Comportamento não profissional da revista Forbes: Seis anos depois de publicar informações errôneas sobre o televangelista Silas Malafaia diante de sua audiência americana e internacional, a Forbes se retratra — somente diante de sua audiência brasileira
Julio
Severo
Por meio de seu maior canal, que atinge um enorme
público americano e internacional, a revista Forbes apresentou de forma deturpada
um televangelista brasileiro em 2013. Então, 6 anos depois, percebendo que suas
informações sobre o pastor foram exageradas e injustas, a Forbes usou seu
pequeno canal brasileiro, longe do público americano e internacional, para se
desculpar.
NOTA
DE ESCLARECIMENTO
3
de maio de 2019
Na
data de 18 de janeiro de 2013 foi publicado, em nosso site, matéria intitulada
“Bispo Edir Macedo é o pastor mais rico do Brasil com uma fortuna de US$ 950
milhões – Líder da Universal do Reino de Deus está à frente de Valdomiro
Santiago e Silas Malafaia”.
A
referida matéria continha informação de que o Pastor Silas Malafaia detinha
patrimônio estimado em US$ 150 milhões.
Assim,
diante da alegação de que a veiculação do informe, à época, teria ocasionado
descontentamento por parte do pastor Silas Malafaia, vez que seu patrimônio na
verdade, segundo ele, corresponderia a apenas 3% do valor citado na matéria
veiculada, conforme documentos oficiais que teria voluntariamente
disponibilizado, a FORBES, historicamente compromissada que é com a apuração da
verdade dos fatos, lamenta o ocorrido e aproveita a oportunidade para oferecer
escusas ao Pastor Silas Malafaia.
O pedido de desculpas da Forbes se referia à sua
reportagem em português e esqueceu de mencionar que a principal deturpação da
Forbes foi em inglês, em uma reportagem de 2013 intitulada “The
Richest Pastors In Brazil”
(Os Pastores mais ricos do Brasil), que disse:
A
religião sempre foi um negócio lucrativo. E se acontecer de você ser um
pregador evangélico brasileiro, as chances de acertar a sorte celestial grande
são bem altas hoje em dia. Embora o Brasil continue sendo o maior país católico
do mundo, com cerca de 123,2 milhões de sua população de aproximadamente 191
milhões definindo-se como seguidores da Igreja do Vaticano, os números mais
recentes do IBGE apontam para um forte declínio entre os católicos romanos, que
agora representam 64,6% da população do país — abaixo dos 92% em 1970.
Enquanto
isso, o número de evangélicos subiu de 15,4% da população do Brasil há apenas
uma década para 22,2%, ou 42,3 milhões de pessoas. É provável que a tendência
de queda do catolicismo continue, e estima-se que, até 2030, os católicos
representem menos de 50% dos fiéis brasileiros.
Então,
por que os evangélicos estão tomando posse do mundo religioso do Brasil?
Uma
das qualidades mais atraentes dos evangélicos é a crença de que o progresso material
resulta do favor de Deus. Enquanto o catolicismo ainda prega uma perspectiva muito
conservadora sobre a vida depois da morte em vez de riquezas terrenas, os
evangélicos — especialmente os “neopentecostais” — aprendem que é correto ser
próspero. Essa doutrina, conhecida como “Teologia da Prosperidade,” está na
base das igrejas evangélicas de maior sucesso no Brasil.
O
valor do progresso material no evangelicalismo brasileiro é explícito e
promovido ativamente…
Então,
há Silas Malafaia, o ex-líder da Assembléia de Deus, a maior igreja pentecostal
do Brasil. O mais franco de seus colegas, Malafaia se separou da instituição no
final da década de 1990 para começar sua própria denominação, a Igreja Assembléia
de Deus Vitória em Cristo. Malafaia está constantemente envolvido em
controvérsias relacionadas à comunidade gay no Brasil, da qual ele
orgulhosamente declara ser o maior inimigo. Defensor de uma lei que pode
classificar o homossexualismo como uma doença no Brasil, Malafaia também é uma
figura proeminente no Twitter, onde ele é seguido por mais de 440.000 usuários.
Em 2011, Malafaia — que tem uma fortuna de cerca de US$ 150 milhões de acordo
com várias publicações brasileiras de negócios — lançou uma campanha chamada “Clube
de Um Milhão de Almas,” que pretende arrecadar US$ 500 milhões (R$ 2 bilhões)
para sua igreja para criar um rede de televisão mundial que seria transmitida
em 137 países. Os interessados em contribuir para a campanha podem doar
quantias a partir de US$ 500 (R $ 2.000), que podem ser pagas em parcelas. Em
troca, os contribuintes receberão um livro. Malafaia também é dono de uma das
quatro maiores gravadoras do segmento gospel do Brasil, de acordo com a
Billboard Brasil, e a segunda maior editora evangélica do Brasil, a Central
Gospel, com vendas de US$ 25 milhões por ano.
A Forbes publicou imprecisamente informações de que
Malafaia tinha uma fortuna estimada em US$ 150 milhões, quando na verdade ele
tem apenas 3% desse valor.
Só depois de muitos anos a Forbes aceitou a verdade,
porque, de acordo com o site
de Malafaia, Vitória em Cristo,
“Com documentos oficiais, o Pr. Silas Malafaia provou, na Justiça, que o valor
de seu patrimônio corresponde a 3% do valor citado na reportagem.” Assim
foi judicialmente provado que Malafaia tinha apenas 3%. É verdade comprovada.
O problema é que a Forbes se desculpou apenas em
relação à sua reportagem em português, que tinha um público menor, não à sua
reportagem original em inglês, que tinha uma audiência enorme.
Por exemplo, Christianity Today, em uma reportagem de
2013 intitulada “List
of Richest Pastors in Brazil Prompts White House Petition” (Lista dos Pastores Mais Ricos do Brasil Provoca Petição
para a Casa Branca), mencionou Malafaia, de acordo com a desinformação de
Forbes. Christianity Today, que é uma das principais revistas protestantes dos
EUA, nunca pediu desculpas a Malafaia e, considerando que não há nenhum pedido
de desculpas em inglês da Forbes disponível, é improvável que ela peça
desculpas.
No Brasil, a consequência da desinformação também foi
devastadora. Coincidência ou não, a versão brasileira da Christianity Today,
Cristianismo Hoje, atacou Malafaia em uma longa reportagem de 2013 intitulada “Malafaia:
A quem ele representa?” imediatamente depois da reportagem da Forbes, de acordo
com o GospelMais, um dos mais proeminentes sites protestantes no Brasil, em sua
reportagem de 2013 “Malafaia não me representa.”
Veículos calvinistas brasileiros tiraram vantagem da
reportagem da Forbes para aumentar seus ataques a Malafaia. A página de
Facebook calvinista Bereanos lançou uma campanha dizendo que Malafaia não representa
os evangélicos.
O pastor calvinista Renato Vargens, entrevistado pela
Cristianismo Hoje sobre Malafaia, aproveitou a oportunidade para comentar: “Isso
vem contribuindo para uma beligerância desnecessária entre a sociedade civil e
a Igreja. Deslizes assim terminam, infelizmente, afetando o grupo como um todo.”
Ele quis dizer o ativismo conservador de Malafaia, o qual inclui posturas públicas
contra o aborto e a agenda homossexual. Malafaia tem sido a voz evangélica mais
direta no Brasil defendendo valores pró-família e pró-vida, mesmo em programas
de TV de destaque.
Vargens e outros calvinistas brasileiros consideram a
mensagem de Malafaia “herética.” Aliás, Vargens disse claramente na
Cristianismo Hoje que o ensinamento de Malafaia é “herético.”
Agora que a Forbes publicou um pedido de desculpas em
português para Malafaia, será que a Cristianismo Hoje produzirá uma longa e
igual reportagem pedindo desculpas a ele?
Líderes e veículos calvinistas que tiraram vantagem da
reportagem da Forbes para atacar Malafaia publicarão seus pedidos de desculpas?
No entanto, a Forbes deveria agora publicar um pedido
de desculpas também em inglês, porque sua reportagem original foi em inglês.
Depois que a Forbes publicar seu pedido de desculpas
em inglês, Christianity Today publicará um pedido de desculpas em inglês?
A Forbes não agiu profissionalmente ao publicar
informações imprecisas que acabaram fortalecendo vozes esquerdistas e
protestantes que odeiam a mensagem, os valores e as posturas de Malafaia. Para
uma publicação como Christianity Today, redistribuir essa desinformação não é
apenas pouco profissional. É também anticristão.
Uma retratação da parte da fonte original e seus
redistribuidores seculares e protestantes já deveria ter sido feita há muito
tempo.
Versão em inglês deste artigo: Forbes’s
Unprofessional Behavior: Six Years After Publishing Misinformation on Brazilian
Televangelist Silas Malafaia Before Its U.S. and International Audience, Forbes
Retracts — Only Before Its Brazilian Audience
Leitura
recomendada sobre Silas Malafaia:







