7 de janeiro de 2008

Evangelho da Prosperidade sob inspeção

Evangelho da Prosperidade sob inspeção

Deus e riquezas: investigação do Senado americano procura saber o que há no evangelho da prosperidade dos televangelistas

ERIC GORSKI escritor religioso

The Associated Press

A mensagem reluzia na sala de estar de Cindy Fleenor a cada noite: Seja fiel no modo como você vive e no dinheiro que você dá, diziam os pregadores de TV, e Deus lhe dará chuvas de riquezas materiais.

Foi assim que a contabilista de 53 anos da cidade de Tampa, Flórida, se comprometeu a dar anualmente 500 dólares para Joyce Meyer, a evangelista cuja pregação franca sobre sua recuperação do abuso sexual na infância é cheia de inspiração. Ela preencheu cheques para o evangelista exibicionista Benny Hinn e uma pregadora local bem popular, Paula White.

Só que as bênçãos não vieram. Fleenor acabou pedindo dinheiro emprestado de amigos e empresas de empréstimo só para comprar comida. No início, ela cria na explicação que era dada na televisão: A fé dela não era forte o suficiente.

“Eu queria crer que Deus queria fazer algo grande comigo, do jeito que ele estava fazendo com eles”, disse ela. “Estou revoltada e amargurada com isso. Hoje, praticamente não vejo ninguém mais na TV”.

Todos os três grupos que Fleenor sustentava com ofertas estão entre os seis grandes ministérios evangélicos de televisão sob inspeção de um senador que está fazendo perguntas sobre os gastos extravagantes dos evangelistas e possíveis abusos da condição deles de isentos do imposto de renda.

A investigação do Senador Charles Grassley de Iowa, o mais importante republicano no Comitê de Finanças do Senado, trouxe nova inspeção na convicção fundamental que gera milhões de dólares e enche igrejas de Atlanta a Los Angeles: o “Evangelho da Prosperidade”, ou a noção de que Deus quer abençoar com riquezas terrenas os que são fiéis.

Todos os seis ministérios sob investigação pregam o evangelho da prosperidade em graus variados.

Os proponentes chamam-no de uma mensagem de esperança biblicamente sã. Outros dizem que é uma distorção que enrique os evangelistas e rouba pessoas vulneráveis. Eles dizem que o evangelho da prosperidade se desenvolveu de uma mentalidade “é totalmente certo fazer dinheiro” para “é certo o pastor andar de carro de luxo, viver em mansão à beira da praia e viajar de jatinho particular”.

“Mais e mais pessoas estão desesperadas e querem se agarrar a qualquer coisa que aliviará seu sofrimento ou crise financeira”, disse Michael Palmer, reitor da Faculdade de Teologia da Universidade Regent, fundada por Pat Robertson. “É um problema crescente”.

O movimento moderno de prosperidade tem origem, em grande parte, nos ensinos do evangelista Oral Roberts. Os discípulos de Roberts têm espalhado sua teologia e vocabulário (Roberts e outros evangelistas, tais como Meyer, chamam seus doadores de “parceiros”). E vários pregadores populares de prosperidade, inclusive alguns que estão agora sob investigação, trabalharam na administração da Universidade Oral Roberts.

Grassley está solicitando dos ministérios registros financeiros sobre salários, gastos, jatinhos particulares e outras vantagens financeiras. A investigação — junto com um escândalo financeiro na Universidade Oral Roberts que obrigou o filho e herdeiro de Roberts, Richard, a renunciar — está levando as pessoas a cogitarem se o evangelho da prosperidade está enfrentando sua hora de prestar contas.

Embora poucos esperem que o movimento desapareça, a inspeção poderia forçar maior transparência e vigilância financeira num movimento conhecido por guardar segredos.

A maioria dos estudiosos traça as origens da teologia da prosperidade a E.W. Kenyon, um evangelista e pastor da primeira metade do século 20.

Mas foi só depois da 2ª Guerra Mundial e depois do aparecimento de dois evangelistas de Tulsa, Oklahoma, que a teologia da “saúde e da riqueza” se tornou competitiva em igrejas pentecostais e carismáticas.

Oral Roberts e Kenneth Hagin e mais tarde Kenneth Copeland treinaram dezenas de milhares de evangelistas com uma mensagem que reverberava numa classe média emergente, disse David Edwin Harrell Jr., biógrafo de Roberts. Copeland está entre aqueles que estão sendo agora investigados.

“O que Oral fez foi desenvolver uma teologia que dava aprovação para a prosperidade”, disse Harrell. “Ele permite que os pentecostais sejam fiéis às antigas verdades que seus avós abraçavam e serem parte do mundo moderno, onde eles poderiam ter bons empregos e fazer dinheiro”.

Os ensinos assumiram vários nomes: reivindicação, “palavra de fé” e evangelho da prosperidade.

Os pregadores da prosperidade dizem que não é tudo sobre dinheiro, que as bênçãos de Deus se estendem à saúde, relacionamentos e bem-estar suficientes para ajudar os outros.

Eles têm versículos da Bíblia na ponta da língua para defenderem suas posições. Um dos versículos muitas vezes citados, na Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios, diz: “Ele se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos”.

Os críticos reconhecem que a idéia de que Deus quer abençoar seus seguidores tem base bíblica, mas dizem que os pregadores de prosperidade usam os versículos fora de contexto. Os adeptos da prosperidade também não conseguem reconhecer os relatos bíblicos que mostram que Deus nem sempre recompensa os crentes fiéis, disse Palmer.

O Livro de Jó é um caso de religiosidade não recompensada, e um capítulo no Livro de Hebreus inclui uma longa descrição de crentes que foram torturados e martirizados, disse Palmer.

Contudo, o evangelho da prosperidade continua a atrair multidões, principalmente pessoas da classe média e baixa que, dizem os críticos, têm a motivação maior e que mais têm a perder. A mensagem de prosperidade está se espalhando em igrejas negras, atraindo idosos com rendas descartáveis, e alcançando igrejas imensas na África e outras partes do mundo em desenvolvimento.

Uma das atrações do ensino é que não se importa com os temas cristãos tradicionais de céu e inferno, mas em dar respostas a preocupações urgentes do aqui e agora, disse Brian McLaren, um escritor e pastor evangélico liberal.

Mas o evangelho da prosperidade, McLaren declarou, não só rouba a esperança das pessoas vulneráveis, mas também coloca ênfase exagerada no sucesso e felicidade individual.

“Temos ignorado muito o que a Bíblia diz acerca de injustiça geral”, ele disse.

As políticas de limitações e inspeções que são fundamentais em denominações cristãs são em grande parte inexistentes em igrejas da prosperidade. Um dos pastores sendo investigado pelo Senador Grassley é o Bispo Eddie Long, de Atlanta. O bispo escreveu que Deus o orientou a se livrar da “ímpia estrutural ministerial” do conselho de diáconos.

Alguns pastores exibem suas próprias riquezas como prova de que seu ensino funciona. O Pr. Creflo Dollar, de Atlanta, que está lutando contra a investigação de Grassley, possui um Rolls Royce, tem casas de milhões de dólares e viaja num jatinho de sua igreja.

Numa carta para Grassley, o advogado de Dollar chama o evangelho da prosperidade de uma “convicção profundamente religiosa” baseada na Bíblia. Portanto, segundo ele, é liberdade religiosa protegida. Grassley disse que sua investigação não lida com teologia.

Mas até mesmo alguns críticos do evangelho da prosperidade, como o Rev. Adam Hamilton, da Igreja Metodista Unida da Ressurreição na Cidade de Kansas, Missouri, diz que a investigação está entrando num campo minado. Hamilton tem uma igreja de 15.000 membros.

“Como é que dá para decidir quanto dinheiro um pastor assim pode fazer quando sua teologia básica é que é certo ter riquezas?” disse Hamilton, que se formou na Universidade Oral Roberts, mas depois deixou o movimento carismático. “Isso entra em questões teológicas”.

Há evidência de mudança. Os Ministérios Joyce Meyer decidiram executar reformas financeiras em anos recentes, inclusive divulgar ao público declarações financeiras devidamente aprovadas em auditoria.

Meyer, que prometeu cooperar totalmente com o Senador Grassley, divulgou uma declaração frisando que um evangelho de prosperidade que “exclusivamente iguale bênção com ganho financeiro sofre de desequilíbrio e pode prejudicar a caminhada de uma pessoa com Deus”.

Título original: ‘Gospel of Wealth’ Facing Scrutiny

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com

Leitura recomendada:

O evangelho da prosperidade do governo

12 comentários :

Anderson Gonzaga disse...

Prezado Júlio Severo,

Os princípios bíblicos da vida cristã foram abandonados por muitos na atualidade.

Os crentes não agem como os bereanos, que conferiam todo ensino que recebiam com a Bíblia para se certificarem de não estar dando ouvidos a heresias.

Hoje, muitos julgam precisar de "Líderes espirituais" , se esquecendo de que na morte de Cristo rasgou-se o véu do Santo dos Santos. Confiam nesses falsos mestres cegamente, daí estarem em pecado contra Deus.

O Congresso americano, entretanto não deve ser o palco dessa investigação. Essa corja de bandidos, travestidos de sacerdotes, deveria ser investigada sob ótica criminal, por enriquecimento ilícito.

No Brasil, bispos mai$cedos e apóstolos e$teves, dentre outros malas, deveriam estar atrás das grades e não nos púlpitos!!!

Com indignação,

Anderson.

Eliseu Antonio Gomes disse...

Olá!

PROSPERIDADE VERSUS MISÉRIA

A prosperidade é um bênção de Deus na vida dos cristãos. Vem como consequência de servir ao Senhor fielmente.

O erro de alguns está em colocar o dinheiro em primeiro lugar... Se colocamos a Deus, Ele nos abençoa. Ou será que temos um Deus mesquinho que guarda em grandes cofres todo o ouro e toda a prata que diz lhe pertencer?

Não devemos recusar a bênção da prosperidade e nem agir preconceituosamente sobre esse assunto.

Há erros dentro dessa "teologia"? Sim... Mas também há erros nos argumentos de muitos teólogos que pregam, sem viver, a "Teologia da Miséria".

Um dos argumentos de quem prega a “Teologia da Miséria”, é comentar que Jesus Cristo nasceu em uma estribaria, um estábulo. E hoje, em épocas natalinas, encontramos com muita facilidade o cenário reconstituído artesanalmente com vários bonequinhos representando José, Maria, os magos e os animais.

No entanto, é deixado de lado o contexto. Não se diz que José e Maria estavam em viagem, da Galiléia à Judéia, por conta da convocação do imperador César Augusto pedindo que o povo fosse recenseado. José e Maria tinham casa e também condições financeiras de hospedarem-se bem. Eles procuraram um lugar para pousar, mas Maria entrou no processo de trabalho de parto e o Unigênito do Pai nasceu em um local dos mais simples porque a hospedaria estava lotada. Lucas 2.1-14.

José tinha uma profissão, era carpinteiro. Segundo os especialistas, essa função embora não fosse enriquecedora era muito rendosa nos tempos em que Maria deu a luz. Dizer que Jesus Cristo era pobre é apenas conjectura, não há registro bíblico comprovando nada, e Ele também foi um carpinteiro até chegar aos trinta anos e abraçar ao ministério pastoral.

A SALVAÇÃO E A PROSPERIDADE

Na Bíblia Sagrada, o substantivo salvação traz em seus originais em grego (soteria) e hebraíco (marpe'), o sentido de libertação, preservação, integridade, alegria, resgate, bem-estar geral e prosperidade.

No Velho Testamento, encontramos referências à tranquilidade, remédio e cura. O termo marpe' vem do verbo rapha (restaurar, curar, sarar).

A salvação é apresentada tanto em sentido material, temporal, quanto o eterno. Marpe'/soteria é uma possessão presente com uma realização a completar-se futuramente. Entretanto, tal detalhe não é tão divulgado como deveria ser. Diz-se ou deixa-se a idéia errada de que a salvação tem a ver apenas com a alma no porvir.

É preciso ensinar que a salvação é uma possessão presente( Lucas 1.77; 2 Coríntios 1.6; 7.10) culminando com o ápice no futuro (Romanos 13.11; 1ª Tessalonicenses 5.5-8).

A PAZ E A PROSPERIDADE

Outro detalhe que é ignorado pelos teólogos da miséria:

O estrito sentido bíblico do termo paz nos idiomas hebraico e aramaico no Velho Testamento e em grego no Novo Testamento...

Geralmente, a palavra paz (shalom) tem sentidos com profundidades muito amplas, que em nenhum outro idioma pode ser expressa um só termo.

No Velho Testamento, shalom (paz), quer dizer estar completo, ter saúde, estar bem em todos os sentidos, ser feliz, é ter prosperidade.

O uso bíblico de shalom é o completo bem estar, que se assemelha à paz no seu mais profundo significado. Paz com Deus, paz interior, paz com o próximo e com a natureza.

E também no Novo Testamento, o termo paz (em grego koiné, eirene), tem o mesmo significado do Velho Testamento.

A paz que Jesus mencionou, falada em aramaico e depois traduzida ao grego, era muito mais do que a ausência de brigas, guerras. Tinha o sentido do relacionamento de Deus com o ser humano, abrangendo a esfera espiritual e física.

Os ímpios não possuem tal prosperidade, eles conseguem, no máximo, apenas ajuntar as riquezas materiais. Existem muitos milionários sem prosperidade e gente na classe média cheia dela.

O QUE É PROSPERIDADE BÍBLICA?

A prosperidade bíblica não é, tão-somente, o acúmulo de riquezas. Mas muitos crentes, sim, têm saído das situações de misérias plenas.

Assim como eu, quem for evangélico deve conhecer também algumas pessoas que estavam desempregadas e com o casamento arruinado e que ao entregar o coração para Deus foi abençoado na vida afetiva e conjugal e conseguiu um emprego para viver dignamente.

É rotina essa bênção da prosperidade, tanto para quem pregue e quem creia na "Teologia da Prosperidade" quanto aos que são contra ela. Por que? Porque Deus não tem compromisso com esses teólogos, tem compromisso com os que possuem fé para receber a bênção.

E falando sobre favelas, normalmente associamos favelados com miseráveis. Mas uma pesquisa feita algum tempo atrás apontou que os moradores da Favela da Rocinha podem ser classificados como cidadãos de classe média.

Não creio em um Deus mesquinho que enviou Jesus (Pão da Vida) para que Seus seguidores morressem de fome.

É preciso ter moderação, afinal, até os ferrenhos críticos da "Teologia da Prosperidade" amam a miséria e vivem nela.

Abraço.

Julio Severo disse...

O caso de não pobreza absoluta de José e Maria é relatado no artigo de Joseph Farah, A Longa Marcha para Belém: http://juliosevero.blogspot.com/2007/12/longa-marcha-para-belm.html

Eliseu Antonio Gomes disse...

ERRATA:

No meu comentário acima, último parágrafo, onde encontramos:

“É preciso ter moderação, afinal, até os ferrenhos críticos da "Teologia da Prosperidade" amam a miséria e vivem nela”.

Leia-se:

É preciso ter moderação, afinal, até os ferrenhos críticos da "Teologia da Prosperidade" amam a miséria e não vivem nela.

Unknown disse...

Vejo no Brasil a relação entre a teologia da prosperidade e a quase total ausência de pregação do Apocalipse.Afinal de contas o ser humano sempre prefere uma mentira bem contada do que a dura realidade. De que servirão os bens materiais durante a perseguição do anticristo? Vejo o R.R. Soares e outros dizerem para ganharmos o Brasil para Jesus, mas não está escrito que o mundo jaz no maligno? Eles realmente acreditam que o Brasil todo vai se converter e todos viverão felizes para sempre, embora no Apocalipse seja justamente o contrário que está escrito? E sobre o Marcos Feliciano que defendeu os líderes da Renascer embora tenham confessado o crime? Será que na igreja primitiva ao apóstolos confessariam um crime que não tivessem cometido e depois diriam que estão sendo perseguidos injustamente?Acrescento que gosto de assistir esses pregadores citados, mas não vou deixar passar essas incoerências.Júlio, você acredita no pré ou no pós tribulacionismo ?

Daniel Moreria disse...

Na minha cabeça o amor ao dinheiro modela o comportamento quando alguém associa "o bem" com deus. Automaticamente isso gera infelicidade quando a pessoa associa o seu "fracasso" com idéia de que Deus não o abençoou.

Outro ponto é o "marketing" sobre a benção. Os anúncios das Igrejas são de promessas de vitórias e bençãos para quem aceitar Jesus. E nisso cria a idéia de Deus prometeu ser a solução para os problemas das pessoas e não propriamente por pessoas. O "vinde a mim como estais" não tem uma legenda para classificar que é gente falida ou qualquer derivação de azar. Quero lembrar que Jesus morreu por pessoas e não por sua vida financeira ou outra coisa do tipo.

Tudo é simples assim. Um evangelho emergente e sem fundamentos com pessoas que querem aliviar o sofrimento financeiro em Jesus. E mais... Os defensores desta teologia criam indiretamente um fardo pesado para aqueles que querem seguir as experiências "de sucesso" que são propagadas na TV. O fardo consiste em mostrar como testemunhos exemplos e os transformar em norma.

Deturpação de ensinamentos, fardos para os fiéis e por ai vai...

Ainda bem que se renova pela manhã. Sabe quem, né?

Anônimo disse...

Opa cheguei Tarde, esse artigo realmente e exclarecedor fique na Paz!!!

salvacao.wordpress.com

Antônio Carlos Oliveira disse...

Além das igrejas estarem passando por esse problema do achaque aos bolsos dos fiéis, tem também o problema da reverência ao moderno hagiológio evangélico: tem gente que só vai à igreja para reverenciar São Baixo, São Teclado, Santa Guitarra e Santa Bateria. Principalmente os jovens. Se um desses "Santos" faltar, o cara nunca mais volta.

Unknown disse...

Prezado Julio Severo,
1. Lembrei do artigo “A Capa e a Espada” do sr. Olavo de Carvalho, postado por você em 20/12/07 que denunciou as barbaridades sofridas pelos cristãos norte-coreanos, em pleno século XXI, durante as comemorações natalinas. De acordo com os proponentes da “teologia da prosperidade” que ensinam que é necessário ao cristão prosperidade terrena, como uma das provas de que ele está bem com Deus – esses irmãos norte-coreanos são um péssimo exemplo para o Evangelho de Cristo!... O povo cristão norte-coreano não serve como “garoto-propaganda” para eles!...

2. Devemos crer nos milagres e prodígios prometidos no Evangelho (Mc 16.15-18); na benção da prosperidade material, afetiva, etc (que é bíblica nos moldes de 2 Co 8,9); no cuidado providencial de Deus, segundo Mateus 6.25-34, mas sempre de acordo com Sua graça, soberania e desígnios para nossa vida; e não segundo esta “colcha de retalhos” costurada com textos bíblicos fora de contexto, da qual se origina a “teologia da prosperidade” ou “Confissão Positiva”.

3. Não há promessas de bênçãos materiais CONDICIONADAS EXCLUSIVAMENTE aos dízimos e ofertas para a Igreja, no Novo Testamento, tal como são feitas a Israel, no Antigo Testamento. Os princípios divinos que obedecidos fazem com que “as bênçãos de Deus nos alcancem” (Dt 28.2), estão baseados na Morte e Ressurreição de Jesus Cristo e em Sua graça, soberania e propósitos particulares para cada um de nós e em proveito da missão que Ele nos confiou – e nada mais.

4. Se a srª Cindy Fleenor residisse aqui no Brasil, além da explicação de que sua “fé [...] não era forte o suficiente” teria ouvido ainda do manipulador da Palavra de Deus (2Pe 3.16):

5. “... a senhora tem uma maldição hereditária que lhe acompanha...”; “a senhora tem um encosto na sua vida; “a senhora precisa fazer um “sacrifício” proporcional à sua fé e à benção almejada...”; “se a senhora tem fé e é “fiel” (dizima e oferta), então precisa exigir, reivindicar, determinar pois Deus é obrigado a atendê-la, porque está escrito...”; “a senhora tem algum pecado encoberto que está impedindo a benção na sua vida; etc.

6. Contudo, a srª Cindy Fleenor e uma multidão de “revoltados e amargurados”, desiludidos e frustrados com DEUS, com a Bíblia e com o Evangelho não são de todo inocentes (João 6.26,27). Na verdade, NUNCA conheceram ao Jesus das bênçãos, mas só vislumbram as benção de Jesus “... chegada a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se ofende[m]” (Mateus 13.21) e abandonam o Cristo. Isto, quando não decidem “processar a igreja e o falso profeta” perante os tribunais terrenos (Rm 2.24). Quem já não ouviu falar disso?... O ap. Paulo preferia a morte a usar de tais expedientes para proclamar o Evangelho (1Co 9.15).

7. A ação parlamentar do senador norte-americano que visa “separar o joio do trigo”, na minha opinião, é positiva e pode “salvar” (literalmente, Ap 2.5) a alma, desse pessoal que quer facilitar o Caminho que Jesus disse que é estreito (Mt 7.13,14).

8. Jesus e nem seus apóstolos jamais ensinaram sobre a “teologia da miséria”. Está escrito, no entanto, que sendo rico ou pobre o verdadeiro cristão deve estar disposto a renunciar por amor a Ele (Lc 14.25-33), aos relacionamentos, à vontade própria, aos bens. Entretanto, isto não significa abandonar tudo quanto temos, mas colocar tudo a serviço de Cristo e sob sua direção até a últimas conseqüências. É o “segmento” apóstata do Cristianismo que advoga a “teologia da miséria” para desenvolver a virtude... e não o Cristianismo bíblico.

9. Visitar “sites” de missionários cristãos no estrangeiro e de outros militantes do Evangelho aqui no Brasil, que têm levado até as últimas conseqüências a mensagem genuína de Jesus, e não têm recebido outra coisa senão: pedradas, processos, suprimento de pão e água minguados, martírios, difamações, nenhum conforto, etc, ajuda a perceber o perigo que a “teologia da prosperidade” constitui para a formação do caráter cristão: não é nada atrativo para os padrões terrenos (Hb 11.13-16):

10. “... experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos a fio de espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa...” [das benção materiais, inclusive...]. (Hb 11.36-39)
Abraço fraterno.
Paulo Ceroll

Unknown disse...

Prezado Julio Severo:
1. Os efeitos da Teologia da Prosperidade ou da Confissão Positiva, são públicos e notórios. O tema é recorrente nos “sites” de apologia da doutrina cristã que denunciam, BIBLICAMENTE, as “mensagens” e, também, os “ministros” que intencionalmente ou não, assemelham-se, pelo “modus operandi”, a uns “profetas” do Antigo Testamento: “Não mandei os profetas; todavia, eles foram correndo; NÃO LHES FALEI A ELES; TODAVIA, ELES PROFETIZARAM.” (Jeremias 23:21).
2. A iniciativa desse senador norte-americano e a proliferação desses “ministros” que pregam aquilo que o povo deseja ouvir (e por isso não são apedrejados... mas, servidos e idolatrados) devem servir de alerta para os que se julgam pertencer a Igreja militante: “...Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão.” (Lc 19:40).
3. Essa “doutrina” gera uma imagem invertida, diminuída e virtual daquilo que os apóstolos ensinaram VERDADEIRAMENTE sobre prosperidade material, para a Igreja (2Co 8,9); e, também, uma afronta aos inúmeros cristãos pobres, perseguidos e martirizados que viveram antes de nós: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (1Co 15.19).
Abraço fraterno,
Paulo Ceroll
P.S.: Sei que você é bastante ocupado, mas como leitor assíduo deste blog apreciaria muito se nos brindasse (um pouco mais) com sua interação. Obrigado.

Aprendiz disse...

Caro senhor Eliseu

A doutrina da prosperidade, tal como é pregada pelos atuais ministros nopetencostais, contém evidentes exageros. Ninguém aqui está defendendo um "evangelho da miséria". Mas devemos rejeitar também a doutrina dos amigos de Jó, que julgavam um homem pela sua situação. Como fica a parábola do rico e de Lázaro? Como fica o apóstolo Paulo, dizendo que aprendeu a ficar contente, seja na fartura ou na necessidade?

Flavio disse...

Leiam salmos 112, 2 corintios 9 e verão o que é prosperidade, não há como negar que ela é biblica, mas a pessoa tem que estar realmente salva para te-la

Eu vejo pessoas sendo abençoadas financeiramente o tempo todo, graças a estes versiculos