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15 de maio de 2018

Documento do governo dos EUA que era extremamente secreto vem alimentando ataques e desinformação da esquerda sobre esforços brasileiros contra o terrorismo comunista na década de 1970


Documento do governo dos EUA que era extremamente secreto vem alimentando ataques e desinformação da esquerda sobre esforços brasileiros contra o terrorismo comunista na década de 1970

Julio Severo
O Globo, um dos jornais brasileiros mais proeminentes — numa proeminência geralmente esquerdista —, disse na semana passada:
“Um memorando feito pelo ex-diretor da CIA William Egan Colby em 11 de abril de 1974 e destinado ao então Secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger sugere como o ex-presidente Ernesto Geisel soube e autorizou a execução de centenas de opositores políticos durante a ditadura militar no Brasil.”
A Folha de S. Paulo, outro jornal brasileiro com uma proeminência geralmente esquerdista, disse:
“Um documento secreto de 1974 liberado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos afirma que o ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) aprovou a continuidade de uma política de ‘execuções sumárias’ de adversários da ditadura militar.”
Toda a esquerda brasileira está se deliciando com as informações disponibilizadas no site do Departamento de Estado dos EUA.
Presidente Ernesto Geisel
No entanto, o que O Globo chamou de “opositores políticos” inocentes, o Departamento de Estado dos EUA chamou de “os subversivos e terroristas mais perigosos.”
Então, qual é o problema do regime militar brasileiro executando os subversivos e terroristas mais perigosos?
Todos esses terroristas eram comunistas. Eles não estavam envolvidos em atividades políticas inocentes. Eles estavam envolvidos em assassinatos, assaltos a bancos e muitos outros crimes violentos. Acima de tudo, eles estavam matando para estabelecer no Brasil uma ditadura comunista.
Existe uma diferença enorme. Enquanto os regimes comunistas ao redor do mundo — inclusive a União Soviética, China e Cuba — estavam matando a torto e direito qualquer um que se opusesse pacificamente à sua ditadura, os militares brasileiros não matavam aleatoriamente pessoas não envolvidas em atividades terroristas.
O que o documento do Departamento de Estado disse?
“[O diretor da CIA William] Colby relatou que o presidente [Ernesto] Geisel planejava continuar a política de [ex-presidente] Médici de usar meios extralegais contra subversivos, mas limitaria as execuções aos subversivos e terroristas mais perigosos.”
Essa informação era extremamente sigilosa. Por que agora está disponível livremente para os esquerdistas vandalizarem um evento desagradável, mas necessário?
Não há problema em limitar as execuções aos subversivos e terroristas mais perigosos. Se não tivessem sido executados, esses subversivos e terroristas perigosos derrubariam o governo brasileiro e não limitariam quaisquer de suas execuções: eles executariam toda e qualquer pessoa, inclusive os cidadãos mais inocentes.
A violência desses terroristas não estava poupando nem mesmo americanos:
* “Em outubro de 1968 a VPR [Vanguarda Popular Revolucionária, uma organização marxista] elevou as apostas ao assassinar o capitão do Exército dos EUA Charles [Rodney] Chandler quando ele colocou os pés para fora de sua casa em São Paulo. Chandler estava fazendo cursos universitários (na altamente conservadora Universidade Mackenzie) como parte de seu treinamento para ensinar português em West Point.” (Thomas E. Skidmore, The Politics of Military Rule in Brazil, 1964-1985 [A Política do Regime Militar no Brasil, 1964-1985] [Oxford University Press, 1990], página 87.)
* Charles Burke Elbrick, embaixador dos EUA no Brasil, foi sequestrado e mantido cativo durante quatro dias em setembro de 1969.
Portanto, não há razão para defender os subversivos e terroristas mais perigosos, como a imprensa brasileira está fazendo. Tratar os subversivos e terroristas mais perigosos como meros opositores políticos é pisar no sangue de suas vítimas. Como diz o velho ditado, aquele que salva os lobos sacrifica as ovelhas.
O que mais o Departamento de Estado disse?
“O Departamento [de Estado] informou a Embaixada [dos EUA no Brasil] que, dado o rápido desenvolvimento econômico do Brasil e a hostilidade do Congresso [dos EUA] ao prosseguimento indefinido de programas de assistência, a assistência bilateral (com exceção de narcóticos e assistência de planejamento familiar) seria eliminada.”
Essa informação era extremamente sigilosa. Sua data era 18 de maio de 1973.
Por que o governo dos EUA estava tão empenhado em não eliminar sua “assistência de planejamento familiar” para o Brasil?
Mencionado com destaque no documento divulgado está Henry Kissinger, então secretário de Estado, que estava muito preocupado com os assuntos brasileiros. Kissinger também foi, com a CIA, responsável pelo NSSM 200 (Memorando de Estudo de Segurança Nacional 200). É também chamado de Relatório Kissinger, e foi elaborado durante o governo republicano de Richard Nixon.
O assunto do NSSM 200 era “Implicações do Crescimento da População Mundial para a Segurança e Interesses Externos dos EUA” e trata o crescimento da população brasileira como uma ameaça ao acesso dos EUA aos recursos naturais brasileiros.
O NSSM 200 identifica o Brasil como um dos principais alvos das políticas de controle populacional dos EUA, as quais incluíam a integração dos serviços de saúde para planejamento familiar e doutrinação.
Uma grande vitória do NSSM 200 foi integrar o planejamento familiar nos serviços de saúde. Antes do NSSM 200, o planejamento familiar (que é um eufemismo para o controle populacional) não era assistência médica e não estava integrado nos serviços de saúde. Sua integração foi uma vitória do controle de população do governo Nixon, um governo republicano obcecada em reduzir a população mundial e que, não surpreendentemente, viu o aborto sendo legalizado debaixo dos narizes dos republicanos.
Outras medidas fortes implementadas diretamente do NSSM 200 foram doutrinação de que o tamanho ideal da família era de 2 filhos e que as mulheres deveriam ser “encorajadas” ou até mesmo empurradas a trabalhar fora de casa, exatamente para dificultar o nascimento de bebês.
Enquanto o governo brasileiro estava trabalhando para executar os subversivos e terroristas mais perigosos — uma medida necessária que não desagradaria a nenhum homem e mulher decentes —, o governo dos EUA estava trabalhando para “executar” novas gerações de brasileiros através do controle populacional sorrateiro com a intenção de reservar recursos naturais brasileiros não para a próxima geração de brasileiros, mas para a próxima geração de americanos.
Enquanto isso, a mesma mídia esquerdista brasileira que tem sido cuidadosa em não chamar os comunistas ativamente envolvidos em violência e ataques terroristas de subversivos e terroristas comunistas perigosos tem sido igualmente cuidadosa em não expor e atacar os esforços de controle populacional do governo dos EUA.
O documento do Departamento de Estado disse:
“Crimmins informou ao Departamento [de Estado] que o acordo Brasil-Alemanha sobre cooperação nuclear refletia o desejo do Brasil de maior status de potência. O embaixador concluiu que, se o Brasil se tornasse uma potência nuclear, isso prejudicaria seus laços com os Estados Unidos.”
Se o Brasil deseja uma coexistência pacífica com os Estados Unidos, não pode alcançar um status importante de potência. Eu sei disso porque em 2008 o profeta americano Chuck Pierce profeticamente disse para mim e para um grupo de líderes cristãos brasileiros que se o Brasil apoiasse Israel, Deus elevaria o Brasil como uma potência e o resultado seria inveja e oposição dos Estados Unidos. Você pode ler minha reportagem completa aqui. Atualmente, como nação que não respeita Israel, o Brasil não merece se tornar uma potência.
O documento do Departamento de Estado disse:
“A Embaixada [dos EUA] comentou sobre a eleição de Geisel como presidente, observando que o retorno ao governo representativo prometido pelo regime de Médici não havia ocorrido.”
Eu apoio, no contexto dos EUA, o governo representativo para os EUA, porque suas instituições são fortes. Mas no contexto brasileiro da década de 1970, quando as instituições brasileiras estavam seriamente ameaçadas por ações subversivas e armadas de comunistas financiados por ditaduras comunistas estrangeiras, um governo representativo, pacífico e democrático para combater a violência comunista armada e a guerrilha seria suicídio nacional. Os próprios comunistas exigiam “governo representativo,” como se quisessem democracia. No contexto brasileiro, o governo representativo seria um trampolim para o caos e revolução comunista.
Mesmo assim, o governo dos EUA estava preocupado com a falta de tal governo representativo, apesar de nunca ter pressionado de forma alguma seu grande aliado, a ditadura islâmica da Arábia Saudita, a ter um governo democrático.
O documento do Departamento de Estado disse:
* “[O embaixador americano no Brasil] Crimmins discutiu as perspectivas de liberalização política no Brasil. Ele concluiu que seria uma fonte contínua de dificuldades para o governo de Geisel.”
* “Crimmins sugeriu possíveis tópicos para a futura viagem de Kissinger ao Brasil. Especificamente, o embaixador solicitou que o secretário [de Estado] tocasse com Geisel no assunto da liberalização política, em particular violações dos direitos humanos.”
* “Crimmins sustentou que é improvável que os programas de assistência direta do governo dos EUA pudessem ser usados para mitigar os abusos dos direitos humanos, mas que os esforços regionais de assistência poderiam ser eficazes.”
* “O embaixador Crimmins relatou as medidas tomadas pela Embaixada para enfatizar para as autoridades brasileiras a preocupação do governo dos EUA com relação a abusos de direitos humanos.”
* “O Departamento instruiu a embaixada a entregar uma diligência ao chanceler Silveira para informá-lo da preocupação do Congresso [dos EUA] com as violações dos direitos humanos.”
* “No telegrama 45319 para todos os postos diplomáticos, 25 de fevereiro, o Departamento solicitou informações e análises sobre violações dos direitos humanos em países que recebiam desenvolvimento econômico ou assistência militar dos EUA.”
* “A embaixada recomendou que um convite para que o diretor do Centro de Inteligência do Exército Brasileiro visitasse os Estados Unidos fosse adiado à luz das preocupações com os direitos humanos e a Operação Condor.”
O que chama a atenção nessa comunicação, sob um governo republicano e conservador nos EUA, é que todo o documento do Departamento de Estado dos EUA não contém nenhuma expressão de preocupação com abusos de direitos humanos cometidos por terroristas comunistas contra cidadãos brasileiros. Não existe essa preocupação por parte de Henry Kissinger, o embaixador dos EUA no Brasil, a CIA e no Departamento de Estado.
Como poderia o governo militar brasileiro lidar democraticamente com os terroristas comunistas, que já estavam cometendo todo tipo de violência, sem “abusos” contra os direitos humanos deles?
Enquanto o governo militar brasileiro estava lidando com comunistas — que com os muçulmanos são, por excelência, abusadores de direitos humanos —, o governo dos EUA estava criticando o governo brasileiro por abusos de direitos humanos contra os comunistas. O Departamento de Estado dos EUA tinha dúvidas de que os comunistas buscavam estabelecer no Brasil uma ditadura de abuso de direitos humanos contra a população brasileira?
Quero deixar bem claro que, como evangélico, entre o governo militar brasileiro antiisraelense e o governo dos EUA pró-Israel, eu preferiria o governo dos EUA. Mas entre os comunistas revolucionários decididos a derrubar o governo brasileiro e o governo militar brasileiro, o que os cidadãos brasileiros inocentes deveriam escolher?
Posso entender hoje o governo Obama preocupado com os abusos dos direitos humanos do governo militar brasileiro na década de 1970, mas não consigo entender como o mesmo governo republicano conservador de Nixon que tolerou todos os tipos de abusos de direitos humanos na Arábia Saudita reclamando do governo militar brasileiro não respeitando os direitos humanos dos terroristas comunistas.
O Partido Republicano e seu governo de Nixon não foram bondosos e justos com o Brasil na década de 1970. Não estou defendendo tudo o que foi feito pelo governo militar sob o comando do general Ernesto Geisel, o presidente luterano. Aliás, foi o primeiro presidente protestante do Brasil.
O documento do Departamento de Estado também disse:
“No telegrama 43532 para todos os postos diplomáticos, 26 de fevereiro, o Departamento informou aos postos em países que estavam recebendo assistência de segurança dos EUA de que ‘os fatores de direitos humanos devem, sob a política existente do Departamento de Estado, ser cuidadosamente considerados no planejamento e execução de nossos Programas de Assistência de Segurança.’ (Ibid., D750069–0367) Crimmins tocou no assunto dos casos de Kucinski e Wright em uma reunião com Araújo Castro em 25 de abril. (Telegrama 7073 de Brasília, 14 de agosto; ibidem, D750281-0294).”
Provavelmente, Crimmins quis dizer Paulo Stuart Wright, nascido no Brasil de pais missionários americanos. Wright era um político brasileiro ativamente engajado em atividades socialistas. O governo militar brasileiro o fez “desaparecer.” Seu irmão era Jaime Nelson Wright, um pastor presbiteriano ativamente engajado na propaganda socialista, especialmente no Evangelho Social (conhecido no Brasil como Teologia da Missão Integral). Mesmo não estando envolvido em violência armada, sua propaganda apoiava os comunistas envolvidos em tal violência.
Como evangélico conservador, não apoio a militância política esquerdista de Wright e igualmente não apoio o que o governo militar brasileiro fez com ele. Embora a violência armada seja combatida com uma resposta armada, propagandas ruins são combatidas com propagandas melhores — principalmente o Evangelho, que é suficiente para combater o socialismo ateísta ou “cristão.” Se Wright estava envolvido apenas em propaganda socialista, não em violência armada, o governo deveria ter encontrado outra maneira de lidar com ele. Jaime Wright, que se tornou um defensor dos direitos humanos dos socialistas brasileiros, foi fundamental para pressionar o governo dos EUA a fazer o governo brasileiro prestar contas pelo desaparecimento de seu irmão. Ele foi bem-sucedido em tal pressão apenas porque seus pais eram americanos.
Ambos Wrights poderiam ter evitado muito sofrimento pessoal se, em vez de se ocuparem com ativismo socialista, eles tivessem se ocupado só com a missão de pregar o Evangelho, curar os enfermos e expulsar demônios no nome de Jesus.
Mas, novamente, se o governo dos EUA podia tolerar a Arábia Saudita, campeã de abusos dos direitos humanos, por que não tolerar os abusos menores no Brasil?
No contexto dos EUA, com muitas igrejas evangélicas influenciando o governo dos EUA, era possível combater o comunismo com a democracia. Mas no contexto brasileiro, era impossível combater o comunismo com a democracia.
Eu entendo o Partido Democrata e seus governos socialistas de Carter, Clinton e Obama não sendo bondosos e justos com a luta brasileira contra os terroristas comunistas. Mas por que o Partido Republicano e seu governo de Nixon foram igualmente injustos?
Por que o Partido Republicano e seu governo de Nixon se preocupavam com os abusos dos direitos humanos dos subversivos e terroristas comunistas no Brasil?
Agora, a esquerda brasileira está usando as queixas do governo Nixon, disponibilizadas no site do Departamento de Estado dos EUA, como confirmação de que o governo militar brasileiro cometeu abusos de direitos humanos contra os comunistas.
Isso é de longe um dos maiores desserviços do governo dos EUA para a luta anticomunista no Brasil. O outro grande desserviço foi a campanha de controle populacional dos EUA, lançada por um governo republicano, para mirar a população brasileira para redução e doutrinação.
Confesso que fui vítima dessa doutrinação, sendo ensinado que o controle da natalidade e o planejamento familiar são um direito humano — assim como o NSSM 200 ensina. Mas depois de contato com Mary Pride (especialmente seu excelente livro, “The Way Home,” publicado pela Crossway Books em 1985) e o Dr. Paul Marx, o fundador da Human Life International, entendi que minha mentalidade pró-controle de natalidade era um resultado da doutrinação de controle populacional iniciada há muito tempo no Brasil por um governo republicano dos EUA e seu NSSM 200.
Meu primeiro contato com Paul Marx foi através de Last Days Ministries (Ministérios dos Últimos Dias) em 1986. Eu já tinha contato com Last Days Ministries, de Keith Green, sendo muito abençoado por sua literatura evangelística, devocional, inspiradora e pró-vida. Ao ler sua literatura pró-vida, tornei-me totalmente pró-vida e pedi sua ajuda para denunciar uma clínica de aborto ilegal no Brasil. Como Last Days Ministries não tinha escritório no Brasil, eles me deram o contato de Paul Marx, cuja Human Life International tinha contatos católicos no Brasil. Embora, no final das contas, esses contatos não pudessem me ajudar a fechar a clínica de aborto em São Paulo, minha mãe e eu pudemos fazê-lo.
Por revelação do Espírito Santo, fomos divinamente advertidos a não denunciar à polícia local, que de alguma forma estava ligada à clínica. Uma delegacia de polícia de outra região foi contatada.
Agradeço a Deus que há americanos que lutam arduamente para educar as pessoas em todo o mundo sobre os males que o governo dos EUA, de presidentes republicanos e democratas, faz contra outras nações através de seus esforços sorrateiros de controle populacional.
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20 de julho de 2017

Vitória para Putin: Trump encerra projeto da CIA que armava rebeldes islâmicos na Síria


Vitória para Putin: Trump encerra projeto da CIA que armava rebeldes islâmicos na Síria

Julio Severo
O presidente Donald Trump está encerrando um projeto secreto da CIA que entregava armas para os rebeldes islâmicos na Síria — um projeto que o presidente russo Vladimir Putin há anos acusa de ser ilegal.
O projeto recrutava militantes islâmicos, que a CIA dizia eram “moderados,” treinando-os e armando-os para derrubar o presidente sírio Bashar al-Assad.
O projeto foi lançado em 2013 por iniciativa da então secretária de Estado Hillary Clinton durante o governo de Barack Obama.
Ao encerrar o projeto, o governo de Trump está atendendo a uma reivindicação do governo russo, que despachou tropas em 2015 para ajudar o governo de Assad, que estava lutando em duas grandes frentes de batalha: contra o implacável ISIS e contra os rebeldes islâmicos de Obama.
“Se for verdade — e espero que não seja — seria uma capitulação completa para Assad e a Rússia,” disse decepcionado o senador republicano neocon Lindsey Graham.
Outro senador republicano neocon, John McCain, detestaria o que eles estão chamando de “capitulação de Trump.” No entanto, agora diagnosticado com câncer no cérebro, McCain, que está com 80 anos e não apoiou a eleição de seu colega republicano Trump, muito pouco pode fazer para pressionar Trump e avançar sua ideologia neocon, que foi o pior câncer da vida dele.
McCain foi o principal apoiador das intervenções do governo de Obama na Síria, especialmente para armar os rebeldes islâmicos. Ele chegou a ser louvado pelo ISIS.
O ataque que o governo americano cometeu contra o governo sírio em abril ocorreu depois que Trump capitulou para os neocons, especialmente McCain. Esse ataque, que foi elogiado por muçulmanos sírios, foi condenado por cristãos sírios e também por grandes apoiadores de Trump, especialmente a escritora Ann Coulter.
Autoridades do governo americano disseram que o encerramento do projeto secreto da CIA é parte dos esforços de Trump de melhorar as relações com o governo russo e um reconhecimento de que armar os rebeldes islâmicos já não tem tanta chance de êxito agora que Assad consolidou seu poder, com a ajuda da força aérea da Rússia.
Em 2015, Putin criticou o projeto da CIA como ilegal.
“Em minha opinião, dar equipamento militar para grupos ilegítimos viola os princípios das leis internacionais e da Carta da ONU,” Putin disse. “Apoiamos apenas governos legítimos.” Ele disse que o único exército legítimo na Síria era o exército de Assad.
Trump vem buscando melhores relações e negociações com a Rússia. Os dois presidentes tiveram uma reunião oficial em Hamburgo, na Alemanha.
Na terça-feira de noite, a Casa Branca confirmou que Trump e Putin tiveram também um segundo encontro, secreto, durante um jantar do G20.
O jornal New York Times relatou que o encontro durou uma hora.
Com informações do DailyMail.
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17 de fevereiro de 2017

O presidente do Prêmio Nobel da Paz, o “império dentro do império” e o Trump imprevisível


O presidente do Prêmio Nobel da Paz, o “império dentro do império” e o Trump imprevisível

William J. Murray
Comentário de Julio Severo: Depois que o artigo de Murray foi publicado nos EUA, houve mais um sinal de que o “império dentro do império” voltou a dominar: Trump enviou o diretor da CIA para premiar a Arábia Saudita por “combater o terrorismo islâmico,” sendo que a Arábia Saudita é o maior financiador do terrorismo islâmico mundial. Meu artigo em inglês foi publicado em sites dos EUA e Austrália. Você pode ler a versão em português aqui: “CIA premia Arábia Saudita por combater o terrorismo islâmico.” Mesmo sem essa informação, o artigo do Murray é importantíssimo para você entender quem manda na política externa americana, e tudo indica que o império dentro do império está vencendo e dominando Trump. A seguir, a matéria completa de Murray:
Em 20 de janeiro, o Presidente Barack Hussein Obama deixou a Casa Branca depois de oito anos totais de aventuras militares que incluíram a derrubada dos governos de várias nações soberanas, inclusive um governo que foi democraticamente eleito. No final de seu segundo mandato, o presidente Obama havia despachado tropas americanas para combater em mais nações do que qualquer outro presidente desde Franklin Roosevelt — com a única diferença, é claro, de que Roosevelt estava defendendo as liberdades dos americanos, algo que Obama não fez.
Logo depois de sua eleição, durante sua turnê mundial que muitos apelidaram a “turnê das desculpas,” Obama fez este comentário na Universidade do Cairo em 4 de junho de 2009: “Então os EUA se defenderão, respeitando a soberania das nações e o Estado Democrático de Direito. E faremos isso em parceria com as comunidades muçulmanos que são também ameaçadas.”
Menos de um ano e meio mais tarde, a CIA estava armando “militantes” para derrubar o governo da Líbia. A secretária de Estado Hillary Clinton liderou o ataque para Obama derrubar o ditador de longa data daquela nação, Muamar Kadafi. Isso aconteceu depois que Kadafi havia voluntariamente entregue aos Estados Unidos suas “armas de destruição em massa,” as quais consistiam de armas químicas, e havia se aliado aos Estados Unidos.
Durante a revolta líbia patrocinada pelos Estados Unidos sob Obama e dirigida por Hillary, todos os agentes da al-Qaeda que haviam sido presos por Kadafi foram soltos. A guerra civil que a CIA predisse que duraria apenas alguns dias começou em fevereiro de 2011. Kadafi foi capturado e morto por tropas ligadas à al-Qaeda apoiadas e armadas pela CIA em outubro de 2011. Apesar da predição de “poucos dias” da CIA, a guerra civil ainda prossegue cinco anos depois. A Líbia é um ninho de terrorismo, com o Estado Islâmico controlando alguns de seus territórios. No total, há seis regiões controladas por forças diferentes, todas hostis umas às outras.
Em sua primeira visita à Líbia em 2011, enquanto havia ainda luta e Kadafi ainda estava vivo e liderando suas tropas, Hillary fez esta declaração:
“Primeiramente, desejo oferecer no nome dos Estados Unidos, no nome do povo e do governo americano, nossas congratulações, nossos melhores votos ao povo líbio pelo que, mediante muitas dificuldades, sacrifício e coragem, eles alcançaram em abrir a porta para um futuro mais promissor para a Líbia depois de 42 anos da ditadura de Kadafi.”
O “futuro promissor” que Obama e Hillary deram foi a destruição de quase toda a infraestrutura da Líbia, com energia elétrica esporádica na maioria das cidades e um constante estado de guerra civil que vem trazendo bombardeios aéreos de Benghazi mesmo recentemente.
Planos causadores de caos ainda maiores foram entregues a Obama, e ele os aceitou. Sob ordens do presidente que ganhou o Prêmio Nobel da Paz, armas do arsenal de Kadafi foram enviadas pela CIA para a Síria para apoiar a guerra civil iniciada pela Arábia Saudita na primavera de 2011.
A Arábia Saudita é a capital do terrorismo apoiado por muçulmanos sunitas no mundo hoje. Os dois atentados ao World Trade Center foram financiados por gente da Arábia Saudita. Os membros da família real saudita acham que é dever deles eliminar os muçulmanos xiitas, os judeus e finalmente os cristãos, para obter a dominação mundial para o islamismo sunita. A Síria é uma nação de Estado laico, mas a maioria da população é sunita. Assim, era natural durante os tumultos da “Primavera Árabe” que a Arábia Saudita financiasse uma revolta sunita contra o governo de Estado laico do Partido Baath do presidente Bashar al-Assad. A revolta armada começou em abril de 2011.
Os sauditas receberam garantias da CIA de que a avaliação deles estava correta, e que dentro de alguns dias depois da revolta a maioria do exército sírio desertaria e combateria al-Assad junto com seus irmãos sunitas.
Isso foi seis anos atrás. A revolta patrocinada pelos sauditas estava fracassando de forma deplorável, de modo que o “presidente americano da paz,” o ganhador do Prêmio Nobel, autorizou a desastrosa “Operação Vulcão em Damasco” da CIA em julho de 2012. Vulcão em Damasco seguiu o modelo da invasão da Baía dos Porcos em Cuba autorizada pelo presidente John Kennedy em abril de 1961. A mesma premissa e o mesmo fracasso.
Como com a invasão da Baía dos Porcos, Vulcão em Damasco teve como parte mais importante a ideia falha de que uma incursão armada faria com que os cidadãos “reprimidos” se levantassem e se revoltassem. Eles realmente se levantaram em Damasco, exatamente como os cubanos em 1961 — para combater os invasores apoiados pela CIA e não para ajudá-los. Agentes da CIA e milhares de mercenários pagos acabaram encurralados num bolsão de um subúrbio de Damasco. Para salvar os mercenários, a mídia tratou da “descoberta” de um ataque de armas químicas, dando a Obama e aos aliados europeus uma desculpa para fazer bombardeios para ajudar os mercenários a escapar. Quando a Inglaterra recuou, o plano de fazer bombardeios na Síria para salvar os “rebeldes” se desintegrou e Obama desistiu. Essa foi sua “linha vermelha.”
A destruição do governo de Estado laico da Síria não ocorreu depois de “alguns dias” ou “algumas semanas,” conforme a CIA havia prometido, apesar de que Hillary recitava continuamente que “os dias de Assad estão contados” enquanto viajava o mundo recebendo doações para a Fundação Clinton.
Mas o “presidente americano da paz” não estava terminado ainda. Simultaneamente com a revolta síria, Obama apoiou a destituição do governo de Estado laico do Egito e a implantação da Irmandade Muçulmana. Até o envolvimento dos Estados Unidos em 2011, o Egito tinha uma lei rigorosa de que nenhum partido com base religiosa podia ter candidatos concorrendo a cargo. O motivo era óbvio: logo que um partido islâmico ganhasse a maioria, não haveria mais eleições livres. No final de 2011, a Irmandade Muçulmana havia assumido o controle e uma nova constituição consagrando a xaria, a lei islâmica, estava em vigor.
Em 2013 o povo egípcio estava cansado do governo sancionado pela Irmandade Muçulmana de Obama, e eles foram às ruas exigindo intervenção militar, que ocorreu e colocou o país de novo na rota de um Estado mais laico. Lamentavelmente, muitas igrejas foram destruídas e cristãos mortos antes que o golpe militar restaurasse a ordem. Contudo, a Irmandade Muçulmana, proscrita mais uma vez no Egito, esteve provavelmente por trás de um ataque a bomba a uma igreja que matou 25 pessoas em dezembro de 2016, embora o Estado Islâmico oficialmente tomasse crédito pela explosão.
Essas revoltas de muçulmanos sunitas apoiadas por Barack Obama — o presidente da paz — levaram diretamente ao estabelecimento do Estado Islâmico e à matança em massa de cristãos na Síria e Iraque. O que simboliza muito o que Obama realizou foi a fotografia famosa da decapitação de 21 trabalhadores cristãos coptas egípcios numa praia na Líbia em 2015. Praticamente todas as nações civilizadas do mundo (excluindo a Arábia Saudita, é claro) declararam o Estado Islâmico culpado de genocídio de cristãos na Síria e Iraque.
Entretanto, a CIA de Obama nunca parou de fornecer armas às gangues de muçulmanos sunitas na Síria.
O presidente do Prêmio Nobel da Paz dos EUA não havia acabado. A CIA e suas organizações associadas, a Fundação Nacional para a Democracia (FND), tem a Europa em seus sites. A CIA havia decidido que a base naval russa em Sevastopol no território da Crimeia, na Ucrânia, poderia se tornar uma grande base naval no Mar Negro para os Estados Unidos, se o governo ucraniano cancelasse o arrendamento da base naval para a Rússia, e a concedesse aos Estados Unidos. Por isso, a Ucrânia recebeu acordos lucrativos especiais com a União Europeia e os Estados Unidos se jogasse fora todas as ligações com a Rússia. O presidente ucraniano pró-Rússia disse “Não.”
Imediatamente, grupos “pró-democracia” financiados pela FND inundaram as ruas da capital ucraniana com pessoas, e um impasse armado resultou que viu o presidente democraticamente eleito fugindo para salvar a vida. Uma nova constituição foi escrita que garantiu que a parte leste da Ucrânia, a qual tem ligações étnicas e linguísticas com a Rússia, seria isolada e teria pouca representação.
Quando o governo democraticamente eleito da Ucrânia caiu, Carl Gershman, diretor da FND, declarou sua queda como seu “maior prêmio.” O Congresso dos EUA continua a encher a FND com 100 milhões de dólares por ano para desestabilizar a Rússia e outras nações com as quais os Estados Unidos têm diferenças políticas.
Em determinado momento, Obama enviou o porta-avião USS George H.W. Bush ao estreito de Bósforo, se dirigindo ao Mar Negro, que a Rússia vê como estratégico para sua própria existência.
A Rússia respondeu simplesmente anexando a Crimeia. A Crimeia havia sido parte da Rússia por mais de 200 anos e só a tinha concedido à Ucrânia por duas décadas para propósitos administrativos enquanto a Ucrânia era uma república soviética. A Rússia estava preparada para lutar por sua base naval de águas quentes na Crimeia e, se necessário, usar armas nucleares.
Lembra-se da turnê de desculpas? Obama disse ao mundo que os jeitos “imperialistas” dos Estados Unidos estavam terminados. No final de seu segundo mandato ele envolveu tropas armadas americanas no Afeganistão, Iraque, Síria, Líbia, Iêmen e Somália, além de ter assessores militares na Ucrânia, que estava agora combatendo um movimento separatista de cidadãos de língua russa.
No dia em que deixou a presidência, “o presidente da paz” tinha a maioria das tropas de elite dos EUA — os SEALs da Marinha e os Boinas Verdes do Exército — mobilizados em 138 países, de acordo com estatísticas que TomDispatch.com disse foram fornecidas pelo Comando de Operações Especiais dos EUA.
A pergunta é: Por que Obama se envolveu em mais guerras do que Ronald Reagan, George H.W. Bush ou George W. Bush? A resposta é o “império dentro do império.”
O império dentro do império é definido como as 13 agências de inteligência dos EUA que fornecem informes ao presidente. O presidente tem pouco acesso a informações que não são fornecidas a ele pelo império dentro do império. Um presidente pode assistir a um noticiário de TV ou ler um jornal, mas muitas das informações que ele costuma obter dessas fontes foram fornecidas a elas pelo império dentro do império. Na Fox ou na CNN, o império dentro do império é muitas vezes chamado de agências de inteligência (AI).
Jornalistas dos grandes canais noticiosos mantêm contatos dentro da CIA, do Pentágono, da Agência de Segurança Nacional, etc. Os operadores nessas agências fornecem “vazamentos” para seus contatos da mídia noticiosa que secariam se o que eles fornecem não virasse notícia. As reportagens sobre situações na Síria e na Ucrânia são muito influenciadas pelas informações fornecidas pelo império dentro do império.
O “presidente da paz” dependia diariamente de materiais que lhe eram dados que mostravam que os Estados Unidos estavam “sob ameaça” da China, da Rússia, do Irã e dos países árabes com governos de Estado laico — mas por incrível que pareça, não das organizações terroristas pertencentes aos muçulmanos sunitas. A CIA de algum jeito conseguiu prever a Rússia invadindo a Noruega, mas não conseguiu compreender que o Estado Islâmico tinha a capacidade de capturar metade do Iraque.
Se a Rússia não é o inimigo, então os Estados Unidos precisam transformá-la em inimiga.
A Rússia é o inimigo porque em média, um caça F-35 custa aproximadamente 200 milhões de dólares, e há um custo adicional de 42 mil dólares por hora para operar um F-35. Esses caças bombardeiros de quinta geração não são necessários para combater o Estado Islâmico ou qualquer outra organização terrorista. Não há também nenhuma necessidade de novos porta-aviões, a um custo aproximado de 17 bilhões cada um, a fim de combater o Estado Islâmico.
É preciso um bicho-papão para justificar o custo dos F-35s e gigantescos navios de guerra, e a Rússia foi escolhida e montada para ser esse bicho-papão. A realidade da Rússia é muito diferente. O orçamento militar russo é menos de um décimo do orçamento da OTAN, e a OTAN tem 20 vezes mais aviões e 10 vezes mais navios do que a Rússia. A Rússia perde em números e orçamento, e a OTAN tem tropas armadas literalmente bem na fronteira da Rússia.
De repente, o presidente Donald Trump estragou os planos. Logo depois de ganhar a eleição, Trump questionou as agências de inteligência sobre as necessidades de gastos militares.
Ele questionou a necessidade da OTAN e disse que duvidava que a Rússia iria invadir a Europa, que é seu cliente número 1 de petróleo e gás natural. A Rússia tem a segunda maior reserva de energia no mundo depois dos Estados Unidos.
De repente o império dentro do império aproveitou a acusação “a Rússia ganhou a eleição para Trump” e produziu todas as espécies de documentos que mostravam como a Rússia “hackeou” a eleição ao expor a desonestidade e a corrupção da oponente de Trump, a Hillary Clinton. Os senadores John McCain e Lindsey Graham se uniram ao senador Marco Rubio para condenar as alegadas ações da Rússia que os democratas disseram roubaram a eleição de Hillary.
Isso não impediu os tuítes de Trump, de modo que de repente apareceu um dossiê de 35 páginas sobre Trump produzido por um hack político no Reino Unido que foi certa vez um espião do MI-6 (o MI-6 é a versão do Reino Unido da CIA). O dossiê tinha todas as espécies de material nojento nele, inclusive uma acusação de que Trump contratou prostitutas para cometer atos vis em Moscou numa cama que Obama tinha certa vez dormido quando ele visitou a Rússia. Em seus últimos dias como diretor da CIA, John Brennan atacou o presidente-eleito Trump, passando-lhe um sermão sobre como se conduzir como presidente.
E sim, Brennan é o mesmo espião que não conseguiu achar nenhuma organização terrorista islâmica operando no Iraque ou na Síria. Aliás, parece que a CIA não consegue encontrar nenhum muçulmano sunita mau.
Um atentado terrorista muçulmano sunita em San Bernardino, Califórnia em 2015 matou 14 e feriu gravemente 22. Um atentado muçulmano sunita em Orlando, Flórida, em 2016 matou 49 e feriu 53. Durante a presidência de Obama, houve numerosos outros atentados muçulmanos sunitas vitoriosos, inclusive em Fort Hood, Texas, e na Maratona de Boston. Na Europa, atentados muçulmanos sunitas devastadores ocorreram na Bélgica, França e Alemanha, matando muitos civis.
Em face do terrorismo de grupos muçulmanos sunitas, o diretor da CIA, ao deixar seu cargo, disse que os EUA precisam a todo custo trabalhar junto com os muçulmanos sunitas e proteger os aliados sunitas dos EUA, tais como a Arábia Saudita. Os sauditas são os principais competidores, na produção de petróleo, da Rússia e precisam de apoio, independente do terrorismo que eles financiam. Apesar de que os muçulmanos sunitas são responsáveis por quase todos os atos de terrorismo islâmico nos últimos 20 anos, o império dentro do império ainda quer vender ou dar mais armas aos sunitas.
Será que o presidente Donald Trump conseguirá manter sua promessa de impedir o caos causado pelas intervenções americanas no Oriente Médio e outras regiões? Ele assumirá a defesa dos cristãos perseguidos no Oriente Médio conforme ele prometeu, ou o império dentro do império o fará apoiar os países muçulmanos sunitas do Golfo a fim de “combater a Rússia”?
A resposta poderá vir mais cedo do que esperamos enquanto o Irã é “advertido” e dezenas, inclusive crianças, foram mortos durante o primeiro ataque das Forças Especiais autorizadas por Trump no Iêmen.
William J. Murray é presidente da Coalizão de Liberdade Religiosa em Washington DC e diretor do programa Natal para Refugiados.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do Western Journalism: The Nobel Peace Prize President, The ‘Deep State’ And Wild Card Trump
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13 de fevereiro de 2017

CIA premia Arábia Saudita por combater o terrorismo islâmico


CIA premia Arábia Saudita por combater o terrorismo islâmico

Julio Severo
A CIA sob o presidente americano Donald Trump fez o que era possível só sob Obama ou uma notícia falsa: Mike Pompeo, o homem que Trump nomeou como o novo diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), visitou a Arábia Saudita na semana passada para entregar ao Príncipe Herdeiro Mohammed bin Naif bin Abdulaziz, que é vice-primeiro-ministro e ministro do Segurança Nacional da Arábia Saudita, a Medalha George Tenet por esforços contra o terrorismo e por “sua contribuição desmedida para concretizar a segurança e paz mundial.”
Num comunicado de imprensa para a Agência de Imprensa Saudita, a qual pertence ao governo saudita, Abdulaziz expressou seu agradecimento à CIA por conceder o prêmio e disse que a medalha é fruto de esforços de líderes sauditas para combater o terrorismo.
Comentando sobre o papel saudita para combater o terrorismo, ele disse que a Arábia Saudita rejeita totalmente o terrorismo, condenando-o em todas as formas e manifestações, e dizendo que não existe conexão entre o islamismo e o terrorismo. Ele acrescentou que a Arábia Saudita continuará a combater o terrorismo e o extremismo.
Respondendo a uma pergunta sobre a relação entre a Arábia Saudita e o governo de Trump, Abdulaziz disse que as relações entre americanos e sauditas têm bases históricas e estratégicas e que nenhuma tentativa de separar a Arábia Saudita e os Estados Unidos terá êxito.
Pompeo, o representante oficial de Trump que premiou a Arábia Saudita, não fez nenhuma objeção.
Todas essas informações vieram da agência noticiosa oficial do governo saudita.
Contudo, a mídia de massa dos EUA não fez nenhuma reportagem sobre isso até agora. Meu primeiro pensamento foi: Por que os grandes meios de comunicação dos EUA não estão dando notícias sobre isso? Não querem incomodar seu novo chefe? Até a poderosa mídia esquerdista está silenciosa.
Se Trump quer ser levado a sério em sua guerra contra o terrorismo islâmico, por que ele não está levando a sério o papel saudita no terrorismo islâmico? Por que ele enviou o diretor da CIA para premiar a Arábia Saudita apenas uma semana após a nomeação de Pompeo? Por que tanta pressa para honrar os sauditas?
Afinal, é os “EUA em Primeiro Lugar” ou a “Arábia Saudita em Primeiro Lugar”?
Um prêmio para a Arábia Saudita por combater o terrorismo equivale a um prêmio para Hitler por combater o nazismo e a um prêmio para Stálin por combater o comunismo soviético.
Como é que o governo de Trump espera combater o terrorismo islâmico premiando seu principal patrocinador? Não só o principal patrocinador do terrorismo islâmico contra o mundo, mas também contra os Estados Unidos.
Uma manchete de 2016 da Fox News disse: “Memorando, antes confidencial, mostra múltiplas conexões sauditas aos conspiradores do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001.” A maioria dos terroristas envolvidos nesse atentado era saudita.
Uma reportagem de 2016 do “Foreign Policy” (Política Externa) comentou sobre “evidências incontestáveis de que dentro do governo saudita existe apoio para esses terroristas.”
Dos 19 terroristas islâmicos envolvidos no atentado de 11 de setembro de 2001, 15 deles eram da Arábia Saudita, de acordo com a CIA. Em 2015, um dos terroristas do 11 de setembro de 2001, Zacarias Moussaoui, afirmou que vários membros da família real saudita faziam parte de uma lista de financiadores da al-Qaida no banco de dados em que ele trabalhava sob as ordens de Osama bin Laden, de acordo com reportagem da CNN.
A Rede de Televisão Cristã nos EUA teve esta manchete em 2015: “O papel da Arábia Saudita na propagação do terrorismo islâmico.”
Pelo fato de que os Estados Unidos foram também vítimas de terroristas sauditas, é impossível compreender por que razão Trump enviou o diretor da CIA para premiar um alegado esforço saudita para “combater o terrorismo e promover a paz e a segurança mundial.”
Trump está nas manchetes por sua medida de barrar a imigração islâmica e o público conservador entende que esse é um esforço sério para combater o terrorismo. Mas será que tudo isso poderia ser apenas um grande espetáculo? Afinal, a Arábia Saudita, que proíbe a Bíblia e não tem nenhuma comunidade cristã, não está na lista negra de Trump. As nações muçulmanas que estão na lista negra dele são de fato inimigas da Arábia Saudita. A Síria, que tem uma das comunidades cristãs mais antigas do mundo, está na lista negra de Trump.
Num artigo de 2014 intitulado “Defensor da liberdade religiosa diz: família real saudita não quer deixar Obama derrotar terroristas sunitas do EIIL que estão massacrando cristãos,” William J. Murray, diretor da Coalizão de Liberdade Religiosa, disse:
“Os Estados Unidos têm sido ‘marionetes’ militares da família real saudita, atacando e isolando nações xiitas como a Síria. O Estado de maioria xiita da Síria, que protege as minorias religiosas, é alvo dos Estados Unidos só porque os membros da família real saudita estão dando as ordens, não o povo americano.”
De acordo com Murray, sob Obama, os EUA e a Arábia Saudita treinavam terroristas do ISIS para atacar a Síria. E agora com a medalha da CIA, Trump está premiando tanto Obama quanto os sauditas por seu trabalho sujo.
De acordo com John Perkins, em seu livro “Confissões de um Assassino Econômico,” a Arábia Saudita tem um relacionamento muito especial com os EUA desde meados da década de 1970. Ele diz:
“A evidência era incontestável: a Arábia Saudita, o aliado de longa data dos EUA e o maior produtor de petróleo do mundo, havia se tornado, como explicara uma elevada autoridade do Departamento do Tesouro dos EUA, ‘o epicentro’ do financiamento terrorista… A ‘generosidade’ saudita incentivava as autoridades dos EUA a fazer vista grossa, dizem alguns agentes veteranos dos serviços de inteligência dos EUA. Bilhões de dólares em contratos, verbas e salários foram para um grande número de ex-autoridades dos EUA que haviam lidado com os sauditas: embaixadores, diretores de postos da CIA, até ministros de governo…”
Então até mesmo americanos sabem sobre o papel saudita incontestável no terrorismo islâmico internacional.
Ao enviar seu diretor da CIA para premiar a Arábia Saudita por “combater o terrorismo e promover a paz e a segurança mundial,” Trump frustrou as esperanças conservadoras de uma luta real contra o terrorismo islâmico.
Com informações da Agência de Imprensa Saudita, Coalizão de Liberdade Religiosa e RT.
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