20 de maio de 2020

Norma McCorvey, uma “atriz” pró-vida que falsificou conversões evangélicas e católicas para ser explorada ou para explorar financeiramente evangélicos e católicos pró-vida?


Norma McCorvey, uma “atriz” pró-vida que falsificou conversões evangélicas e católicas para ser explorada ou para explorar financeiramente evangélicos e católicos pró-vida?

Julio Severo
Em uma chocante reportagem de 19 de maio de 2020 intitulada “A mulher por trás da decisão ‘Roe versus Wade’ não mudou de ideia sobre o aborto. Ela foi paga,” o jornal americano Los Angeles Times disse:
Quando Norma McCorvey, a reclamente anônima no caso histórico Roe versus Wade, revelou-se contra o aborto em 1995, sua atitude surpreendeu o mundo e representou uma enorme vitória simbólica para os que se opõem ao aborto: “Jane Roe” tinha passado para o outro lado. Pelo resto de sua vida, Norma trabalhou para derrubar a lei que levava seu nome.
Mas era tudo mentira, diz Norma em um documentário filmado nos meses antes de sua morte em 2017, alegando que só fez tudo aquilo porque ela havia sido paga por organizações antiaborto, inclusive a Operação Resgate.
“Eu era o peixe grande. Eu acho que foi uma coisa mútua. Peguei o dinheiro deles e eles me colocaram na frente das câmeras e me diziam o que dizer. É o que eu diria,” ela diz em “AKA Jane Roe,” que estreia sexta-feira no canal FX. “Foi tudo encenação. Eu fiz essa encenação muito bem. Sou uma boa atriz.”
No que ela descreve como uma “confissão no leito de morte,” uma Norma visivelmente doente reafirma seu apoio aos direitos reprodutivos [aborto] em termos vívidos: “Se uma jovem mulher quer fazer um aborto, isso não é da minha conta. É por isso que chamam isso de escolha.”
O aborto foi legalizado nos Estados Unidos em 1973, permitindo a matança de bebês em gestação desde a concepção até o último dia de gravidez. Anualmente, cerca de 1.000.000 de bebês em gestação são mortos em clínicas de aborto nos EUA.
O papel de Norma foi crucial para legalizar o aborto nos Estados Unidos. Portanto, não foi surpresa que sua conversão em 1995 tenha sido comemorada pelo movimento pró-vida.
A reportagem do Los Angeles Times também disse:
O documentário inclui cenas de Norma na noite das eleições de 2016 — alguns meses antes de ela morrer de insuficiência cardíaca aos 69 anos — expressando seu apoio a Hillary Clinton. “Eu gostaria de saber por quantos abortos Donald Trump foi responsável,” reflete McCorvey. “Tenho certeza de que ele perdeu a conta, se é que pode contar tão alto.”
Uma reportagem do jornal britânico DailyMail intitulada “‘Jane Roe’ do caso histórico da Suprema Corte dos EUA fez ‘confissão no leito de morte’ de que ela foi paga por evangélicos para se tornar uma ativista antiaborto e admitiu que seu ativismo era ‘encenação’” disse:
O reverendo Phillip ‘Flip’ Benham, um dos dois líderes evangélicos que ajudaram a orquestrar a conversão religiosa de Norma em meados da década de 1990, negou que tenha feito pagamentos a ela.
Mas os criadores do documentário descobriram documentos mostrando que ela havia recebido mais de US$ 450.000 em “presentes benevolentes” do movimento antiaborto.
Os cristãos pró-vida são extremamente generosos em seus esforços para combater o aborto, e essa generosidade tem sido interpretada pela mídia esquerdista como "exploração" contra Norma. A mídia esquerdista se recusa a considerar se ela explorou generosos cristãos pró-vida.
A reportagem do DailyMail acrescentou que, na entrevista, “Ao abordar seu ativismo em prol da direita cristã, Norma se vangloria: “Sou uma boa atriz.”
Provavelmente, seu desempenho como atriz aconteceu em sua própria conversão “cristã.” Com a ajuda espiritual de Benham, Norma foi batizada e se tornou evangélica pró-vida. Mas pouco tempo depois, ela passou por outra conversão religiosa: tornou-se católica romana.
Para agradar aos direitistas, a atriz “Norma também participou de manifestações em que ele queimou a bandeira LGBT e o Alcorão,” de acordo com o Los Angeles Times.
Então, ela passou um curto período como atriz evangélica e muitos mais anos como atriz católica. Não entendo como os líderes cristãos não suspeitaram de suas rápidas conversões.
Embora muitos no movimento pró-vida estejam silenciosos, alguns estão se manifestando para defender Norma. Em uma reportagem intitulada “A ex-Jane Roe Norma McCorvey era ‘100% pró-vida,’ rezou para acabar com o aborto pouco antes de morrer,” LifeNews disse:
Ativistas pró-vida que conheciam Norma McCorvey, a “Jane Roe” de Roe versus Wade, acreditam que sua conversão ao movimento pró-vida e ao Cristianismo foi sincera.
Conversão sincera ao Cristianismo? Embora a luta evangélica e católica pró-vida seja importante, ambas as religiões são muito diferentes. Os evangélicos focam em Jesus e na Bíblia como os fatores mais importantes para a vida cristã, enquanto os católicos focam em Jesus, Maria, santos, Bíblia e muitas tradições extra-bíblicas como fatores importantes para a vida cristã.
Portanto, a conversão “cristã” de Norma foi contraditória e problemática.
Rob Schenck, pastor evangélico e ex-líder da Operação Resgate, também foi entrevistado no documentário de Norma. Hoje, Schenck é um evangélico esquerdista contra Trump. O Los Angeles Times disse:
Apesar de seu papel visível na luta contra o aborto, Norma diz que ela era uma mercenária, não uma verdadeira crente. E Schenck, que também se distanciou do movimento antiaborto, pelo menos parcialmente confirma as alegações, dizendo que ela foi paga por preocupação “de que voltaria para o outro lado,” diz ele no filme. “Houve momentos em que me perguntei: ela está nos usando? Eu não tinha coragem de dizer isso, porque eu sabia muito bem que nós também a estávamos usando.”
A mídia esquerdista, que está explorando a confissão no leito de morte de uma atriz pró-vida e retratando o movimento pró-vida como tendo-a explorado, não quis abordar a questão de se uma atriz pró-vida pode explorar generosos cristãos pró-vida para conseguir dinheiro. Atores e atrizes podem usar uma linguagem pró-vida, conservadora, direitista e cristã por anos apenas para obter dinheiro.
Há um rastro de questões problemáticas na conversão “cristã” de Norma. Na minha opinião, a visão mais perspicaz veio da advogada e líder pró-vida Rebecca Kiessling, que disse em sua página no Facebook:
Um novo documentário tem Norma McCorvey, “Jane Roe” de Roe versus Wade, filmada em uma “confissão no leito de morte” em 2017, dizendo que ela sempre apoiou direitos de abortar e só foi paga para dizer que era pró-vida. Norma tinha sérios problemas de saúde mental e muitas pessoas no movimento pró-vida sabiam disso. Eu a conheci pessoalmente quando nós duas conversamos em um evento realizado no meu aniversário e eu estava grávida de 9 meses e tinha minha mãe biológica comigo. Ela ficava querendo cancelar o evento, mas acabou palestrando. Ela era muito agressiva, fazia piadas sobre seus longos anos de abuso de substâncias pesadas. Pensei que era errado que ela não tivesse interesse em conhecer sua filha, a quem ela deu à luz e a entregou para adoção, pois seu caso estava chegando à Suprema Corte dos EUA.
Norma McCorvey e eu éramos amigas de Facebook na época em que ela estava no Facebook, mas as coisas que ela postava eram extremamente bizarras. Uma vez, foi um post realmente estranho envolvendo uma arma. Todo mundo estava preocupado com ela. Ela ficava doida com as coisas que dizia ou publicava regularmente e começava a banir as pessoas quando elas faziam questionamentos ou pediam ajuda dela.
Ela foi cancelada pelas entidades de palestrantes pró-vida como palestrante por causa de seu comportamento instável, inclusive o não comparecimento a eventos, cancelamentos de última hora, dizendo que ela não podia dar a palestra. Ela culpava seu comportamento pelo fato de ser responsável por mais de um milhão de bebês mortos a cada ano. Ela assinou uma declaração juramentada, tentando anular seu caso.
Neste novo documentário, onde ela tem sua “confissão no leito de morte” de que ela sempre defendeu direitos de abortar, quem sabe o que essas pessoas estavam fazendo para explorá-la? Considerando o estado mental dela, não é um choque para mim que este vídeo tenha sido lançado.
Pessoas com sérios problemas de saúde mental precisam de uma verdadeira conversão a Cristo. Uma verdadeira conversão a Cristo resolve esses problemas, porque quando Jesus entra em sua vida, nada é deixado intocado e sem cura.
O caso de Norma mostra que se como cristão você luta contra o aborto, que é uma luta digna, mas negligencia a responsabilidade suprema que Jesus lhe deu (“vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei,” Mateus 28:19-20 NVI), você está apenas fazendo um trabalho social, político ou ideológico, que não salva almas eternas, e perde a oportunidade de pregar o Evangelho em sua totalidade para salvar almas.
Os US$ 450.000 em presentes benevolentes dados a Norma teriam sido muito melhor empregados se usados para sustentar missionários que estão pregando o Evangelho, curando doentes, expulsando demônios, exatamente como Jesus fazia, e fazendo discípulos e ensinando-os a obedecer tudo o que Jesus ordenou.
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2 comentários :

Alexandre disse...

Bem, se tudo o que ela disse for verdadeiro, como cristão eu posso ter pelo menos uma idéia aonde sua alma está repousando nesse exato momento.

Canaã disse...

Duas coisas:
1- Psicólogos geralmente dizem que mulheres que praticaram o aborto sofrem de graves distúrbios emocionais. Imagine o drama espiritual desta mulher ao se sentir responsável por milhares de mortes. Acredito que ela realmente era doente mental por conta do sentimento de culpa.

2- Sempre repito isto: tem evangélicos que trocaram a religião cristã bíblica pela religião chamada ´´direita conservadora´´. São duas coisas diferentes. O discernimento cristão faculta ao homem discernir o que tem de bom na direita e o que tem de ruim na direita. Se cristãos se aproveitaram de uma mulher doente mental para promover uma causa fizeram errado, pois corresse o risco de enfraquecer a causa pró-vida e anti-aborto.