27 de julho de 2007

Ide e adaptai?

Ide e adaptai?

Não consigo identificar gente mais tosca que esses teólogos auto-incumbidos da missão de criar uma teologia adaptada à realidade do país, que supostamente proporcionaria melhores resultados na pregação e na vivência do Evangelho no Brasil, algo que, dizem eles, contribuiria para a solução de muitos problemas na Igreja e na sociedade tapuia. Falam em teologia nativa, teologia autóctone, em “uma teologia nossa”. É óbvio que logo o teólogo pitaqueiro mostra a verve terceiro-mundista de suas motivações.E lá vem expressões como “precisamos de uma teologia livre dos ranços anglo-saxônicos” ou “um Evangelho condizente com a nossa condição subdesenvolvida, voltado para a diminuição da pobreza” e afins. Sim, há, também, fúria política nisso tudo, mas o cerne do problema é ainda mais grave.

O texto da chamada grande comissão não diz “ide a adaptai o Evangelho a toda criatura”. Nunca achei um trecho sequer de Paulo - que se fez de louco para ganhar os loucos - apontando para tal necessidade. Vejo, sim, a adaptação da estratégia do pregador, não da essência da mensagem. Vejo a necessidade das pessoas e povos se adaptarem, por meio do arrependimento, à mensagem da Cruz, que, em cada uma das cartas do apóstolo, destinadas a igrejas em contextos sócio-culturais distintos, é sempre a mesma.

Bem, não é de hoje que adaptam o Evangelho às mais variadas inspirações e motivações. Sejam ideológicas, e aí temos o exemplo soturno dos entusiastas da tal “Missão Integral” – rótulo que subentende a parcialidade do Evangelho quando desprovido da mistura com o socialismo – ou mesmo os mais torpes impulsos carnais, como no caso dos “evangélicos gays”, termo equivalente a “ateus politeístas”, “céticos crédulos” ou algo do tipo.

Em Cristo, diz a Bíblia, não há diferença entre circunciso e incircunciso, bárbaro ou cita, judeu ou grego. O Evangelho é um para todos, e é na busca do seu significado mais puro e profundo é que vidas poderão ser transformadas e ver muitos de seus problemas resolvidos. Não consigo perceber algo que tenha causado mais confusão e desavença na história da Igreja do que interpretações parciais e subjetivas da Palavra de Deus, que permanece a mesma, para sempre. Evangelho ao gosto do freguês acarretará sempre na perdição eterna do freguês.

Fonte: Blog Profeta Urbano

Um comentário :

Anônimo disse...

Mas, Júlio, de que outra forma essas pessoas, totalmente desprovidas de conhecimento do que seja Salvação, poderiam propagar esse evangelho social que não serve para nada que não seja para a vida material, se é mesmo que serve. Pra mim, eles é que são os verdadeiros cultuadores no mercado, de dinheiro, afinal pregam só para esta vida.

um abraço,

Costantine