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12 de agosto de 2014

Lausanne, TMI e Israel


Lausanne, TMI e Israel

Julio Severo
Em abril de 2014, o Movimento Lausanne esteve em peso no Brasil para discutir sua maior preocupação teológica do momento. Não, não, sua preocupação não foi com teólogos brasileiros — todos adeptos de Lausanne e da Teologia da Missão Integral (TMI) — que colaboram com o PT e sua campanha ideológica para avançar sua agenda antifamília no Brasil.
A preocupação deles foi exclusivamente a Teologia da Prosperidade (TP) dos neopentecostais.
De acordo com a revista esquerdista Ultimato, “45 especialistas de 17 países — pensadores, pastores e profissionais destacados — reuniram-se em Atibaia (SP), entre 30 de março e 2 de abril para a Consulta Global Lausanne sobre Teologia da Prosperidade.”
A consulta foi encabeçada por Valdir Steuernagel, um ardoroso defensor da TMI. Suas raízes religiosas, conforme mostra o artigo “Por que esconder a real intenção da Teologia da Missão Integral?,” procedem desde sua denominação, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana, que abraça tanto a forma mais radical do marxismo cristão — a Teologia da Libertação — quanto sua versão protestante quase aguada, a TMI.
A segunda palestra coube a Paul Freston, antigo defensor da TMI. Freston, que já foi membro de carteirinha do PT, sempre foi opositor ferrenho da TP.
O artigo “A maior ameaça à Igreja Evangélica do Brasil” explica o motivo por que os maiores opositores da TP são os teólogos da TMI.
O governo do PT, na pessoa de Gilberto Carvalho, expressou igualmente que sua maior preocupação são os televangelistas neopentecostais, cuja mensagem básica de TP é que a fonte de toda provisão para as necessidades humanas deve ser Deus, em contraste com a proposta que o PT e outros movimentos socialistas radicais querem impor: o governo como deus supridor de todas as necessidades humanas.
Essas duas visões — Deus-Provedor versus Governo-Provedor — são o coração do choque entre socialistas e neopentecostais.
Carvalho, que é ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República do Brasil, tem uma relação amistosa especial com os teólogos da TMI, inclusive Ariovaldo Ramos. O mais importante assessor de Carvalho para as relações do governo do PT com os evangélicos é o teológo presbiteriano Alexandre Brasil, que tem um salário de mais de 15 mil reais por mês e um histórico padrão de adepto da TMI: ele tem um livro contra a TP.
A Consulta Global Lausanne sobre Teologia da Prosperidade teve também uma palestra com o título: “A Nova Reforma Apostólica e a Teologia da Prosperidade.”
A Nova Reforma Apostólica foi fundada por C. Peter Wagner, que no primeiro Congresso Lausanne sobre Evangelização Mundial em 1974 confrontou teólogos esquerdistas da América Latina que queriam transformar Lausanne em plataforma da ideologia marxista.
A figura central do primeiro Congresso de Lausanne foi Billy Graham. Sem ele, não teria havido Lausanne, mas também nem ele esperava a repercussão em nível ideológico. Quando Graham percebeu que a esquerda evangélica estava tentando atrelar tudo, ele parou de financiar Lausanne, para desgosto de Robinson Cavalcanti, antigo colunista da Ultimato, que publicamente acusou que Lausanne estava sob uma “hegemonia da ala conservadora, branca, anti-CMI (Conselho Mundial de Igrejas), antissocialista,” etc. (Pobre Graham: branco, anglo-saxão, conservador, etc!) Cavalcanti queria a continuidade de Graham no movimento para captar recursos para levar adiante a revolução da TMI. Essa revolução vem ocorrendo, mas sem o dinheiro e participação de Graham. Valdir Steuernagel, líder da TMI, já mostrou que hoje Lausanne está muito mais TMI do que nunca. Não é, pois, um movimento com a cara do Evangelho, mas com a cara de uma ideologia.
Por sua antiga oposição à esquerda furiosa em Lausanne, até hoje C. Peter Wagner é criticado pelas esquerdas evangélicas, sem mencionar os ataques da esquerda secular, que vem denunciando sua Nova Reforma Apostólica.
Lausanne se tornou um movimento da esquerda evangélica. E como todo movimento esquerdista — secularista ou pseudocristão —, enxerga os neopentecostais, especialmente sua TP, como a maior ameaça ao avanço do esquerdismo. Mas, com truques teológicos, a esquerda evangélica muda levemente o discurso, dizendo que a TP ameaça o evangelho.
O esquerdismo em Lausanne vem de longe. Já na década de 1980, a revista Ultimato era a recomendação oficial de Lausanne para o Brasil. Era a incipiente Lausanne esquerdista promovendo a esquerda evangélica brasileira.
E hoje, de mãos dadas, avança a esquerda de Lausanne e da Ultimato, apesar de que a elite teológica “conservadora” presbiteriana, que navega em águas muitas vezes tomada pela TMI e Ultimato, tem dificuldade de reconhecer a TMI em Lausanne ou mesmo em seu próprio meio presbiteriano.
A Ultimato é presbiteriana e tem articulistas presbiterianos polêmicos em sua revista e editora, inclusive o Rev. Marcos Botelho, que havia defendido a estranha ideia de que os cristãos têm a obrigação de lutar para que as pessoas tenham o direito cometer o vício homossexual, e o Rev. Luiz Longuini, pastor da IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil) divorciado quatro vezes e autor de um livro que defende a TMI.
Outro articulista da Ultimato, Marcos Amado, é diretor do Movimento de Lausanne para a América Latina, e vem escrevendo artigos para desconstruir o apoio evangélico a Israel. Essa desconstrução é uma tendência mundial da esquerda evangélica, muitas vezes capitaneada e instigada por grupos evangélicos americanos bem financiados.
Até mesmo o bilionário esquerdista judeu-americano George Soros tem investido milhões para que os evangélicos tenham opiniões menos favoráveis a Israel. Se me perguntam como pode um judeu fazer campanhas contra Israel, o que respondo é que o mesmo esquerdismo que vira judeus contra Israel também vira evangélicos contra o Evangelho. Há milhares de evangélicos esquerdistas que não têm amor sincero pelo Evangelho, mas têm paixão de usá-lo como plataforma da ideologia socialista, que tipicamente é contra Israel.
Em seu esforço de desconstrução, Amado também se mostra, na Ultimato, contrário ao que ele chama de “sionismo cristão evangélico,” e destaca que neste ano ele participou de uma conferência especial no Hotel Intercontinental de Belém. Essa conferência foi a “Christ at the CheckPoint” (Cristo no Posto de Controle), que procura apresentar Jesus como um “palestino” oprimido pelos israelenses.
Neste ano o governo de Israel deu um alerta aos evangélicos do mundo inteiro para que tomem cuidado com “Christ at the CheckPoint.” Apesar do aviso do governo de Israel, o Movimento de Lausanne e a Aliança Evangélica Mundial, dois movimentos em que Valdir Steuernagel tem papel de destaque de liderança, têm dado apoio a “Christ at the CheckPoint.” Steuernagel é também colunista da Ultimato.
Marcos Amado e Ultimato, que querem que tomemos cuidado com a TP, com os neopentecostais, com Israel e com os evangélicos sionistas, já estão ajudando a preparar os evangélicos do Brasil para a mensagem de “Christ at the CheckPoint,” cujo conteúdo é a Teologia da Libertação Palestina, irmã da TMI e da Teologia da Libertação.
Precisamos pois ficar preocupados quando lemos sobre teólogos “preocupados” com a TP ou com o chamado “sionismo evangélico.” A “preocupação” deles tem outros interesses.
Evidentemente, deve-se ser contra os abusos do neopentecostalismo, mas será que deveríamos ficar de braços cruzados enquanto maliciosamente atacam esses abusos como forma de abrir caminho e avançar a TMI e desconstruir o apoio evangélico a Israel?
A defesa de Israel que muitos líderes neopentecostais fazem é necessária. Além disso, sua pregação, ainda que com muitas fraquezas, que enfatiza Deus, não o governo, como provedor das necessidades humanas é fundamental para o povo — e detestável para as esquerdas seculares e evangélicas.
O Movimento Lausanne perdeu a credibilidade, e só terá o respeito dos evangélicos quando de fato demonstrar preocupação com seus adeptos e líderes brasileiros que trabalham de mãos dadas com o PT, que tem feito tudo para avançar sua ditadura antifamília no Brasil.
Versão em inglês deste artigo: Lausanne, Theology of Integral Mission and Israel
Leitura recomendada:

7 de julho de 2014

O fim do apoio evangélico americano a Israel?


O fim do apoio evangélico americano a Israel?

Como anda o prestígio de Israel entre os evangélicos do mundo

David Brog
Comentário de Julio Severo: Este documento, traduzido por mim, traz graves denúncias. A população evangélica americana, que tradicionalmente era mais a favor de Israel do que o restante da população evangélica mundial, agora despencou para a posição minoritária. De acordo com Brog, que dirige nos EUA uma das maiores organizações pró-Israel, a população evangélica dos EUA apoia hoje menos Israel do que populações evangélicas de outros países, graças a uma campanha de propaganda de anos, inicialmente entre protestantes tradicionais, especialmente presbiterianos, e agora predominante nas grandes conferências evangélicas dos EUA, inclusive pentecostais. Em vista de que as mudanças na cultura evangélica dos EUA sempre afetam os evangélicos do Brasil, disponibilizo este artigo para ajudar o leitor brasileiro a tomar cuidado com a propaganda anti-Israel que estará vindo nos próximos anos da literatura evangélica americana. Há boa literatura evangélica pró-Israel nos EUA, mas infelizmente quase nada dela chega até os brasileiros e as editoras evangélicas do Brasil optam geralmente pelo lado mais liberal e esquerdista. Leia e divulgue este artigo entre líderes:
Uma mera década atrás, o sionismo cristão era visto como uma força emergente na política dos Estados Unidos. Como que saindo do nada, um bloco de cinquenta a cem milhões de amigos de Israel estava preparado para entrar no debate nacional e defender o relacionamento entre EUA e Israel por várias gerações futuras. O amor evangélico por Israel parecia tão sólido que o único debate dentro da comunidade judaica era se “aceitá-lo” ou não.
Primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu e o pastor pró-Israel John Hagee
Como as coisas mudam rapidamente. Os dias de certeza de apoio de evangélicos americanos a Israel já eram. À medida que eles são confrontados com um discurso favorável aos evangélicos, mas contrário a Israel, mais e mais desses cristãos estão se voltando contra o Estado judeu. [1]
Há um precedente preocupante para tal meia-volta. Havia um tempo — antes da guerra de 1967 — em que as principais denominações protestantes [presbiteriana, luterana, metodista, etc.] estavam entre os apoiadores americanos mais confiáveis de Israel. Os inimigos de Israel, pois, miraram essas denominações com mensagens favoráveis aos presbiterianos, luteranos e outros, mas contrárias a Israel. Há ainda muitos presbiterianos, luteranos e outros que apoiam Israel hoje. Mas no que se refere a Israel, as grandes denominações protestantes agem em parceria e bloco em boicotes. E o boicote delas é contra Israel, não o Irã.
Da mesma maneira, os cristãos palestinos e seus simpatizantes nos EUA estão vitoriosamente promovendo um discurso cujo objetivo é alcançar a nova geração de evangélicos e fazê-los se voltar contra Israel. Como consequência, mais líderes desta geração estão adotando a neutralidade no conflito enquanto outros estão se tornando críticos categóricos de Israel. A atitude de questionar o apoio cristão a Israel está rapidamente se tornando um jeito principal de evangélicos milenistas demonstrarem sua compaixão e independência política. Em resumo, essa população é alvo.

A mudança

Não há nada de novo acerca das campanhas para separar os evangélicos americanos de Israel. Muitos da facção anti-Israel vêm trabalhando há anos para fazer exatamente isso. Cristãos palestinos anti-Israel como Sami Awad e Naim Ateek viajam pelos EUA dizendo aos cristãos americanos como seus “irmãos e irmãs em Cristo” estão sendo oprimidos pelos judeus de Israel. Evangélicos esquerdistas como Jim Wallis, Tony Campolo e Serge Duss têm ecoado esse discurso em seu canto do mundo cristão. Brian e Matt, filhos de Duss, estão trabalhando com afinco para popularizar as opiniões de seu pai dentro dos campos de filantropia cristã e da elaboração das políticas do Partido Democrático [partido americano que é ideologicamente muito parecido com o PT do Brasil], respectivamente.
No entanto, até dois anos atrás, havia pouca razão para crer que esses indivíduos estavam influenciando os cristãos que estão fora de seus próprios restritos círculos. Quase todo líder evangélico importante que assumiu uma postura nessa questão se manifestou em apoio direto a Israel. Um mundo evangélico de centro-direita não estava simplesmente aceitando suas orientações políticas de adeptos da esquerda.
Essa situação está mudando dramaticamente. A cada mês que passa, mais evidências estão aparecendo de que esses cristãos anti-Israel estão conseguindo de forma eficaz alcançar evangélicos que não estão na esquerda. Eles estão agora influenciando a população evangélica em geral. De modo particular, eles estão penetrando o mundo evangélico em seu ponto fraco: a geração milenista. Esses jovens crentes (aproximadamente das idades de 18 a 30) estão se rebelando contra o que percebem como o excessivo literalismo bíblico e conservadorismo de seus pais. À medida que se esforçam com um vigor renovado para imitar a postura de Jesus a favor dos oprimidos e discriminados, eles querem decidir por si mesmos qual lado está sendo oprimido no conflito árabe-israelense.
Quem conseguir definir primeiro o conflito para esses jovens ganhará aliados para a vida toda.

Sobre as pesquisas de opinião pública e os documentários

Em outubro de 2010, o Forum Pew sobre Religião e Vida Pública conduziu uma grande pesquisa de opinião de líderes evangélicos que estiveram no 3º Congresso Lausanne de Evangelização Mundial na Cidade do Cabo, na África do Sul. Quando lhes fizeram a pergunta sobre com qual lado do conflito palestino-israelense eles simpatizavam, esses líderes responderam da seguinte forma:
Todos os evangélicos (do mundo inteiro)
Simpatizam com Israel: 34%
Simpatizam com os palestinos: 11%
Simpatizam com ambos igualmente: 39%
Evangélicos dos EUA:
Simpatizam com Israel: 30%
Simpatizam com os palestinos: 13%
Simpatizam com ambos igualmente: 49%
Essa pesquisa de opinião contém duas revelações chocantes. Mostra que apenas uma minoria dos evangélicos entrevistados simpatiza principalmente com Israel. E demonstra que os líderes evangélicos dos EUA têm na realidade menos inclinação para apoiar Israel do que os líderes evangélicos do mundo todo em geral.
Essas estatísticas podem significar que o apoio evangélico a Israel jamais foi tão universal quanto comumente se cria. Mas podem também demonstrar que anos de campanhas de corpo a corpo em cada igreja realizadas pelos críticos de Israel estavam começando a dar frutos mesmo antes de sua recente intensificação.
O ano de 2010 foi uma intensificação dramática nas campanhas para dividir os evangélicos americanos de Israel usando filmes. No período de um ano, não menos que três grandes documentários foram lançados atacando o apoio cristão a Israel. Claro que não foram os primeiros filmes anti-Israel a serem produzidos. O que tornou esses filmes especial foi que o foco deles era desacreditar o apoio cristão a Israel. Enquanto o filme “Waiting for Armageddon” (Aguardando o Armagedom) de First Run Features foi produzido e dirigido por uma equipe de documentaristas seculares, dois outros filmes — “With God on Our Side” (Com Deus do Nosso Lado) de Rooftop Productions, 2010, e “Little Town of Bethlehem” (Cidadezinha de Belém) de EthnoGraphic Media, 2010 — foram feitos por cristãos especificamente para cristãos. “With God on Our Side” foi produzido por Porter Speakman, ex-ativista da JOCUM (Jovens Com Uma Missão) [2] enquanto “Little Town of Bethlehem” foi financiado e produzido por Mart Green, presidente do conselho administrativo da Universidade Oral Roberts e herdeiro da fortuna das lojas de artesanatos Hobby Lobby.
Esses dois filmes feitos por cristãos são sofisticadas obras de arte para enganar, apresentando protagonistas persuasivos vagando devotamente por uma paisagem do Oriente Médio em que toda violência, agressão e rejeicionismo dos árabes foi magicamente apagado. Por isso, as medidas de segurança israelenses que eles encontram pelo caminho — desde o muro de segurança até a presença contínua de Israel na Margem Ocidental — são experimentadas como perseguições desconcertantes, que qualquer pessoa decente condenaria.
Mais recentemente, em novembro de 2013, outro documentário anti-Israel — “The Stones Cry Out” (As Pedras Clamam) — foi lançado. Como seus predecessores de 2010, esse documentário especificamente faz sob medida sua mensagem anti-Israel para uma audiência cristã. O site do filme lamenta: “De modo muito frequente, a cobertura que os meios de comunicação fazem do conflito na Palestina o retrata como uma luta entre muçulmanos e judeus.” A meta não muito sutil de “The Stones Cry Out” é fazer uma nova retratação do conflito como uma luta entre cristãos e judeus.
“The Stones Cry Out” começa com a história de Kfar Biram, uma vila cristã árabe na fronteira de Israel com o Líbano. Israel expulsou os residentes da vila em 1948 a fim de, nas palavras do site do filme, “abrir caminho para os colonizadores no estado recentemente criado de Israel.” O filme então trata da “expropriação da Margem Ocidental em 1967” e da situação difícil da moderna Belém, que está “cercada por um muro.” [3] Como tal linguagem deixa repetidamente claro, os produtores do filme não criaram uma crítica sutil das políticas de Israel. Eles produziram em vez disso uma moderna peça da Paixão.
Numa entrevista sobre o filme, Mitri Raheb, pastor de Belém, resume as mudanças que estão ocorrendo no mundo evangélico dos EUA:
Não é um caso sem esperança. A primeira vez que fui aos EUA em 1991, a maioria das pessoas que encontrei nada sabia sobre a Palestina. Isso mudou muito. Vejo entre os evangélicos americanos mais abertura aos palestinos. [4]
Raheb está certo sobre essa abertura. E isso pode ser uma boa coisa se levar a um exame honesto da questão. Infelizmente, Raheb e seus colegas estão tirando vantagem dessa abertura ao propagar um discurso unilateral da perseguição judaica aos cristãos. Isso pode semear muito ódio futuramente.

Sobre universidades e conferências

A campanha para deslegitimar Israel nas universidades dos EUA rapidamente avançou de algo periférico para algo comum. As campanhas de boicote contra Israel que miram tudo, desde fundos de pensão universitária até os produtos das lanchonetes, se tornaram muito conhecidas. Mas o que muitos observadores não compreendem é que a campanha para demonizar Israel está também sendo feita em universidades evangélicas dos EUA.
Talvez o exemplo mais preocupante venha da Faculdade Wheaton em Illinois, comumente mencionada como a “Harvard evangélica.” Alguns dos mais proeminentes líderes evangélicos dos EUA se formaram em Wheaton, inclusive o Rev. Billy Graham, o senador Dan Coats e Michael Gerson, ex-escritor de discursos de George W. Bush.
Wheaton também abriga Gary Burge, um dos mais proeminentes evangélicos anti-Israel dos EUA. Burge viaja pelos EUA e o mundo acusando Israel dos piores crimes e se engajando em zombarias ao judaísmo que beiram o antissemitismo. [5] Quando a entidade Cristãos Unidos por Israel (CUPI) anunciou planos de realizar um evento em Wheaton em janeiro de 2009, Burge partiu para a ofensiva. Os membros estudantis de CUPI sofreram pressões tão intensas que mudaram o evento para fora da faculdade: Não haveria nenhum evento pró-Israel na Harvard evangélica.
Outra grande instituição educacional evangélica nos EUA é a Universidade Oral Roberts (UOR), que tem profundas raízes cristãs conservadoras. O próprio Oral Roberts era um televangelista pentecostal e forte amigo de Israel. Alguns dos principais pregadores dos EUA se formaram na UOR, e seu conselho de administração já teve tais pastores pró-Israel como John Hagee, Kenneth Copeland e Bishop Keith Butler.
Mas as coisas estão mudando na UOR. O atual presidente do conselho administrativo da UOR é Mart Green, que foi mencionado acima. Ele teria “salvo” a UOR injetando 70 milhões de dólares. Em janeiro de 2013, o conselho administrativo da UOR elegeu Billy Wilson como novo presidente da universidade; poucos meses depois, Wilson foi escolhido como palestrante em 2014 na principal conferência cristã anti-Israel do mundo, a “Christ at the Checkpoint” (Cristo no Posto de Controle).
A Universidade Bethel em Minnesota fornece um exemplo adicional. Embora essa universidade não tenha a reputação nacional da Wheaton ou UOR, provavelmente representa mais a direção que as universidades evangélicas dos EUA estão tomando. Os líderes da Bethel não estão nem liderando nem financiando a campanha para deslegitimar Israel, mas são meramente o produto disso tudo. Como muitas universidades evangélicas, a Bethel frisa reconciliação racial e abertura cultural e tem assim desenvolvido numerosas oportunidades para seus estudantes estudarem no exterior. Em 2010, Jay Barnes, presidente da Bethel, e sua esposa Barb visitaram Israel e a Autoridade Palestina para explorar a possibilidade de fazer um programa de estudo no exterior ali. Durante a viagem, eles visitaram Belém e foram expostos ao discurso evangélico anti-Israel padrão. Como muitos outros americanos que viajam para lá, ao que tudo indica Barb Barnes aceitou a apresentação unilateral. Logo após sua volta, Barnes postou um poema no site da universidade que resumia os principais temas anti-Israel dessa viagem:
Um conflito inacreditável existe na terra do nascimento de Jesus. Creio que Deus está chorando.
O muro [6] lembra constantemente muitas liberdades perdidas. Creio que Deus está chorando.
Por mais de 60 anos, as pessoas têm vivido em pobreza nos campos de refugiado. Creio que Deus está chorando.
O apartheid se tornou um modo de vida. Creio que Deus está chorando.
Extrema distribuição desproporcional de recursos, como água, existe. Creio que Deus está chorando.
Centenas de vilas têm sido demolidas para dar espaço para assentamentos. Creio que Deus está chorando.
Violações de direitos humanos ocorrem diariamente. Creio que Deus está chorando.
A população cristã está diminuindo, pois muitos estão partindo para evitar perseguição. Creio que Deus está chorando. [7]
A visita dos Barnes motivou um estudo adicional que no final rendeu uma compreensão mais sutil. Em outubro de 2012, o presidente Barnes realizou um evento chamado “Esperança para a Terra Santa” na Bethel. O evento tinha um discurso unilateral, culpando Israel por tudo, e trouxe como palestrantes Sami Awad, Lynn Hybels e outros antigos críticos evangélicos de Israel.
Não é preciso ser um estudante para ser exposto a esses discursos anti-Israel. Em anos recentes, o número de conferências cristãs focando inteira ou parcialmente em criticar Israel vem crescendo, juntamente com o número de participantes.
Desde sua fundação em 1979, o Colégio Bíblico de Belém na Margem Ocidental vem sendo uma fonte principal de discursos cristãos anti-Israel. Em 2010, esse colégio lançou uma conferência que ocorre a cada dois anos chamada “Christ at the Checkpoint” (Cristo no Posto de Controle). O nome da conferência junto com uma foto do muro de segurança de Israel que forma seu lema apelam para a ideia cada vez mais propagandeada de que Jesus era um palestino que estaria sofrendo debaixo da ocupação israelense hoje tanto quanto ele sofreu debaixo da ocupação romana dois mil anos atrás.
Em 2010, a conferência reuniu 250 líderes cristãos e ativistas em Belém; em 2012, esse número foi mais que 600, inclusive tais líderes evangélicos populares como o Pr. Joel Hunter e Lynne Hybels, esposa do pastor de mega-igreja Bill Hybels, que desde então se tornou um dos principais críticos de Israel.
Os dias em que tínhamos de viajar até Belém para ouvir tais vozes anti-Israel terminaram. O discurso anti-Israel de “Christ at the Checkpoint” está agora sendo disseminado em grandes conferências cristãs nos Estados Unidos, inclusive os eventos organizados por Empowered21 e Catalyst.
Empowered21, a proeminente conferência de cristãos pentecostais e carismáticos, fornece um exemplo preocupante dessa tendência. [8] Sua liderança inclui famosos líderes pentecostais e carismáticos do mundo inteiro, inclusive muitos amigos de longa data de Israel. Entretanto, o principal crítico de Israel entre esses líderes, Mart Green, parece estar desempenhando um papel descomunal em acertar a agenda da conferência: Sua conferência de 2012 na Virgínia incluiu uma palestra de Sami Awad e uma exibição do filme de Green, “Little Town of Bethlehem” (Cidadezinha de Belém).
Empowered21 anunciou que realizará seu congresso mundial de 2015 em Jerusalém. Considerando as conexões da conferência com Sami Awad e Mart Green, há certo ceticismo se a intenção da escolha do local foi um sinal de solidariedade a Israel. Só o tempo dirá se a liderança dessa organização permitirá que a conferência se torne uma festa cujo único objetivo é criticar Israel.
Eventos preocupantes estão também acontecendo na conferência anual Catalyst. Inicialmente lançada em 1999, Catalyst rapidamente cresceu e hoje é o maior encontro de líderes evangélicos jovens dos Estados Unidos com mais de 100.000 líderes anualmente viajando para Atlanta para participar dessa conferência desde seu começo. Eventos adicionais de Catalyst estão agora sendo realizados na Florida, Texas e Califórnia.
No passado, Catalyst cuidadosamente evitava discussões acerca do conflito árabe-israelense. Em 2012, porém, Lynne Hybels foi convidada para dar a palestra “Pacificação em Israel/Palestina.” Ninguém falou nada sobre apresentar uma perspectiva pró-Israel. Como o jornalista Jim Fletcher observou depois de ir a Catalyst 2012:
Em dezenas de conversas casuais, notei que cristãos milenistas… expressavam solidariedade aos palestinos e raiva de Israel. Essa é uma mudança sísmica nas igrejas evangélicas dos EUA e uma ameaça grave a uma área que tradicionalmente sempre apoiou Israel. [9]
Além de dar palestras em grandes conferências, palestrantes anti-Israel como Burge, Awad, Hybels e Stephen Sizer fazem turnês nas igrejas dos EUA. O folheto de uma palestra de Burge de setembro de 2013 dá um senso do clima nesses eventos. [10] Intitulado “Sionismo Cristão: Um Problema com uma Solução,” o folheto inclui uma sequência de três mentiras que formam a base principal do novo antissionismo cristão:
Os sionistas em Israel criaram um estado que quer pureza racial. Muitos sionistas querem que os cristãos que nasceram em Israel partam de Israel. Os sionistas cristãos nos EUA apoiam Israel porque acreditam que isso acelerará a segunda vinda de Cristo.

Viagens a “Israel/Palestina”

Um número crescente de organizações está levando um número crescente de líderes, influenciadores e estudantes evangélicos para visitar “Israel/Palestina.” Essas viagens são muito comercializadas e buscam evangélicos das grandes denominações afirmando serem a favor tanto dos israelenses quanto dos palestinos — ou simplesmente “pró-pessoas” —, mas nunca anti-Israel. Contudo, essas viagens tendem a focar no sofrimento palestino e culpar apenas Israel por esse sofrimento.
O Grupo Telos, fundado em 2009 e financiado por George Soros[11], representa bem essas novas organizações. Dirigida por uma equipe inteligente que professa ter uma agenda moderada, Telos se promove como “uma das principais organizações do emergente movimento pró-Israel, pró-Palestina, pró-EUA, pró-paz dos EUA.” [12] Suas viagens levam os visitantes tanto a Israel quanto à Autoridade Palestina onde eles se encontram com israelenses e palestinos. O que poderia ser mais imparcial?
Entretanto, essas viagens são cuidadosamente calibradas para ensinar seus participantes que as políticas israelenses são a fonte do sofrimento israelense e árabe e a única barreira para a paz. Os palestrantes palestinos incluem críticos extremos de Israel tais como Mitri Raheb e o arcebispo Elias Chacour (ambos mostrados de forma proeminente no filme “The Stones Cry Out”). Os palestrantes israelenses, embora não sejam tão radicais, são defensores incondicionais da extrema Esquerda que de forma semelhante culpam Israel pelos problemas da região. Uma breve visita a um direitista israelense — geralmente um colono — faz mais para confirmar esse discurso unilateral do que desafiá-lo. Telos organiza aproximadamente quinze dessas viagens a cada ano. [13]
Outra chegada recente na cena é o Projeto de Imersão Global. Fundado em 2011, o projeto busca “cultivar pacificadores comuns por meio de imersão em conflito global.” [14] Mas até agora, o único conflito que eles estudam é o conflito entre Israel e palestinos, e as únicas viagens que fazem são para “Israel/Palestina.” Em 2014, eles têm dois “laboratórios de ensino” programados na Terra Santa.
Esses recém-chegados se juntaram a um antigo defensor irredutível do movimento, a Fundação Terra Santa. Fundada em 1998 pelo ativista cristão palestino Sami Awad, essa organização afirma promover soluções não violentas para o conflito com Israel. No entanto, Awad já declarou muito claramente em seu blog que a não violência “não substitui a luta armada. Esse não é um método de normalização com a ocupação [israelense]. Nossa meta é reviver a resistência popular até que toda pessoa se envolva no desmantelamento da ocupação [israelense].” [15] A Fundação Terra Santa promove uma versão fortemente tendenciosa da história na qual só Israel é culpado da ausência da paz. Essa fundação dissemina essa mensagem para os que visitam seus vários projetos de serviço, iniciativa de colheita de oliva e “Encontro de Verão na Palestina.” [16]

A divisão das gerações

Apesar desses avanços preocupantes, é improvável que uma geração mais velha de evangélicos americanos criada para apoiar Israel abandonará esse apoio em massa. A maior ameaça vem da geração de americanos mais jovens que nunca desenvolveu tais vínculos e parece bastante ansiosa para questioná-los. Há um perigo real de que esses ataques de filmes, conferências e universidades combinarão para criar uma mudança entre gerações no que se refere a atitudes para com Israel.
A maioria dos evangélicos que dominou o ativismo político cristão nas décadas passadas — homens como Jerry Falwell, Pat Robertson e Francis Schaeffer — eram apoiadores explícitos de Israel. Embora seus filhos compartilhem essa perspectiva, eles tendem a falar dela menos. Aliás, Frank, o filho de Francis Schaeffer, se tornou um crítico estridente da “influência, em grande parte sem oposição, do sionismo cristão.” [17]
Para piorar tudo, há um grupo de estrelas evangélicas jovens emergentes que fazem viagens a Israel e a Autoridade Palestina e depois voltam para promover a ideia de que seus irmãos evangélicos precisam se afastar do Estado judeu. Esse é um bando em grande parte muito bem vestido dedicado a comercializar o Cristianismo a uma geração cética tornando-o bacana, compassivo e menos descaradamente político. Questionar o apoio a Israel e expressar simpatia aos palestinos está rapidamente se tornando a marca registrada dessa turma.
Essa divisão entre gerações é destacada melhor pelo exemplo do empresário editorial cristão Steven Strang e seu filho Cameron. Steven Strang publica Charisma, uma das principais revistas evangélicas mensais dos EUA com uma perspectiva firmemente a favor de Israel. Ele tem também publicado obras de muitos escritores cristãos proeminentes, inclusive John Hagee, um defensor incondicional de Israel. Strang era, até recentemente, diretor regional de Cristãos Unidos por Israel. Seu filho Cameron publica Relevant, uma revista muito popular entre evangélicos milenistas, afirmando “alcançar cerca de 2.300.000 de cristãos entre as idades de 20 e 30 anos por mês” por meio de suas publicações impressas e online. [18]
Menos de uma década atrás, Relevant era tão pró-Israel quanto a Charisma. Em dezembro de 2005, por exemplo, Relevant publicou um forte artigo pró-Israel intitulado “Israel: Por Que Você Deveria se Importar.” Em 2006, Relevant me entrevistou para seu programa semanal de podcast, e a entrevista foi muito amistosa.
Então Lynne Hybels levou Cameron Strang para visitar Israel e os territórios palestinos, e tudo mudou. Durante a Operação Chumbo Fundido de 2008-2009 em Gaza, Relevant publicou um artigo intitulado “Será que Israel Está Sempre Certo?” em que o autor dispensou uma análise equilibrada de operações urbanas antiterrorismo para concluir: “Quando examino as escolhas de Israel como eu examinaria as escolhas de qualquer outra nação, me vejo pasmo que eles não estão fazendo mais para proteger os inocentes [em Gaza].” [19]
Quando Israel confrontou o Hamas de novo em novembro de 2012, Relevant publicou um artigo intitulado: “Como os Cristãos Devem Responder à Crise no Oriente Médio,” escrito por Jon Huckins, co-fundador do Projeto Imersão Global. O artigo foi um exercício prolongado de relativismo moral, comentando o sofrimento de cada lado sem atribuir culpa. Huckins nem uma vez criticou o Hamas, mas desferiu um ataque velado aos sionistas cristãos detonando a “resposta violenta e o racismo, a estereotipação odiosa [aos eventos em Gaza] sendo disseminados por cristãos.”[20]
A capa da edição de maio/junho de 2012 de Relevant destacou Donald Miller, autor do livro “Blue Like Jazz” (2003), best-seller no jornal New York Times, que virou filme em 2012. Em agosto de 2008, Miller fez a oração de encerramento da primeira noite da Convenção Nacional do Partido Democrático [um partido em grande parte abortista e homossexualista, semelhante ao PT do Brasil]. Ele é considerado uma estrela em ascensão entre os evangélicos de 20 anos de idade nos EUA que compõem muitos de seus 189.000 seguidores de Twitter. Miller visitou Israel e os territórios palestinos com Strang e desde então abraçou o discurso anti-Israel. Em 12 de novembro de 2012, Miller publicou em seu blog: “A Verdade Dolorosa sobre a Situação em Israel.”[21] Aí ele repetiu várias mentiras escandalosas acerca de Israel que provavelmente ele ouviu durante sua visita:
Em setembro um grupo de jornalistas e eu visitamos Israel e ficamos num monte que dá para um muro que separa Israel de Gaza. De nossa perspectiva, conseguíamos ver o território polêmico em que 1,6 milhão de palestinos foram encurralados e isolados do mundo exterior. Eles estão, em essência, presos.
Os muros erguidos ao redor da Margem Ocidental e de Gaza separam famílias de famílias. Muitas mães não verão seus filhos de novo. Milhões jamais voltarão aos lares que suas famílias haviam ocupado por centenas de anos… Milhares de estudantes palestinos em universidades americanas jamais verão suas famílias de novo.
Israel dá água fresca aos palestinos apenas uma vez por semana… Em Gaza, Israel também raciona sua comida, permitindo apenas determinada quantidade de calorias por ser humano.

A resposta

Congele o tempo, e o lado pró-Israel está ainda bem à frente na batalha pelos corações e mentes dos evangélicos dos EUA. Só uma organização pró-Israel, Cristãos Unidos por Israel, tem mais de 1,6 milhão de membros, filiais em mais de 120 faculdades e universidades, e patrocina trinta e cinco eventos pró-Israel nos EUA a cada mês.[22] Os cristãos anti-Israel não chegam nem perto de se comparar ao tamanho, atividade ou influência de CUPI.
Mas as tendências de longo prazo estão agora vindo em foco suficiente para discernir um desafio. Os cristãos anti-Israel estão com sorte. Embora sejam numericamente poucos, esses ativistas parecem receber muito dinheiro. Eles estão conquistando muito mais líderes e influenciadores para sua causa do que o lado pró-Israel. Embora esses sejam aliados criados recentemente, eles estão alcançando uma rede de evangélicos que não para de crescer nos EUA.
A ameaça não é que esses ativistas transformarão a maioria dos evangélicos americanos em odiadores de Israel. Eles nem precisam fazer isso. O perigo real é que eles ensinarão seus irmãos evangélicos um relativismo moral que os neutralizará. O dia em que Israel for visto como equivalente moral do Hamas será o dia em que a população evangélica americana — e por extensão os líderes políticos que ela ajuda a eleger — vão parar de dar a Israel qualquer apoio significativo.
Os que rejeitam tal simplista equivalência moral precisam levar essa ameaça a sério. Eles não podem deixar a população evangélica americana seguir o caminho dos líderes das grandes denominações protestantes dos EUA. Eles não devem esquecer que grandes mentiras precisam ser confrontadas cedo e muitas vezes. E eles não devem ignorar o fato de que os inimigos de Israel estão dizendo mentiras muito grandes para alguns cristãos muito influentes — e dizendo-as com muita eloquência.
David Brog, diretor-executivo de Cristãos Unidos por Israel, é o autor de In Defense of Faith: The Judeo-Christian Idea and the Struggle for Humanity (Encounter, 2010).
[1] O termo “anti-Israel” não se refere meramente a criticar Israel; quase todo cidadão israelense faz isso numa base diária. Seu uso aqui significa contar uma versão unilateral da história na qual só Israel é culpado pelo sofrimento palestino, tal como condenar frequentemente as medidas de segurança israelenses sem uma discussão séria da violência que os requer.
[2] JOCUM é um movimento popular de jovens evangélicos liderado por evangélicos tradicionais pró-Israel.
[3] “About the Film,” The Stones Cry Out website, filme de Yasmine Perni, acessado em 27 de janeiro de 2014.
[4] Graham Liddell, “New Documentary Challenges Evangelical Bonds with Israel,” Ma’an News Agency (Bethlehem), 30 de outubro de 2013.
[5] “Israeli Jews: The Impossible People at Christ at the Checkpoint,” CAMERA, Boston, 11 de abril de 2012.
[6] Israel's security fence.Muro de segurança de Israel.
[7] “Reflections on Our Trip to Israel,” Just Jay Blog, Universidade Bethel, St. Paul, Minn., 29 de junho de 2010.
[8] Os termos “pentecostal” e “carismático” se referem a dois ramos crescentes e coincidentes do mundo evangélico caracterizados por adoração animada, inclusive falar em línguas e outros “dons do Espírito” bem como uma tendência ao literalismo bíblico.
[9] Jan Markell, “When Social Justice Equals No Justice,” World Net Daily, 19 de outubro de 2012.
[10] Presentation by Abraham's Children, First Presbyterian Church, Wheaton, Ill., 23 de setembro de 2013.
[11] Alexander H. Joffe, “Bad Investment: The Philanthropy of George Soros and the Arab-Israeli Conflict,” NGO Monitor, Jerusalem, Maio 2013, p. 50.
[12] “Our Story,” Telos Group, Washington, D.C., accessado em 27 de janeiro de 2014.
[13] McKay Coppins, “New Evangelical Movement Seeks Split from Pro-Israel Line,” Buzzfeed, 14 de janeiro de 2014.
[14] “Curious what our Learning Labs are all about?” Global Immersion Project, Walnut Creek, Calif., 12 de setembro de 2013.
[15] Sami Awad, “Nonviolent Resistance: Wake up every day and ask yourself what you can do to resist the occupation,” Holy Land Trust, Belém, 23 de janeiro de 2007.
[16] “Travel & Encounter,” Holy Land Trust, Belém, accessado em 6 de fevereiro de 2014.
[17] Frank Schaeffer, “With God on Our Side—Christian Zionism Exposed,” The Huffington Post, 9 de novembro de 2010.
[18] “The Relevant Story,” Relevant (Winter Park, Fla.), accessado em 27 de janeiro de 2014.
[19] Ed Gungor, “Is Israel Always Right?” Relevant, 20 de janeiro de 2009.
[20] Jon Huckins, “How Should Christians Respond to the Middle East Crisis,” Relevant, 19 de novembro de 2012.
[21] Donald Miller, “The Painful Truth about the Situation in Israel,” Storyline Blog, Nov. 2012.
[22] Estatísticas compiladas por Cristãos Unidos por Israel, San Antonio, Fev. 2014.
Traduzido por Julio Severo do artigo do Middle East Forum: The End of Evangelical Support for Israel?
Leitura recomendada:

19 de março de 2014

Teologia anti-Israel: um erro mortal


Teologia anti-Israel: um erro mortal

Michael Brown
A ideia de que Deus não tem mais nada a ver com o povo judeu como nação e que a igreja substituiu Israel no plano de Deus não só é um sério erro teológico. É também um erro mortal.
Foi essa falsa teologia que ajudou a inflamar as chamas do ódio aos judeus num dos mais respeitados líderes da igreja primitiva, João Crisóstomo (347-407), que certa vez disse: “Deus odeia os judeus, e no Dia do Juízo dirá aos que simpatizam com eles: ‘Afastem-se de Mim, pois vocês têm relações com Meus assassinos’! Fujam, então, das reuniões deles, fujam das casas deles e tratem as sinagogas deles com ódio e aversão.”
Sem essa teologia falsa, as Cruzadas jamais ocorreriam 700 anos mais tarde.
Foi essa falsa teologia que ajudou a inflamar as chamas do ódio aos judeus no grande reformador Martinho Lutero (1483-1546), que deu este conselho aos governantes alemães de sua época: “Primeiro, incendeiem as sinagogas ou escolas deles… Segundo, aconselho que as casas deles sejam demolidas e destruídas… Em vez disso, eles poderiam morar debaixo de um telhado ou num celeiro, como os ciganos… Terceiro, aconselho que todos os livros de orações e escritos de Talmude deles, em que são ensinados tais idolatrias, mentiras, maldições e blasfêmias, lhes sejam tirados. Quarto, aconselho que os rabinos deles sejam proibidos de ensinar de agora em diante sob pena de perderam a integridade física.” (Para mais exemplos, leia meu livro em inglês “Our Hands Are Stained With Blood” [Nossas Mãos Estão Manchadas de Sangue].)
As palavras sanguinárias de Lutero foram implementadas por ninguém mais do que o próprio Adolf Hitler, começando na noite de 9 de novembro de 1938, que é chamada de Krystallnacht, a Noite dos Cristais Quebrados, quando, de acordo com o oficial nazista Reinhard Heydrich, “815 lojas [judaicas] foram destruídas, 171 casas foram incendiadas ou destruídas… 119 sinagogas foram incendiadas, e outras 76 foram completamente destruídas… 20.000 judeus foram presos, 36 mortes foram registradas e os feridos graves foram também contados em 36.”
Tudo isso foi consequência de uma teologia que estava totalmente errada ajudando a justificar ações mortais. (Os nazistas obviamente não eram cristãos, mas foram séculos de antissemitismo “cristão” na Europa que ajudaram a possibilitar o Holocausto.)
Sem dúvida, há cristãos excelentes hoje que adotam esse mesmo erro teológico (chamado de teologia da substituição ou supersessionismo, significando que a igreja substituiu ou suplantou Israel), e definitivamente eles não são antissemitas e jamais aprovariam a perseguição do povo judeu no nome de Jesus. E eles repudiam totalmente declarações de ódio como as que acabei de citar acima.
Mas o triste fato da história é que foi essa mesma teologia que abriu as portas para séculos de antissemitismo “cristão” no passado, e está ameaçando abrir essa porta horrível mais uma vez hoje.
Considerando a terceira conferência “Christ at the Checkpoint” (Cristo no Posto de Controle) que ocorreu recentemente na antiga cidade de Belém, onde questões como essas não foram apenas abstrações teológicas, é importante recordar como uma teologia errada leva a ações erradas.
De acordo com Atos 1, depois que os discípulos haviam passado 40 dias com Jesus depois de Sua ressurreição, falando com eles “sobre o Reino de Deus” (v. 3), Seus seguidores dedicados queriam Lhe fazer mais uma pergunta antes que Ele subisse ao céu.
Eles perguntaram: “Senhor, será este o tempo em que restaurarás o Reino a Israel?”
Ele respondeu: “Não vos compete saber as épocas ou as datas que o Pai estabeleceu por sua exclusiva autoridade. Contudo, recebereis poder quando o Espírito Santo descer sobre vós, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra!” (versículos 6-8, KJA)
Em outras palavras, essa é uma boa pergunta, e certamente faz sentido considerando tudo o que vimos tratando, mas a hora certa em que isso ocorrerá — quando Deus irá “restaurar o reino a Israel” — não é algo com que devemos nos preocupar neste momento. Precisamos nos concentrar em cumprir a Grande Comissão com a ajuda do poder do Espírito.
Mas não foi desse jeito que João Calvino interpretou a resposta de Jesus. Conforme o Dr. Paul R. Wilkinson comentou em seu livro em inglês “Understanding Christian Zionism” (Compreendendo o Sionismo Cristão), Calvino declarou que “‘havia tantos erros… quanto palavras na pergunta dos discípulos’ com relação à restauração de Israel. Isso, ele cria, mostrava ‘como eles eram péssimos estudiosos sob um Mestre tão bom,’ e portanto ‘quando ele [Jesus] disse, recebereis poder, ele os admoestou acerca da imbecilidade deles.’”
Wilkinson também comenta: “Na 5ª Conferência Sabeel Internacional em 2004 [que foi uma conferência antissionista], Mitri Raheb denunciou os discípulos como homens ‘de mente muito estreita,’ ‘nacionalistas’ e ‘cegos’ por fazerem tal pergunta.”
Para ser sincero, interpretações desse tipo não são nada mais do que bobagens exegéticas, colocando o texto bíblico de cabeça para baixo.
Por exemplo, se os discípulos tivessem dito a Jesus, “Senhor, é este o tempo para pegarmos espadas para decapitar nossos inimigos?” Ele não teria respondido: “Não vos compete saber as épocas que o Pai determinou para decapitardes. Concentrai-vos apenas na pregação do evangelho.”
Longe disso! Em vez disso, Ele os teria repreendido de forma muito clara.
Mas não é isso o que Ele fez nesse ponto, apesar do fato de que Suas palavras são constantemente interpretadas como se Ele tivesse dito: “Seus idiotas! Vocês não sabem que não quero mais nada com Israel? Vocês não sabem que a igreja substituiu Israel? Eu tenho estado com vocês há tanto tempo e vocês ainda não entendem?”
Em vez disso, Ele simplesmente lhes disse que não lhes competia saber o tempo exato em que o Pai restauraria o reino a Israel (algo que Jesus, Pedro e Paulo confirmaram; veja Mateus 19:28; Atos 3:19-21; Romanos 11:28-29; 15:8); a missão deles era serem testemunhas dEle.
Infelizmente, em nossa época, enquanto estamos vendo um número crescente de cristãos se voltando contra o moderno estado de Israel — e não quero dizer com isso simplesmente que eles estão criticando Israel quando Israel merece críticas, mas que eles estão rejeitando Israel como um cumprimento profético em todo sentido da palavra, também adotando a versão palestina de Israel como um ocupante maligno e afirmando que não resta nenhuma promessa ao povo judeu como nação — estamos vendo as sementes do ódio aos judeus sendo plantadas de novo no coração de muitos desses crentes. A hostilidade deles a Israel mal dá para esconder.
Cuidado, povo de Deus!
A história pode bem se repetir — para vergonha do nome de Jesus, para vergonha da igreja e para prejuízo espiritual e físico do povo judeu —, a menos que corrijamos nossa teologia.
Vocês foram avisados.
Traduzido por Julio Severo do artigo da revista Charisma: A Deadly, Anti-Israel Theological Error
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