ele é formado por uma multidão de universitários forjados nas entranhas de um aparelho ideológico contaminado pelo entropismo filosófico reinante em muitas universidades brasileiras. A estes falta-lhes por completo a capacidade de perceber algo além do imaginário simbólico da sua cartilha ideológica. Só lhes é permitido enxergar à frente, em uma verdadeira miragem maotsetunguiana, com direito inclusive à total ausência da dialética do bom senso.

Jesus ama o pecador, porém odeia o pecado. Assim toda e qualquer manifestação de violência contra quem quer que seja deve ser combatida, inclusive a violência daqueles que tentam calar e punir os cristãos que “ousarem” exercer o seu direito constitucional de afirmar a sua ideologia, a sua crença, os seus valores e a sua identidade cristã.

Por fim, e a título de clarificação, a “fórmula” de Jesus a respeito do uso dos frutos como critério identificador entre “joio e trigo”, é realmente bem “simples”, não cabendo aqui quaisquer relativizações retóricas. No caso em tela podemos exemplificar assim: nenhum pastor ― líder religioso, sacerdote, etc. ― que defenda a relativização da vida e apóie o aborto e a eutanásia, por exemplo, pode ser considerado trigo. VOCE CONSEGUE IMAGINAR JESUS CRISTO DANDO APOIO A ESTAS CAUSAS?

Belcorígenes de Souza Sampaio Júnior
Advogado
Professor Universitário
Mestre e doutorando em Direito
Sacerdote Cristão

Divulgação: www.juliosevero.com

3 comentários :

Jorge Fernandes Isah disse...

Quando cristãos não acreditam nas Escrituras, ou, quando muito, referem-se a ela como um relato exclusivamente moral ou alegórico; quando cristãos crêem no evolucionismo e no marxismo; quando cristãos se consideram "senhores" e Deus, o "servo"; quando o individualismo e o egoísmo levam crentes à busca desenfreada do hedonismo, ainda que "travestido" de espiritualidade, em detrimento da unidade do corpo de Cristo; quando a igreja busca os seus interesses e não o de Cristo, e o absoluto cristão é substituído por uma retórica relativista e pragmática; quando o mundo invade a igreja através da filosofia, política, música, costumes e práticas anti-cristãs e anti-bíblicas; quando tudo isso é incorporado ao poder eclesiástico, assimilando-se regras de rigor secular, estamos a um passo de nos tornar tão estéreis como a figueira sem frutos(Mt 21.19). E daí, para aceitar-se o aborto, eutánasia, homossexualismo, adultério, eugenia... é apenas outro passo. Se a moral, a ética e a santidade forem criminalizados, a culpa é exclusivamente nossa; porque, mesmo que não tenha começado conosco, instalou-se em nós, e a perpetuamos.
Porém, quando a igreja voltar-se para a única e verdadeira fonte, a Bíblia, poderemos vencer esta batalha (através do viver santo, sendo sal e luz no mundo, e não abrindo as portas para as trevas).
Júlio, mantenha-se firme no Senhor, é a minha oração.
www.kalamo.blogspot.com

Anônimo disse...

Prezado Julio Severo:

1. VOCE CONSEGUE IMAGINAR JESUS CRISTO DANDO APOIO A ESTAS CAUSAS? Não de jeito nenhum. Ele jamais imitaria o “jeito fariseu de fazer política partidária e religiosa”. Ele denunciou e rejeitou abertamente o sistema. No Dia em que “cada um der conta de si mesmo a Deus”, serão julgados, inclusive, pela maneira como exerceram a autoridade delegada por Ele (pais, mestres, políticos, etc).

2. Será que há explicações (porque justificativas não há...) para que esses religiosos façam aliança com as PoTestades, integrem seus quadros e/ou emprestem “credibilidade” às suas políticas públicas, notoriamente, anticristãs?... Será que esses “camaleões” acham que estão procedendo como o ilustre apóstolo Paulo: “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns” (1Coríntios 9:22)?!... Talvez, pela penumbra em que vivem e, ainda, desfrutarem (?) do melhor dos dois mundos (2 Coríntios 6:14), sejam levados a considerarem a si mesmos como super-mega-hiper crentes, capazes de conservarem suas vestiduras “sem mácula, sem ruga ou coisa semelhante” (Efésios 5:27b), mesmo tão próximos do charco de lama.

3. Ou, talvez, sejam vítimas conformadas, produtos do meio de onde saíram, conforme análise de Thomas Sowell: “Umas das muitas falhas de nosso sistema educacional é que quem por ele passa não sabe distinguir retórica de realidade. Nele não se aprende nenhuma forma sistemática de analisar idéias, derivar suas implicações e testá-las contra os fatos”. Assim sendo, tornam-se uns perfeitos Maria-vai-com-as-outras, usuários dos chavões e clichês esquerdistas, sem se darem conta disso.

4. No primeiro caso, voltar aos bancos da Escola Bíblica Dominical para recordar (?) os fundamentos da fé cristã resolveria. No segundo, caso voltar aos bancos escolares, ainda não dominados pelas ideologias esquerdistas, é a solução.

5. Mas, sem dúvida, como escreveu o autor do artigo: há “religiosos [que] há muito estão sendo preparados para assumir seu papel de importância nesta Nova Ordem” – estes apóstatas, mercenários, lobos travestidos de ovelhas, estão cada vez mais “sem-vergonha” de mostrar a que vieram.

6. Mas, ainda há esperança: “Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.” (Apocalipse 2:5).
Abraço fraterno,
Paulo Ceroll.

Anônimo disse...

Muito oportuno o artigo do Junior, meu amigo particular e irmão em Cristo. Está de parabéns o julio em publicar esse excelente artigo sobre o assunto em pauta. Precisamos de vozes que não se calam ante esse pandemônio que assola as nossas igrejas.Faço coro e assino em baixo.