7 de setembro de 2020

Paz entre Israel e os Emirados Árabes Unidos. A que custo?


Paz entre Israel e os Emirados Árabes Unidos. A que custo?

Julio Severo
Israel e os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram em 13 de agosto de 2020 que estabeleceram relações diplomáticas plenas em um acordo intermediado pelos EUA.
F-35
Para Israel, o acordo traz paz com uma nação islâmica, mas com um custo: sob o acordo, Israel é obrigado a não retomar as terras judaicas tradicionais ocupadas por invasores palestinos islâmicos.
Para os EUA, o acordo traz vantagens comerciais militares. O acordo inclui especificamente a venda de aviões de guerra F-35, e também o Boeing EA-18G Growlers, uma versão especializada do F/A-18 Super Hornet, dedicado à guerra eletrônica e frustração de redes de defesa aérea. Todo esse equipamento militar será vendido para os Emirados Árabes Unidos.
Nesse sentido, o acordo é uma grande dor de cabeça para Israel.
O Embaixador de Israel na ONU Gilad Erdan disse:
“Eu examinei a questão em profundidade com os envolvidos — Israel não deu seu consentimento a tal acordo, nem mesmo consentimento tácito.”
A preocupação israelense é que os Emirados Árabes Unidos receberão aviões de guerra avançados o suficiente para minar a vantagem militar qualitativa de Israel. Uma grande preocupação para Israel é a venda militar dos EUA aos Emirados Árabes Unidos do F-35, o avião de combate mais avançado do mundo.
O Gabinete do Primeiro Ministro israelense disse em agosto que Netanyahu “se opôs à venda de jatos F-35 e outras armas avançadas de qualquer tipo no Oriente Médio, inclusive Estados árabes que fazem paz com o Estado de Israel.”
No entanto, Israel não pode protestar em voz alta, porque pode perder seus privilégios com os EUA.
A venda para os Emirados Árabes Unidos de jatos de guerra e tecnologia militar avançada dos EUA coloca Israel em perigo. Os EUA não pensam em Israel. Pensam apenas na venda de armas. Um exemplo é a Turquia, que foi formidavelmente armada pelos EUA durante décadas. Se a Turquia é hoje uma ameaça, quem a colocou como membro da OTAN? Quem colocou na Turquia mísseis nucleares americanos contra a Rússia? Quem vendeu para a Turquia tecnologia militar avançada e jatos de guerra? Quem tornou a Turquia militarmente grande, inclusive contra Israel?
No futuro, quando a Turquia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e outras nações muçulmanas se ajuntarem para destruir Israel, eles usarão tecnologia e armas militares americanas.
De acordo com a revista Foreign Policy, o complexo industrial militar americano “é um grande impulsionador de empregos e do crescimento econômico dos EUA. Só em 2017, esse complexo gerou US$ 865 bilhões, apoiando 2,4 milhões de empregos americanos com altos salários. Essa indústria produziu um saldo comercial positivo de US$ 86 bilhões em 2017, o maior de todas as indústrias dos EUA.”
Assim, a indústria mais lucrativa hoje nos EUA é o complexo industrial militar, e seu poder financeiro consegue influenciar os políticos e suas políticas, inclusive a política externa e o intervencionismo e as aventuras militares dos EUA.
Portanto, não é de se admirar que Trump disse que ele é um grande fã do presidente Erdogan enquanto a Turquia persegue os cristãos. Por causa das vendas de armas, os EUA tratam qualquer cliente de armas como um bom amigo.
Os EUA deveriam levar em consideração que Deus tem um plano especial para Israel. Armar os inimigos muçulmanos, que mais cedo ou mais tarde atacarão Israel, não é um boa ideal.
Empurrar Israel para um acordo de paz em que Israel seja obrigado a não retomar as terras judaicas tradicionais ocupadas por invasores palestinos islâmicos não é uma boa ideia.
Aliás, empurrar Israel para um acordo que inclua a venda de tecnologia militar avançada para uma nação muçulmana é uma péssima ideia.
Se realmente haverá um futuro Armagedom contra Israel, será um Armagedom de armas dos EUA em mãos muçulmanas.
Com informações da Associated Press e do Israel National News.
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3 comentários :

Chauke Stephan Filho disse...

As armas dos EE.AA.UU. servirão para continuar o massacre dos iemenitas, de que a mídia não fala. Quebrar o silêncio comprometeria a venda de armas, cujo preço está bem acima do que valem os direitos humanos da população do Iêmen.

Cicero disse...

Onde existiu uma nação, moeda, cultura, reino, rei, política ou economia palestina?
Porém, Israel tem promessas irreversíveis de Deus para ficarem ali na sua terra de Canaã e historicamente já o fizeram cfe. diz as Escrituras, mais antigas que o Corão.

O lugar dos palestinos (antigos filisteus descendentes de Esaú) é junto a seus irmãos árabes vizinhos de Israel. Por que a enorme Síria, Turquia, Egito, Jordânia não os recebem? ou outro país irmão árabe deles?! mas preferem usa-los como baioneta contra Israel!

Alexandre disse...

A verdade é que Israel trocou o Deus Vivo pelo deus americano, e irreversívelmente irá colher os frutos amargos dessa infeliz escolha.