Impulsionada por grande fonte de
esquerda, revista pentecostal Charisma ajuda a espalhar acusação de alegado conluio de
Franklin Graham com Trump e Putin
Julio
Severo
Quando a Rússia era a União Soviética, os esquerdistas
dos EUA não viam nenhum problema. Agora, quando o conservadorismo ortodoxo
cristão voltou ao governo russo, não é surpresa que os esquerdistas dos EUA
estejam vendo todo tipo de problema na Rússia. A grande surpresa é que os
direitistas americanos, inclusive seus apoiadores evangélicos, estão embarcando
em uma espécie de conluio com esquerdistas americanos no mesmo sentimento de
hostilidade à Rússia.
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| Franklin Graham e Vladimir Putin |
O mais trágico é uma mídia pentecostal embarcando no
mesmo conluio político. Digo trágico porque os pentecostais, os carismáticos e
os neopentecostais são conhecidos por crerem e terem profecias e revelações.
Mas de que vale acreditar em revelações se os pentecostais escolhem viver no
baixo nível de escuros e sórdidos conluios políticos de esquerdistas ou
neoconservadores (neocons), os falsos conservadores? Revelações e profecias são
concedidas por Deus para dar às pessoas a chance de ver acima do baixo nível de
escuros e sórdidos conluios políticos.
Em uma reportagem recente intitulada “The Russian
Connection: When Franklin Graham Met Putin” (A conexão russa: quando Franklin
Graham se encontrou com Putin), Charisma, que é a maior mídia pentecostal do
mundo, disse:
Quando
o presidente Trump ficou do lado do presidente russo Vladimir Putin… a
tempestade subsequente de críticas incluiu tanto esquerdistas quanto
republicanos proeminentes. Mas havia um grupo que se manteve incomumente
quieto: os conselheiros evangélicos do presidente.
A reportagem de Charisma acrescentou:
Há
boas razões para alguns líderes da direita cristã estarem menos do que ansiosos
para lidar com as tentativas de Trump de aquecer as relações entre os EUA e a
Rússia. Durante anos, os evangélicos americanos cultivaram laços com a Rússia,
destacados por um encontro de 2015 entre Franklin Graham, filho do falecido
Billy Graham, e Putin na Rússia.
Mas
na época em que Trump foi empossado em 2017, o Kremlin se tornou o que a
revista Politico descreveu como “o líder da direita cristã mundial,” em grande
parte com base em uma aliança com o patriarca Kirill, da Igreja Ortodoxa Russa.
O
relacionamento público de Graham com Trump remonta pelo menos a 2011, quando
ele disse à ABC News: “Quanto mais você ouve [Trump], mais você diz para si
mesmo: ‘Sabe, talvez o cara esteja certo.’” No ano seguinte, a fundação de
Trump teria dado à organização que tem o nome do pai de Franklin Graham, a
Associação Evangelística Billy Graham, um cheque de US$ 100.000 em 2012,
enquanto Samaritan’s Purse, uma organização de assistência cristã também
administrada por Franklin Graham, recebeu US$ 25.000 no mesmo ano e US$ 10.000
em 2013.
Enquanto
isso, a influência ideológica de Putin sobre partes da direita religiosa
americana remonta a pelo menos 2014.
Em
março daquele ano, Putin foi destaque na capa da revista Decision,
publicada pela Associação Evangelística Billy Graham, em uma edição que incluía
um artigo de opinião de Franklin Graham que oferecia elogios cautelosos ao
presidente russo. O líder evangélico apontou a decisão de Putin de sancionar
uma lei que impede a disseminação de “propaganda de relações sexuais não
tradicionais” para crianças.
“É
óbvio que o presidente Obama e seu governo estão impondo a agenda gay e lésbica
nos EUA hoje e se venderam completamente para aquilo que é contrário aos
ensinos de Deus,” escreveu Graham. Mais adiante, ele acrescentou: “Em minha
opinião, Putin está certo nessas questões. Obviamente, ele pode estar errado em
muitas coisas, mas ele assumiu a posição de defender as crianças de sua nação
contra os efeitos destrutivos da agenda gay e lésbica.”
Então, Charisma menciona reuniões de líderes cristãos
ortodoxos russos com líderes evangélicos conservadores nos Estados Unidos como
um suposto exemplo de algum tipo de “intriga.” O grande problema — e você não
precisa de nenhum dom sobrenatural de profecia para vê-lo — é que a fonte de
todas as acusações de intriga não é a própria Charisma. Não é também alguma
mídia evangélica conservadora. A fonte foi o Religion News Service, que
significa Serviço de Notícias Religiosas, que usou como sua própria fonte…
Mother Jones, uma famosa revista de esquerda dos EUA.
Na verdade, Charisma reproduziu descuidadamente a
reportagem completa do Serviço de Notícias Religiosas, a qual é pura propaganda
contra Trump, contra Graham e contra a Rússia.
Se Charisma tivesse feito uma reportagem investigativa
diligente, teria visto que o Serviço de Notícias Religiosas não era a fonte
original. O Serviço de Notícias Religiosas usou uma fonte muito grande de
esquerda.
A questão não é por que Mother Jones e outros
esquerdistas americanos estão preocupados ou até mesmo desesperados com
contatos de evangélicos conservadores com Trump e de evangélicos conservadores
com a Rússia. A grande questão é por que os evangélicos, inclusive os
pentecostais, estão permitindo que Mother Jones e outros esquerdistas
americanos lhes ditem como deve ser seu relacionamento com Trump e a Rússia.
Pentecostais, carismáticos e neopentecostais seguindo
cegamente fontes não esquerdistas é ruim. Mas seguir fontes de esquerda é muito
pior.
Em uma longa reportagem intitulada “What Happened in
Moscow: The Inside Story of How Trump’s Obsession With Putin Began” (O que
aconteceu em Moscou: A história interna de como começou a obsessão de Trump por
Putin), Mother Jones mencionou a visita de Trump à Rússia em 2013 como um ponto
preocupante. Outro ponto preocupante era a lei russa proibindo a propaganda
homossexual para crianças. Essa reportagem de esquerda foi a fonte para o
Serviço de Notícias Religiosas e, no final das contas, e consequentemente, para
Charisma.
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| Donald Trump e Franklin Graham |
A esquerdista Mother Jones abriu o coração sobre todos
os seus sentimentos ruins sobre Trump, Rússia, Graham e a lei russa contra a
propaganda homossexual, dizendo:
…A
Duma russa [o parlamento russo] aprovou uma lei que tornava ilegal expor
crianças a informações sobre a homossexualidade. A nova medida
anti-homossexualismo foi a ação mais nova de Putin para apelar para a Igreja
Ortodoxa, que é conservadora, e para as forças ultranacionalistas.
Os
defensores dos direitos humanos e dos direitos dos homossexuais na Rússia e em
todo o mundo denunciaram a nova lei. Boicotes da vodka russa foram lançados.
Houve uma campanha para mudar para outro país as Olimpíadas de Inverno,
programadas para o ano seguinte em Sochi, na Rússia. Nos Estados Unidos, a [organização
homossexual] Campanha de Direitos Humanos exortou Trump e a Organização Miss
Universo a retirar o evento da Rússia, observando que, de acordo com a nova
lei, uma competidora poderia ser processada se expressasse apoio aos direitos
homossexuais.
O
alvoroço por causa da lei russa anti-homossexualismo confrontou Trump com um
dilema — como se distanciar da lei sem colocar em risco seu grande concurso na
Rússia. A Organização Miss Universo divulgou uma declaração afirmando que “acredita
na igualdade para todos os indivíduos.” Isso não impediu os protestos. O
apresentador do programa de entrevistas Bravo, Andy Cohen, e a repórter de
entretenimento Giuliana Rancic, que já sido apresentadora do desfile, deixaram
o programa. Funcionários do Miss Universo com muita dificuldade encontraram
substitutos: Thomas Roberts, um âncora abertamente gay da MSNBC, e a ex-Spice
Girl Mel B.
Roberts
explicou sua decisão em um editorial no MSNBC.com: “Boicotar e difamar de fora
é muito fácil. Em vez disso, escolho oferecer meu apoio à comunidade LGBT na
Rússia indo a Moscou e apresentando esse evento como jornalista, âncora e um
homem que por acaso é gay, deixando as pessoas verem que não sou diferente de
qualquer outra pessoa.”
Isso
foi uma salvação para Trump. Ele concedeu a Roberts uma entrevista na MSNBC.
“Eu acho que você vai fazer um trabalho fantástico,” ele disse a Roberts, “e
adoro o fato de você sentir o mesmo sobre toda a situação como eu.”
Inevitavelmente, a conversa se voltou para Putin e se ele apareceria no
concurso. “Sei com certeza que ele quer muito vir,” disse Trump, “mas vamos ter
que ver. Ainda não ouvimos falar, mas nós o convidamos.”
Embora
as relações dos EUA com a Rússia estivessem nesse momento se deteriorando,
Trump estava promovendo Putin como um líder astuto e forte. Em setembro, Putin
publicou um artigo no jornal New York Times que se opunha a um possível ataque
militar dos EUA contra o governo de Bashar al-Assad na Síria (em retaliação por
seu uso de armas químicas) e que denunciou o presidente Barack Obama por se
referir ao Excepcionalismo Americano. No dia seguinte, Trump na Fox News
elogiou a atitude de Putin. “Isso realmente faz com que ele pareça um grande
líder,” disse ele.
No
mês seguinte, Trump apareceu no programa de TV de fim de noite de David
Letterman. O apresentador perguntou se Trump já tinha feito negócios com os
russos. “Tenho feito muitos negócios com os russos,” respondeu Trump,
acrescentando: “Eles são inteligentes e são durões.” Letterman perguntou se
Trump já tinha se encontrado com Putin. “Ele é um cara durão,” disse Trump. “Encontrei-me
com ele uma vez.” Na verdade, não havia nenhum registro desse encontro.
Você
tem um relacionamento com Putin e qualquer influência com o líder russo?
Roberts perguntou a ele. Trump foi inequívoco: “Tenho realmente um
relacionamento.” Ele fez uma pausa. “Posso lhe dizer que ele está muito
interessado no que estamos fazendo aqui hoje. Ele provavelmente está muito
interessado no que você e eu estamos dizendo hoje. E tenho certeza que ele vai
ver isso de alguma forma.”
Trump
mal podia conter seus elogios ao presidente da Rússia: “Olha, ele tem feito um
trabalho muito brilhante em termos do que ele representa e a quem ele está
representando. Se você olhar para o que ele tem feito com a Síria, se você
olhar para muitas das coisas diferentes, ele realmente derrotou nosso
presidente Obama. Não vamos nos enganar. Ele tem feito um trabalho incrível…
Ele tem se colocado na vanguarda do mundo como líder em um curto período de
tempo.”
Mas
Trump decidiu participar da celebração do aniversário de 95 anos do evangelista
Billy Graham no dia 7 de novembro no Grove Park Inn em Asheville, Carolina do
Norte. Na Rússia, Trump disse a Goldstone que tinha sido necessário que ele
aparecesse no evento de Graham: “Há algo que estou planejando para o futuro e
isso é realmente importante.”
Goldstone
sabia exatamente do que Trump estava falando: uma corrida para a Casa Branca.
Franklin Graham, o filho do evangelista, era uma figura influente entre os
conservadores cristãos. Quando Trump, dois anos antes, estava defendendo o
birtherism — a teoria da conspiração infundada de que Barack Obama havia
nascido no Quênia e era inelegível para ser presidente —, Graham juntou-se a
esse movimento, levantando questões sobre a certidão de nascimento do
presidente Obama. Aparecer nesse evento e pedir favores a Franklin Graham era
uma parada obrigatória para Trump, se ele estava interessado em buscar a
indicação presidencial do Partido Republicano. E valeu a pena: Trump e sua
esposa Melania estavam sentados na mesa VIP junto com Rupert Murdoch e Sarah
Palin. Franklin Graham mais tarde disse que Trump estava entre aqueles que “deram
o coração a Cristo” naquela noite.
Então, essas são as preocupações da Mother Jones, uma
das publicações mais esquerdistas dos Estados Unidos. O mistério não é por que Mother
Jones e outras publicações esquerdistas americanas são tão contrárias ao
envolvimento evangélico com Trump e com o conservadorismo russo hoje e o
envolvimento de Trump com a Rússia. O mistério é por que os evangélicos,
especialmente Charisma, usaria sua poderosa mídia para deixar um artigo de esquerda
espalhar seu veneno contra Trump e o conservadorismo russo.
O problema não é apenas a falta de atenção à Palavra
de Deus e profecias e revelações. É uma falta de bom senso cristão.
Trump é melhor que Obama e a Rússia não é pior que o
Vaticano. Se os EUA têm tido um longo relacionamento e parceria com o Vaticano,
por que não com a Rússia?
A Rússia é muito melhor que a ditadura islâmica da
Arábia Saudita. Se os EUA têm tido um longo relacionamento e parceria com a
Arábia Saudita, por que a esquerda dos EUA está tão enfurecida e desesperada
para impedir os evangélicos conservadores dos EUA de uma parceria com a Rússia?
Pelo fato de que a pressão anti-Rússia dos
esquerdistas e neoconservadores tem sido tão grande, em um momento em que a
Rússia está mais aberta à cooperação, os EUA encontram-se, mesmo sob Trump,
buscando toda razão e não-razão para impor sanções, isolar e até provocar a
Rússia.
Se os EUA fizessem com o Vaticano apenas dez por cento
do que estão fazendo com a Rússia, seria chamado, em meio a protestos, de
hostilidade anticatólica.
Se os EUA fizessem com Israel apenas dez por cento do
que estão fazendo com a Rússia, seria chamado, em meio a protestos, de hostilidade
anti-Israel ou mesmo antissemitismo.
A mesma esquerda que sempre não via nenhuma razão para
culpar a antiga União Soviética hoje vê toda razão e não-razão para culpar a
Rússia conservadora por tudo e por nada. A incoerência deles está evidente aos
olhos normais, mas por que não também aos olhos espirituais pentecostais e
carismáticos de Charisma e de outros evangélicos?
Esquerdistas e neocons estão destruindo a melhor
chance que os EUA já tiveram de parceria com uma Rússia conservadora.
Talvez um dos sinais mais importantes de tal parceria
tenha ocorrido em 2014, em Moscou, quando o
Kremlin realizou uma conferência pró-família com a participação de líderes
internacionais pró-família, inclusive eu. A conferência condenou claramente o aborto, a agenda
homossexual e o marxismo. O falecido Larry Jacobs, que era um grande líder no
Congresso Mundial de Famílias, disse-me pessoalmente que o governo de Obama e esquerdistas
americanos estavam ameaçando os americanos conservadores que estavam participando
da conferência. Jacobs e outros americanos foram muito corajosos de desafiar as
ameaças de Obama. Jacobs era um pentecostal das Assembleias de Deus.
Os pentecostais, os carismáticos e os neopentecostais conservadores
não deveriam deixar que os neoconservadores e os esquerdistas — que abraçam a
Arábia Saudita e seus sangrentos petrodólares — os guiem em seu conluio odioso
contra a Rússia conservadora.
Com
informações de Charisma e Mother Jones.
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