4 de novembro de 2007

Vigilância Sanitária dos EUA reafirma regulamento que proíbe homossexuais de doar sangue

Vigilância Sanitária dos EUA reafirma regulamento que proíbe homossexuais de doar sangue

Os homossexuais do sexo masculino continuam proibidos de doar sangue, disse o governo americano, deixando intacta uma proibição de 1983 que tem como objetivo impedir a propagação do HIV por meio de transfusões.

A FDA, que é a Vigilância Sanitária dos EUA, reafirmou a política em seu site, mais de um ano depois que a Cruz Vermelha e duas outras entidades de sangue criticaram a proibição como “medicamente e cientificamente injustificada”.

“Devo confessor que estou desapontado”, disse o Dr. Celso Bianco, vice-presidente dos America’s Blood Centers, cujos membros fornecem aproximadamente metade do abastecimento de sangue da nação.

Antes de doar sangue, todos os homens têm de responder se fizeram sexo, mesmo que uma única vez, com outro homem desde 1977, quando a epidemia da AIDS começou nos Estados Unidos, de acordo com a FDA. Aqueles que respondem afirmativamente são proibidos de doar. A FDA diz que esses homens estão sob risco maior de infecção do HIV, que pode ser transmitido pela transfusão de sangue. Qualquer indivíduo que usou drogas injetáveis ou tenha feito sexo por dinheiro é também proibido permanentemente de doar sangue.

Em março de 2006, a Cruz Vermelha, a associação internacional de sangue AABB e os America’s Blood Centers propuseram substituir a proibição permanente por um adiamento de um ano após um contato sexual de homem com homem. Testes novos e melhorados, que podem detectar doadores portadores do HIV depois de 10 a 21 dias de infecção, tornam a proibição desnecessária, as entidades de sangue disseram à FDA.

Num documento postado em seu site, a FDA disse que mudaria sua política se recebesse dados provando que a doação não representaria um risco “grande e evitável” aos que recebem sangue.

A FDA disse que os testes de HIV em uso hoje são muito precisos, porém ainda não conseguem detectar o vírus 100 por cento do tempo. O risco estimado do HIV de uma unidade de sangue é cerca de um por dois milhões nos Estados Unidos, de acordo com a FDA.

Os que criticam o regulamento dizem que proíbe potenciais doadores saudáveis, apesar da crescente necessidade de sangue doado, e discrimina os homossexuais. A FDA reconhece que a restrição significa que muitos doadores saudáveis não podem doar sangue, mas rejeitou a sugestão de que a política é discriminatória.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com

Publicado pelo The New York Times, 24 de maio de 2007.

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