Rússia escolhe vida
Steven
W. Mosher
Na semana passada, o presidente
russo Vladimir Putin sancionou uma lei que proíbe anúncios comerciais de
aborto. Alguns membros da Duma (o Congresso da Rússia) estão falando de ir mais
longe e proibir o próprio procedimento do aborto. A Igreja Ortodoxa Russa,
cujos membros estão se enchendo de convertidos e pessoas que estavam desviadas,
está também mostrando seu peso na questão. Um prelado ortodoxo chamou o aborto
de “rebelião contra Deus.” Eu mesmo não poderia ter expressado isso de forma
melhor.
Essa é uma virada estupenda num
país que há muito tempo é conhecido por seu índice de aborto tragicamente
elevado. Até recentemente, em média a mulher russa poderia esperar ter sete
abortos durante sua vida inteira. Até mesmo o jornal New York Times, que não é um bastião de sentimentos pró-vida, se
sentiu compelido a reconhecer que o elevado índice de aborto da Rússia estava
prejudicando a saúde e fertilidade das mulheres russas. Como o jornal comentou
num editorial de 2003: “Agora o governo russo está tentando reduzir o índice de
aborto. É uma meta admirável, considerando o preço muito alto que os abortos
múltiplos têm causado na saúde e fertilidade das mulheres russas.” Sem
mencionar o preço elevado que o aborto tem custado em vidas de bebês em
gestação, e na população como um todo.
O aborto foi forçado no povo russo
pelos bolcheviques (o Partido Comunista da Rússia sob a liderança de Lênin),
que ao subirem ao poder em 1920 legalizaram o aborto até o momento do
nascimento, sem nenhuma restrição. A meta deles era destruir a família
incentivando as mulheres a fazer abortos, a não ficar em casa e a trabalhar
fora. A Rússia foi o primeiro país do mundo a declarar guerra nos bebês em
gestação desse jeito. É claro que com seus expurgos, execuções em massa e
gulags a guerra atingiu os bebês em gestação de outras maneiras também.
Aliás, foram os primeiros
bolcheviques que desenvolveram a máquina de sucção de aborto que ainda hoje as
clínicas de aborto usam. De fato, eles desenvolveram duas versões. A primeira
era a máquina de sucção elétrica de fazer aborto, usadas nas clínicas de
abortos dos Estados Unidos e outros países. A segunda foi o aspirador manual a
vácuo, uma máquina de aborto manual que é usada nos países menos desenvolvidos
em lugares que não dispõem de energia elétrica.
O Instituto de Pesquisa
Populacional, organização pró-vida com sede nos EUA, vem desempenhando um papel
importante ajudando a Rússia a voltar a apoiar a vida. Participei da primeira
Cúpula Demográfica na Universidade Social Estatal Russa em Moscou em maio de
2011. Conversamos com elevadas autoridades russas sobre a necessidade de
proteger a vida. Não muito depois, uma lei foi aprovada proibindo o aborto de
bebês de mais de 12 semanas. A lei também ordenava um período de 2 a 7 dias de
espera para um aborto médico, e exigia que todos os que fazem anúncio de
serviços de aborto incluíssem um aviso no sentido de que “o aborto é perigoso
para a saúde da mulher.” Agora, evidentemente, o anúncio de qualquer tipo de
aborto foi proibido.
Consideradas individualmente, cada
uma das leis implantadas pelo governo russo tem um impacto demográfico
relativamente pequeno. O governo russo, por exemplo, paga uma bonificação de $13.000
aos pais de cada bebê recém-nascido. Contudo, de acordo com o demógrafo Igor
Beloborodov, essa bonificação só convenceu 8 por cento dos casais em idade
reprodutiva a considerar ter outro filho.
O efeito cumulativo de todas as
políticas pró-vida e pró-natalidade adotadas até agora está longe de ser
importante. Embora haja ainda, de acordo com o Ministério da Saúde da Rússia,
1,7 abortos para cada nascimento vivo no país, essa proporção está diminuindo,
pois o índice de natalidade está se elevando e o aborto está se tornando
gradualmente menos comum.
Como resultado da adoção de
políticas inteligentes para proteger a santidade da vida, o declínio da
população da Rússia foi praticamente detido, e o país entrou num curso
demográfico mais estável.
O inverno demográfico da Rússia
ainda não acabou, mas há sinais de degelo de primavera.
Traduzido
por Julio Severo do artigo do Instituto de Pesquisa Populacional: Russia Chooses Life
Fonte:
www.juliosevero.com
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