23 de novembro de 2020

Bráulia Ribeiro, ex-diretora da JOCUM, foi reduzida à mera propagandista de uma bruxa e de um astrólogo?

 

Bráulia Ribeiro, ex-diretora da JOCUM, foi reduzida à mera propagandista de uma bruxa e de um astrólogo?

Julio Severo

Conhecida anos atrás por seu papel como diretora da filial brasileira da organização JOCUM (Jovens Com Uma Missão), que era um universo grande em termos de oportunidades internacionais, Bráulia Ribeiro hoje escolheu um universo mais reduzido, e há pistas preocupantes de que esse universo está longe do Cristianismo que ela afirma crer.

Clarice Lispector, Bráulia Ribeiro e Olavo de Carvalho


Por exemplo, sua conta oficial de Twitter traz como mensagem principal expressando seu pensamento uma declaração em inglês de Clarice Lispector, que era considerada uma bruxa não assumida. Talvez não tão discreta, pois ela foi uma das ilustres convidadas do I Congresso Mundial de Bruxaria em Bogotá, Colômbia, em 1974.




A literatura de Lispector é marcada por erotismo e até lesbianismo — características que bruxas assumidas ou não têm.

A morte dela em 1977 foi envolvida em premonições que ela teve meses antes. Premonição é outra característica das bruxas.

Como é que uma ex-diretora da JOCUM coloca a declaração de uma bruxa (assumida ou não) como mensagem central de seu Twitter é um mistério para mim. Falta de discernimento? Insatisfação com o universo cristão? Apostasia?

Pesquisando mais o Twitter da Bráulia, vi-a compartilhando ideias de outros ocultistas e esotéricos.

Em um único dia, 16 de novembro de 2020, ela compartilhou duas declarações (aqui e aqui) de Eric Voegelin.

O problema com tal propaganda é que Voegelin era antievangélico.

De acordo com a Editora da Universidade Cambridge em seu trabalho “An Agnostic View of Voegelin’s Gnostic Calvin” (Uma visão agnóstica do Calvino gnóstico de Voegelin), escrito por William R. Stevenson, Voegelin cria que “O ‘gnosticismo’ da Idade Moderna teve suas raízes na experiência cristã, e que a Reforma protestante alimentou de forma mais explícita o seu crescimento.”

Sendo que Voegelin via o comunismo e o nazismo como as maiores formas de gnosticismo, ele estava acusando o protestantismo de ter produzido o comunismo e o nazismo.

Mas Stevenson deixa claro que “O fato de Voegelin caracterizar o projeto de João Calvino em particular como antiintelectualismo gnóstico manifestando uma óbvia vontade de poder não tem base sólida nos escritos de Calvino.”

Voegelin via a Reforma protestante como a “Grande Confusão” dizendo que a Reforma foi “Provavelmente o maior mal político inventado por um homem [Lutero], um mal quase tão grande quanto o Manifesto Comunista.”

Ele não poupava ataques a Lutero, dizendo que com a Reforma “Lutero destruiu o equilíbrio da existência humana.” Apesar de que Lutero escrevia muito e tinha muitos livros publicados, tendo sido o grande unificador da língua alemã por meio de sua tradução da Bíblia, Voegelin não escondia seu total desprezo pela inteligência de Lutero.

Voegelin atacou Lutero por seu “antifilosofismo.” Isto é, para ele Lutero era contra a filosofia. Ele mencionou “a quase incrível falta de sabedoria [de Lutero].”

Ele também disse:

“Lutero não possuía os faculdades intelectuais que capacitavam um homem a compreender a essência de um problema… ele era desprovido de visão intelectual e imaginação.”

Se Bráulia agora gosta de fazer propaganda de homens antievangélicos, ela não deveria ter problemas em divulgar Fidel Castro, um ditador anticristão.

De forma geral, somente brasileiros mentalmente afetados por Olavo de Carvalho veem Eric Voegelin como referência “filosófica.” Carvalho é o maior divulgador de Voegelin no Brasil. Os adeptos de Carvalho sempre divulgam o que ele divulga.

Na defesa de Voegelin, Carvalho e seus adeptos alegam que ele combatia o gnosticismo. Mas a interpretação de Voegelin sobre gnosticismo era puro fanatismo: Ele via o protestantismo como o maior produtor de gnosticismo e acusava que o anti-gnosticismo do protestantismo era anti-intelectualismo. É como um bruxo acusar os cristãos de bruxos e defender que a bruxaria é o verdadeiro intelectualismo e acusar que qualquer ataque à bruxaria é anti-intelectualismo.

Voegelin também faz parte do perenialismo. Considerando que há conexões de Carvalho com o ocultista islâmico René Guénon, não é surpresa encontrar tais conexões entre Voegelin e Guénon. Um site sobre Voegelin une os dois que, embora de estilos diferentes, não diferiam em sua alma ocultista. Aparentemente, o mesmo labirinto de confusões e contradições que estava presente em Guénon estava presente também em Voegelin. E está indubitavelmente presente em Carvalho.

Bráulia virou uma olavista discreta assim como Clarice Lispector era uma bruxa “discreta”? Não sei. Só sei que a vi, em sua conta de Twitter, fazendo intensa propaganda do Brasil Sem Medo — um site que “discretamente” pertence a Carvalho, que é diretor de seu conselho editorial.

Por exemplo, em 19 de novembro de 2020, Bráulia disse:

“As midias de direita no Brasil não tem como sobreviver ( e nem os escritores) sem o seu apoio!! Assinem o @JornalBSM.”

No mesmo dia, ela fez outra propaganda do site do astrólogo:

“Mais uma vez eu peço, aqueles que gostam do meus artigos e dos outros incríveis colunistas do @JornalBSM, por favor assinem. Custa menos de um real por dia!!”

Em outros dias, ela fez muitas outras propagandas.

Fiel ao seu mestre ocultista, na página “Sobre” do Brasil Sem Medo, nada consta das origens e propósito dessa organização, conforme registrei em 22 de novembro de 2020.

Quando chamo Carvalho de astrólogo, não é por xingamento. A vasta maioria das pessoas não sabe que a primeira vez que ele se tornou famoso no Brasil foi como astrólogo profissional.

Além de Carvalho, outro chefão do Brasil Sem Medo é Bernardo Kuster, que anos atrás era evangélico e trabalhava em igreja evangélica, mas largou tudo para seguir a “filosofia” de Carvalho. Seguindo a linha de seu mestre, hoje Kuster faz propaganda do livro “A Inquisição — Um Tribunal de Misericórdia.”

De que adianta alguém dizer que é conservador pró-vida se defende a Inquisição? Defender a Inquisição é como defender o aborto:

* O aborto provocado tortura e mata.

* A inquisição torturava e matava.

Aborto legal e Inquisição são moralmente e imoralmente iguais.

Não existe nenhuma diferença moral entre a indústria do aborto provocado e a máquina da Inquisição.

Não existe nenhuma diferença moral entre defender a Inquisição e defender o assassino comunista Fidel Castro.

Tenho certeza de que os descendentes ideológicos do olavista Bernardo divulgarão futuramente, junto com o livro “A Inquisição - Um Tribunal de Misericórdia,” livros com títulos como “Aborto Legal - Um Procedimento de Misericórdia.”

O conservador verdadeiro denuncia o aborto e a Inquisição.

O falso conservador não faz isso.

Embora, em comparação com a JOCUM, o universo olavista seja pequeno, sua rede de proselitismo e ocultismo que usa iscas direitistas é imensa.

Como o Brasil Sem Medo usa tom direitista como isca, Bráulia se tornou o tom ou isca evangélica deles para atrair evangélicos. Não sei se Bráulia percebeu que se tornou isca ou se ela se importa com isso.

Olavo de Carvalho é um buraco negro de ocultismo, radicalismo ideológico e oportunismo, só trazendo para sua órbita mentes que ele possa tragar e usar para glorificar seu próprio movimento e ego.

Ele já fez isso no antigo site Mídia Sem Máscara, que recebia patrocínio de grandes empresas. Mas nenhum colunista recebia salário. Eu, por exemplo, trabalhei no Mídia Sem Máscara por mais de dez anos sem receber um único centavo de salário.

Não fui o único colunista usado e explorado por Carvalho. O escritor ateu Heitor de Paola e a escritora católica Graça Salgueiro, que eram os maiores colunistas do Mídia Sem Máscara, também foram usados e descartados.

Contudo, não foi fácil para Carvalho me enganar em tudo, pois quando chegou na questão da Inquisição, que ele defende do mesmo jeito que comunistas e nazistas defendem suas máquinas assassinas, eu o confrontei e continuo confrontando.

Hoje entendo que o direitismo de Carvalho tem bases ocultistas e tem paralelos com Julius Evola, um adepto de Guénon que era guru do ditador fascista italiano Benito Mussolini.

Bráulia terá condições de fazer tal confronto ou continuará se submetendo a seu papel de isca para pegar evangélicos para Carvalho através do Brasil Sem Medo?

Bráulia falará contra a Inquisição?

Ela falará sobre as ligações ocultistas de Carvalho e o proselitismo de seu ativismo?

Duvido muito. Fazendo propaganda de Clarice Lispector, de Eric Voegelin e do próprio Carvalho, ela continuará como isca. Aliás, amando Lispector, será impossível Bráulia enxergar qualquer ocultismo em Carvalho, Voegelin, Guénon e outros ocultistas.

Em 2009, precisei confrontar Bráulia por seu ativismo esquerdista contra os evangélicos que lutam contra a agenda gay. Meu confronto se encontra neste artigo: “Diretora da JOCUM no Brasil ataca ativismo cristão contra o PLC 122 e o ‘casamento’ homossexual.”

Ela ficou revoltada com esse artigo. Aliás, a revolta dela durou tanto tempo que em 21 de abril de 2016 ela disse no Twitter:

“Não bloqueio qualquer um. Mas o Julio Severo bloqueio com prazer. Ouvi-lo me dá vontade de me tornar membro do Foro de São Paulo.”



Ela acabou entrando no Foro do Olavo, que é tão radical em fascismo esotérico quanto o Foro de São Paulo é radical em esquerdismo!

Talvez em sua revolta contra mim ela esteja bastante satisfeita em se aliar a um homem que já produziu vários vídeos pedindo para o governo Bolsonaro e para a Polícia Federal me investigarem por delito de opinião — porque denunciei o ocultismo de Carvalho e sua defesa da Inquisição. Com Bráulia, tudo vai virar um foro contra Julio Severo?

Embora Carvalho diga que é muito perseguido, a vasta maioria das reportagens e artigos sobre ele em inglês acuradamente o apresentam como um homem com historico ocultista. Um dos maiores livros americanos contra o ocultismo, “War For Eternity: Inside Bannon’s Far-Right Circle of Global Power Brokers” (Guerra pela Eternidade: De Dentro do Círculo Ultra-Direitista de Negociadores Mundiais de Poder), de Benjamin R. Teitelbaum, apresenta os principais nomes da Escola Tradicionalista de Guénon, inclusive Steve Bannon, Julius Evola, Alexander Dugin e Carvalho, que só foi mencionado, ainda que poucas vezes, por causa da muita propaganda que Bolsonaro faz por ele.

Teitelbaum é um escritor judeu americano e seu livro trata do ocultismo na direita nos EUA, na Rússia e no Brasil.

Carvalho não tem ameaçado Teitelbaum e outros americanos que expuseram suas conexões ocultistas, mas ele tem, em vários vídeos, me ameaçado, pedindo para que o governo Bolsonaro e a Polícia Federal me investiguem. A alegação dele é que minhas denúncias contra ele envolvendo a Inquisição e esoterismo são uma ameaça à segurança nacional do Brasil.

A diferença entre ele e eu são grandes. Ele se diz perseguido quando a imprensa americana denuncia suas conexões ocultistas, enquanto durante anos sofri ataques da imprensa esquerdista dos EUA exclusivamente por causa de minhas posturas evangélicas conservadoras contra o o aborto e pecado homossexual.

Enquanto Carvalho é “perseguido” por suas conexões ocultistas, eu sou perseguido pela esquerda e pelo próprio Carvalho por minhas conexões cristãs. Todas as críticas da imprensa americana a Carvalho não são por causa do Cristianismo, mas por causa do ocultismo e direitismo extremista. Todas as críticas da imprensa americana contra mim são por causa do Cristianismo.

Quanto a Bráulia e sua presença no Brasil Sem Medo, suspeito que sua única utilidade seja, além de pescar evangélicos, apenas amenizar entre evangélicos a forte imagem antievangélica de Carvalho. Essa imagem foi produzida por ele mesmo, com suas declarações insanas contra os evangélicos, inclusive seu desejo público de que a máquina policial do Estado me persiga. Se isso não é fascismo, bem ao estilo de Julius Evola e outros adeptos de Guénon, não sei o que é fascismo. Usar a máquina polícia do Estado para perseguir críticos é comportamento padrão de fascistas.

No entanto, se a meta é ir atrás de mim, Bráulia, que tem me odiado desde 2009, não vê problema em tal fascismo.

Em 2009, eu achava que o maior problema da Bráulia Ribeiro era esquerdismo pró-homossexualismo. Hoje acho que ela está mudando de direção. Ela é agora colaboradora evangélica do fascismo ocultista que domina o movimento de Olavo de Carvalho.

Versão em inglês deste artigo: Was Braulia Ribeiro, Former Director of Brazilian YWAM, Reduced to Mere Propagandist of a Witch and an Astrologer?

Fonte: www.juliosevero.com

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