8 de outubro de 2007

Como não dialogar com os abortistas

Como não dialogar com os abortistas

(deve-se levar em conta a má-fé do interlocutor)

Várias vezes Jesus foi interpelado pelos escribas e fariseus, que queriam deixá-lo em situação embaraçosa. Como não agiam de boa-fé, mas com má intenção, Jesus costumava devolver-lhes a pergunta. Assim, eles passavam de interpeladores a interpelados. Vejamos alguns exemplos.

Após a expulsão dos vendedores no Templo, os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo vieram perguntar a Jesus: “Com que autoridade fazes estas coisas? E quem te concedeu essa autoridade?” (Mt 21,23). Em vez de responder imediatamente, Jesus formulou uma pergunta: “Também eu vou propor-vos uma só questão. Se me responderes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas” (Mt 21,24). A pergunta foi: “O batismo de João, de onde era? Do Céu ou dos homens?” (Mt 21,25). O Evangelho prossegue:

Eles arrazoavam entre si, dizendo: “Se respondermos ‘Do Céu’, ele nos dirá: ‘Por que então não crestes nele?’. Se respondermos ‘Dos homens’, temos medo da multidão, pois todos consideram João como profeta”. Diante disso, responderam a Jesus; “Não sabemos”. Ao que ele também respondeu: “Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas” (Mt 21,25-27).

* * *

Quando lhe perguntaram se era lícito ou não pagar o tributo a César, Jesus, “percebendo a sua malícia” (Mt 22,15), não respondeu imediatamente. Mandou que lhe mostrassem a moeda do imposto e perguntou: “De quem é esta imagem e esta inscrição?”. Os interrogadores, agora na condição de interrogados, responderam: “De César”. De posse dessa resposta, aí sim Jesus respondeu: “Devolvei, pois, o que é de César a César, e o que é de Deus, a Deus” (Mt 22,21).

* * *

Quando lhe apresentaram o caso de uma mulher surpreendida em flagrante delito de adultério e perguntaram-lhe “para pô-lo à prova, a fim de terem matéria para acusá-lo” (Jo 8,6), se deveriam ou não apedrejá-la, conforme estava escrito na Lei de Moisés, Jesus simplesmente inclinou-se e escreveu com o dedo na terra. Como insistissem em interrogá-lo, Jesus se levantou e disse: “Quem dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra!” (Jo 8,7). Essa resposta de Jesus fez com que os acusadores passassem à condição de acusados. O incômodo deles foi tamanho que “saíram um após o outro, a começar pelos mais velhos” (Jo 8,9).

* * *

Só vale a pena responder diretamente a uma pergunta sobre o aborto, se o interlocutor estiver de boa-fé. Infelizmente não é esse o caso dos abortistas militantes, que fazem conferências, escrevem em jornais e dão entrevistas na televisão. Dialogar com eles a fim de fazê-los mudar de idéia é como malhar em ferro frio. Se, porém, o debate é público, convém que se responda. Não por causa deles, mas por causa dos outros, que estão assistindo ao debate.

Em uma situação dessas, o defensor da vida deve agir como Jesus diante dos escribas e fariseus. Nos exemplos abaixo, há algumas perguntas abortistas e há dois tipos de resposta pró-vida: a “errada” e a “certa”. “Errada”, neste caso não significa necessariamente falsa. É uma resposta que, mesmo verdadeira, não atinge o cerne da questão e deixa o opositor em posição cômoda para novos ataques. Por isso ela é estrategicamente errada. A resposta “certa” é aquela que, além de verdadeira, deixa patente a insensatez da posição abortista e transforma o acusador em acusado. É uma resposta estrategicamente certa.

PERGUNTA ABORTISTA

RESPOSTA PRÓ-VIDA

Uma menina foi violentada e está grávida. Você acha que uma criança pode ser mãe de outra criança?

ERRADA: Sim, a menina pode cuidar de seu bebê desde que receba ajuda da comunidade.

CERTA: Mãe ela já é! Ao que parece, você não está perguntando se ela pode ser mãe de outra criança. Você pergunta se podemos matar a criança pequena em benefício da criança grande. Respondo que não. Ambas as vidas são igualmente invioláveis.

É justo compelir uma mulher a levar adiante a gestação de um feto que não tem cérebro?

ERRADA: Sim, é justo.

CERTA: Pelo que entendi, você pergunta se é justo dar à mãe de uma criança gravemente deficiente o direito de matá-la a fim de se ver livre dela. É claro que a mãe não tem esse direito.

Você acredita que a vida de um indivíduo humano começa com a concepção?

ERRADA: Sim, eu acredito.

CERTA: Não, eu não acredito nisso porque isso não é objeto de crença. É uma verdade que eu colho das Ciências Naturais. Da mesma forma, eu não acredito que a Terra é redonda, nem que o morcego é um mamífero. Não é necessária uma revelação sobrenatural para saber que um indivíduo humano começa quando é concebido. Os que defendem o aborto, é que negam esse dado biológico.

Nos países que legalizaram o aborto, houve uma queda do número de abortos. Não seria conveniente que os defensores da vida lutassem para legalizar o aborto?

ERRADA: Não é verdade. Em todos os países em que o aborto foi legalizado, o número de abortos aumentou.

CERTA: O que importa para nós, pró-vida, não é o “total geral” de abortos, mas a vida de cada criança em particular. Ainda que, por absurdo, a legalização desse crime levasse à diminuição de sua prática, não poderíamos legalizá-lo. O que importa é a proteção legal desta criança que está no ventre desta mãe. Cada bebê é precioso. Não é um simples número em uma estatística.

Você não acha que cada mulher deve ter direito ao próprio corpo?

ERRADA: Sim, mas o direito ao próprio corpo não é ilimitado.

CERTA: Pelo que entendi, para você o corpo humano se compõe de quatro partes: cabeça, tronco, membros e criança. Como a mulher corta as unhas e os cabelos, ela deveria, segundo seu pensamento, poder cortar a criança que carrega em seu útero.

Atualmente só as mulheres ricas têm acesso a um aborto seguro. As mulheres pobres acabam morrendo em mãos de curiosas. Não seria melhor legalizar o aborto para por fim a essa hipocrisia?

ERRADA: As mulheres ricas também morrem por causa da prática de aborto.

CERTA: Para o bebê o aborto nunca é seguro, mas é 100% letal. Ninguém, seja rico seja pobre, tem o direito de exigir segurança para si ao matar um inocente. Os ladrões não têm direito a um “roubo seguro”; os seqüestradores não têm direito a um “seqüestro seguro”; os homicidas não têm direito a um “homicídio seguro”.

Centenas de milhares de mulheres morrem, a cada ano, por causa de abortos mal feitos. Legalizar o aborto não seria uma exigência da saúde pública?

ERRADA: O número anual de mortes maternas por aborto no Brasil não chega a duas centenas.

CERTA: Ainda que fosse verdade que houvesse uma multidão de mulheres mortas a cada ano por causa de “abortos mal feitos”, a solução óbvia para evitar essa mortandade seria não abortar. Ao invés de legalizar a morte dos inocentes, é preciso valorizar a maternidade e a vida intra-uterina, e dar assistência às gestantes. Isso sim é uma exigência da saúde pública!

Roma, 7 de outubro de 2007.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis

Fonte: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com

6 comentários :

Eduardo Araújo disse...

Excelente!

Especialmente porquanto amparado nas Palavras e Atitudes de Jesus.

Melhor sustentáculo, impossível.

Acredito que essa orientação - nos seus princípios gerais - pode perfeitamente ser estendida para os "diálogos" com marxistas, ateus militantes, dentre outras figurinhas típicas destes tempos difíceis.

Anônimo disse...

Excelente.

Observador disse...

Parabéns

Certamente utilizarei este artigo no dia-a-dia para expor minha opinião, agora com mais clareza e argumentos melhores.Acredito na importância de conversar com as pessoas sobre este assunto no cotidiano afim de jogar um pouco de luz sobre esta importante discussão nos tempos atuais.

Wagner Moura disse...

Massa! :D Vou copiar. Vou colar. Amanhã é dia de audiência pública sobre o aborto... Soube que a Heloísa Helena estará lá! É uma lástima que eu não estarei lá... Como ficaria feliz de ver a ex-senadora colocando moral nas femininazistas! :D

Anônimo disse...

Júlio

Ótimo artigo.

Trazendo a mesma discussão sobre estratégia para o debate sobre a "homofobia", penso que os evangélicos e católicos tem errado em sua estratégia. Pois já vi um ATEU concordar com uma forte crítica contra a "lei anti-homofobia", pois ele enxergou claramente que a essência da estratégia do movimento gay é o totalitarismo. MESMO sem uma base bíblica para criticar o homossexualismo, ele se opôs ao movimento gay por causa da essência totalitária contida nela.

Mas vejo muitos evangélicos e católicos querendo ganhar a disputa em termos de "homossexualismo é errado". Homossexualismo é errado, mas, como diz o Olavo de Carvalho, ele existiu desde muitos milênios e continuará existindo. Não podemos entrar no coração dos homossexuais e muda-lo. Só deixará o homossexualismo quem realmente quiser. A batalha contra a lei "anti-homofobia" deveria se concentrar em questões de princípios:
1. Não devem existir cidadãos de primeira e segunda classe.
2. Não se deve permitir que a repulsa natural (há motivos fortes para supor que é natural, e ninguém pode provar que não é) de grande parte da população pelo ato homossexual seja criminalizada.
3. Não se deve permitir que um grupo de pessoas, uma ideologia, e um comportamento (comportamento abjeto para a maioria, mas não por este motivo) seja isento, por força de lei, de qualquer crítica ou oposição, o que não é exigido para nenhum outro grupo de pessoas, ideologia ou comportamento.
4. Não se pode exigir que um comportamento (que se prova, estatisticamente, ser destrutivo) seja igualado (muito menos considerado superior), em termos de proteção legal, à busca espiritual dos religiosos.
5. Não se pode permitir que, em nome dessa suposta necessidade de proteção ESPECIAL, sejam DESTRUIDOS OS VERDADEIROS DIREITOS HUMANOS (OPINIÃO, DIVULGAÇÃO, CRENÇA, PROTEÇÃO À CRIANÇA) da maioria da população.
6. Não se pode permitir que o imprensa participe de uma FRAUDE que transforma em "crime homofóbico" as mortes por violência doméstica e por interação com a criminalidade, dentro da comunidade gay.

Os evangélicos e católicos tem de deixar claro que a atual tensão entre religiosos e ativistas gays não vem de uma suposta "perseguição aos gays", mas do uso político dos gays por aqueles que buscam a ditadura.

Desmistificador

Anônimo disse...

Ótima reflexão. Jesus deu um ótimo exemplo de como enfrentar pessoas de má fé. A Bíblia não contém apenas histórias, mostra também como devemos enfrentar as pessoas que querem o nosso mal.

Marcelo Costa
Uberlândia - MG