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8 de março de 2017

Teologia socialista na Assembleia de Deus no Brasil


Teologia socialista na Assembleia de Deus no Brasil

Julio Severo
Evangélicos socialistas na América Latina estão revoltados que C. René Padilla, que estava agendado para dar a aula magna sobre Teologia da Missão Integral na FAECAD (Faculdade Evangélica das Assembleias de Deus no Rio de Janeiro) em 10 de março de 2017, teve sua aula cancelada. Sua aula seria patrocinada pela Visão Mundial no Brasil.
Num artigo intitulado “Bem-vindos ao passado! Em solidariedade ao Dr. C. René Padilla, agora apelidado de ‘cristão marxista,’” publicado pela esquerdista Fraternidade Teológica Latino-Americana, Harold Segura condenou o cancelamento e assegurou que a Teologia da Missão Integral não tem nada a ver com marxismo.
Seu artigo pretende, de acordo com suas próprias palavras,
“pronunciar meu mal-estar com a suspensão do evento e minha indisposição com as razões que a justificaram. Suspender um evento como este por tachar de marxista um conferencista como René é ignorar o que é o marxismo, desconhecer quem é René Padilla e esquecer de que maneira se faz a reflexão teológica.”
Segura também disse:
“Penso que o que aconteceu no Rio de Janeiro é um sinal que confirma o que estamos presenciando também em outros países da América Latina: um ressurgimento de discussões passadas. O retorno das velhas querelas cristãs das décadas de 1970 e 1980, quando surgiu a TMI. Naquela época, os que ousavam falar da responsabilidade social das igrejas eram rotulados de comunistas; os que se aventuravam a pregar em favor da justiça social eram suspeitos de militância marxista, e os que criam na opção preferencial pelos pobres eram excluídos por ser teólogos da libertação indesejáveis.”
Em sua conta de Twitter, Segura mostrou solidariedade a Padilla e também à ideologia de gênero, ao dizer:
“Você sabe o que é igualdade de gênero? A UNESCO explica conceitos chaves para debater bem informado.”
Na verdade, a UNESCO não explica a igualdade de gênero. A UNESCO a defende e promove. Em 2012, a UNESCO e outras agências da ONU pediram que Dilma Rousseff criminalizasse “homofobia.”
A ideologia de gênero é uma das principais bandeiras esquerdistas para promover a agenda homossexualista. Mas Segura não aceita o rótulo “marxista” mesmo quando ele carrega sua bandeira.
Ele condena a derrota de vários governos esquerdistas na América Latina, e reconhece que a maiorias desses governos estava promovendo a ideologia de gênero. Ele reconhece que a presidente socialista Dilma Rousseff sofreu impeachment principalmente da Frente Parlamentar Evangélica, entre outras razões, por causa da ideologia de gênero.
Ele vê essas derrotas como retrocessos para a Teologia da Missão Integral (TMI). Embora ele tente defender a TMI como uma teologia não política, ele não consegue evitar lamentar as derrotas políticas da Esquerda na América Latina.
Cerca de 50 anos atrás, C. Peter Wagner avisou em congressos evangélicos latino-americanos que a TMI era marxista. Em 1969, ao participar do CLADE (Congresso Latino-Americano de Evangelização), Wagner distribuiu seu livro que afirmava que a missão da igreja é priorizar a salvação pessoal e destacava a teologia esquerdista como perniciosa. Ele deu seu livro porque líderes evangélicos estavam começando a louvar a TMI.
No primeiro Congresso Lausanne de Evangelização Mundial em 1974, enquanto Padilla estava liderando esforços para promover a TMI, Wagner estava liderando esforços conservadores contra a TMI.
Apesar de toda essa resistência décadas atrás, a TMI cresceu internacionalmente. Hoje, graças a John Stott e seu incrível trabalho de maquiagem e facilitação, a TMI domina Lausanne como uma teologia social elegante. O trabalho de resistência de Wagner foi esquecido e os teólogos latino-americanos da TMI prevaleceram.
Em 2014, Lausanne deu o troco vingativo em Wagner, realizando no Brasil uma reunião de líderes de Lausanne contra Wagner e seu movimento apostólico. A reunião foi dirigida por líderes da TMI, especialmente o Rev. Valdir Steuernagel.
Em meu e-book de 2013 “Teologia da Libertação versus Teologia da Prosperidade,” há uma recomendação especial de C. Peter Wagner, onde ele disse:
“É muito importante se conscientizar das invasões que a ideologia marxista tem feito em alguns ramos do Cristianismo. Na América Latina, o conceito de aparência bonita chamado de misión integral (missão integral) se revelou no final como uma plataforma sutil para políticas esquerdistas. Julio Severo compreende isso e desmascara de forma habilidosa essas ideias potencialmente prejudiciais em seu livro, Teologia da Libertação versus Teologia da Prosperidade. Nesse livro, ele ajuda a revelar a realidade que dá para se produzir com eficácia mudança social ainda mais profunda e mais permanente da pobreza para a prosperidade proclamando-se e praticando-se a doutrina bíblica do Reino, abrindo a porta para o poder transformador do Espírito Santo. Este é um livro que muito recomendo!”
Para informações sobre como obter o e-book “Teologia da Libertação versus Teologia da Prosperidade,” clique NESTE LINK.
Os avisos de Wagner 50 anos atrás e hoje são muito importantes. Se a TMI não tem nada a ver com o marxismo, por que seus adeptos defendem a ideologia de gênero e os governos esquerdistas na América Latina que promovem essa ideologia e várias outras ideologias anti-família?
A aula de Padilla sobre Teologia da Missão Integral na FAECAD teve propaganda interna da forma mais sutil e discreta possível.
Pela reação explosiva dos adeptos da TMI, suponho que a aula tenha sido cancelada.
Marcos Habib, que se apresenta em seu Facebook como “seguidor de Jesus Cristo” e “militante comunista,” disse:
“Já começou ladainha de pastores conservadores contra o evento da FAECAD - Faculdade Evangélica das Assembleias de Deus com René Padilla. Gente chata de merda. Não conhece a teologia da missão integral mas critica como se conhecesse. O que na verdade essa galera quer é colocar crentes adestrados nas igrejas para controlar. Quando temos crentes engajados temos uma igreja lutando pela emancipação do oprimido e do pobre. Quem é Julio Severo ??? É um falastrão, mimado e um merda.”
O Pr. Mateus Feliciano, teólogo e ativista da TMI, me enviou uma mensagem particular pedindo-me para remover os artigos contra a TMI e Padilla; se não, ele me denunciaria. E em sua conta de Facebook ele pediu publicamente:
“Galera, peço ajuda de vcs para removermos um post de intolerância religiosa e de informações enganosas aqui no facebook. Por favor, leia este post e denuncie!”
Intolerância religiosa por causa de uma opinião cristã discordando do socialismo e da TMI?
Entretanto, meu aviso provavelmente chegou tarde demais. Em seu artigo de solidariedade para Padilla, Harold Segura assegurou que em fevereiro de 2016 ele deu a aula magna na FAECAD. Ele palestrou sobre Teologia da Missão Integral e ecumenismo.
Eu havia pensado que Padilla estaria introduzindo a TMI pela primeira vez nas Assembleias de Deus. Segura já fez isso. Padilla só reforçaria a introdução inicial. A TMI já está presente nas Assembleias de Deus do Brasil por meio de sua instituição teológica mais importante.
Segura informou seus leitores que ele está viajando para São Paulo para falar no congresso Missão Integral: Caminhos e Perspectivas no Século 21. O congresso está acontecendo nesta semana.
De acordo com Segura, esse grande congresso da TMI será patrocinado pela Visão Mundial no Brasil, e terá vários palestrantes que são ativistas da TMI, inclusive René Padilla, Ariovaldo Ramos, Ed René Kivitz, Valdir Steuernagel (a quem ele chamou de amigo e ex-chefe), Christian Gillis, Carlos Pinheiro Queiroz, Ziel Machado e Regina Sánchez.
Ariovaldo Ramos, um dos principais ativistas da TMI no Brasil, é famoso por ter defendido os socialistas Hugo Chavez e Dilma Rousseff. Por que então tentar dizer que a TIM não tem nada a ver com socialismo e política?
Os adeptos da TMI louvam marxistas e defendem políticas marxistas, inclusive a ideologia de gênero, mas recusam o rótulo “marxista” para sua teologia?
Valdir Steuernagel é um líder poderoso na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).
A IECLB tem líderes liberais internacionais. O Rev. Walter Altmann, que já foi presidente da IECLB, é moderador do Conselho Mundial de Igrejas e é um teólogo conhecido internacionalmente por defender a Teologia da Libertação (TL).
Steuernagel é conhecido no Brasil como um ativista da TMI e conhecido internacionalmente por ser líder no Movimento Lausanne e na Aliança Evangélica Mundial.
Desse ambiente liberal pró-TL e pró-TMI, o que pode resultar? Um teólogo homossexualista chamado André Musskopf.
Com Altmann, a IECLB está na vanguarda da Teologia da Libertação.
Com Steuernagel, a IECLB está na vanguarda da Teologia da Missão Integral.
É claro que Steuernagel não é mais proeminente em defesa da TMI do que o calvinista Ariovaldo Ramos e Caio Fábio.
A TMI não tem problema algum de andar de mãos dadas com a Teologia da Libertação e a Teologia Gay.
No entanto, se não dá para chamar a TMI e seus adeptos de socialistas e liberais, então conclui-se que não dá para chamar a IECLB e seus líderes de esquerdistas e socialistas.
Se Segura, Padilla e outros evangélicos esquerdistas querem defender a ideologia de gênero na IECLB e outras denominações esquerdistas, eles serão calorosamente bem-vindos ali.
Entretanto, por que insistem em conquistar as Assembleias de Deus, a maior denominação evangélica do Brasil?
Leitura recomendada:

1 de junho de 2016

Não seja um facilitador do mal! Lições de Lausanne


Não seja um facilitador do mal! Lições de Lausanne

Julio Severo
No primeiro Congresso Lausanne de Evangelização Mundial em 1974, idealizado e sustendo por Billy Graham, os teólogos esquerdistas da América Latina, especialmente René Padilla, aproveitaram para trazer a Teologia da Missão Integral (TMI), que é a versão protestante da Teologia da Libertação.
Em seu papel de moderador de Lausanne, John Stott, que é louvado de forma apaixonada pelos promotores latino-americanos da TMI, embonecou essa teologia marxista, passando-lhe pó de arroz, batom e brilho. Foi assim, toda bonitinha e transformada, que a TMI se lançou internacionalmente, usando Lausanne como plataforma, embora sob resistência conservadora feroz liderada por Peter Wagner.
Wagner, que é o principal líder mundial do movimento apostólico, combateu a TMI não só em Lausanne, mas também nos primeiros congressos de Padilla na América Latina, muito antes de Lausanne. Wagner foi o primeiro teólogo a fazer resistência à TMI na América Latina.
Apesar de toda essa resistência décadas atrás, a TMI cresceu internacionalmente. Hoje, graças a Stott e seu incrível trabalho de maquiagem e facilitação, a TMI domina Lausanne como uma teologia social elegante. O trabalho de resistência de Wagner foi esquecido e os teólogos latino-americanos da TMI prevaleceram.
Em 2014, Lausanne deu o troco vingativo em Wagner, realizando no Brasil uma reunião de líderes de Lausanne contra Wagner e seu movimento apostólico. A reunião foi dirigida por líderes da TMI, especialmente o Rev. Valdir Steuernagel.
Depois do primeiro e segundo congresso de Lausanne, Billy Graham percebeu que os promotores latino-americanos da TMI usaram Lausanne como plataforma. Ele então parou de financiar o evento. Mas já era tarde demais. O estrago estava feito.
Querendo ou não, ao embonecar a TMI em Lausanne, John Stott facilitou a expansão desse mal na Igreja Evangélica Mundial.
Versão em inglês deste artigo: Do Not Be an Enabler of Evil! Lessons from Lausanne
Leitura recomendada:

22 de junho de 2015

O espírito de Karl Marx em Lausanne: Teologia da Missão Integral


O espírito de Karl Marx em Lausanne: Teologia da Missão Integral

René Padilla: Lausanne defendeu a Teologia da Missão Integral como a missão da igreja

Julio Severo
Karl Marx estava em Lausanne em 1867, para um congresso marxista internacional.
Um século mais tarde, outro congresso internacional atraiu a atenção em Lausanne. Não foi um congresso marxista. Foi um congresso evangélico sobre evangelização. Contudo, deu um holofote fantástico para os promotores latino-americanos da TMI (Teologia da Missão Integral), que, de acordo com seus defensores brasileiros, é a versão protestante da marxista Teologia da Libertação. Um deles é Ariovaldo Ramos, que louvou Hugo Chávez. Ele é o diretor da Visão Mundial no Brasil.
Foi o Congresso Lausanne de Evangelização Mundial,1974, onde um de seus teólogos, René Padilla, era um dos mais proeminentes defensores da TMI na América Latina.
Então, espiritualmente, Karl Marx estava também presente no congresso Lausanne, através de sua ideologia, que estava ganhando roupagem evangélica.
Roupagens bonitas disfarçam uma ideologia feia e enganadora.
Por isso, há um esforço dos promotores da TMI de sequestrar o propósito de grandes conferências evangélicas explorando qualquer declaração que se assemelhe aos sentimentos socialistas da TMI. Em seu documento “Integral Mission and its Historical Development” (Missão Integral e seu Desenvolvimento Histórico), Padilla argumentou em favor da TMI fazendo uma lista de várias conferências evangélicas passadas como alegadamente apoiando-a.
Usarei o documento de Padilla como referência para tratar a TMI em Lausanne.
Acerca do Congresso de Missão Mundial da Igreja (Wheaton 1966), Padilla disse:
“A Declaração de Wheaton confessou o ‘fracasso de aplicar princípios bíblicos para tais problemas como racismo, guerra, explosão populacional, pobreza, desintegração da família, revolução social e comunismo.’”
“Explosão populacional” era um assunto comum e obsessão entre as elites ocidentais nas décadas de 1960 e1970 e deveria ter sido tratada por líderes cristãos responsáveis e capazes não de acordo com os desejos das elites, desejos que levaram à legalização do aborto nos EUA, a maior nação protestante do mundo, e posterior homossexualização radical da sociedade. “Explosão populacional” é um mito e estratégia retórica que disfarçam iniciativas de controle populacional que incluem o planejamento familiar e são responsáveis hoje pelo dilúvio de “direitos homossexuais” em detrimento dos direitos e bem-estar das crianças e suas famílias. Se esse mito tivesse sido desmascarado por líderes cristãos naquela época, poderia ter evitado a legalização do aborto nos Estados Unidos, a qual ocorreu em 1973, com um número enorme hoje de mais de 50 milhões de bebês em gestação como vítimas inocentes.
Acerca de revolução social e comunismo, qualquer que seja a interpretação que Padilla tentasse dar, é óbvio que a TMI, em sua prática latino-americana, nunca foi inimiga para ele e seus colegas teólogos liberais.
Padilla se pergunta sobre Wheaton 1966:
“Como tal documento pôde ser produzido numa conferência de missões realizada nos Estados Unidos numa época em que o evangelicalismo nesse país não estava simplesmente interessado em mudança social ou ativismo social.”
Entretanto, um evangelho socialista não era uma realidade estranha nos EUA. Ao que tudo indica, Padilla ignora o movimento do Evangelho Social, que nasceu nos EUA na década de 1870. O socialismo na sociedade americana e entre suas igrejas era uma ameaça tão séria que “Os Fundamentos,” um documento teológico organizado por R. A. Torrey e publicado em 1915, tinha um capítulo inteiro contra o marxismo e o socialismo.
O socialismo, mascarado como interesse em mudança social ou ativismo social, é um velho problema nas igrejas americanas.
O velho movimento do Evangelho Social dissipa o mito de que o evangelicalismo nos EUA não tinha se envolvido em “mudança social ou ativismo social.” E há sinais significativos de que o liberalismo teológico mais importante na América Latina foi influenciado por ele.
A Teologia da Missão Integral, ou até mesmo a Teologia da Libertação, pode ser o desdobramento mais importante do Evangelho Social.
Um missionário presbiteriano do movimento do Evangelho Social foi para o Brasil em 1952 e passou uma década ensinando teologia na instituição teológica presbiteriana mais proeminente do Brasil. Seu nome era Rev. Richard Shaull, e ele estava envolvido em várias causas marxistas e comunistas no Brasil. O nascimento das ideias da Teologia da Missão Integral (TMI) no Brasil tem origem e crédito nele.
Na década de 1950 ele já dizia o que os promotores da TMI estariam dizendo nas décadas de 1980 e 1990 e décadas futuras. O discípulo de Shaull, Rubem Alves, inicialmente um teólogo na Igreja Presbiteriana do Brasil e mais tarde um agnóstico, defendia as ideias da Teologia da Libertação antes de seu lançamento oficial.
Ainda que a TMI seja rotulada de versão protestante da Teologia da Libertação, a TMI nasceu antes da Teologia da Libertação. Para mais informações, baixe meu e-book grátis: http://bit.ly/11zFSqq
Padilla tentou dar para a TMI um nascimento mais nobre usando grandes conferências evangélicas, inclusive o Congresso Mundial de Evangelismo (Berlim 1966), como alegados precursores.
Em seu discurso de abertura na Conferência de Berlim, Billy Graham reafirmou sua convicção de que “se a igreja voltasse à sua tarefa principal de proclamar o Evangelho e as pessoas se convertessem a Cristo, teria um impacto muito maior nas necessidades sociais, morais e psicológicas dos homens do que poderia alcançar por meio de outra coisa que se pudesse realizar.”
Apesar disso, Padilla usou essa conferência como um grande precursor da TMI. Ele disse:
“Com todos esses antecedentes, ninguém deveria ficar surpreso que o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne 1974) acabaria se revelando um passo definitivo para confirmar a missão integral como a missão da igreja. Em vista da marca profunda que deixou na vida e missão do movimento evangélico no mundo inteiro, o Congresso de Lausanne pode ser considerado o encontro evangélico mundial mais importante do século XX.”
Para Padilla, Lausanne estabeleceu a Teologia da Missão Integral como a missão da igreja. Assim, com a TMI em Lausanne, o socialismo se tornou a missão da igreja.
Por causa da influência esquerdista de Padilla e outros teólogos latino-americanos, o Pacto de Lausanne disse: “Afirmamos que o evangelismo e o envolvimento sócio-político são ambos partes de nosso dever cristão.” O Pacto de Lausanne basicamente igualou evangelismo com ação política de linha esquerdista, uma união profana nunca feita pelo Evangelho ou Jesus.
A figura central do primeiro Congresso de Lausanne foi Billy Graham. Sem ele, não teria havido Lausanne, mas também nem ele esperava a repercussão em nível ideológico. Quando Graham percebeu que a esquerda evangélica estava tentando atrelar tudo, ele parou de financiar Lausanne, para desgosto de Robinson Cavalcanti, antigo colunista da revista Ultimato, que publicamente acusou que Lausanne estava sob uma “hegemonia da ala conservadora, branca, anti-CMI (Conselho Mundial de Igrejas), antissocialista,” etc. (Pobre Graham: branco, anglo-saxão, conservador, etc!)
Cavalcanti queria a continuidade de Graham no movimento Lausanne para captar recursos para levar adiante a revolução da TMI. Essa revolução vem ocorrendo, mas sem o dinheiro e participação de Graham. Valdir Steuernagel, líder da TMI, já mostrou que hoje Lausanne está muito mais TMI do que nunca. Não é, pois, um movimento com a cara do Evangelho, mas com a cara de uma ideologia que se mascara como Evangelho.
Padilla comentou acerca dos resultados que ele ajudou a produzir nesse pacto da TMI dizendo: “O Pacto de Lausanne não só expressou penitência pela negligência da ação social, mas também reconheceu que o envolvimento sócio-político era, junto com o evangelismo, um aspecto essencial da missão cristã. Ao fazer isso deu um golpe mortal nas tentativas de reduzir a missão à multiplicação de cristãos e igrejas por meio do evangelismo.”
No entanto, “ação social” e “envolvimento sócio-político” como “um aspecto essencial da missão cristã” nunca foram, na opinião de Padilla e outros adeptos da TMI, ativismo conservador. Sempre foram ativismo socialista.
Padilla frisa o mesmo ponto quando diz:
“Se tanto o evangelismo quanto a ação social estão tão intimamente relacionados que sua parceria é ‘em realidade, um casamento,’ é óbvio que a primazia do evangelismo não significa que o evangelismo deve sempre e em toda parte ser considerado mais importante do que seu parceiro. Se esse fosse o caso, algo estaria errado com o casamento!… Conceito de missão como um casamento em que os dois parceiros — palavra e ação — são iguais, mas separáveis.’”
Então para Padilla, a ação social — na verdade, a ação socialista — é tão importante quanto é o Evangelho. Essa é uma união profana que Jesus e seus apóstolos nunca pregaram ou conheceram.
Padilla tenta fazer os inimigos da TMI parecerem evangélicos de classes mais elevadas na América do Norte se opondo a pastores latino-americanos pobres que adotaram uma teologia para ajudar os pobres. Ele disse:
“Apesar de seus inimigos, a maioria deles identificados com a elite missionária norte-americana, a missão integral continuou a encontrar apoio entre evangélicos, principalmente no segundo e terceiro mundo.”
Contudo, ele não informou seus leitores que os pregadores da TMI na América Latina são igualmente luteranos, presbiterianos e batistas da classe média alta, muitas vezes formados em universidades europeias e americanas, que entram em choque com pregadores pentecostais e neopentecostais geralmente pobres que ajudam os pobres em suas próprias comunidades pobres, mas sem a TMI. Eles ajudam os pobres pregando o Evangelho sem socialismo. Eles incentivam suas audiências a buscar prosperidade, cura, saúde e salvação de Deus. Eles oram pelos doentes e expulsam demônios. Esse é um Evangelho enormemente desconhecido dos adeptos da TMI.
Daí, há conflitos entre eles. Quando o Movimento Lausanne se reuniu no Brasil em 2014 para debater “problemas” pentecostais e neopentecostais, o líder da reunião foi o Rev. Steuernagel, um pastor que não é pentecostal.
Pelo fato de que Padilla não tem apoio da Bíblia para unir o Evangelho com ação política esquerdista, ele tem de usar grandes conferências evangélicas e sua linguagem ambivalente ou vaga ou até mesmo Lausanne, cuja linguagem teve a participação ativa dele.
Além disso, intencionalmente ou não, Padilla desconsiderou a oposição conservadora em Lausanne aos esforços dele para tornar Lausanne mais esquerdista. O líder dessa oposição foi o Dr. C. Peter Wagner, que era missionário na América Latina e conhecia muito bem os promotores da TMI. Ele acusou a TMI de ser esquerdista.
Padilla também nunca mencionou que em Lausanne os líderes evangélicos da América Latina não representavam o pentecostalismo explosivo nessa região. Por exemplo, o Rev. Valdir Steurnagel, hoje líder do Movimento de Lausanne, é pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Um ex-presidente dessa denominação luterana, Walter Altmann, é moderador do Conselho Mundial de Igrejas e um promotor ativo da Teologia da Libertação. Muitos outros nessa denominação são defensores proeminentes da Teologia da Libertação e TMI. A maior instituição teológica da IECLB no Brasil tem um professor de teologia, o Dr. André Sidnei Musskopf, que é não apenas um homossexual assumido, mas também um militante homossexual ativo e escritor.
A Teologia da Libertação, em seu marxismo explícito, na IECLB faz a TMI parecer, em seu socialismo “suave,” “conservadora” ou até mesmo “direitista”! Mas como mostra o exemplo do Rev. Musskopf, ambas teologias facilitam a aceitação e expansão da teologia gay.
A condição de classe elevada de Steuernagel e suas experiências teológicas mais altas de modo nenhum refletem a experiência das igrejas pentecostais e neopentecostais predominantes no Brasil, cujas congregações muitas vezes são compostas por membros mais pobres do que as congregações luteranas, que geralmente são classe média ou mais alta. A IECLB, que adotou a Teologia da Libertação e a TMI, não representa o perfil da Igreja Evangélica do Brasil.
Padilla também reconhece a influência de Steuernagel em Lausanne dizendo:
“Mas a falta de atenção adequada à questão de justiça durante o Congresso foi claramente articulada por Valdir Steuernagel do Brasil num discurso de dez minutos que ele deu ao plenário no finalzinho do Congresso.”
Da mesma forma, outros teólogos brasileiros não falam pela Igreja Brasileira quando falam sobre ela às audiências do primeiro mundo e conferências evangélicas internacionais.
Paul Freston, um brasileiro naturalizado que tem livros publicado em inglês sobre a Igreja Brasileira, tem um histórico de envolvimentos socialistas no Brasil e ele é uma figura chave em eventos da TMI no Brasil.
Outro promotor da TMI é o Rev. Alexandre Brasil, um pastor presbiteriano que tem dado discursos em instituições calvinistas nos EUA sobre a situação da Igreja Evangélica no Brasil. O Rev. Brasil tem tido um emprego de alto salário como assessor na presidência do Brasil no atual governo socialista.
Todos eles são brasileiros de classes mais elevadas tratando de questões de pobreza em grande parte não experimentadas por seu segmento protestante, mas pelos segmentos pentecostais e neopentecostais.
Apesar disso, Lausanne tem sido uma plataforma para esses teólogos que não são pobres promoverem suas ideias marxistas no nome do Evangelho, que já tem assistência abundante para os pobres, sem socialismo.
Se maldições espirituais podem afetar espiritualmente cristãos enfermos, será que a reunião marxista de Karl Marx em Lausanne em 1867 e suas influências das trevas poderiam ter afetado uma reunião evangélica 100 anos mais tarde?
A responsabilidade de um cristão é pregar o Evangelho a toda criatura, inclusive marxistas, socialistas e comunistas. Vacinar o Evangelho com o marxismo, o comunismo ou o socialismo não é plano de Deus.
Pregar o socialismo mascarado como responsabilidade social “cristã” ou como “casado” ao Evangelho a todos os cristãos não é o que Jesus mandou. Ele mandou que os cristãos pregassem o Evangelho do Reino de Deus e curassem os doentes e expulsassem demônios — presumivelmente, até mesmo ideologias demoníacas entre os cristãos. Sinais e maravilhas, ou curas e expulsão de demônios, estão casados com o Evangelho original, o primeiro Evangelho.
Se tivesse tido oportunidade, o Espírito Santo poderia ter se manifestado em Lausanne e outras conferências evangélicas semelhantes. Em vez disso, o espírito de Karl Marx fez suas manifestações protestantes em Lausanne, que, de acordo com Padilla, estabeleceu a TMI como “a missão da igreja,” levando os evangélicos a abraçar e ajudar uma ideologia que faz o Estado substituir o Evangelho na competência de ajudar os pobres, curar os enfermos e expulsar os demônios mediante seus serviços sociais, financiados não pelo bolso de seus governantes políticos, mas pelo bolso de seus cidadãos explorados.
Por que ninguém ousa chamar a TMI de outro evangelho ou outro espírito?
Leitura recomendada:

18 de junho de 2014

Por que esconder a real intenção da Teologia da Missão Integral?


Por que esconder a real intenção da Teologia da Missão Integral?

Valdir Steuernagel, colunista da revista Ultimato, tenta dar roupagem do Evangelho à TMI

Julio Severo
Teólogos de igrejas protestantes históricas têm falado e se comportado como se o Evangelho hoje tivesse falta de uma integralidade que supostamente Jesus e seus apóstolos conheciam, mas nós hoje desconhecemos. Por integralidade eles entendem apenas aspectos materiais de caridade, como comida, bebida, roupas, etc.
Sua pregação sobre integralidade, manifesta em sua Teologia da Missão Integral, faz parecer que Jesus passava metade do tempo pregando o Evangelho e a outra metade fazendo caridade material. Faz parecer que sem essa caridade, o Evangelho não é integral e que toda pregação do Evangelho tem de vir obrigatoriamente acompanhada de caridade material.
Se tais teólogos modernos de fato estivessem tentando resgatar algo que a Igreja original de Jesus tinha e a Igreja de hoje não tem, a motivação seria justa. Se Jesus e seus apóstolos passavam o tempo pregando e fazendo caridade material, seria justo imitarmos.
Entretanto, a caridade material não acompanhava o Evangelho original. A caridade vinha depois do Evangelho e discipulado, conforme a necessidade e sob condições muito rígidas. O que vinha sempre acompanhando o Evangelho era a misericórdia de Jesus pelos pobres, e essa misericórdia era plenamente manifestada no modo como ele passava seu tempo inteiro com os pobres: pregando o Evangelho, curando os enfermos, expulsando demônios, etc.
Essa caridade espiritual, conforme praticada por Jesus, estava acima da caridade material e recebia, em sua ministração terrena, tempo quase que igual ao tempo da pregação do Evangelho. Daí, pelo exemplo de Jesus, o que faz parte integral do Evangelho é sua proclamação e a caridade espiritual, que sempre envolve curas e expulsão de demônios. Proclamação e caridade espiritual andam juntas. Essa é a verdadeira integralidade do Evangelho. Qualquer outra forma, diferente do que Jesus fazia e ensinava, é outro evangelho.
Entretanto, teólogos de igrejas protestantes históricas têm se comportado como se a Igreja Evangélica tivesse de ter como prioridade dar pão aos pobres e, para essa finalidade, não se envergonham de fazer alianças com ideologias e governos socialistas, como se o lado prático do Evangelho do Reino de Deus fosse apenas assistencialismo aos pobres. Mas o que Jesus disse foi: “Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10:8 ACF)
Pouquíssimas vezes Jesus alimentou os pobres, e Ele ensinou de forma bem clara que comida e roupa nunca deve ser a prioridade das nossas vidas, muito menos a busca de governos terrenos que forneçam comida e roupa. O que ele ensinou foi: “Buscai, assim, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33 KJA) “Todas as outras coisas” é comida, bebida, roupas e tudo o mais.
Buscar o Reino de Deus, que significa o Governo de Deus, é prioridade do seguidor de Jesus. Mas, nestes últimos dias em que as igrejas protestantes históricas estão fortemente pendendo para apoio ao aborto, ao homossexualismo e a boicotes contra Israel, uma teologia ideológica tem se alastrado há décadas nessas igrejas que, na essência, diz: “Busquem em primeiro lugar um governo humano e suas políticas assistencialistas.” Pior ainda, tais teólogos, cheios de um espírito de vento de doutrina estranha, ousam comparar essa busca de um governo terreno com o próprio Reino de Deus, quando a Palavra de Deus diz bem o contrário: “Porquanto o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.” (Romanos 14:17 KJA)
Por isso, Jesus Cristo, o maior proclamador do Reino de Deus, não passava seus dias de ministério alimentando os pobres, nem mesmo usando ajuda aos pobres como desculpa para fazer alianças com o governo de Pilatos, Herodes, etc. Pelo contrário, ele passava seus dias de ministério curando os enfermos, purificando os leprosos, expulsando demônios e realizando muitas outras maravilhas.
E a ordem dEle para seus discípulos, que estariam proclamando o Evangelho do Reino de Deus no meio de milhares de pobres, era a mesma: “Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10:8 ACF)
O lado prático fundamental do Evangelho do Reino de Deus é isso. Jesus passava a maior parte de seu tempo fazendo isso no meio de multidão de pobres. Os apóstolos eram apenas imitadores de Jesus.
Aliás, a ordem de Jesus foi: “Por onde forem, preguem esta mensagem: ‘O Reino dos céus está próximo’. Curem os enfermos, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. Vocês receberam de graça; dêem também de graça.” (Mateus 10:7-8 NVI)
O sinal da chegada do Reino de Deus não é a manifestação de um governo socialista ou políticas socialistas, conforme proclamam os teólogos cheios do espírito da estranha doutrina da Teologia da Missão Integral (TMI). O único sinal da chegada do Reino é a manifestação da autoridade que Jesus deu aos seus proclamadores do Evangelho: doentes sendo curados, mortos sendo ressuscitados, leprosos sendo purificados e pessoas oprimidas sendo libertas de demônios.
Com esse Evangelho verdadeiro e original, os oprimidos são libertos.
Sobre alimentar os pobres, Jesus o fez por milagres, nunca com ajuda de governos terrenos, nunca tirando o dinheiro de ninguém por meio de impostos ou não, nunca fazendo aliança ou parceria com governos terrenos (prática comum entre teólogos da TMI, que assinam manifestos a favor de governos socialistas, fazem parcerias, etc.), nunca colocando isso como se fosse o centro do lado prático do Evangelho. E os apóstolos imitaram.
E quando tinham de alimentar os pobres, a política da Igreja Apostólica era ajudar as viúvas, que eram os seres humanos mais pobres e desamparados. Mas era uma política apostólica com muitas restrições: apenas as viúvas que tinham mostrado bom testemunho durante sua vida estavam qualificadas para receber ajuda. Nada de ajuda indiscriminada. Nada de ajudar materialmente pobres sem caráter e sem moral. Nada de buscar alianças com Herodes e Pilatos. Nada de colocar o Evangelho a serviço de uma ideologia que aparenta ser um anjo de luz para os pobres. Esse era o sistema dos apóstolos de Jesus.
Contudo, muitos teólogos modernos querem que a Igreja moderna revogue as restrições apostólicas e faça alianças com os Herodes e Pilatos modernos — por amor a um assistencialismo indiscriminado aos pobres. Querem isso como foco da Igreja, distanciando-a assim da Igreja Primitiva e de seu foco na cura e libertação dos pobres e oprimidos por meio da miraculosa compaixão divina.
Tais teólogos, que aparentam ser anjos de luz, invertem o significado do Reino de Deus, que não é comida nem bebida, fazendo-o parecer um Grande Governo Socialista Assistencialista.
Tais teólogos secos, muitos dos quais não possuem e ainda desprezam os dons sobrenaturais do Espírito Santo e não praticam o “Curai enfermos e expulsai demônios,” trabalham para alterar a imagem do Reino de Deus, transformando-o do que Jesus apresentou — um Reino que traz libertação e milagres —, para um Reino conforme a imagem e semelhança do socialismo.
Eles cometem três graves pecados, 1) torcem o Evangelho para parecer o que nunca foi, um mero “evangelho” de assistencialismo humano e carnal; 2) fazem o Reino de Deus parecer o que nunca foi: um sistema dedicado a dar comida e roupa aos pobres; e 3) fazem o socialismo parecer o que nunca foi: um sistema apenas de ajuda aos pobres e parecido com o Reino de Deus.
Esse não é o exemplo que Jesus deixou, mas é o exemplo dos modernos teólogos, cuja prioridade é o assistencialismo.
Em contraste, a prioridade de Jesus sempre foi proclamar o Evangelho. Curar enfermos, expulsar demônios e destruir as obras do diabo sempre foi parte essencial dessa proclamação e é a expressão da misericórdia do Pai celestial para com os pobres e oprimidos. O assistencialismo (comida e bebida) é parte da caridade, mas não essência nem do Reino de Deus nem do Evangelho.
Entretanto, havia outro contraste: Jesus não tinha nenhum salário do governo de Herodes ou Pilatos para “defender” os pobres ou aproximar os cristãos desses governos. Mas os teólogos modernos têm todos os tipos de envolvimentos e motivações para “defender” os pobres. Uns, recebem salário do governo. Um deles recebe mais de 15 mil reais por mês do governo de Dilma Rousseff. Outros recebem para ficar viajando pelo mundo, hospedados em bons hotéis, para participar de infindáveis consultas teológicas para mudar o Evangelho do Reino de Deus em algo que nunca foi: uma mensagem conforme a imagem e semelhança do socialismo.

Dissecando a entrevista do Rev. Valdir Steuernagel na revista Ultimato

Em seu artigo recente “A Missão Integral nem é tão integral assim!” publicado na revista Ultimato, o Rev. Valdir Steuernagel, busca defender a Teologia da Missão Integral (TMI) como uma teologia “a serviço do Reino de Deus.”
Não conseguiremos, pois, entender a TMI sem compreender o que é o Reino de Deus. Por isso, para avaliarmos as razões que levam Steuernagel a identificar a TMI como algum tipo de expressão do Reino de Deus, apresentaremos suas declarações, conforme publicadas em seu artigo na Ultimato, seguidas de meus comentários:
Valdir Steuernagel: Os meus primeiros encontros com a MI se deram enquanto estudava teologia numa instituição de corte liberal.
Julio Severo: Não estou surpreso de Steuernagel ter conhecido a TMI enquanto estava estudando teologia numa instituição liberal. Aliás, sua própria denominação — Igreja Evangélica de Confissão Luterana (IECLB) — tem uma cúpula que não tem vergonha de adotar a Teologia da Libertação. O Rev. Walter Altmann, que já foi presidente da IECLB, é moderador do Conselho Mundial de Igrejas e defensor público da Teologia da Libertação. A Escola Superior de Teologia (EST), a maior instituição de teologia da IECLB, já teve Luiz Mott, o maior ativista gay do Brasil, como palestrante.
Valdir Steuernagel: A Fraternidade Teológica Latino-Americana, que foi o lugar maior onde a teologia da MI foi gestada, começou a surgir no primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I), realizado em Bogotá, Colômbia, em 1969.
Julio Severo: Esse é um ponto interessante. Steuernagel afirma que a TMI foi gestada na Fraternidade Teológica Latino-Americana. Numa entrevista recente na TV Mackenzie, um professor de teologia do Mackenzie, que por incompetência acadêmica buscou desvincular a TMI de suas ligações marxistas, disse: “os proponentes da TMI têm relacionado a TMI com determinados movimentos e organizações, que são geradores da Teologia da Libertação, que têm declaradamente um fundo marxista, como a Fraternidade Teológica Latino Americana.” O que temos aqui bem simples é a declaração de um professor do Mackenzie que, mesmo a contragosto, reconhece que a Fraternidade Teológica Latino-Americana tem fundo marxista e gerou a Teologia da Libertação. E temos a declaração de Steuernagel de que a Fraternidade Teológica Latino-Americana também gerou a TMI. Mas nenhum dos dois quer reconhecer que a TMI tem fundo marxista, tem ligação com a Teologia da Libertação, etc. Sobre o Clade, meu e-book “Teologia da Libertação X Teologia da Prosperidade” diz: “Em1969, ao participar do CLADE (Congresso Latino-Americano de Evangelização), Wagner distribuiu seu livro que afirmava que a missão da igreja é priorizar a salvação pessoal e destacava a teologia esquerdista como perniciosa.” Peter Wagner estava lá no Clade, e aproveitou para distribuir seu livro contra o marxismo, porque ele viu que o que estava sendo gerado ali era conforme a imagem e semelhança do socialismo. Portanto, podem dizer que o nascimento da TMI foi inocente e espiritual, mas Wagner estava ali, como importante testemunha histórica com a devida formação acadêmica e teológica, para dizer que a história não é bem assim como os adeptos da TMI fantasiam.
Valdir Steuernagel: Assim, a MI nasceu no berço das Escrituras… a discussão em torno da influência marxista na teologia da MI é muito fora de foco.
Julio Severo: Primeiro, Steuernagel afirma que a TMI nasceu na Fraternidade Teológica Latino-Americana. Agora, ele muda o foco, dizendo que a TMI “nasceu no berço das Escrituras” — como se a Fraternidade Teológica Latino-Americana, que gerou a Teologia da Libertação (que contamina toda a IECLB de Steuernagel), fosse as “Escrituras”! Ora, dizer que a TMI nasceu das Escrituras equivale à declaração absurda de que a Teologia da Libertação nasceu do mesmo lugar. O Bispo Robinson Cavalcanti, que era também colunista da Ultimato (exatamente como Steuernagel) e amigo de Steuernagel , já havia declarado que a Teologia da Missão Integral é a versão evangélica da Teologia da Libertação. De forma semelhante, Ariovaldo Ramos confirmou tal verdade, dizendo que a TMI é a versão protestante da Teologia da Libertação. Por que então tentar disfarçar e maquiar o que é óbvio?
Valdir Steuernagel: Em 1972, eu passei um mês aos pés de pessoas como René Padilla e Samuel Escobar. Aquele mês tornou-se inesquecível para mim por ter sido altamente formador na minha vida.
Julio Severo: Em 1969, René Padilla e Samuel Escobar foram confrontados por Peter Wagner, que corretamente identificou a proposta deles — a TMI — como esquerdista. O que aconteceria se Steuernagel tivesse passado um mês aos pés de Jesus Cristo, em vez de aos pés de meros mortais como Padilla e Escobar? Tenho certeza de que teria sido uma experiência inesquecível e “altamente formadora da vida” dele. Somos moldados quando escolhemos ficar aos pés de alguém ou de uma ideologia. Pena que a escolha de Steuernagel não foi Jesus e a integralidade original do Evangelho com curas e libertações.
Valdir Steuernagel: O foco [da TMI] de fato era o evangelho do reino de Deus e sua vivência na realidade circundante.
Julio Severo: Se você é honesto, não dá para dizer que o foco da TMI é o Evangelho do Reino. O próprio Jesus mostrou o foco desse Evangelho: “Havendo Jesus convocado os Doze, concedeu-lhes poder e completa autoridade para expulsar todos os demônios, assim como para realizarem curas. Igualmente os enviou para proclamar o Reino de Deus e curar os doentes.” (Lucas 9:1-2 KJA) Jesus mostrou e demonstrou o que é o verdadeiro Evangelho integral, não mutilado: pregar o Evangelho de Reino de Deus com demonstração de curas e expulsão de demônios. Qualquer proclamação do Evangelho sem o acompanhamento necessário da demonstração — conforme Jesus Cristo, não teólogos que usam e abusam de Seu nome — é parcial. O foco é a misericórdia divina, não a “misericórdia” ideológica.
Valdir Steuernagel: A caminhada evangélica em torno do conceito da MI percebeu que emergia fortemente no continente aquilo que se chamou de Teologia da Libertação. Essa teologia ajudou a desvendar a realidade deste continente, perguntou pelo lugar da igreja nele e se propôs fazer uma releitura do evangelho desde a perspectiva daquele que havia sido historicamente excluído nas andanças continentais. Para analisar essa realidade, muitos teólogos da libertação fizeram uso do instrumental marxista, enquanto outros fizeram uso também da proposta revolucionária articulada a partir do marxismo. Os detentores da teologia da MI discerniram a importância de entrar em diálogo crítico com a Teologia da Libertação, sem deixar de afirmar os princípios básicos de uma fé evangélica.
Julio Severo: O comentário de Steuernagel faz parecer que foi somente com o surgimento da Teologia da Libertação, na década de 1960, que a Igreja Cristã aprendeu a lidar com os pobres. Isso pode ser verdade com relação à igreja dele, a IECLB, e outras igrejas tradicionais. Mas ao verem a Igreja de Cristo apenas como representada por tais igrejas históricas, Steuernagel e outros excluem os pentecostais, que décadas antes da Teologia da Libertação e sua versão evangélica, a TMI, já estavam diretamente envolvidos com os pobres, praticando o único Evangelho que Jesus ensinou: proclamando o Evangelho do Reino de Deus e curando enfermos e expulsando demônios. Antes do vento da doutrina estranha da TMI soprar nas igrejas históricas na década de 1960, igrejas pentecostais já estavam sendo plantadas no meio dos pobres uns 50 anos antes, muitas vezes pastoreadas por pastores vindo do meio da pobreza. Eles eram excluídos pelas igrejas protestantes históricas e pregavam um Evangelho com curas e libertação que igualmente sofria exclusão das igrejas protestantes históricas. Agora, Steuernagel e outros teólogos querem que esse Evangelho verdadeiro seja suplantado por um “evangelho” que meramente imita as ideias de Karl Marx ou substitua a demonstração por uma ação social político-ideológica nunca ensinada nem praticada por Jesus? O pior de tudo é que Steuernagel nunca reconhece que a TMI tem um fundo marxista e teve um nascimento esquerdista. Por que disfarçar tanto? Por que mascarar tanto? “Deus é luz; nele não existe a mínima sombra de treva. Se afirmarmos que temos comunhão com Ele, mas caminharmos nas trevas, somos mentirosos e não praticamos a verdade. (1 João 1:5-6 KJA)
Valdir Steuernagel: Também se pode afirmar que a voz latino-americana foi chave para que uma compreensão de missão que fosse integral viesse a marcar presença no Pacto de Lausanne… E, em tempos recentes, a MI ganhou muito mais presença no próprio Movimento de Lausanne, ao ponto de ser abraçada como “integral mission” pelo Compromisso da Cidade do Cabo, de cuja redação eu mesmo tive a oportunidade de participar. Outros esforços globais como o “Micah Challenge” (Desafio Miquéias) e a “Micah Network” (Rede Miquéias) expressam muito bem que há uma caminhada global na vertente desta compreensão e missão.
Julio Severo: O fato de que frequentemente os adeptos da TMI usam e abusam do Pacto de Lausanne para respaldar sua teologia ideológica não é coincidência. Em seu debate recente no programa “Academia em Debate” da TV Mackenzie, Jonas Madureira, apesar de ser doutor em filosofia e um especialista acadêmico, demonstra desconhecer uma ligação entre TMI e Lausanne. É também uma demonstração de incompetência acadêmica, pois Valdir Steuernagel removeu todas as sombras e dúvidas, deixando claro que 1) a TMI marcou presença no Pacto de Lausanne, 2) a TMI está ganhando muito mais presença no movimento Lausanne, e 3) o próprio Steuernagel diz que ajudou a redigir o último Pacto de Lausanne, dando-lhe, é claro, mais conteúdo de TMI. Lausanne tornou-se, em essência, um movimento sequestrado por uma ideologia. Quanto ao Micah Challenge, entidade internacional que Steuernagel diz estar envolvida em esforços globais da TMI, a única parceira brasileira dessa entidade é a ANAJURE, que faz parte também da Aliança Evangélica Mundial, na qual Steuernagel ocupa papel de destaque. Se Madureira, que é um dos professores de teologia do Mackenzie, tem dificuldade de ver TMI em Lausanne, dá para estranhar que a ANAJURE, repleta de professores do Mackenzie, não consiga ver nenhuma TMI e ecumenismo no Micah ou na Aliança Evangélica Mundial? O apresentador do programa “Academia em Debate” da TV Mackenzie foi o Rev. Augustus Nicodemus, que é presidente do Conselho Consultivo Referencial da ANAJURE, uma responsabilidade que lhe impõe dar bons conselhos para a entidade. Mas, embora tenha tentado mostrar oposição acadêmica a TMI no programa, não se sabe o papel e conselhos de Nicodemus no momento em que a ANAJURE estava se tornando parceira do Micah Challenge, que está na órbita da TMI, conforme Steuernagel, que também é da TMI. Quem sabe não foram outros conselhos? Um membro simultâneo da ANAJURE e Mackenzie é também pregador da TMI e Teologia da Libertação: Ricardo Bitun. Onde há elementos da TMI, a contaminação é certa.
Valdir Steuernagel: A MI, de fato, nem é tão integral assim. Aliás, nada do que fazemos é “tão integral assim” e todos só sabemos e só falamos em parte, como o próprio apóstolo Paulo nos ensina.
Julio Severo: O comentário de Steuernagel de que a TMI é como “todos só sabemos e só falamos em parte, como o próprio apóstolo Paulo nos ensina” traz um ponto fascinante, com base em 1 Coríntios 13. Alguns protestantes tradicionais — que são os maiores proclamadores da TMI — não conseguem evitar usar e abusar de 1 Coríntios 13 para proclamar que os dons sobrenaturais do Espírito Santo, inclusive profecias, cessaram. Daí, eles sempre tiveram, para os pobres pentecostais (pobres literalmente, especialmente no início do século XX, quando o vento estranho da TMI estava muito longe de soprar no Brasil), a resposta “teologicamente correta” para combater o pentecostalismo durante décadas. Mas não usam e abusam de 1 Coríntios 13 para dar o mesmo tratamento para a TMI. Usam e abusam da Bíblia para secar e proibir o que Deus deu. E ao mesmo tempo usam e abusam da Bíblia para proclamar uma ideologia que nunca fez parte do Evangelho do Reino de Deus ensinado por Jesus Cristo.
Valdir Steuernagel: Ainda que “formado na escola da MI”, eu tenho procurado avaliá-la criticamente e percebido áreas nas quais ela precisa refletir. Entre estas, eu ressaltaria: a busca por expressões de uma espiritualidade que leve mais em conta o coração e não só a mente.
Julio Severo: O problema que vejo é que os adeptos da TMI fazem tantas reflexões teológicas e os resultados geralmente são ideológicos. Afinal, ideologia gera ideologia. A melhor expressão de espiritualidade é buscar o coração do Pai. Isso Jesus fazia. Isso Ele ensinou aos seus apóstolos, que viviam a seus pés. Resultado: Eles pregavam o Evangelho e curavam os doentes e expulsavam demônios. Não era trabalho e demonstração da mente terrena, da teologia terrena e seca. Era demonstração do coração do Pai para os pobres.
Valdir Steuernagel: Ainda que “formado na escola da MI”, eu tenho procurado avaliá-la criticamente e percebido áreas nas quais ela precisa refletir. Entre estas, eu ressaltaria: …que deixe de ser um fenômeno fortemente de classe média, como o são muitas de nossas igrejas históricas, e encontre o caminho da popularização e da carismatização.
Julio Severo: Querendo ou não, Steuernagel fez um reconhecimento importante: a TMI é um “fenômeno” de classe média e de igrejas históricas (presbiteriana, luterana, metodista e outras igrejas fortemente afetadas pelo liberalismo teológico e compostas pela classe média e alta). O elitismo da TM (forte presença da classe média e forte ausência dos pobres) já foi notado pelo Dr. Fábio Blanco em seu artigo “Elitismo na Teologia da Missão Integral.” Esse problema foi também observado pelo filósofo Luiz Felipe Pondé, que disse: “A igreja católica de esquerda fez a opção pelos pobres, mas os pobres fizeram a opção pelo neopentecostalismo.” Mesmo assim, Steuernagel tem esperança de que a TMI se popularize, isto é, se torne amplamente aceita pelos pobres. O que acontece quando uma teologia socialista se torna “popular”? Sob possessão do demônio da Teologia da Libertação, a CNBB e seus bispos esquerdistas ajudaram a fundar o PT. A TMI não vai fazer melhor do que sua irmã ideológica, cujos filhotes vivem abraçados aos primos. Quanto a uma carismatização da TMI, se por carisma Steuernagel entende os dons sobrenaturais do Espírito Santo (fenômenos de Deus que a Igreja Evangélica de Confissão Luterana não tem em sua história e prática pastoral, especialmente nesta alta temporada de Teologia da Libertação), por que se preocupar em dar autoridade espiritual a uma ideologia disfarçada de teologia? Deus deu os dons sobrenaturais para proclamarmos com eficácia o Evangelho do Reino de Deus. Ele não nos deu esses dons para espalharmos melhor uma ideologia que mediocremente imita o Evangelho.
No final do artigo da Ultimato, há uma descrição de quem é Valdir Steuernagel: “teólogo sênior da Visão Mundial Internacional. Pastor luterano, é um dos coordenadores da Aliança Cristã Evangélica Brasileira e um dos diretores da Aliança Evangélica Mundial e do Movimento de Lausanne.”
Visão Mundial: Meu livro “Teologia da Libertação X Teologia da Prosperidade” revela que o Segundo Congresso Brasileiro de Evangelização (CBE2, 2003), evento financiado pela Visão Mundial para reunir as lideranças da Teologia da Missão Integral, estava perplexo e triste com o avanço do neopentecostalismo e sua teologia da prosperidade, que estavam frustrando os projetos dos progressistas para os pobres. Recentemente, a Visão Mundial quase escorregou numa postura de apoio a funcionários envolvidos em “casamento” gay, sinalizando que o liberalismo teológico pode já estar minando as bases cristãs dessa organização.
Aliança Cristã Evangélica Brasileira: Sob a liderança de Ariovaldo Ramos, que disse que o ditador socialista Hugo Chávez deixou o mundo melhor, a Aliança Evangélica firmou uma parceria com o governo do PT em fevereiro de 2013. O evento ocorreu na Igreja Presbiteriana de Brasília (IPB). O evento é consequência típica da mentalidade TMI.
Aliança Evangélica Mundial: Entidade que tem buscado, junto com o Conselho Mundial de Igrejas, um maior entrosamento do ecumenismo. Essa ponte está bem facilitada com a presença de Steuernagel, que pode dialogar com seu colega denominacional, Walter Altmann, no Conselho Mundial de Igrejas. Afinal, embora de organizações internacionais diferentes, ambos são ecumênicos e da IECLB. A Aliança Evangélica Mundial tem tido abertura para promotores da Teologia da Libertação Palestina.
Movimento de Lausanne: Ao contrário do que acreditam acadêmicos mal-informados ou mal-preparados, Lausanne desde o início estava sob a influência da TMI, conforme comprovam as declarações e a própria presença de Steuernagel nesse movimento.
Steuernagel é pastor da IECLB, uma denominação protestante histórica ativamente envolvida na Teologia da Libertação, Teologia da Missão Integral e ecumenismo. Sua presença como líder na Visão Mundial Internacional, Aliança Cristã Evangélica Brasileira, Aliança Evangélica Mundial e Movimento de Lausanne só comprova que a TMI está alastrando sua influência na cúpula evangélica nacional e internacional, trazendo como consequência inevitável o fortalecimento do liberalismo teológico e uma tentativa herética de substituir a demonstração do Evangelho do Reino de Deus por uma ação social de base cinicamente socialista.
Durante décadas, o ambiente mais aberto à TMI era o ambiente protestante tradicional mais fechado aos dons sobrenaturais do Espírito Santo. A TMI se expandiu no solo fértil das igrejas cessacionistas, que tinham um Evangelho, mas nenhuma demonstração compatível com a ordem de Jesus de curar os enfermos e expulsar demônios. O maior congresso internacional de TMI de 2014, por exemplo, está sendo presidido pelo Rev. Jorge Henrique Barro, pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) e presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana que, de acordo com o Rev. Felipe Costa Fontes, tem um fundo marxista e gerou a Teologia da Libertação.
A proclamação do Evangelho do Reino de Deus envolve, sempre, cura de enfermos e expulsão de demônios, só para começar. Os apóstolos de Jesus, que nos deram o exemplo de verdadeira missão cristã completa e integral, viviam ocupados proclamando e demonstrando o Evangelho do Reino de Deus.
Mas Steuernagel e outros burocratas da Cristandade (não do Evangelho, pois o Evangelho não tem burocratas, mas apenas proclamadores e demonstradores do poder salvador de Deus) vivem ocupados em conferências, consultas e outros eventos teológicos. Gastam fortunas viajando pelo mundo para falar sobre suas ideologias. E depois, para justificar tantas despesas, cobrem a massa do bolo ideológico com o recheio do nome “Evangelho.” Jogam alguns versículos aqui e ali e, diante de uma plateia cega, nem precisam justificar sua total incapacidade de proclamar e demonstrar o Evangelho do Reino de Deus curando os enfermos e expulsando demônios. Vivem tão ocupados com suas infindáveis consultas teológicas que, quando se aproximam dos pobres, é apenas para depois usá-los para justificar mais consultas teológicas, mais despesas de viagens áreas, mais despesas de hotéis, etc.
O verdadeiro Excluído na TMI é Jesus, que tem um Evangelho que, desde dois mil anos atrás, sempre atendeu perfeitamente os pobres. E enquanto a TMI estava nascendo como uma forma das igrejas tradicionais usarem o marxismo disfarçado para alcançar os pobres, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo já estava, décadas antes, no meio dos pobres, curando seus enfermos e expulsando seus demônios. As igrejas pentecostais nunca precisaram de TMI, Teologia da Libertação ou participar de caras consultas teológicas para aprenderem a alcançar os pobres. Tudo o que eles faziam era atender ao chamado do Espírito Santo e arregaçar as mangas.
Se Steuernagel chama os pobres de excluídos, quem fazia essa exclusão era a IECLB e outras igrejas. Aliás, essas igrejas também excluíam os pentecostais, quando os pentecostais ainda não tinham deixado o primeiro amor. Um século atrás, as igrejas pentecostais eram repletas de curas e expulsão de demônios com sua proclamação do Evangelho do Reino de Deus. Hoje, estão perdendo essa autoridade. Em compensação, então aprendendo com Steuernagel e outros como proclamar a TMI.
Talvez a TMI e outras ideologias e heresias que virão sejam apenas para tapar o buraco de uma geração cristã que perdeu a capacidade de proclamar o Evangelho do Reino de Deus com suas devidas demonstrações. Quando a proclamação do Evangelho do Reino de Deus perde essa integralidade, é natural, pela Lei da Entropia, que espaços se abram para outras teologias e ideologias decadentes.
O crescimento da TMI é apenas sinal e sintoma de uma igreja que está perdendo rapidamente sua autoridade de proclamar e demonstrar o Evangelho do Reino de Deus.
Já que Steuernagel publicou seu artigo de defesa da TMI na Ultimato, que tipo de demonstração (lado prático) um adepto da TMI tem?
Em 2013, quando todas as esquerdas do Brasil queriam o Dep. Marco Feliciano fora da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, foi lançado um manifesto, com o apoio da Ultimato, para requerer também a cabeça de Feliciano. O manifesto veio assinado por grandes expoentes da TMI, inclusive Ariovaldo Ramos, Ricardo Bitun e Antonio Carlos Costa. Outros assinantes incluíam o próprio Steuernagel e um colega denominacional, André Sidnei Musskopf, que é professor de teologia da EST. Musskopf, além de defensor da TMI, é também ativista homossexual.
A Comissão de Direitos Humanos sempre foi presidida por esquerdistas, especialmente petistas, que querem impor a agenda gay no Brasil. Nunca a revista Ultimato fez uma carta pública contra o PT na presidência dessa comissão. Nunca Steuernagel fez um protesto contra o PT nessa comissão.
E mesmo agora, depois que o PT reassumiu a presidência dessa comissão e começou sua rotina de trabalho pela agenda gay, Steuernagel não abriu a boca em protesto. Em contraste, todos os esquerdistas, inclusive Steuernagel, se opuseram a Feliciano por discordarem de um pentecostal que se opõe ao aborto e à agenda gay.
Isso é o que a “Missão Integral” da ideologia socialista consegue produzir: aberrações e oposição ao conservadorismo.
Por que, em vez de envolvimento com a ideologia socialista, Steuernagel e seus camaradas de TMI não aprendem a única “Missão Integral” que Deus aceita na proclamação do Evangelho do Reino de Deus: curas e expulsão de demônios? Claro, havia também a responsabilidade do discipulado e de cuidar das viúvas, sob critérios apostólicos muito rigorosos e sem nenhuma contaminação ideológica e envolvimento governamental.
Os pobres nunca rejeitaram essa integralidade do Evangelho. Muitos foram, aliás, curados e libertos. Pode-se querer mais do que o próprio Deus pode lhes dar?
O que Steuernagel tem no lugar desse Evangelho puro são palavras persuasivas de conhecimento humano, em defesa de uma ideologia humana disfarçada de Evangelho.
O Apóstolo Paulo tinha discernimento espiritual (que nada tem a ver com conhecimento acadêmico e teológico) para discernir entre as duas coisas. Ele disse:
“Minha mensagem e minha proclamação não se formaram de palavras persuasivas de conhecimento, mas constituíram-se em demonstração do poder do Espírito.” (1 Coríntios 2:4 KJA)
Os que gostam de palavras persuasivas de conhecimento humano (a classe média, ou as igrejas históricas, como diz o próprio Steuernagel), ficam com a TMI.
Os que preferem a verdade de Deus com demonstração do poder do Espírito (geralmente os pobres, excluídos, doentes e necessitados), ficam com o Evangelho do Reino de Deus.
Por isso, Jesus disse que felizes são os pobres, pois deles é o Reino de Deus.
E sobre a classe média e as igrejas históricas que abraçaram a TMI e a Teologia da Libertação? “Infelizes são, pois deles é o outro reino…”
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