20 de julho de 2020

Martin Niemöller, o pastor luterano anti-nazista que alertou como os cristãos precisam abrir a boca quando as pessoas são perseguidas. Mas até que ponto o conselho dele é válido?


Martin Niemöller, o pastor luterano anti-nazista que alertou como os cristãos precisam abrir a boca quando as pessoas são perseguidas. Mas até que ponto o conselho dele é válido?

Julio Severo
Martin Niemöller (1892–1984) foi um teólogo e pastor luterano alemão que criticou o nazismo e foi preso pelos nazistas em 1937. Ele é mais conhecido por sua famosa declaração:
“Primeiro eles vieram atrás dos socialistas, e eu não abri a boca — porque eu não era socialista. Depois eles vieram atrás dos sindicalistas, e eu não abri a boca — porque eu não era sindicalista. Então eles vieram atrás dos judeus, e eu não abri a boca — porque eu não era judeu. Então eles vieram atrás de mim — e não havia mais ninguém para abrir a boca por mim.”
Por “eles,” ele quis dizer nazistas, que vieram atrás de socialistas, sindicalistas e judeus. Todos esses grupos eram basicamente socialistas na Alemanha. Os sindicalistas são majoritariamente socialistas, e um exemplo é o ex-presidente socialista brasileiro Luiz Inácio “Lula” da Silva, que tem um histórico de sindicalista. E a preferência judaica pelo socialismo tem sido um fato histórico.
Então, o que Niemöller quis dizer foi: os nazistas estavam perseguindo socialistas.
O que ele quis dizer é que muitos alemães não se importavam se os nazistas estavam perseguindo, aprisionando e matando socialistas, sindicalistas e judeus. Mas essa indiferença, como ele apontou, acabaria trazendo perseguição aos cristãos.
A Enciclopédia Britânica diz sobre Niemöller:
“Como fundador e um dos principais membros da Kirken Bekennende [Igreja Confessante] dentro da Igreja Evangélica mais ampla (luterana e reformada) da Alemanha, Niemöller foi influente na oposição aos esforços de Adolf Hitler para colocar as igrejas alemãs sob controle dos nazistas e dos chamados cristãos alemães. A resistência da Igreja Confessante foi abertamente declarada e solidificada em seu Sínodo de Barmen em 1934. Niemöller continuou a pregar por toda a Alemanha e em 1937 ele foi preso pela polícia secreta de Hitler, a Gestapo. Ele acabou sendo enviado para os campos de concentração de Sachsenhausen e depois de Dachau, sendo transferido em 1945 para o Tirol, na Áustria, onde as forças aliadas o libertaram no final da Segunda Guerra Mundial. Ele ajudou a reconstruir a Igreja Evangélica na Alemanha.”
De sua experiência vendo nazistas perseguindo, aprisionando e matando socialistas, sindicalistas e judeus, Niemöller entendeu que os cristãos não podiam ser indiferentes quando esses grupos são perseguidos.
Visitantes estão diante da citação de Martin Niemöller que está em exibição na Exposição Permanente do Museu Memorial do Holocausto nos Estados Unidos.
Ele é visto como um bom exemplo cristão. Seu nome e especialmente sua famosa declaração “Primeiro eles vieram…” permanecem permanentemente no Museu do Holocausto nos Estados Unidos. De acordo com a Enciclopédia Britânica, sua declaração também foi dita em termos mais fortes que socialistas:
"Primeiro eles vieram atrás dos comunistas, e eu não abri a boca — porque eu não era comunista…”
Portanto, não é de admirar que Niemöller tenha recebido em 1967 o Prêmio Lênin da Paz, o equivalente da União Soviética ao Prêmio Nobel da Paz. E de 1961 a 1968, ele foi presidente do Conselho Mundial de Igrejas, uma organização protestante socialista.
Ele foi corajoso por abrir a boca contra o nazismo, mas pelo fato de que ele viu o extremismo de um sistema político anti-socialista e anticomunista, ele caiu na armadilha da polarização e escolheu o outro extremismo. Mesmo assim, sua famosa declaração “Primeiro eles vieram…” é usada hoje por esquerdistas e direitistas.
Sua declaração dissipa hoje a confusão entre aqueles que não viveram naquele tempo e tentam ver o nazismo como um movimento socialista. Aliás, tanto o nazismo quanto o fascismo italiano, que são identificados pelos judeus como movimentos direitistas, receberam inspiração de um famoso escritor direitista, Julius Evola, que era o guru de Benito Mussolini.
Francisco Franco, o ditador na Espanha e um dos líderes direitstas mais proeminentes da Europa naquele tempo, recebeu assistência militar do nazismo na Alemanha. A Enciclopédia Britânica diz que a principal influência em sua vida foi que ele estava “próximo de sua mãe, que era uma católica romana de classe média alta piedosa e conservadora.”
De acordo com a Enciclopédia Britânica, Franco, que seguiu a carreira militar, era tão inteligente que “Em 1915, ele se tornou o capitão mais jovem do exército espanhol” e “em maio de 1935, ele foi nomeado chefe do estado-maior do exército espanhol.”
A Enciclopédia Britânica também diz que o apoio que Franco recebia “vinha principalmente da classe média antiesquerdista” e que ele era “um dos principais estadistas anticomunistas do mundo.”
Os leitores direitistas modernos simplesmente não entendem como os nazistas ajudaram militarmente Franco e seu anticomunismo.
O problema com o nazismo é que ele foi inspirado pelo ocultismo, e Evola também era ocultista. E o ocultismo sempre traz confusão.
Uma dessas confusões foi um tratado muito breve entre a Alemanha nazista e a União Soviética em 1939. Embora esse tratado tenha durado menos de seis meses, muitas vezes é usado como “evidência” de que ambos eram dois tipos de socialismo. Contudo, se tal união de vida curta com a União Soviética é evidência de que a Alemanha nazista era socialista, o que os mesmos críticos diriam sobre a aliança entre EUA e União Soviética, a qual durou de 1941 a 1945 durante a 2ª Guerra Mundial, por muito mais tempo do que a curta aliança entre nazistas e soviéticos?
E pelo fato de que a União Soviética lutou contra o nazismo, os EUA colocaram a União Soviética na fundação da ONU. Essa é a armadilha da polarização.
Você cai na armadilha da polarização apenas quando não entende que havia forças mais elevadas operando na Alemanha. Essas forças eram ocultistas, com suas muitas ciladas de confusão.
Martin Niemöller não conseguiu entender as tensões políticas e espirituais dessa armadilha e essas ciladas.
E hoje as pessoas não se importam se Niemöller abraçou o socialismo. Para elas, o que importa é que ele adotou o anti-nazismo, que era um sistema anti-socialista e anticomunista, como Niemöller viu com os próprios olhos.
Em que Niemöller falhou que ele não entendia que o socialismo era tão destrutivo quanto o nazismo? Ele não tinha a unção do Espírito Santo e seus dons sobrenaturais, que poderiam tê-lo ajudado a ver realidades que ele era incapaz de ver com seus olhos humanos.
Ele abraçou o socialismo porque viu o horror que os socialistas na Alemanha sofriam dos nazistas. Mas ele nunca viu que os socialistas na União Soviética cometeram os mesmos e maiores horrores.
Portanto, a famosa declaração de Niemöller está espiritualmente errada. Os cristãos não têm nenhum chamado para defender comunistas e socialistas. E eles devem ter cuidado com grupos que usam o anticomunismo extremo como bandeira. Essa bandeira foi usada no passado por grupos, inclusive nazistas e fascistas, que se inspiraram em Evola. A mesma bandeira é usada hoje por grupos com a mesma inspiração ocultista.
O chamado dos cristãos é pregar o Evangelho para comunistas, socialistas, nazistas, direitistas e esquerdistas. Todo pecador precisa ouvir o Evangelho.
Enquanto você estiver ocupado com a pregação do Evangelho e estiver aberto ao Espírito Santo e seus dons, você nunca cairá na armadilha da polarização e nas ciladas ocultistas dessa polarização.
Leitura recomendada:

4 comentários :

Flávio disse...

Sim Hitler era socialista. Socialismo não é um monopólio dos marxistas. O socialismo de Hitler era só uma versão nacional e não igualitária do socialismo. Sob Hitler o empresario era apenas um seguidor de ordem que obedecia órgãos estatais sobre o que produzir, como produzir, pra quem produzir, precos a se vender. Os trabalhadores eram colocados em suas posições de trabalho pelo estado, tinham carro mais barato e casa. Os mais ricos, minoria, bancavam 45% da carga tributária. Não havia livre mercado, capitalismo era apenas aparência sob um socialismo praticado. Hitler odiava os marxistas por odiar o internacionalismo judaico, ele queria um Império idependente.

Julio Severo disse...

Flávio, o socialismo é historicamente ATEU. A União Soviética, por exemplo, tinha uma constituição oficialmente ateia. O nazismo nunca foi ateu. Embora fosse católico nominal, Hitler era ocultista. Embora o nazismo desse espaço para um cristianismo nominal, esse movimento também era ocultista. Nas décadas de 1920 e 1930 era moda defender princípios socialistas. Naquele tempo, os EUA, sob o presidente Franklin Delano Roosevelt, tiveram o New Deal, que foi um projeto socialista de assistencialismo estatal. Outra característica do socialismo é que estatiza tudo o que pode. Na União Soviética, todas as indústrias e empresas eram estatais. Na Alemanha nazista, não. Havia controle estatal sobre as empresas, mas não estatização. Mas recorde que há um fator que pesa muito nesse controle: o esforço de guerra. Todos os países envolvidos em guerra controlam rigidamente os cidadãos e indústrias. Diferente da Alemanha, que estava diretamente envolvida na guerra e sendo bombardeada dia e noite em seu território, os EUA não estavam sofrendo bombardeios diários em seu território, que estava praticamente ileso. O único episódio foi o ataque a Pearl Harbor, que o Dr. James Dobson sugere num de seus livros que pode ter sido um ataque PERMITIDO por Roosevelt para justificar a entrada dos EUA na guerra, pois o povo americano em grande parte não queria entrar na guerra. Depois do ataque a Pearl Harbor, não houve mais um único ataque aos EUA. Mesmo assim, começou um controle mais rígido de tudo o que estava ligado ao exército. O serviço militar se tornou obrigatório, com consequências terríveis para rapazes de 18 anos que não quisessem se submeter. É certeza que se os EUA sofressem, como a Alemanha, bombardeios diários, o governo americano também submeteria todas as empresas e cidadãos a um controle rígido. Guerra é o fator que muda tudo. Mesmo assim, muitas políticas socialistas nos EUA foram feitas na década de 1930 por Roosevelt, cuja biografia para o português teve uma introdução de ninguém menos que o socialista Fernando Henrique Cardoso.

Flávio disse...

Desde de antes de subir ao poder Hitler ja dizia que os individuos servem para os fins do estado. Tanto os individuos como suas propriedades estão dentro do estado, pois estão nas mãos do estado. Ha um livro chamado socialismo e prussianismo, o autor ja descrevia uma sociedade como a de Hitler, onde o estado guia a sociedade como se fosse uma industria estatal. Sob o nazismo esse autor foi inicialmente louvado e depois odiado apenas por não ser antissemita.

Julio Severo disse...

Esse controle estatal nunca foi desconhecido. Os impérios pagãos do passado já eram assim. Os reinados pagãos do passado seriam vistos como meras ditaduras hoje. Ou outros poderiam dizer que eram sistemas socialistas. O controle dos reis no passado sobre os suditos era total, chegando ao ponto de vida ou morte. Os reis permitiam que os suditos tivessem seus negócios particulares, que eram submetidos a impostos elevados. Mas o socialismo puro é diferente, pois estatiza tudo e é ATEU. O modelo que você descreveu mais parece um reino católico da Idade Média. A única diferença entre uma pessoa na União Soviética e na Europa medieval católica era que para sobreviver na União Soviética, você precisava se declarar ateu, enquanto que na Europa medieval você era obrigado a se declarar católico. Se você não se declarasse ateu ou católico nesses lugares, você perderia tudo, inclusive a vida.