14 de agosto de 2020

Como está indo a iniciativa do governo Trump de cortar verbas para a maior rede de clínicas de aborto dos EUA?


Como está indo a iniciativa do governo Trump de cortar verbas para a maior rede de clínicas de aborto dos EUA?

Sob o governo de Donald Trump, o financiamento para a Federação de Planejamento Familiar disparou

Warren Cole Smith
Na Marcha da Vida de 2020, Donald Trump encantou a multidão pró-vida ao se tornar o primeiro presidente americano em exercício a discursar pessoalmente no evento anual. Placas na multidão declaravam Trump como “o presidente mais pró-vida de todos os tempos.”
Marjorie Dannenfelser, presidente do forte grupo pró-vida Susan B. Anthony List, disse: “A liderança do presidente Trump como o presidente pró-vida mais eficaz da história americana mudou o jogo.”
Mas será que mudou? Será que ele é o “presidente mais pró-vida de todos os tempos?”
É possível avaliar essa afirmação de várias maneiras. Alguns, por exemplo, acham que seu sucesso na nomeação de juízes e ministros é a maneira de medir a sinceridade pró-vida do presidente — isto é, até que Neil Gorsuch, nomeado por Trump, apoiou a maioria esquerdista em um recente caso de liberdade religiosa que agora está colocando em dúvida sua confiabilidade.
Mas deixarei esse argumento para outro dia, a fim de examinar uma das principais promessas de campanha do candidato Trump, uma promessa na qual grande parte de sua credibilidade pró-vida aumenta ou diminui: Que ele iria cortar o financiamento da Federação de Planejamento Familiar, a maior rede de clínicas de aborto dos EUA.
Então, dei uma olhada nos relatórios anuais da Federação de Planejamento Familiar desde 2013 para ter uma ideia do que essa organização estava recebendo de impostos nos últimos anos do governo Obama e o que está recebendo desde que o presidente Trump assumiu o cargo. Se você acha que Trump cortou o financiamento da Federação de Planejamento Familiar, os números serão um choque.

Recorde de financiamento para a Federação de Planejamento Familiar no governo Trump

O presidente Trump assumiu o cargo em janeiro de 2017. O final do ano fiscal para a Federação de Planejamento Familiar é 30 de junho. Portanto, não foi até o ano fiscal da Federação de Planejamento Familiar terminando em 2018 e 2019 que podemos ver o impacto do presidente Trump no financiamento dessa rede de clínicas de aborto.
Então, o que esses anos nos mostram? No ano fiscal de 2018 da Federação de Planejamento Familiar, o primeiro ano que refletiria o orçamento do governo Trump, a Federação de Planejamento Familiar recebeu cerca de US$ 563,8 milhões em financiamento de impostos. Esse nível foi um recorde para qualquer governo na história americana, significativamente mais financiamento do que a Federação de Planejamento Familiar obteve durante qualquer ano do governo Obama. Aliás, durante o último ano do governo Obama, o financiamento caiu cerca de US$ 10 milhões, para o nível mais baixo desde 2014.
Mas em 2019, o governo Trump superou seu próprio recorde por uma ampla margem. Os reembolsos e subsídios do governo para a Federação de Planejamento Familiar aumentaram em mais de US$ 50 milhões, para US$ 616,8 milhões. Esse nível de financiamento representa o maior salto de um ano no financiamento da Federação de Planejamento Familiar na história.
Então, o presidente Trump cortou o financiamento da Federação de Planejamento Familiar? Nem de longe. O financiamento para essa rede de clínicas de aborto tem aumentado a cada ano que ele está no cargo.

Cargo importante para dar opiniões

Não só o financiamento de impostos para a Federação de Planejamento Familiar disparou, mas o presidente Trump também incitou grandemente as pessoas que contribuem financeiramente para essa organização.
Sarah Wheat, diretora de assuntos externos da Federação de Planejamento Familiar no Texas, relatou um aumento dramático nas contribuições financeiras nas semanas depois da eleição de [Trump em] 2016.
E a tendência não se limitou ao Texas. Em toda a nação americana, a Federação de Planejamento Familiar recebeu contribuições financeiras de mais de 180.000 pessoas na semana depois da eleição de [Trump em] 2016. Isso é cerca de 40 vezes mais do que essa organização vê em uma semana normal.
Essa tendência continuou. Em 2014, essa organização arrecadou o que era então um recorde de US$ 391,8 milhões em contribuições financeiras privadas. Em 2015, a Federação de Planejamento Familiar realmente viu um declínio significativo em contribuções financeiras.
Mas, incitados pela promessa implacável de Donald Trump de cortar verbas para a Federação de Planejamento Familiar, as contribuições financeiras voltaram com força total em 2016, aumentando para US$ 445 milhões, mais de US$ 90 milhões acima do ano anterior. E durante os primeiros dois anos do governo Trump, esse crescimento explosivo continuou. Em 2018, as contribuições financeiras para a Federação de Planejamento Familiar chegaram a US$ 600 milhões pela primeira vez.
Portanto, não apenas os gastos governamentais aumentaram com Trump, mas sua retórica incitou as psssoas a darem contribuições recorde. Até mesmo o ícone conservador Richard Viguerie admitiu recentemente em um “Memorando de Marketing para Líderes Conservadores” que “a Federação de Planejamento Familiar cresceu 400% no primeiro ano depois da eleição do presidente Trump. Eles passaram de 400.000 para 1.600.000 apoiadores.” Nos últimos dois anos, o orçamento da Federação de Planejamento Familiar ultrapassou US$ 1,6 bilhão. Na verdade, está mais forte do que nunca.

O que virá em seguida?

A maioria dos líderes pró-vida, tontos com seu novo acesso à Casa Branca, tornaram-se defensores de Donald Trump, apesar dessa clara evidência de que ele não cumpriu uma de suas promessas de campanha centrais aos evangélicos. Parte do motivo é que esse tipo de acesso a um presidente em exercício — junto com as oportunidades fotográficas que ele oferece — vale ouro para a arrecadação de fundos.
Esses apelos de arrecadação de fundos também costumam mencionar que em agosto de 2019 o presidente Trump sancionou uma ordem executiva que cortou o financiamento do Título X para a Federação de Planejamento Familiar. Organizações como o Family Research Council, a Susan B. Anthony List e a Concerned Women for America consideraram o corte de fundos do Título X uma vitória. Poucas dessas organizações notaram que o financiamento do Título X representava apenas cerca de 10% dos fundos de impostos que vão para a Federação de Planejamento Familiar. Nem mencionam que muitos estados (inclusive a Pensilvânia) já estão correndo para compensar essa perda de financiamento.
Além disso, mesmo sem a ajuda de estados controlados pelos democratas (que são em maior número do que quando o presidente Trump assumiu como presidente), é provável que esses fundos sejam totalmente substituídos pelo orçamento recorde (e definição de déficit recorde) de $ 20 trilhões que o presidente Trump assinou em dezembro de 2019.
Todos esses fatos estão fazendo com que alguns líderes pró-vida comecem a enxergar. Quando o financiamento do Título X foi eliminado, Kristan Hawkins, presidente de Students for Life for America, lamentou: “A maior rede de clínicas de aborto dos EUA superou todos os recordes anteriores ao receber dinheiro de impostos neste ano.” Ela disse que cortar US$ 60 milhões era um passo na direção certa, mas que o presidente Trump tinha “US$ 600 milhões restantes para entregar.”
Ela acrescentou, incisivamente: “O governo Trump precisa cumprir [sua] promessa aos americanos pró-vida.”
Muitos dos apoiadores evangélicos do presidente Trump o apoiaram, apesar da aversão deles pela sua retórica crua e óbvias deficiências de caráter. Eles fizeram isso em grande parte porque acreditam que ele cumpriu as promessas que lhes são caras, com a promessa de cortar as verbas para a Federação de Planejamento Familiar perto do topo da lista.
Será interessante observar o que acontecerá se mais líderes pró-vida acordarem para a realidade do desempenho do presidente Trump nessa questão. Eles usarão seu acesso para forçá-lo a cumprir essa promessa fundamental, ou o medo deles de perder esse acesso fará com que eles vendam a causa pró-vida, escolhendo dinheiro e poder em vez de princípios?
Espero que eles escolham a vida.
Traduzido do original em inglês de Warren Cole Smith: How’s It Going With That Whole “Defund Planned Parenthood” Thing?
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2 comentários :

Flávio disse...

A escolha dele pro supremo foram negativas para vida. Creio que ate o fim da decada aborto será tão sagrado quanto islã e raca. Se opor publicamente será "crime de ódio" contra as femoids que matam bebês.

Alexandre disse...

O centro do poder americano é um amálgama que reúne desde ateus à maçons, satanistas, illuminatis e outras formas de ocultismo, sem falar na poderosa indústria de transplante de órgãos, então seria tolice achar que algum dia eles acabariam com o sacrifício de inocentes.