17 de maio de 2008

A marcha da maconha

A marcha da maconha

Ipojuca Pontes

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, acolhendo pedido do Ministério Público estadual, proibiu na forma da lei a realização da Marcha da Maconha, que ocorreria no dia 5 de maio na grã-fina Ipanema, o palco-mor da esquerda festiva nacional. Um dos seus promotores, o sociólogo Renato Cinco, contestou a determinação do TJR, afirmando o seguinte: "A decisão da Justiça tem dois grandes equívocos, pois vai contra dois princípios constitucionais, o da liberdade de expressão e o da liberdade de reunião".

Mas o Deputado Federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), ex-secretário de Segurança do Estado, que entrou com uma ação contra a passeata que resultou na sua proibição pela Justiça, contrapôs que o ato era ilegal, pois diligenciava em favor do uso da maconha: "A marcha foi criada para promover um crime, que é o consumo de drogas. Eu não sou contra a liberdade de expressão, mas essa discussão não deveria ser feita em local público, e sim em meios acadêmicos e no Congresso. Essa é um movimento de meia dúzia de burgueses que buscam satisfação pessoal para o seu vício".

O deputado Itagiba está coberto de razão, mas, coitado, não sabe com quem está lidando, ou sabe e não quer falar: pois é justamente no seio da "comunidade" acadêmica, no âmbito das Ongs ambientalistas e, de forma camuflada, nos bastidores dos partidos "progressistas" - e radicais - que se trama a luta pela descriminalização da droga e a sua posterior liberação. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o Vaselina, e o governador Sérgio Cabral, leitor do "Estado e a Revolução" (de Lenin), dois produtos típicos do nosso meio "politicamente correto", são favoráveis e laboram, sempre que possível, em função da sua descriminalização. A tese é a de que com a legalização da produção, comercialização, distribuição e o controle da droga pelo Estado, a violência que a cerca acabaria como num passe de mágica.

Até meados dos anos de 1950, o consumo de droga era uma excentricidade, mesmo entre marginais. Contavam-se nos dedos os casos do "beautiful people" ou de artistas que fumavam maconha ou cheiravam cocaína. Nos anos de 1960/70, com a emergência do fenômeno da contracultura, promovido à exaustão pelos "crânios" da Escola de Frankfurt (com destaque para Herbert Marcuse), a fuzarca da droga passou a ser encarada como ato de contestação política contra a "estrutura dominante da sociedade industrial" – o capitalismo, por assim dizer.

Sim, a Cannabis sativa tomou conta das universidades, escolas, reuniões sociais, antros de bandidos e, entre artistas, alastrou-se o seu consumo sob o pretexto de que a droga agia como estimulante para a "criação de um mundo onírico e fora da realidade". Em Berkeley, New York, Paris, Berlim, Rio e nas periferias das grandes cidades a droga veio para ficar. Modelou até um tipo social curioso: o "radical chique".

Um dos argumentos que se usa em defesa da maconha é o de que ela não é droga pesada e, em certos casos, até alivia a dor dos pacientes terminais. Ademais – garantem - o barato da maconha é excitante, quebra a canseira, torna o usuário ativo, diminui a fome e deixa o "cara numa boa". (De fato, a coisa não fica por aí: depois de certo tempo, o maconheiro definha, perde a vontade, torna-se preguiçoso e emocionalmente instável. No campo das artes – por exemplo, no cinema -, os maconheiros que conheci eram, em geral, tipos neuróticos, desconectados da realidade e ocasionalmente tendentes à histeria).

O fato concreto é que nos últimos 50 anos a droga massificou-se em escala universal. E, paralelamente, tornou-se um negócio (porco) dos mais lucrativos do mundo, com renda global em torno dos US$ 800 bilhões anuais. Por trás dele estão as máfias internacionais, o crime organizado, os guerrilheiros das Farc, interesses ideológicos e revolucionários de todos os matizes, para não falar da própria policia, dos políticos e de setores do poder judiciário – justamente as instituições que deveriam combater a ferro e fogo o narcotráfico.

O interesse especial dos traficantes é a expansão da droga no seio da juventude – a chave do tesouro. Só nos Estados Unidos, cerca de 100 mil adolescentes iniciam-se anualmente no seu consumo. Desde 1969, ano do festival de rock de Woodstock, os números não param de crescer. Estima-se hoje, no universo dos seus dependentes, mais de 30 milhões de viciados, quase três vezes a população de Cuba.

Em território nacional, a coisa não fica por menos. Com o permanente abastecimento das Farc, a droga, como meio de vida e fonte de "prazer", tornou-se o negócio oficioso das favelas e das periferias urbanas. Nelas, crianças, adolescentes, velhos, homens e mulheres vegetam em torno dos pontos de papelotes e bocas de fumo, tendo como conseqüência natural o seu envolvimento direto na violência generalizada responsável pela morte de 50 mil brasileiros por ano – índice superior aos apontados em toda guerra do Iraque.

No âmbito dos "movimentos sociais" caboclo, defende-se a adoção do "modelo holandês" no Brasil como forma de se estabilizar o consumo da droga, regularizar o seu abastecimento e reduzir a incidência da criminalidade. Aqui, como sempre, sonega-se a verdade, Em primeiro lugar, na Holanda (um país menor do que a Paraíba), desde que a liberação da droga foi adotada, em 1976, o aumento do número de viciados cresceu em mais de 400%. Em segundo lugar, a partir da "batalha das drogas" ocorrida nas ruas da Bélgica, também permissiva, ampliou-se o controle do Estado holandês, que adotou severas medidas restritivas ao seu consumo.

No Brasil, com as instituições sociais estruturalmente corrompidas, afogadas pelo lodo do aparelhamento estatal, a poeira tóxica do vício ajuda a sufocar de vez os resquícios da saúde nacional. Hoje, o país fragmenta-se moral e fisicamente. E a própria Igreja católica, surda pelo furor da teologia da libertação, troca os princípios da evangelização pelos ecos das trombetas revolucionárias.

É o fim!

Fonte: Mídia Sem Máscara

Divulgação: www.juliosevero.com

3 comentários :

Anônimo disse...

E eu que pensava que já havia visto tudo o que é tipo de marcha e passeata no Brasil, enganei-me, pois agora saíram com mais uma, é a marcha da maconha, a qual eu denomino de “A marcha da má(conha)”. Eles tem até um blog.

O objetivo de tal marcha é promover manifestações em cidades como o Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador e mais 8 cidades em todo país, no próximo dia 4 de maio, visando, segundo eles ” construir espaços onde indivíduos e instituições interessadas em debater a questão possam se articular e dialogar, estimulando reformas nas Leis e Políticas Públicas sobre a maconha e seus diversos usos.”

Peraí, mas fazer apologia às drogas não é crime?

Sim, certamente! Exatamente por isso que a Justiça de Salvador e Cuiabá proibiram o evento, afinal assim dispõe a lei:

“Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga:Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa.” Artigo 33, § 2º da já bastante liberal Lei 11.343

O interessante é que os organizados da marcha da má(conha) sabem perfeitamente que a apologia ao uso da droga é crime, inclusive eles abordam isso no site, porém, tentam apresentar um argumento absurdo a favor do evento. Eles dizem:

É crime fazer apologia da maconha, e não é essa a nossa intenção. Mas a realidade é que cresce cada vez mais o consumo dessa planta e, portanto, não adianta ser hipócrita e não falar abertamente desse assunto - deixar de fazer o único trabalho de prevenção possível: educar sem contar mentiras.

Neste exato momento milhares de pessoas estão fumando em toda parte e, se a polícia fosse se dedicar a todas elas, não teria tempo para cuidar de nenhum outro crime, dos verdadeiros crimes, daqueles dignos desse termo: assassinatos, roubos, estupros, corrupção, seqüestros, violência. Sabe-se que a polícia perde um tempo enorme desde a detenção de uma pessoa com maconha - às vezes apenas com um simples baseado ou bagana -, até terminar de preencher toda a papelada na delegacia para que o “maconheiro�? compareça mais tarde ao juizado - que por sua vez tem coisas mais urgentes pra julgar.

Então, quer dizer o seguinte, como o número de usuários de maconha cresceu em todo o mundo a saída mais viável seria a sua liberação, posto que se a polícia fosse se dedicar a prender todos os usuários, não teria tempo para cuidar de nenhum outro crime. Que maravilha! Que argumento mirabolante!

Então é assim. Fácil. Fácil. Se o número de criminosos aumenta basta liberar que tudo está resolvido. Será que esse pensamento pode ser aplicado ao uso da cocaína, da heroína e de outros tipo de drogas? Ainda, será que esse argumento pode ser usado em benefício de outros criminosos como os corruptos, ladrões e estelionatários? Baseado na lógica pró má(conha) não há o menor problema em ampliar essa idéia, afinal, o ponto central de um crime, pra eles, está baseado na quantidade de pessoas que o cometem. Se forem muitos, libera; senão, prende-se! O problema será saber qual o percentual necessários de usuários para se saber se uma droga pode ser liberada. 50? 70? 80 Porcento? Não tenho a mínima idéia, e penso que eles também não, posto que eles nem perceberam a asneira que disseram.

Reinaldo Azevedo comentou o assunto em seu blog, e eis aqui uma parte em que ele encerra o assunto:

Já disse: sou um chato legalista. Essa “marcha” tem de ser proibida. Se, uma vez proibida, as pessoas insistirem em promovê-la, então não vejo outra saída: cana! Esse negócio de que todo mundo tem o direito de marchar contra a lei de que discorda em nome da liberdade de expressão tem quais limites éticos? Deve haver quem defenda a pedofilia, por exemplo, porque, afinal, na civilização grega, etc e tal… Se os valentes querem patrocinar a causa, que arrumem um representante no Congresso que esteja disposto a assumi-la.

Sabem o que é curioso? Uma marcha a favor do cigarro, por exemplo, seria de pronto repudiada - inclusive por gente que defende a da maconha. “Ah, mas cigarro já é legal; não precisa de marcha”. Sim, mas os fumantes são hoje quase párias sociais, não é mesmo? Estou, de fato, chamando a atenção para uma questão: essa marcha da maconha toca num flagelo social: o fato de as drogas hoje consideradas ilícitas serem consideradas ainda um valor “de resistência”, o que faz com que se transformem numa espécie de “cultura”.

Pior: os maconheiros querem fazer de conta - e só por isso o filme Tropa de Elite foi repudiado por alguns “descolados” - que o consumidor de droga não integra a cadeia do tráfico e, portanto, da violência e do crime organizado. O argumento de que a legalização da maconha diminuiria a violência é só uma tolice irresponsável. No mesmo caminho, seria preciso tornar legal a venda das outras substâncias: cocaína, crack, heroína - ou os traficantes de maconha migrariam pra elas, certo? Mais: o Brasil não fará isso sozinho. A Inglaterra, por exemplo, está na contramão: apertando o cerco também contra a maconha.

Em suma, esse evento é uma afronta à legislação penal brasileira, na medida em que contraria suas disposições e tenta, ainda, posar de “defensor da liberdade”.

Valmir
www.comoviveremos.com

Anônimo disse...

Por que será que o Judiciário e o Ministério Público não consideram também como apologia ao crime as manifestações pró-aborto?

Anônimo disse...

Convido a todos a participarem da discussão no link abaixo:

http://comoviveremos.com/2008/05/01/a-marcha-da-maconha/