4 de janeiro de 2021

Governo Bolsonaro aparelha causas esquerdistas e homossexualistas do PT usando sua Ministra Damares Alves

 

Governo Bolsonaro aparelha causas esquerdistas e homossexualistas do PT usando sua Ministra Damares Alves

Julio Severo

Em sua viagem à Roma para se encontrar com o Papa Francisco em dezembro de 2019, a Dra. Damares Alves, que chefia o Ministério dos Direitos Humanos, deu uma entrevista exclusiva à BBC de Londres, com respostas algumas vezes conservadoras e muitas vezes progressistas.

Damares Alves, Michelle Bolsonaro (esposa do Presidente Bolsonaro) e o Papa Francisco


Na visita ao papa, Damares estava acompanhando Michelle Bolsonaro, esposa do presidente Jair Bolsonaro.

Talvez a resposta mais progressista de Damares tenha sido seu comentário de que ela é apaixonada pelo progressista papa Francisco.

Talvez a resposta mais feminista de Damares tenha sido seu comentário de que a mulher pode fazer o que quiser, querendo dizer que a mulher pode ocupar todos os cargos, espaços e profissões tradicionalmente masculinos, inclusive nas forças armadas.

Talvez a culpa nem seja de Damares por ter elogiado o papa esquerdista ou ambicões feministas. De acordo com Bráulia Ribeiro, usar questões esquerdistas não foi iniciativa de Damares, mas do próprio Bolsonaro. Ela disse:

“Quando o presidente Bolsonaro assumiu a liderança do Executivo, criou o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MFDH). Ampliou a pasta para que contivesse toda a pauta identitária do PT.”

A declaração de Bráulia, que atribui a Bolsonaro a criação do MFDH, deixa claro que, sob a orientação de Bolsonaro, “Damares não só se apropriou das pautas mais caras à esquerda, os temas que davam a eles o monopólio do ‘bem social,’ mas conseguiu redefini-los.” Isto é, as causas marxistas no governo do PT (inclusive a agenda gay) continuam no governo Bolsonaro, com uma diferença: rótulos foram mudados.

Em julho de 2020, o governo Bolsonaro celebrou o Dia Internacional do “Orgulho” LGBT — uma celebração que comprova que o governo Bolsonaro está firme na decisão de aparelhar a agenda gay.

Embora a vasta maioria dos eleitores de Bolsonaro tenha votado nele para o Brasil se livrar dessas causas opressivas, Bráulia não só justificou o uso de causas esquerdistas, mas desculpou os milhões de reais que são gastos para sustentar no governo Bolsonaro essas causas. Ela disse:

“Eu pessoalmente creio que o governo ideal não paternaliza seu povo… Mas vamos convir que depois de tantos anos sufocados pelo paternalismo excessivo de um governo castrador de iniciativas independentes, nós sabemos que na prática esse é um ideal impossível para o Brasil de agora.”

É uma grande tragédia que o governo Bolsonaro esteja aparelhando causas esquerdistas. É uma tragédia igualmente grande que Bolsonaro não use essa estratégia dispendiosa com dinheiro de seu próprio bolso e do bolso de seus filhos e ministros, mas com o dinheiro dos trabalhadores brasileiros, que são obrigados a pagar impostos altos, opressivos e abusivos.

Não é a primeira vez que o governo Bolsonaro aparelha causas esquerdistas. Quando o olavista Abraham Weintraub era ministro da educação, ele promoteu criar muito mais creches do que os governos socialista de Lula e Dilma. Na época, eu disse que isso era socialismo ou estatismo de direita.

Isto é, a própria alma do socialismo está sendo promovida, mas com rótulo direitista. Em vez de oferecer soluções e metas legitimamente conservadores, tudo o que o governo Bolsonaro está fazendo, de acordo com Bráulia, é aparelhar as “soluções” e metas esquerdistas, com embalagem diferente, mas igual conteúdo.

Esse esclarecimento é muito importante, pois indivíduos estão atacando Damares como se as causas esquerdistas aparelhadas pelo governo Bolsonaro fossem culpa exclusiva dela. Por exemplo, a psicóloga Marisa Lobo bajula Bolsonaro e ataca Damares nessa questão. Ela trata Bolsonaro como um homem conservador inocente sendo supostamente sabotado por Damares. Ela parece ignorar ou simular ignorar que a “estratégia” de aparelhar causas esquerdistas, inclusive a agenda gay, foi iniciativa de Bolsonaro, não de Damares.

Bráulia Ribeiro, ex-diretora da JOCUM (Jovens com Uma Missão) no Brasil, é hoje colunista do Brasil Sem Medo, site do astrólogo Olavo de Carvalho, um imigrante autoexilado nos EUA. Embora ela seja também colunista da Ultimato, uma das revistas presbiterianas mais esquerdistas do Brasil e ela tenha efetivamente apoiado a “estratégia” de Bolsonaro de aparelhar a agenda gay e outras causas esquerdistas, o site de Carvalho, que tenta dar uma aparência direitista, publicou tal artigo, que desculpa de todas as formas possíveis o esquerdismo no governo Bolsonaro.

Ao publicar tal artigo, o site de Carvalho aprovou e chancelou tudo o que Bráulia disse, inclusive que o esquerdismo com aparência conservadora no governo Bolsonaro é iniciativa do próprio Bolsonaro.

O site esquerdista da Ultimato só não demite Bráulia porque sabe que por trás de sua aparência direitista ela é capaz de astutas defesas ao esquerdismo, e o artigo dela no Brasil Sem Medo só confirma essa astúcia, que defende o esquerdismo e até a agenda gay em nome do próprio direitismo.

Não estranho Bráulia não condenar a agenda gay no governo Bolsonaro. Como diretora da JOCUM, em 2009 ela estava defendendo descaradamente a agenda gay, e ela atacou os evangélicos conservadores que lutam contra esssa agenda. Hoje, com essa bagagem, ela se tornou uma mulher confusa ao bajular vários ocultistas. Confira meu artigo: “Bráulia Ribeiro, ex-diretora da JOCUM, foi reduzida à mera propagandista de uma bruxa e de um astrólogo?

A informação de Bráulia de que o próprio Bolsonaro está por trás da defesa que Damares faz de causas esquerdistas pode nos ajudar a entender a entrevista de Damares à BBC que foi marcada pelo esquerdismo.

É importante dar atenção à entrevista que ela deu à BBC porque ela é, no grupo de evangélicos que ocupam cargos no governo Bolsonaro, a personalidade evangélica que mais se destaca.

Se as respostas de Damares tivessem sido expostas a mim de forma particular, eu faria contato com ela para lhe oferecer sugestões particulares sobre onde melhorar. Mas como ela decidiu, através da BBC, tornar internacionalmente públicas suas opiniões, todos os leitores podem ler e opinar. Eu apenas me enquadro entre esses leitores e opinadores, oferecendo minhas sugestões igualmente públicas, que podem ajudar não só a ela, mas outros cristãos que têm posturas semelhantes ou estejam a ponto de apoiar as posturas dela.

Os progressistas dificilmente elogiarão as respostas progressistas de Damares, pois eles exigem de quem eles elogiam 100 por cento de compactuação com a agenda progressista. Damares não tem esse tipo de compactuação com a esquerda.

Os esquerdistas são tão exigentes que se um ministro é em grande parte progressista, mas dá uma opinião conservadora, os progressistas o atacam impiedosamente.

Em contraste, os conservadores são muito mais tolerantes. Se um político dá opiniões conservadoras, mas ele não é conservador, ele não é rejeitado pela maioria dos conservadores.

Esquerdistas exigem 100 por cento de compactuação com a agenda progressista. Conservadores não exigem 100 por cento de compactuação com a agenda conservadora.

O que vou fazer em seguida é citar as respostas de Damares à BBC e introduzir meus comentários que podem ajudar a melhorar determinadas posturas que considero incompatíveis ou fracas, do ponto-de-vista conservador ou cristão.

Ao falar de direitos humanos, Damares disse para a BBC:

“Estamos indo para a origem, a fonte, que é a Declaração (Universal dos Direitos Humanos) e conversando com o Brasil. Proteger mulher é direitos humanos? É. Proteger criança é direitos humanos? É. E os idosos? Então, nós começamos a falar para o Brasil o que é de verdade direitos humanos… gente, alimentação, acesso a educação é direitos humanos.”

A Declaração Universal dos Direitos Humanos não defende, não promove e não cita uma única vez homossexualidade. Mesmo assim, o ministério de Damares, a exemplo de todos os governos esquerdistas anteriores, trata as questões homossexuais como direitos humanos. Talvez o vírus esquerdista já esteja infectando a todos. A neocon esquerdista Hillary Clinton disse, quando era secretária de Estado dos EUA, que direitos gays são direitos humanos e direitos humanos são direitos gays. Na época, os maiores conservadores americanos denunciaram essa declaração. Hoje, parece que todos na esquerda e muitos na direita seguem a filosofia de Hillary. E a versão de Damares, aguada ou não, amenizada ou não, pouco parece diferir da vesão de Hillary.

Quando Damares diz que alimentação e acesso à educação são direitos humanos, ela quer dizer que o governo tem a obrigação de dar alimentação e educação grátis? Isso é socialismo! Se querem alimentação e educação, as pessoas precisam trabalhar e lutar. Quem é pobre deve necessariamente depender de caridade voluntária, não “caridade” coerciva através de impostos, pois quando o governo “dá” alimentação e educação, na verdade o que ele está fazendo é roubando do trabalho dos outros para distribuir entre outros. Isso é socialismo. A “caridade” governamental custa muito caro para o bolso dos trabalhadores. O que o governo deveria fazer, em vez de de roubar dos trabalhadores em nome da “caridade,” é oferecer generosas isenções de impostos para os cidadãos individuais que fazem caridade voluntária.

Sobre homossexualismo, Damares disse:

“Em relação à população LGBT: fizemos uma discussão sobre qual é a prioridade do segmento… Vamos pegar um barquinho e vamos lá na comunidade ribeirinha saber como está o menino gay. Descobrimos que a política pública não chegou para ele. Cadê os gays indígenas? Onde estão as meninas lésbicas indígenas?”

Com sua resposta, Damares reconheceu uma identidade homossexual que vem desde criança. O que ficou claro na resposta dela é que homossexualismo não é comportamento, mas identidade. Faz décadas que o movimento homossexual prega que suas escolhas e condutas são identidade. A esquerda abraçou essa estratégia e transformou em propaganda. E agora vemos direitistas também abraçando-a? Esse abraço se torna chocante quando é feito por Damares, que é pastora pentecostal. O pentecostalismo, dentro do Cristianismo, é uma das maiores forças de resistência à esquerda. Mas Damares, com seu pentecostalismo, pouco está resistindo na questão homossexual.

Se, junto com a esquerda, o movimento direitista abraçar homossexualismo como identidade, os direitistas não terão mais nenhuma base nem justificativa para impedir que professores em escolas e propagandas na mídia doutrinem crianças e adolescentes a questionar sua biologia sexual e a não questionar os dogmas homossexuais. Querendo ou não, esse abraço fortalece essa tendência progressista.

Sobre travestis, Damares disse:

“No centro urbano, percebemos que o grupo que mais sofre violência são as travestis. Começamos a conversar com elas: por que sofrem tanta violência? Esse público é caro para mim. É um público que eu amo e acompanho há muito tempo. Por muito tempo na minha vida eu fui para as ruas de madrugada abraçar as travestis, cuidar delas, enquanto ativista de direitos humanos, pastora, amiga, mãe, mulher.”

A preocupação e carinho de Damares por travestis são demonstrações de Cristianismo. Mas há coisas que o Estado deve fazer e o cristão não deve fazer. E há coisas que o cristão deve fazer e o Estado não deve fazer. Por exemplo, Jesus sempre perdoava os pecadores. Ele nunca, em seu ministério terreno, puniu pecadores. Ele nunca prendeu ninguém. E nós cristãos devemos imitá-Lo. Isso significa que nós, cristãos, devemos ocupar cargos no governo para transformar o governo numa extensão da igreja para liberar carinho e perdão a todos os criminosos? Se a igreja deve sempre mostrar misericórdia e nunca punir, o Estado deve imitar a igreja?

Minha opinião pessoal é que se Damares deseja continuar sua preocupação e carinho cristão por homossexuais, saindo na rua para evangelizar, o lugar ideal não é no governo, que não tem função de ser igreja nem tem função de evangelizar.

Continuando a falar sobre travestis, Damares disse:

“A grande reivindicação delas é empregabilidade. Existe preconceito para empregar uma travesti. É fácil uma lésbica, um transexual, um gay estar bem inserido no mercado no trabalho, mas as travestis ficaram à margem. Então, estamos cuidando desse público especificamente: trazendo programas de capacitação, empregabilidade, conversando com o setor empresarial. Eu encontro professoras travestis nas ruas, meninas especiais, matemáticas na rua se prostituindo. Elas alegam que o mercado não as absorve.”

O que me preocupa é a compaixão de Damares aos travestis (que ela insiste em chamar de AS travestis, como se fossem realmente mulheres) atrelada à força governamental que ela tem agora. Se os travestis querem emprego, que eles se capacitem e respeitem as regras de bom convívio, inclusive moralidade. Nenhum empresário ou empresa deveria ser obrigado a empregar pessoas que se prostitutem facilmente. Tirar a liberdade dos empresários de escolher quem empregar é socialismo.

O que mais me preocupou na resposta de Damares foi sua observação de que há travestis que são professores, mas o mercado não os absorve. Eu não gostaria de ter filhos pequenos meus numa escola com um professor malandramente vestido de mulher dando muitíssimo mau exemplo para os alunos. O governo vai impor que as escolas aceitem tais professores travestis para que eles tenham emprego? Emprego para travestis estará acima do bem-estar moral das crianças? O comentário de Damares indicou esse direcionamento progressista.

O perigo e ameaça são reais. Em uma entrevista, Marina Reidel, que lidera a Diretoria de Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, que funciona no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH) da ministra Damares Alves, disse que quando revelou sua homossexualidade na escola os alunos ficaram curiosos, fazendo perguntas durante dias, enquanto as outras professoras, que ele acusou de criar um ambiente “negativo” e até bullying, tentavam proteger os alunos dessa má influência. Chegamos ao ponto absurdo em que professoras se sentem constrangidas de deter a má influência de professores homossexuais.

Logo em seguida, completando sua resposta sobre travestis, Damares disse para a BBC:

“O presidente Bolsonaro tem como bandeira o combate à violência em todos os segmentos. Então, o violência contra travestis e gays estão dentro deste pacote. E está dando certo.”

Damares falou da falta de emprego aos travestis e acrescentou comentário sobre violência a eles. Uma empresa não dar emprego para um travesti seria tratado como violência ou discriminação? Como o governo trata escolas e empresas que se recusam a empregar travestis? Escolas públicas, que hoje estão sob o controle de Bolsonaro, são obrigadas a contratar travestis? Escolas particulares são obrigadas a contratar travestis?

Damares falou sobre o empenho do governo Bolsonaro para combater a violência contra homossexuais. Mas ela nada falou sobre se o governo Bolsonaro está fazendo algo para combater a violência cometida por homossexuais. Durante a presidência de Lula e Dilma, o governo brasileiro só registrava homossexuais exclusivamente como vítimas. Só computava a “orientação sexual” em casos criminais quando os homossexuais eram alegadas vítimas. Quando os homossexuais eram os assassinos e criminosos, o PT se calava e não registrava absolutamente nada sobre a tal “orientação sexual.”

Hoje, sob a presidência de Bolsonaro, o governo brasileiro tem uma chance de ouro de rastrear, registrar e revelar quantos homossexuais cometem assassinatos e estupros contra meninos. Até o momento, Bolsonaro não se pronunciou sobre esse assunto.

Aliás, a mesma equipe de ativistas homossexuais que trabalhava nos governos socialistas passados continua na ativa no governo Bolsonaro, recebendo salários com dinheiro de nossos impostos. Nem eu entendo a continuidade dessa agenda nociva no governo Bolsonaro, onde homossexuais são só retratados como vítimas em necessidade de proteção estatal, nunca como criminosos. Governos de esquerda e direita estão a serviço da agenda homossexual? Confira aqui o governo Bolsonaro dando continuidade às políticas homossexuais dos governos anteriores: http://bit.ly/35ml0ar

Faz anos que peço que os legisladores e políticos conservadores levantem os dados sobre quantos criminosos homossexuais há, mas eles não conseguiam porque o PT simplesmente barrava tudo. Contudo, com Bolsonaro, esses dados não deveriam ser fáceis de obter?

O governo da Inglaterra fez um estudo que revelou que homossexuais são mais propensos a cometer assassinatos do que sofrer assassinato. Confira o estudo aqui: http://bit.ly/2uPWGke

Meu livro “O Movimento Homossexual,” publicado pela Editora Betânia em 1998, tem um capítulo inteiro mostrando que os maiores assassinos seriais do mundo eram homossexuais.

É uma injustiça total destacar eternamente homossexuais como vítimas e poupá-los quando eles cometem crimes, principalmente quando as maiores vítimas deles são meninos. Esconder esse fato deveria ser crime. O governo Bolsonaro deveria corrigir essa grave injustiça.

O maior inimigo da esquerda é a própria realidade. Mostre os fatos encobertos e a esquerda é derrotada. O maior inimigo do movimento homossexuais é a própria realidade. Mostre os fatos encobertos e esse movimento é derrotado.

Damares também disse:

“A nossa diretoria voltada à comunidade LGBTi nós herdamos do passado e permanece intacta. A própria diretora que veio do outro governo continua, uma mulher extremamente sensata, a professora Marina, uma transexual extremamente sensata, e tem me ajudado a conduzir as políticas para o segmento.”

Damares confessou que herdou, do governo socialista anterior, toda uma secretaria com ativistas gays socialistas e tudo foi deixado intacto. Isso não é conservadorismo e muito menos Cristianismo. Isso é socialismo e apoio à agenda gay. Isso significa então que todo o discurso de Bolsonaro contra o socialismo foi mera fachada e hipocrisia?

A secretaria homossexual, nos governos socialistas, era chefiada e continua hoje sendo chefiada por um homem, chamado de Marina Reidel, que Damares insiste em identificar como “transexual,” e trata como “mulher.” O Dicionário Universitário Merriam-Webster assim define “transexual”:

“Um indivíduo que se identifica fortemente com o sexo oposto e pode procurar viver como membro desse sexo, especialmente submetendo-se à cirurgia e terapia hormonal para obter a aparência física necessária (como alterando os órgãos sexuais externos).”

Tratar um homem atribuindo-lhe a identidade fictícia de “mulher” é uma reivindicação do movimente gay, plenamente abraçada pela esquerda. Agora, abraçada também pela direita, que demonstra com isso que merece plena desconfiança dos cristãos.

Embora por duas vezes, num curtíssimo comentário, Damares frisou que o homem disfarçado de mulher é “sensata,” como todos os homossexuais ele é imprudente e falador, tendo aberto a boca numa entrevista. Ele confessou que o governo Bolsonaro está promovendo, sem alarde, toda a agenda gay que o governo do PT promovia com alarde.

Não sei se essa postura progressista de Damares é fruto de suas posturas particulares ou influência de amigos. Ela já foi muito amiga de Marina Silva, que havia adquirido a Teologia da Libertação na Igreja Católica, mas nunca a largou depois de supostamente se converter para a Assembleia de Deus. Damares também já trabalhou na JOCUM e é muito amiga de Bráulia Ribeiro, ex-diretora da JOCUM. Bráulia está autoexilada nos EUA há vários anos, tendo de sair do Brasil porque o governo e a mídia esquerdista a perseguiram por causa da postura dela de defender crianças indígenas ameaçadas de assassinato em rituais de bruxos indígenas. Eu sempre dei 100 por cento de apoio a favor dos esforços cristãos para resgatar essas inocentes crianças indígenas. Tenho vários artigos no meu blog contra o sacrifício de crianças indígenas.

Contudo, o embate que rugia no Brasil uma década atrás não envolvia somente a questão da vida dessas crianças indígenas cujo sacrifício é defendido pela esquerda como cultura dos índios. O embate envolvia também a agenda homossexual. Embora tendo como foco principal combater a agenda gay, me envolvi na defesa das crianças indígenas. Em contraste, Bráulia, embora tendo como foco principal combater o sacrifício de crianças indígenas, se envolveu na questão da agenda gay para atacar os cristãos que denunciam essa agenda. Você pode ler meu artigo completo de 2009 aqui: Diretora da JOCUM no Brasil ataca ativismo cristão contra o PLC 122 e o “casamento” homossexual.

Talvez para parecer politicamente correta a fim de a esquerda aceitar a luta dela contra o sacrifício de crianças, Bráulia sacrificou os cristãos que lutam contra a agenda gay, jogando-os aos leões da esquerda.

Estaria Damares dando atenção à Bráulia ou sua mentalidade? Então por que ela não tem contra a agenda gay, que ameaça seriamente as crianças e famílias, o mesmo empenho que ela tem contra a “cultura” indígena de sacrifício de crianças?

A Damares que eu conhecia, e que não seguia o exemplo de Bráulia, era a Damares que elogiava meu livro “O Movimento Homossexual” para deputados. A Damares que não conheço é a Damares que elogiou Toni Reis, um dos maiores ativistas gays do Brasil e um dos criadores do infame kit gay, como “defensor das crianças.”

Contudo, nem tudo é notícia desanimadora. Nesse contexto traumático de progressismo avançando dentro do governo Bolsonaro, Damares adotou uma postura extremamente positiva ao abrir um espaço que nenhum governo socialista abre: Ela vem dando oportunidade aos ex-homossexuais. Ela disse para a BBC:

“Eu defendo o direito à liberdade de expressão. Se alguém disser que vivenciou a homossexualidade e hoje não a vivencia mais, ele tem o direito de falar isso. Esse grupo me procurou para dizer que não consegue falar isso sem ser perseguido. Nosso ministério tem que garantir o direito à liberdade de expressão.”

Ela também disse:

“E é possível, sim, alguém não querer mais vivenciar a homossexualidade, como alguém não querer mais vivenciar a bissexualidade ou a heterossexualidade. Essa transição é normal, ela acontece. Então por que não vou reconhecer que houve pessoas que deixaram de vivenciar a homossexualidade? Elas existem, precisam ser respeitadas, e uma das coisas que reclamaram muito foi a liberdade de escrever suas histórias. Então esse grupo existe e me procurou.”

O preocupante dessa resposta à BBC foi que ela sugeriu que é normal a transição de homem ou mulher biológico, que ela chama de “heterossexualidade,” abandonar a homossexualidade e vice-versa. Não é normal um homem rejeitar sua biologia sexual. É anormal. É uma profunda disfunção mental, moral e física.

Talvez, para parecer uma pessoa que trata a todos de forma igual, Damares buscou ser bacana com todo mundo. Mas, percebendo ou não, tal atitude nos faria parecer mais que Deus, que não reconhece nenhuma normalidade na homossexualidade e não deu nenhuma autoridade para nenhum governo fazer esse reconhecimento.

Sobre a polêmica de “cura gay” (termo inventado pelo movimento homossexual para sabotar os esforços de cristãos para ajudarem homens e mulheres a sair do pecado homossexual), Damares disse:

“Agora, a cura gay é outra coisa. Inclusive é um termo pejorativo para algumas pessoas que querem deixar de vivenciar a homossexualidade. Vou lidar com esse tema com muita maturidade, respeitando a condição em que ele está vivendo, se está feliz agora porque deixou a homossexualidade, ele vai continuar feliz. Se quiser voltar a ser homossexual, vai voltar.”

De novo, Damares tratou como se fosse normal um homem ou mulher rejeitar sua biologia sexual. E se eu não me reconhecer mais como pobre, o governo vai me garantir o direito de aplicar o golpe da minha fantasia nos bancos, forçando-os a aceitar minha fantasia de rico? Que confusão o mundo virará se o governo começar a respeitar e impor que outros respeitem nossas fantasias?

Se o governo impõe que todos respeitem um homem que tem a fantasia de ser mulher, inclusive dando-lhe atestados e documentos para provar que ele é o que não é, exijo que o governo faça a mesma coisa por mim, obrigando todos, inclusive bancos, a reconhecer-me como rico e dando-me atestado e documentos para provar que sou o que não sou.

Não sou contra ninguém que tenha fantasias, por mais bizarras. Mas que vivam suas fantasias na privacidade de suas casas, sem nenhum apoio governamental, sem nenhum apoio de leis protegendo-os como “vítimas” de pessoas normais “preconceituosas” que não aceitam fantasias bizarras.

Para a BBC, Damares deixou claro que o disque-denúncia do governo, no passado sempre usado por homossexuais para denunciar seus inimigos, agora vai servir também para o propósito de denunciar quem não aceita os ex-homossexuais:

“O que pode haver no nosso ministério: se estão sendo vítimas de violência, terão o direito de denunciar e nós vamos ter a obrigação de fazer esse recorte e ouvir. Eles estão sendo perseguidos porque estão deixando de vivenciar a homossexualidade. Nós vamos protegê-los também.”

Então, pelo que deu para entender, os homossexuais poderão continuar denunciando quem os criticar, mas quem criticar os ex-homossexuais também poderá ser denunciado. Na prática, ela acendeu uma vela para Deus e outra para o diabo.

Entretanto, Damares incluiu um comentário preocupante. Ela disse:

“Eu não vou fazer nenhuma campanha com um cartaz dizendo deixe de ser gay, deixe de ser bi, deixe de ser hétero. Não, isso não existe, não existe política pública para isso.”

O governo faz diversas intervenções em favor do bem-estar público. O governo, por exemplo, não iguala a conduta de fumar com a conduta de deixar de fumar. Pelo contrário, o governo deixa claro que deixar de fumar é muito melhor e mais saudável do que fumar. O governo desestimula o fumo e incentiva todos a não fumar, porque fumar acarreta muitos problemas de saúde.

Considerando que o comportamento homossexual é comprovadamente danoso para a saúde, por que o governo recusa fazer intervenção desestimulando esse comportamento e proibindo a propaganda homossexual? Em contraste, as intervenções governamentais, com propagandas retratando basicamente os homossexuais como vítimas, continuam. Intervenção estatal só a favor do homossexualismo? Se não é possível intervenção estatal contra o homossexualismo, por que fazer campanhas contra o fumo?

O dilema de Damares não é pioneiro. Na década de 1980, o Dr. C. Everett Koop, que era ministro da Saúde do governo conservador de Ronald Reagan, foi pioneiro ao lançar contraditoriamente campanhas fortes contra o fumo e campanhas contra a AIDS que legitimavam o pecado homossexual. O que tornava o caso de Koop escandaloso era que ele era:

1. Calvinista e conservador.

2. Aliado próximo do filósofo calvinista conservador Francis Schaeffer.

3. Foi um dos ministros mais importantes de um dos maiores governos conservadores dos EUA, o governo Reagan.

Estaria Damares tentando imitar o calvinista Koop?

O Presidente Donald Trump aprovou uma lei rigorosa contra o fumo nos EUA para proteger os jovens dos perigos do cigarro. Esse tipo de intervenção estatal é saudável e precisa ser aplicada ao problema homossexual. Mas o governo Trump viveu a mesma realidade contraditória de Koop: O Presidente Donald Trump foi considerado o presidente mais pró-homossexualismo da história dos EUA.

Então, em tom muito feminista, Damares disse para a BBC sobre a mensagem central de seu ministério acerca da questão das mulheres:

“O recado vai ser: lugar de mulher é onde ela quiser.”

Em essência, a declaração dela revela a própria ambição do feminismo, auxiliado pelo marxismo, de usar o governo para forçar as pessoas a aceitar uma igualdade antinatural, com mulheres no exército chefiando homens, mas com essas mesmas mulheres recusando, em outras áreas, carregar sacos de cimentos e outros pesos como fazem os homens.

Ela confundiu Hollywood com realidade. Nos filmes, as mulheres, mesmo soldadas, têm um desempenho igual e muitas vezes até melhor do que soldados do sexo masculino. Mas a realidade apoia a ficção?

Nenhum país tem leis mais avançadas de direitos humanos do que os EUA, que estão enfrentando uma epidemia de estupros e agressões sexuais com a crescente inclusão de mulheres nas forças armadas. A igualdade feminista e marxista nas forças armadas dos EUA tem resultado em tragédia. Essa igualdade é artificial. Forçar a ficção da igualdade artificial é uma utopia soviética.

Até mesmo em Israel, a igualdade sexual tem resultado nas forças armadas em atividade sexual e o governo israelense pagando as despesas de mais de mil abortos por ano para as soldadas. Por causa de sua biologia, uma das coisas que as soldadas mais fazem no exército israelense é sexo e gravidez, e o resultado antinatural e criminoso é aborto provocado.

Não está claro, ao contrário da declaração feminista e marxista de Damares, que o lugar da mulher não é nas forças armadas como soldadas?

Essa postura provavelmente não é iniciativa de Damares. O avião presidencial de Bolsonaro é pilotado por um piloto militar do sexo feminino. É uma mensagem feminista clara, não é?

O lugar do homem é onde ele quiser? Claro que não. Homem não pode engravidar nem dar de mamar. Portanto, dizer que homens podem ocupar qualquer lugar é loucura, embora, por amor ao homossexualismo, leis socialistas impõem que homens trabalhem com mulheres para cuidar de crianças em creches. Tais leis só favorecem predadores homossexuais.

Pouco se fala de homem na mensagens do Ministério dos Direitos Humanos e quando se fala é em tom negativo, ou o homem como mero auxiliador das ambições da mulher — uma perversão do projeto de Deus, que criou a mulher para ajudar o homem, não vice-versa. No plano de Deus, a mulher é auxiliadora do homem. Querer transformar o homem, como impõe o feminismo, como mero auxiliador da mulher vai contra Deus e inevitavelmente terminará em desastre.

Preocupo-me também que de modo geral nas mensagens do ministério da Damares a família parece ser colocada como potencialmente agressora da criança e o homem é colocado como potencialmente agressor das mulheres. Minha percepção sobre o ministéro da Damares:

* Na relação entre homem e mulher, o homem é colocado como fonte de abuso físico e psicológico contra as mulheres.

* Na relação entre família e Estado, a família é colocada como fonte de abusos contra as crianças e o Estado é colocado como fonte de proteção.

Enquanto o homem usa a força física para violência, a mulher tem grande poder psicológico de infligir violência, inclusive induzindo outros homens em suas maquinações. O caso escandaloso de Flordelis, uma cantora gospel e deputada federal acusada de planejar a morte do próprio marido pastor mais jovem, é um exemplo. Ela induziu os próprios filhos a matar o marido.

Potencialmente, todos podem se tornar agressores. Aliás, quem mais torturou, abusou e matou foi o Estado, que trucidou milhões durante a história. Os governos islâmicos e comunistas são campeões de abuso de direitos humanos.

As feministas não gostam, os esquerdistas não gostam e até Damares pode não gostar, mas lugar de mulher não é onde ela quiser e o governo não tem o direito de forçar os homens a aceitar mulheres ou liderança feminina em espaços masculinos. Tal intervenção estatal é nociva e patentemente socialista.

Quando a BBC cobrou de Damares a razão por que Bolsonaro colocou pouquíssimas mulheres em altos escalões do governo, Damares respondeu que Bolsonaro “escolheu pelo perfil técnico.” Discordo, respeitosamente, dessa resposta, pois nos escalões mais elevados do governo o próprio Bolsonaro confessou que havia escolhido cegamente Ricardo Vélez como ministro da Educação. Não houve nenhum respeito a perfil técnico, mas meramente submissão às recomendações loucas do Rasputin, como é conhecido Olavo de Carvalho por sua enorme influência no governo.

Uma das maiores consequências dessas nomeações cegas, sem respeito ao perfil técnico, foi a vergonha que o governo Bolsonaro sofreu internacionalmente ao ter de demitir o ministro da Cultura, o olavista Roberto Alvim, depois que o discurso nacionalista dele plagiou o discurso de um líder nazista. Toda a grande imprensa americana publicou manchetes sobre Alvim. Se o governo Bolsonaro evitasse seguir cegamente a influência de Olavo de Carvalho, ele teria facilmente evitado essa humilhação internacional.

A BBC News Brasil perguntou para Damares: “Eu conversei com pessoas próximas à senhora que me disseram que a senhora tem pautas muito próximas às da esquerda. Isso faz sentido? A senhora tem alguma afinidade com a pauta feminista, por exemplo?”

Damares respondeu:

“Não é que minhas pautas são iguais às da esquerda. É que, por algum tempo, a esquerda falou que era dona dos direitos humanos. Não tem pai e mãe essa bandeira, ela é de todos nós.”

A BBC apurou de pessoas que estão próximas de Damares que ela pende muito para a esquerda. A entrevista dela à BBC só confirmou essas inclinações.

O problema não é só que Damares está lidando com áreas e questões que a esquerda trata obsessivamente, dando ênfase excessiva. Por exemplo, homossexuais são menos de 2 por cento da população e ativistas homossexuais são muito menos que isso. Mas a atenção governamental e midíatica que é dada a eles faz parecer que eles são a maioria da população. O problema maior é que Damares trata dessas questões em grande parte com a mesma visão da esquerda. Por exemplo, se um homem se identifica como mulher, a esquerda o trata como mulher — e Damares faz a mesma coisa.

Respeitar a fantasia, baseada em perversão sexual, de indivíduos mentalmente doentes não é conservadorismo e é incompatível com o Cristianismo que Damares professa. É incompatível com o pentecostalismo que Damares professa. De uma forma mais amena, ela só está dando continuidade à revolução esquerdista de normalização homossexual, trazendo um prejuízo imenso para o conservadorismo cristão, cujos adeptos mais ingênuos podem achar que as práticas de Damares são conservadoras, quando na verdade são práticas esquerdistas com alguns enfeites conservadores, embora devo destacar que a postura dela de abrir espaço para ex-homossexuais é uma prática conservadora e cristã. Mas temo que a mistura que ela faz de práticas conservadora com concessões ao socialismo poderá adulterar o conservadorismo brasileiro, inclusive o pentecostalismo.

De modo geral, nos aspectos em que Damares dá continuidade à revolução esquerdista nas questões homossexuais, pode-se dizer que essa continuidade nada mais é do que esforços para plagiar o esquerdismo.

Pode-se dizer que há um plágio ideológico, onde a ideologia progressista recebeu uma nova embalagem, mas o conteúdo continua o mesmo, embora com alguns toques conservadores.

Acredito que em grande parte esse é um problema devido ao histórico de Damares com envolvimento com Marina Silva e evangélicos politizados na linha da Teologia da Missão Integral (TMI), que é um plágio evangélico da Teologia da Libertação. Na verdade, quem pode culpar Damares? O Brasil, que tem abundantes referências evangélicas da TMI, não tem referências conservadoras em questões como conselhos tutelares e ECA, uma lei que pune pais por disciplinar fisicamente os filhos e proibe todo castigo legal para estupradores e assassinos de menos de 18 anos. Qualquer criminoso de menos de 18 anos fica impune no Brasil. A falta de referência é tão grande que o governo Collor, que era de direita, aprovou o ECA em 1990 depois de ratificar a Convenção da ONU dos Direitos da Criança, um documento esquerdista globalista para usurpar os direitos dos pais e, usando a questão dos direitos das crianças, expandir os direitos do governo local e, na meta final, do governo global.

O fato de que o governo direitista de Collor deu continuidade à revolução esquerdista globalista na área de crianças só mostra que conservadores sem referências acabam, entendendo ou não, dando continuidade às revoluções esquerdistas e globalistas.

O único lugar em que há excelentes referências conservadoras nessas questões é os EUA. Por pressão de grupos evangélicos conservadores, até hoje os EUA não ratificaram a Convenção da ONU dos Direitos da Criança. Por isso, os EUA não têm um ECA para atrapalhar quando a justiça americana precisa prender e punir estupradores e assassinos menores de idade. Quem pode culpar Damares por não ter essas excelentes referências conservadoras americanas?

Embora Jair Bolsonaro tenha dito em 2018 que o lugar do ECA é na latrina, seu governo na prática está expandindo o ECA e seus implementadores, os conselhos tutelares. Tudo com verniz conservador. A esquerda está sendo plagiada de forma descarada no governo Bolsonaro.

Tomara que os esquerdistas também comecem a plagiar os conservadores. Digo os conservadores americanos. Se esse plágio acontecer, veremos governantes esquerdistas eliminando o ECA e o tratamento especial que os ativistas gays recebem na mídia e no governo.

A BBC News Brasil então perguntou: “Muita gente diz também que o feminismo não é uma pauta da esquerda, é algo maior e de todas as mulheres. A senhora concorda?”

Damares respondeu:

“Nós temos uma legislação no Brasil que garante à mulher em caso de estupro fazer o aborto, em risco de vida para a mãe e em caso de anencefalia. A legislação está lá, isso é bandeira do Congresso Nacional, eu não vou fazer ativismo contra ou pró-aborto, vou cuidar de mulheres, levar comida e capacitação profissional.”

Preciso respeitosamente discordar. Se um bebê é uma vida humana em todos os casos, por que não deveria ser considerado uma vida humana um bebê que não teve culpa de ser concebido num ato violento de estupro? No estupro, a mulher é vítima. Mas se um bebê é concebido, ele também é vítima. Anos atrás, a jurista americana Rebecca Kiessling deu testemunho no Congresso Nacional em Brasília sobre o valor da vida humana nos casos de estupro. Ela pode falar por experiência, pois ela foi concebida num ato violento de estupro. Ela é vítima. Aceitar uma lei que condena à morte um bebê que foi vítima no estupro é condenar a vítima duas vezes.

Se a missão do ministério de Damares é defender crianças, por que não defender crianças cuja concepção ocorreu no ato violência de um estupro?

Se a missão dela é “cuidar de mulheres, levar comida e capacitação profissional,” quem vai pagar a enorme conta de tudo isso? Quem vai pagar a comida e capacitação profissional das mulheres? Tudo isso é muito caro. Se Bolsonaro e seus ministros estão utilizando dinheiro de seus próprios bolsos, é problema deles.

Contudo, jogar as despesas do assistencialismo estatal sobre os trabalhadores que pagam impostos é uma injustiça.

Quando a BBC lhe perguntou sobre o encontro dela com o papa, ela respondeu:

“Eu sou apaixonada por esse papa. Gosto demais dele. O Brasil é um país católico, um país de maioria católica, nós respeitamos demais a comunidade católica, trabalhamos em parceria. Estar com o papa é uma honra e um orgulho para qualquer ser humano, independente da sua religião. Eu vou estar com uma das figuras mais impactantes e impressionantes da nossa era, que é o papa Francisco.”

Se Francisco fosse evangélico, ele seria o ídolo perfeito dos evangélicos adeptos da TMI. Mas paixão pelo Papa Francisco é um sentimento que nenhum pentecostal tem. Paixão pelo Papa Francisco é um sentimento que nenhum conservador tem, a não ser que ele tenha paixão também pelas causas progressistas globalistas abraçadas pelo Vaticano, inclusive a Convenção da ONU dos Direitos da Criança.

Em outubro de 2020, o secretário-geral da ONU, o católico socialista Antonio Guterres, elogiou os comentários históricos do Papa Francisco em apoio às uniões civis do mesmo sexo depois que o papa disse que os homossexuais são “filhos de Deus e têm direito a uma família.”

Como conservador, há décadas tenho muita admiração por Ronald Reagan, o presidente mais conservador da história recente dos EUA. Aliás, ele é o presidente que mais admiro. Tenho grande admiração pela luta dele contra o aborto. Tenho grande admiração pelos esforços dele para honrar a Bíblia na cultura americana. Mas paixão é um sentimento que reservo só a Jesus Cristo.

Tenho respeito pelos papas quando eles fazem declarações pró-vida, mas paixão pelo progressista Papa Francisco é um sentimento comum somente entre cristãos progressistas, ou socialistas. Tal paixão é um sentimento totalmente incoerente para conservadores, muito menos pentecostais. Como não ficar atônito com a resposta de Damares?

Francisco, que é conhecido por não condenar políticos socialistas, disse que políticos cristãos que lutam contra a agenda gay são semelhantes a Hitler e antissemitas. Então, é impossível um cristão verdadeiramente conservador ter paixão por esse papa esquerdista.

Os maiores antissemitas hoje são os muçulmanos, que são grandemente paparicados pelo papa. Os políticos cristãos que lutam contra a agenda gay são em grande parte políticos evangélicos americanos que amam Israel e os judeus.

O papa parece desconhecer que Hitler e altos escalões do governo nazista eram homossexuais.

Damares nada opinou sobre a postura do papa de tratar políticos cristãos que lutam contra a agenda gay como semelhantes a Hitler e antissemitas. Espero que, em sua confessada paixão pelo papa progressista, ela não tenha a mesma opinião sobre políticos cristãos que lutam contra a agenda gay, pois embora eu não seja político, encorajo os políticos cristãos a lutarem contra essa agenda.

No final, a BBC News Brasil perguntou para Damares: “Parte dos seus apoiadores não deve gostar desse seu comentário, chamam esse papa de comunista. O que a senhora acha disso?”

A resposta da ministra foi:

“Algumas pessoas acham esse papa demasiadamente progressista, outros acham conservador. O que conheço do papa Francisco? Um homem que se preocupa com educação, com família. Eu só tenho que admirar esse homem. Então, é a minha posição. Eu gosto do papa. Tem pessoas que o criticam. Eu gosto demais dele.”

De fato, Francisco é conservador em algumas questões, especialmente em sua postura acertada sobre aborto. Mas na questão homossexual, sua postura pende mais para a esquerda católica. Talvez seja exatamente essa mistura de conservadorismo com esquerdismo em Francisco que o torne o alvo da paixão da ministra Damares Alves, uma pastora pentecostal que tem igualmente posturas conservadoras e progressistas.

Entendo quando Damares diz que Francisco é um “homem que se preocupa com educação, com família.” Mas será que essa preocupação está correta? O Vaticano, com o esquerdista Papa Francisco ou o direitista Papa João Paulo 2, sempre apoiou a Convenção da ONU dos Direitos da Criança. Em contraste, por causa da pressão dos evangélicos americanos, os EUA, que sob o presidente esquerdista Bill Clinton, assinaram essa convenção esquerdista, nunca a ratificaram.

Eu me alinho com os evangélicos conservadores americanos contra essa convenção. Damares, que é hoje a maior implementadora do ECA no Brasil, se alinha com a postura tradicionalmente esquerdista do Vaticano a favor da Convenção da ONU dos Direitos da Criança?

A Convenção da ONU dos Direitos da Criança é a mãe do Estatuto da Criança e do Adolescente (o infamemente famoso ECA). O ministério de Damares tem avançado o ECA como nunca antes, se alinhando ao esquerdismo do Vaticano e se desalinhando do conservadorismo evangélico americano.

No Vaticano, quem assinou e ratificou a convenção foi o próprio João Paulo, mostrando que nessa questão o Vaticano erra feio, com papas esquerdistas ou direitistas.

Ter no governo um socialista que só acende vela para o diabo é horrível. Mas embora um pentecostal socialista-conservador seja muitíssimo melhor do que um ateu socialista puro, acender uma vela para o diabo e outra vela para Deus não é saudável em termos espirituais e éticos. E não é um bom testemunho.

O fato é que quando o governo Bolsonaro, como estratégia ou não, celebrou o Dia Internacional do “Orgulho” LGBT, a agenda gay foi promovida por “conservadores.” Quando o governo Bolsonaro celebrou a Convenção da ONU dos Direitos da Criança, a celebração foi para um documento da ONU que é contra a família. Não há como escapar dessa realidade.

Só por isso, vou deixar de apoiar Bolsonaro, Damares e o Papa Francisco? Não. Só os apoiarei quando adotarem posturas contra o aborto. Quando celebrarem agendas esquerdistas e gays, não os apoiarei.

Sem dúvida alguma, a presença de Damares no ministério de Direitos Humanos é muito melhor do que a presença de um ativista socialista radical. Mas sua longa entrevista à BBC indicou que seu alinhamento com o modelo do papa Francisco, onde o aborto é condenado, mas onde a agenda gay não é totalmente condenada, deixa a ela e Francisco perto e longe do conservadorismo cristão em questões importantes que afetam a família.

Entretando, culpar exclusivamente Damares pelo esquerdismo disfarçado de conseradorismo no governo Bolsonaro é um erro grosseiro. Como Bráulia Ribeiro deixou claro, todo o esquerdismo, inclusive a agenda gay, no governo Bolsonaro são iniciativas do próprio Bolsonaro. E a opinião de Bráulia foi aprovada e chancelada pelo Brasil Sem Medo, o site do astrólogo Olavo de Carvalho.

É um Brasil sem medo de abraçar o esquerdismo de aparência conservadora? Ter o confuso Carvalho como Rasputin é atrair inúmeras confusões, que já são visíveis e patentes no governo Bolsonaro, deixando os eleitores de Bolsonaro igualmente confusos, porque eles não entendem como um governo conservador tem tanto esquerdismo. Culpa do Rasputin, que é uma verdadeira fábrica de confusões.

Oro para que Damares, como pentecostal, consiga escapar desssas confusões.

Versão em inglês deste artigo: Brazil’s Bolsonaro Administration Hijacks Leftist and Homosexualist Causes of Socialists Using Its Minister Damares Alves

Fonte: www.juliosevero.com

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Um comentário :

Anônimo disse...

Qual sua sugestão para presidente do Brasil?