29 de setembro de 2020

Em tempos caóticos, a autodefesa é bíblica?


Em tempos caóticos, a autodefesa é bíblica?

Shane Idleman  
Agitação civil está em toda parte, e os legisladores estão sendo pressionados para restringir as armas. Mas o que estamos vendo hoje não é um problema com armas; é um problema moral chamado pecado.
Estamos testemunhando a rápida deterioração de uma nação. Perdemos nossa bússola moral. Perdemos o temor do Senhor. Quando o temor do Senhor diminui, o mal aumenta. Dwight D. Eisenhower disse: “Um povo que valoriza seus privilégios acima de seus princípios logo perde ambos.”
Um dos versículos bíblicos freqüentemente usados para apoiar a proibição de armas se encontra em Provérbios 20:22 (NKJV): “Não diga: ‘Eu recompensarei o mal’; espere no Senhor, e Ele o salvará.” Esse versículo bíblico trata de vingança e vigilantismo, não de autodefesa.
De acordo com Romanos 13:4b, um dos propósitos das autoridades é "executar ira sobre aquele que pratica o mal.” Eles são vingadores de Deus: “Os homens, em uma palavra, devem necessariamente ser controlados, seja por uma força dentro deles, ou por uma força fora deles; seja pela Palavra de Deus, seja pelo braço forte do homem; seja pela Bíblia, ou pela baioneta” (Robert Winthrop, 1809-1894).
Por favor, não entenda mal. Como cristãos, acredito que devemos buscar a paz em todas as ocasiões e não decorar a cruz com a bandeira. Mas e quanto à autodefesa como último recurso e aos mandamentos bíblicos de se proteger? O Antigo Testamento oferece uma infinidade de exemplos, mas e o Novo Testamento? Ele também oferece. Em Mateus 26:52, Jesus diz a Pedro: “Coloque a sua espada de volta no lugar. Pois todos os que tomarem a espada morrerão pela espada.” Jesus não denunciou a espada, mas esclareceu qual é seu lugar. Quando agimos prematuramente com grande carga emocional, isso pode nos custar a vida.

Como lidar com um ladrão

Mais tarde, Jesus acrescenta: “Vocês vieram, como contra um ladrão, com espadas e porretes para Me levar?” (Mat. 26:55b). Se Ele fosse um ladrão e assaltante, os porretes e espadas teriam sido justificados. Em minha opinião, esses versículos bíblicos implicam que as armas têm um lugar na sociedade. Apesar disso, devemos ter cuidado.
Além disso, em Lucas 22:36, Jesus diz: “Mas agora, quem tem uma bolsa de dinheiro, pegue-a, e da mesma forma uma mochila; e quem não tem espada, venda a sua capa e compre uma.” O que se deve fazer com esse versículo bíblico? Em primeiro lugar, eu erraria pelo lado da paz, mas isso nem sempre é uma opção. Uma coisa é certa: uma espada era para defesa. Jesus inicialmente os enviou em uma viagem missionária pacífica, onde não precisavam desses itens, mas agora Jesus pode estar dizendo: “Eu era sua provisão e sua segurança, e ainda sou, mas também quero que você esteja preparado para usar a sabedoria.”
Mas alguns podem argumentar: “Jesus não disse para amar nossos inimigos, abençoar aqueles que nos amaldiçoam, fazer o bem aos que nos odeiam e orar por aqueles que nos difamam e perseguem com maldade?” (cf. Mat. 5:43-48.) Sim. No entanto, essas referências se referem a agressões pessoais, ofensas e assassinatos de reputação. É um salto quântico acreditar que Jesus está dizendo: “Faça o bem àqueles que estão tentando mutilar ou destruir você ou sua família.”
Paulo diz a Timóteo que, se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente de sua família imediata, “negou a fé e é pior do que o descrente” (1 Timóteo 5:8). Mas se eu proteger minha família, o que muitas vezes é uma responsabilidade maior (se não igual), então sou rotulado de fomentador de brigas e acusado de aplicar mal os versículos da Bíblia?
A Bíblia deve ser lida em sua totalidade. Por exemplo, quando Jesus levou um tabefe, Ele não deu a outra face. Ele disse: “Se falei de forma errada, testifique do erro; mas se falei corretamente, por que você me bate?” (João 18:23). Embora devamos errar pelo lado da graça e da paz, pode haver um tempo e um lugar para confronto e proteção.

Passividade versus Perdão

Compreenda claramente que não estou defendendo violência ou agressão; Estou defendendo a coerência e continuidade da Bíblia. O contexto é o fator chave aqui. Perdoar não é ser passivo e conceder graça não é ser ingênuo.
Somos chamados para proteger nossas famílias espiritual, emocional e financeiramente, mas não fisicamente? Isso não faz sentido. No entanto, minha preocupação com o atual debate sobre armas é que estamos entrando no frenesi do medo. A minimização da soberania está diretamente relacionada a um aumento da preocupação. R.C. Sproul declarou: “A maioria dos cristãos bate continênica para a soberania de Deus, mas acredita na soberania do homem.”
Muitos estão preparados militarmente, mas não espiritualmente — instilando medo doentio em suas famílias. Estamos colocando o temor do homem neles, em vez do temor de Deus. Ouço tudo sobre as marcas de armas Glock, Smith e Wesson e Remington, mas pouco sobre quebrantamento, entrega a Deus e humildade. Nossos cofres de armas estão cheios, mas nossos quartos de oração estão vazios. Precisamos gastar menos tempo assistindo a programas de TV conservadores como O’Reilly, Hannity, Beck e Coulter, e mais tempo em Mateus, Marcos, Lucas e João.
Cada vez que o povo de Deus confiava em suas armas e exércitos, Ele os chamava ao arrependimento. Nossa proteção está na submissão diária a ele. O Salmo 121:2 acrescenta: “De onde vem a minha ajuda? Minha ajuda vem do Senhor, o Criador do céu e da terra. Ele não deixará seu pé escorregar — aquele que zela por você não dormirá.”
Nossa tendência atual nos convida a ter muito cuidado com quem ou o quê adoramos e em quem ou em quê depositamos nossa confiança.
Shane Idleman é o fundador e pastor principal da Comunidade Cristã de Westside, em Lancaster, Califórnia, e agora Leona Valley, Califórnia. Ele também começou a Westside Christian Radio Network — WCFRadio.org — em 2019. Suas pregações, livros, artigos e programas de rádio têm trazido mudanças na vida de muitos. Para obter mais informações, visite WCFAV.org.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês da revista Charisma: In Chaotic Times, Is Self-Defense Biblical?
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3 comentários :

Paulo Ricardo disse...

O número de assassinatos no Brasil supera o número de abortos nos EUA

Julio Severo disse...

Paulo Ricardo, enquanto no Brasil são assassinadas aproximadamente 60 mil pessoas por ano, nos EUA o aborto legal mata aproximadamente 1 milhão de bebês em gestação por ano.

Unknown disse...

Resumindo:A auto defesa é bíblica e correta