Conservapedia e a Inquisição
Julio
Severo
Conservapedia é um projeto de enciclopédia wiki de
língua inglesa escrita a partir de um ponto-de-vista conservador, criacionista
e cristão americano. O site (www.conservapedia.com)
foi iniciado em 2006 para se opor ao preconceito esquerdista e relativismo
moral presentes na Wikipédia.
O fundador e dono da Conservapedia é o professor
americano de homeschooling e jurista católico Andrew Schlafly, filho da renomada
ativista conservadora católica Phyllis Schlafly.
Schlafly se formou na Faculdade de Direito de Harvard
em 1991 com bacharelado na mesma classe do futuro presidente dos EUA Barack
Obama. Ele foi editor do jornal “Harvard Law Review” de 1989 a 1991.
A Conservapedia foi fundada por ele para confrontar
mentiras esquerdistas, mas também para combater ideias erradas em questões
importantes, inclusive a Inquisição. Ela pode ser útil para os conservadores do
Brasil, o maior país católico do mundo. Há um movimento entre alguns católicos
brasileiros que no início defendiam ativamente questões pró-vida, mas agora
estão ativamente defendendo o revisionismo da Inquisição, chegando ao ponto de
minimizar a gravidade dos horrores de pessoas que eram queimadas na estaca. Por
exemplo, um
católico brasileiro, que é imigrante nos EUA, disse: “Até mesmo na
imagem popular das fogueiras da Inquisição a falsidade domina. Todo mundo
acredita que os condenados ‘morriam queimados’, entre dores horríveis. As
fogueiras eram altas, mais de cinco metros de altura, para que isso jamais
acontecesse. Os condenados (menos de dez por ano em duas dúzias de países)
morriam sufocados em poucos minutos, antes que as chamas os atingissem.”
A Conservapedia, cujo dono não pode ser acusado de ser
“anticatólico” ou esquerdista por radicais, diz
sobre a Inquisição:
O termo Inquisição pode se referir a uma
investigação feita pela Igreja Católica Romana em questões de heresia, ou ao
departamento indicado para realizar tais investigações. Esse departamento tem
atualmente o título de Congregação da Doutrina da Fé desde 1965, mas no passado
tinha o título de Suprema Congregação Sagrada do Santo Ofício, e antes disso a
Suprema Congregação Sagrada da Inquisição Romana e Universal. Várias grandes
inquisições ocorreram, sob a administração de departamentos diferentes.
Sabe-se que muitas dessas inquisições usavam
tortura brutal para extrair confissões de pessoas acusadas de heresia. Embora
muitos dos que eram acusados de heresia fossem soltos depois de se arrependerem
de suas opiniões e declararem sua lealdade à Igreja Católica, um número
significativo de pessoas — consistindo quase que inteiramente das que se
recusavam a se arrepender — eram executadas por uma variedade de métodos
deliberadamente dolorosos, inclusive fogueira na estaca enquanto estavam vivas,
jogadas em óleo fervendo e amarradas na “roda de quebrar ossos.”
Por razões teológicas, a Igreja Católica nunca
realizava diretamente as execuções; quem as realizava eram as autoridades
seculares. Esse procedimento foi esclarecido pela bula papal “Ad exstirpanda”
escrita pelo Papa Inocêncio IV em 1252. Essa bula autorizou o uso de tortura
para extrair confissões dos acusados e recomendou queimar na fogueira como
castigo adequado as pessoas condenadas que não queriam se arrepender. A “Ad
exstirpanda” marcou o início de um dos períodos mais brutais da Inquisição.
Das quatro grandes inquisições, a mais famosa
foi a Inquisição espanhola, que funcionou de 1438 em diante. Uma de suas
tarefas principais era fazer cumprir o Decreto de Alhambra dos monarcas da
Espanha em 1492, ordenando a expulsão imediata de todos os judeus da Espanha e
seus territórios.
O Escritório Oficial da Inquisição só foi
estabelecido em 1542 pelo Papa Paulo III, com seu objetivo declarado de “manter
e defender a integridade da fé e examinar e proibir erros ou doutrinas falsas.”
Versão
em inglês deste artigo: Conservapedia and the Inquisition
Fonte:
www.juliosevero.com
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