29 de maio de 2020

Ministro da Educação com raízes judaicas no governo Bolsonaro foi criticado pelo governo israelense e organizações judaicas por comparar batidas da Polícia Federal contra aliados à perseguição nazista contra judeus


Ministro da Educação com raízes judaicas no governo Bolsonaro foi criticado pelo governo israelense e organizações judaicas por comparar batidas da Polícia Federal contra aliados à perseguição nazista contra judeus

Julio Severo
O ministro da Educação do Brasil recebeu críticas do governo israelense e de organizações judaicas nos EUA e no Brasil por comparar batidas da Polícia Federal contra aliados do presidente Jair Bolsonaro a Kristallnacht — o início da perseguição nazista contra judeus.
Abraham Weintraub
“Hoje foi o dia da infâmia, VERGONHA NACIONAL, e será lembrado como a Noite dos Cristais brasileira,” tuitou em 27 de maio de 2020 Abraham Weintraub, cujos avós paternos judeus fugiram dos nazistas.
“Profanaram nossos lares e estão nos sufocando. Sabem o que a grande imprensa oligarca/socialista dirá? SIEG HEIL!” continuou o ministro em seu tuíte, acrescentando uma foto que mostra o boicote às lojas judaicas na Alemanha em 1933.
Kristallnacht, ou a Noite dos Cristais Quebrados, refere-se à perseguição nazista de 1938 que marca o início do Holocausto.
Weintraub nasceu de uma mãe católica e um pai judeu cujos membros da família foram mortos em campos de concentração nazistas. Ele geralmente é confundido com judeu devido ao seu nome, mas, de acordo com a Agência Telegráfica Judaica, ele não se identifica como judeu.
Organizações judaicas nos EUA e no Brasil criticaram duramente seus comentários.
“A comparação é totalmente descabida e inoportuna, minimizando de forma inaceitável aqueles terríveis acontecimentos, início da marcha nazista que culminou na morte de 6 milhões de judeus,” disse Fernando Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil, a organização judaica mais importante do Brasil.
“Basta! O uso repetida da linguagem do Holocausto como arma política por parte de funcionários do governo brasileiro é profundamente ofensivo aos judeus do mundo e um insulto às vítimas e sobreviventes do terror nazista. Isso precisa parar imediatamente,” tuitou o Comitê Judaico Americano, a organização judaica mais importante dos EUA.
Embora o governo Bolsonaro seja aliado de Israel, especialmente porque os evangélicos, a base política mais importante de Bolsonaro, são apoiadores tradicionais de Israel, o governo israelense também criticou a comparação de Weintraub.
O cônsul-geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi, disse:
“O Holocausto, a maior tragédia da história moderna, onde 6 milhões de judeus, homens, mulheres, idosos e crianças foram sistematicamente assassinados pela barbárie nazista, é sem precedentes. Esse episódio jamais poderá ser comparado com qualquer realidade política no mundo.”
Com o mesmo tom crítico, a Embaixada de Israel no Brasil divulgou um comunicado:
Houve um aumento da frequência de uso do Holocausto no discurso público, que de forma não intencional banaliza sua memória e também a tragédia do povo judeu, que terminou com o extermínio de 1/3 do nosso povo por ódio e ignorância dos nazistas e seus colaboradores.
Em nome da amizade forte entre nossos países, que cresce cada vez mais há 72 anos, requisitamos que a questão do Holocausto como também o povo judeu ou judaísmo fiquem à margem do diálogo político cotidiano e as disputas entre os lados no jogo ideológico.
Essa é a primeira vez que diplomatas de Israel criticaram de forma pública o governo Bolsonaro. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, viajou ao Brasil para participar da posse do presidente brasileiro em 2019. Na época, Netanyahu disse: “Não temos melhores amigos no mundo do que a comunidade evangélica, e a comunidade evangélica não tem melhor amigo no mundo do que o Estado de Israel.”
Em janeiro de 2020, o secretário da Cultura Roberto Alvim, um adepto de Olavo de Carvalho, foi demitido por imitar um discurso nazista. Na época, o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, falou diretamente com Bolsonaro para expressar a preocupação de Israel com o discurso de Alvim, que havia publicado um vídeo no qual ele fez uso de trechos de um discurso de Joseph Goebbles, ministro da Propaganda na Alemanha de Hitler. Logo depois, Alvim foi demitido.
Houve também outros conflitos entre grupos judeus e o governo Bolsonaro. Em abril de 2020, o Comitê Judaico Americano exigiu um pedido de desculpas do chanceler Ernesto Araújo, que comparou o isolamento social para conter o COVID-19 a campos de concentração nazistas. Foi uma comparação descabida, pois até mesmo Israel usou o isolamento social para conter o COVID-19.
A comparação de Weintraub foi feita depois que em 27 de maio de 2020 a Polícia Federal usou mandados de busca e apreensão contra vários aliados do presidente Bolsonaro como parte de uma investigação sobre ameaças aos ministros do Suprema Tribunal Federal e a disseminação de notícias falsas.
Os aliados políticos foram dignos da comparação de Weintraub? As ações da Polícia Federal afetaram vários indivíduos, inclusive Sara Winter, Allan dos Santos e Bernardo Kuster.
Sara Winter tornou-se conhecida internacionalmente depois que LifeSiteNews, o mais importante site pró-vida católico internacional, publicou uma reportagem em 2015 sobre ela, apresentando sua suposta conversão ao Catolicismo. A reportagem disse:
Sara Fernanda Giromini se tornou conhecida no Brasil e no mundo sob o pseudônimo “Sara Winter” em 2012, quando se tornou membro fundadora da Femen Brasil, e liderou um trio de moças em vários protestos topless que atraíram muita atenção da mídia. No entanto, apenas três anos depois, a jovem ativista fez uma reviravolta e declarou guerra ao feminismo e ao aborto, e está se desculpando com os cristãos por seu comportamento ofensivo.
Ela continua usando seu apelido, Sara Winter, que é a forma portuguesa de “Sarah Winter,” uma apoiadora nazista britânica e membro da União Britânica de Fascistas.
Num vídeo de 27 de maio de 2020, Sara disse que desejaria “trocar soco” com um ministro do Supremo Tribunal e afirmou que esse ministro “nunca mais vai ter paz na vida.” Ela disse:
Você me aguarde, senhor Alexandre de Moraes. Nunca mais vai ter paz na sua vida. A gente vai infernizar sua vida, vamos descobrir os lugares que o senhor frequenta, a gente vai descobrir quem são as empregadas domésticas que trabalham para o senhor… A gente vai descobrir tudo da sua vida até o senhor pedir para sair. Hoje o senhor tomou a pior decisão da sua vida.
Sara Winter é lider do grupo autointitulado “300 do Brasil,” que acampou em frente ao STF. O grupo, cujos membros vestem roupas camufladas parecidas com as roupas do Exército e portam armas, já foi chamado de “milícia armada” pelo Ministério Público do Distitro Federal e Territórios. Faz lembrar um grupo paramilitar.
Sara Winter
Em entrevista ao serviço noticioso em português da BBC de Londres, Sara disse que a presença de armas em seu acampamento é “para a proteção dos próprios membros.” A BBC disse:
Sara Winter gosta de publicar fotos segurando armas e diz nas redes sociais que “atira muito bem.”
Ela dá várias versões para os “300 do Brasil.” Ela diz que foi ideia de Olavo de Carvalho, que é o guro dela. Ela também diz, talvez para agradar a grupos diferentes, que o nome foi escolhido baseado nos “300 de Gideão,” do Antigo Testamento da Bíblia. Ela também diz que foi baseado nos “300 de Esparta.”
Sara também dá outras explicações para uma tatuagem em seu ombro de uma cruz de ferro, símbolo germânico que se tornou popular durante o regime nazista e era a principal condecoração nazista de guerra. Sara diz que a tatuagem era uma homenagem aos “cavaleiros templários da idade média,” mas a pesquisadora alemã Carina Book confirmou que é a cruz de ferro.
Sobre o acampamento dos “300 do Brasil” em frente do STF, ela disse: “Quem me pediu pra fazer tudo isso foi o professor Olavo.”
Não é de estranhar então que em 28 de maio de 2020, Olavo pediu a pena de morte para o ministro que pediu a ação da Polícia Federal contra Sara e outros. Mas se ele defende a pena de morte para o ministro que busca tirar o direito de expressão de Sara, então por que ele é o maior negador da Inquisição no Brasil? A Inquisição tirava de suas vítimas não somente seu direito de expressão, mas também suas propriedades e vidas.
Em algumas ocasiões Sara Winter declarou que recebeu treinamento na Ucrânia e que ela quer “ucranizar” o Brasil, uma postura difícil para os conservadores entenderem, pois a revolução ucraniana foi em grande parte financiada por George Soros, o governo de Obama e os neocons.
Nos treinamentos promovidos por Sara para seu “300 do Brasil,” são proibidos fotos e vídeos e exige-se roupa adequada para um treinamento físico de combate.
Sara Winter com sua máscara de caveira, de acordo com o site jornalístico A Publica
Numa foto do “300 do Brasil,” Sara Winter aparece com outros militantes, usando uma máscara de caveira. A máscara é muito popular na Europa e nos Estados Unidos entre neonazistas. “A máscara de caveira virou uma estética universal fascista,” escreve o jornalista Jake Hanrahan no Twitter.
Grupo neonazista Atomwaffen Division e suas máscaras de caveira
No filme “A Vida de Sara”, um documentário biográfico produzido pela plataforma Lumine, apelidada de “Netflix conservadora,” Sara Winter diz que a FEMEN mandou dinheiro para que ela fosse treinada na Ucrânia e levasse esse treinamento ao Brasil.
O filme foi produzido por Matheus Bazzo, que também produziu o documentário sobre Olavo de Carvalho, “O Jardim das Aflições.”
No filme, Sara conta que que já se prostituiu e ela aparece atirando e manipulando armas de fogo.
Tal quadro parece problemático para a imagem dos cristãos conservadores que lutam contra a agenda de aborto e homossexualidade.
Entre os apoiadores do “300 do Brasil” estão o jornalista do Terça Livre Allan dos Santos e o psiquiatra Ítalo Marsilli, que declarou em um de seus vídeos que mulheres não deveriam votar pois são fáceis de seduzir. Ele disse:
“Na democracia grega, a única do mundo que funcionou, não estava previsto o voto feminino. Quando o voto passa ser pleno, ou seja, mulheres e todo mundo pode votar, a gente vê que tem uma crise na regência do Estado. É muito fácil você convencer mulher de votar, é só você seduzi-la.”
Quanto a Bernardo Kuster, que junto com Sara e Santos foi também alvo da batida da Polícia Federal, ele abandonou a Igreja Evangélica para seguir o catolicismo sincrético de Carvalho. Hoje Kuster promove a ideia de que a Inquisição foi um tribunal de misericórdia — uma postura fortemente contestada pelo governo de Israel e pelos judeus. Aliás, em 2013, em visita ao Vaticano, Netanyahu deu ao Papa Francisco um exemplar de um volumoso livro contra a Inquisição escrito por seu pai.
Na próxima visita de Netanyahu ao Brasil, ele deveria dar um exemplar desse livro a cada membro do governo Bolsonaro. Alguns deles, que seguem Carvalho, acreditam que a Inquisição foi mentira, embora ela tenha também torturado e matado judeus no Brasil.
O que impede Olavo e seus adeptos, que fazem revisionismo descarado da Inquisição, de um dia também fazerem revisionismo do Holocausto? Afinal, as principais vítimas de ambos eram justamente os judeus.
É impossível entender esse quadro caótico sem compreender que Olavo de Carvalho, que tem um histórico ocultista, é membro da Escola Tradicionalista. Recentemente, o escritor judeu americano Benjamin R. Teitelbaum lançou o livro “War for Eternity” (Guerra pela Eternidade), publicado por HarperCollins, a maior editora dos EUA. O livro faz um mapa da Escola Tradicionalista e seus principais representantes em vários países. O representante para o Brasil é Olavo. Teitelbaum apresenta a Escola Tradicionista como uma seita ocultista.
Por sua própria natureza, o ocultismo traz caos.
Apesar das repreensões do governo de Israel e de organizações judaicas nos EUA e Brasil, o ministro da Educação Abraham Weintraub não voltou atrás em sua comparação. Aliás, ele a defendeu, em nome da liberdade de expressão. Ele disse em um tuíte de 28 de maio de 2020:
Não falem em nome de todos os cristãos ou judeus do mundo. FALO POR MIM! Tive avós católicos e avós sobreviventes dos campos de concentração nazistas (foto). Todos eram brasileiros. TENHO DIREITO DE FALAR DO HOLOCAUSTO! Não preciso de mais gente atentando contra MINHA LIBERDADE!
Sim, ele tem direito de falar do Holocausto. Mas já que ele tem avós que sobreviveram ao Holocausto, por que ele não condena os sinais de fascismo no movimento que ele está apoiando?
Olavo de Carvalho é o maior defensor brasileiro da Inquisição, que torturou e matou milhares de judeus. Os adeptos católicos de Carvalho apoiam e propagam a radical postura dele de que a Inquisição foi mito e lenda.
Se Weintraub sabe confrontar Israel e os judeus na sua postura teimosa de comparar o Holocausto com as ações da Polícia Federal contra Sara Winters e outros adeptos de Carvalho, por que ele não sabe ou não consegue confrontar Carvalho sobre a Inquisição? Por que ele não sabe confrontar os sinais de fascismo e ocultismo em Carvalho e seus adeptos?
Por exemplo, o ministro das Relações Exteriores abertamente louva Olavo de Carvalho, René Guénon e Julius Evola. Guénon é o mestre islâmico ocultista seguido pelos membros da Escola Tradicionalista, cujo membro mais proeminente foi Evola, guru do ditador fascista italiano Benito Mussolini. Evola era radicalmente contra o marxismo e escreveu livros defendendo a ideologia direitista, o ocultismo e a magia negra.
Por que Weintraub não questiona e confronta isso?
E com relação à sua defesa da liberdade de expressão, essa defesa é total ou limitada? Em 2019, usando mentiras e difamações, Olavo de Carvalho, considerado o Rasputin de Bolsonaro, apelou para que a Polícia Federal me investigasse, num desejo descarado de ver a máquina estatal silenciando minha voz e meus artigos evangélicos contra o ocultismo e a Inquisição. Você pode conferir tudo aqui: http://bit.ly/2RTonDx
Na época, Weintraub nada disse contra o desejo ditatorial de Olavo de me censurar.
Mas hoje Weintraub, confrontando Israel e grupos judaicos, fala contra a Polícia Federal agindo contra uma ativista de apelido nazista treinada na Ucrânia por grupos financiados por George Soros.
Weintraub também defendeu o canal Terça Livre, que defende a Inquisição e já me atacou, xingou e difamou. Confira aqui: http://bit.ly/2eCxaG7
A liberdade de expressão que Weintraub defende é para todos ou somente para quem usa apelidos nazistas e para quem xinga e difama?
Como ficaria um escritor evangélico nessa defesa? Não sei, pois quando Olavo apelou para a Polícia Federal contra mim, não vi Weintraub defendendo liberdade de expressão. Mas o irmão dele, o Arthur Weintraub, que também tem cargo importante no governo Bolsonaro, ao se deparar com um tuíte meu criticando Olavo, me bloqueou no Twitter.
Para eles, até Israel pode ser confrontado. Mas criticar Olavo, o defensor da Inquisição, é inaceitável.
Weintraub busca defender contra o STF Sara e outros na pura lógica de liberdade de expressão, mas o comportamento do grupo de Sara andar armado e seu uso de símbolos tão ligados ao fascismo não seriam sinais de alerta suficientes de que suas ameaças podem acabar se tornando violentas?
Há três fases na história de Sara nos últimos dez anos. Ela estava ligada ao FEMEN no início da década de 2010. Em meados dessa década, ela já estava aparentemente mudada, se tornando uma personalidade católica pró-vida em LifeSiteNews. E há a Sara mais recente, que está ligada a Olavo e treinando um grupo que tem características paramilitares. Essa é uma Sara que usa uma máscara fascista, xinga, usa armas e ameaça ministros do STF.
Como é que Weintraub não confronta isso, mas confronta o governo de Israel e organizações judaicas? Como é que ele encara isso só como mera opinião, não como sinais de perigo?
Com informações de Jewish Telegraphic Agency, Notícias R7, Istoé, Yahoo, CONIB, Correio Braziliense, Estado de Minas, A Publica, BBC, LifeSiteNews, Revista Forum e UOL.
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28 de maio de 2020

Visão Mundial “cristã” ataca escolas de ensino em casa


Visão Mundial “cristã” ataca escolas de ensino em casa

Alex Newman
A instituição de caridade de aparência “cristã” Visão Mundial se juntou a uma coalizão de organizações de esquerda no Brasil para atacar a educação em casa, uma opção educacional popular para cristãos e até algumas famílias seculares em todo o mundo. Essa organização, que está indo na onda anti-liberdade há anos, alegou que a educação escolar em casa e os direitos dos pais supostamente “representam riscos” para as crianças.
O ataque às normas bíblicas e aos direitos humanos fundamentais vindo dessa organização supostamente “cristã” ocorre apesar de décadas de pesquisa que mostram que crianças que recebem educação escolar em casa costumam se sair melhor em todos os indicadores — acadêmicos, sociais e muito mais. Isso também ocorre porque o interesse na educação escolar em casa está aumentando em todo o mundo devido ao fechamento de tudo por causa do coronavírus e à perda de confiança na “educação” do governo.
“Além de inconstitucional, educação domiciliar traz riscos a crianças e adolescentes,” afirmou a coalizão bizarra de organizações esquerdistas radicais e a organização de ajuda “cristã” no manifesto. Entre outras preocupações, as organizações citaram propaganda enganosa do governo e alegaram que as crianças corriam sério risco de sofrer violência e abuso nas mãos de seus próprios pais e familiares.
“A filial brasileira da Visão Mundial (conhecida em inglês como World Vision), que foi fundada por evangélicos, deveria cumprir uma missão evangélica, e não se aliar a organizaçôes esquerdistas que constantemente atacam os evangélicos e seus valores,” escreveu o popular evangelista e educador doméstico brasileiro Julio Severo, observando que o ataque à educação domiciliar depende de desonestidade e enganação.
“Se o manifesto fosse honesto, ainda mais tendo a presença de uma grande entidade evangélica que tem atuação internacional, elogiaria a educação escolar em casa e denunciaria os relacionamentos fora do casamento,” escreveu Severo, acrescentando que a maior parte da violência “familiar” ocorre em “famílias” não tradicionais que, de qualquer maneira, têm probabilidade muito alta de escolher não educar em casa. “Mas o manifesto faz o contrário: usa a óbvia violência mais elevada dos relacionamentos fora do casamento, tão defendidos pela esquerda, mas propensos a abusos, como evidência de que a educação escolar em casa seria ruim.”
Severo sugeriu que os ataques estão sendo travados porque “um pai e mãe casados conservadores que educam seus filhos ameaçam a doutrinação ideológica hegemônica da esquerda nas escolas.”
Outras organizações que se juntaram à desacreditada organização “evangélica” incluem uma organização supremacista negra que defende o aborto e a homossexualidade, juntamente com inúmeras organizações abertamente globalistas e socialistas que desprezam o Cristianismo e a Bíblia.
“Milhares de evangélicos nos EUA e outros paises enviam contribuições financeiras para a Visão Mundial alimentar crianças, não para alimentar o fanatismo esquerdista antifamília,” concluiu Severo, acrescentando que apenas socialistas sugerem que as escolas do governo são mais seguras para as crianças do que a casa da família. “É hora dos cristãos que enviam suas contribuições para a Visão Mundial fazerem perguntas a essa entidade que deveria estar a serviço do Evangelho e do bem-estar das crianças, não do bem-estar do socialismo.”
A Visão Mundial claramente perdeu o rumo. Este escritor viu sua propaganda anticristã estranha em favor do globalismo e socialismo em todas as conferências da ONU no mundo inteiro. Em resposta, esse escritor procurou respostas anos atrás, não recebeu nenhuma e cancelou todas as contribuições financeiras para essa organização.
Ataques à educação domiciliar vindo de totalitaristas anticristãos são coisas de esperar. Mas quando organizações “cristãs” fajutas se juntam, é hora dos cristãos falarem com uma só voz: A Bíblia deixa claro que os pais, não o governo, devem ficar com a responsabilidade de criar e educar seus próprios filhos. A Visão Mundial deveria se desculpar imediatamente ou devolver o dinheiro de seus colaboradores extraído sob falsos pretextos.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do Freedom Project: “Christian” World Vision Attacks Homeschooling Schools
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27 de maio de 2020

Entidade evangélica Visão Mundial se une a 34 organizações esquerdistas para declarar que a educação escolar em casa “traz riscos” para crianças e adolescentes


Entidade evangélica Visão Mundial se une a 34 organizações esquerdistas para declarar que a educação escolar em casa “traz riscos” para crianças e adolescentes

Julio Severo
Com a pandemia do coronavírus (COVID-19) e crianças sem poder ir à escola, muitos pais estão optando pela educação escolar em casa, internacionalmente conhecida como homeschooling. Em reação, esquerdistas prepararam um manifesto em 14 de Maio de 2020 contra a educação escolar em casa. O manifesto, intitulado “Além de inconstitucional, educação domiciliar traz riscos a crianças e adolescentes, dizem 35 organizações em nota técnica,” foi assinado por 35 organizações esquerdistas, inclusive a Visão Mundial.
A filial brasileira da Visão Mundial (conhecida em inglês como World Vision), que foi fundada por evangélicos, deveria cumprir uma missão evangélica, e não se aliar a organizaçôes esquerdistas que constantemente atacam os evangélicos e seus valores.
Quais são as queixas das 35 organizações esquerdistas, inclusive a Visão Mundial, contra a educação escolar em casa?
O manifesto se queixa de que “não existe amparo legal para prática da educação domiciliar no país” e que a educação escolar em casa “apresenta outros sérios riscos para a proteção da criança e do adolescente,” acrescentando que “os riscos se baseiam nas altas taxas de violência e abuso sexual e de trabalho infantil acontecem dentro do ambiente familiar.”
O manifesto explica:
De acordo com dados do Ministério da Saúde, 68% dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes acontece em ambiente doméstico. E a maioria das vítimas de violência sexual são crianças e adolescentes (de 0 a 17 anos de idade) e do sexo feminino.
Com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2019, a nota técnica mostra que a cada hora, quatro meninas de até 13 anos são estupradas. E que 66% das crianças do sexo masculino estupradas no país tem entre zero e 15 anos de idade.
O manifesto culpa então toda essa violência sexual no ambiente familiar, sem explicar exatamente o que é esse ambiente. As 35 organizações esquerdistas veem o ambiente familiar como ambiente de “sérios riscos.”
Enquanto o ambiente normal da educação escolar em casa é composto por pai e mãe casados conservadores (significando que eles não são divorciados nem recasados porque a maioria dos adeptos da educação escolar em casa são cristãos praticantes), o “ambiente familiar” descrito vagamente pelo manifesto nem sempre tem esse perfil conservador.
Mães solteiras que pulam de um relacionamento para outro são computadas em “ambiente familiar.” Pessoas que vivem juntas sem casamento e partem para outros relacionamentos, colecionando filhos de diferentes relacionamentos, também são computadas como lar. Esses relacionamentos que estão fora do casamento formal e tradicional são os mais violentos.
Se o manifesto fosse honesto, ainda mais tendo a presença de uma grande entidade evangélica que tem atuação internacional, elogiaria a educação escolar em casa e denunciaria os relacionamentos fora do casamento. Mas o manifesto faz o contrário: usa a óbvia violência mais elevada dos relacionamentos fora do casamento, tão defendidos pela esquerda, mas propensos a abusos, como evidência de que a educação escolar em casa seria ruim.
Tradicionalmente, a esquerda defende relacionamentos fora do casamento, com todo os seus perigos e violência.
E tradicionalmente a esquerda ataca a família tradicional, porque um pai e mãe casados conservadores que educam seus filhos ameaçam a doutrinação ideológica hegemônica da esquerda nas escolas. Por isso, a esquerda luta para tirar as crianças das famílias e colocá-las diretamente sob a doutrinação esquerdista das escolas. Uma criança tem muito mais chance de virar esquerdista indo para a escola do que estudando num lar conservador.
A esquerda tem mais facilidade de monitorar e fiscalizar as crianças na escola do que em lares. Uma dessas fiscalizações inclui a questão da disciplina física de crianças. De acordo com a Lei da Palmada, aprovada por socialistas em 2014, pais brasileiros são proibidos de disciplinar os próprios filhos fisicamente por desobediência. De acordo com essa lei socialista, tal disciplina constitui “violência.” Então, quando um manifesto socialista menciona “abuso contra crianças,” esse abuso inclui o que sem socialismo não é abuso, mas direito natural dos pais.
O manifesto conclui:
Regulamentar a prática da educação domiciliar pode agravar os casos de exploração, abusos e violências contra crianças e adolescentes. “É priorizar a agenda de uma minoria — em muitos casos fundamentalista — em detrimento do direito da maioria. É, portanto, extremamente irresponsável do ponto de vista não somente da educação como também da proteção da criança e do adolescente.”
A linguagem do manifesto, vergonhosamente apoiada pela Visão Mundial, revela o centro de sua preocução ao dizer que a legalização da educação escolar em casa prioriza a agenda de uma minoria “fundamentalista.” Esse termo é muitas vezes usado não para designar os ambientes familiares insalúbres, mas famílias cristãs que seguem princípios bíblicos e conservadores. De forma alguma a educação escolar em casa traz prejuízos para a maioria das pessoas, conforme aponta o documento, pois a educação escolar em casa nunca é imposta em ninguém. Mas, evidentemente, traz prejuízos enormes para a esquerda.
O manifesto considera o lar conservador um ambiente inseguro — para a doutrinação socialista, é claro — e o ambiente escolar seguro — para a doutrinação socialista, é claro.
Como defensor da educação escolar em casa no Brasil há mais de 20 anos (sou tradutor do livro de educação escolar em casa De Volta Ao Lar, de Mary Pride), o único risco que vejo é o sequestramento da bandeira da educação escolar em casa. No governo de Jair Bolsonaro, muitos adeptos ocultistas ocupam cargos importantes, inclusive na área de educação. Esses ocultistas foram indicados por Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro. Carvalho é membro da Escola Tradicionalista, cujo membro mais proeminente foi Julius Evola, guru do ditador fascista italiano Benito Mussolini.
Embora Bolsonaro tenha sido eleito principalmente por evangélicos, ele escolheu encher seu governo dos adeptos de Carvalho, os quais usam o conservadorismo, inclusive a educação escolar em casa, para promover sua agenda “tradicionalista” ocultista.
Contudo, o manifesto ataca todos os adeptos de educação escolar em casa no Brasil, quer façam por motivos cristãos ou por motivos esotéricos e “tradicionalistas.”
Entre as 35 organizações que assinaram o documento socialista estão:
* Geledés Instituto da Mulher Negra, uma organização supremacista negra que defende o aborto e o homossexualismo.
* Grupo de Trabalho da Agenda 2030 no Brasil, uma entidade radicalmente socialista.
* Instituto Paulo Freire, uma entidade radicalmente socialista.
* MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), uma entidade radicalmente socialista.
* E Visão Mundial.
Como uma entidade evangélica enorme como a Visão Mundial assina um documento  que ataca o lar conservador como um ambiente inseguro — para a doutrinação socialista — e o ambiente escolar como seguro — para a doutrinação socialista?
Milhares de evangélicos nos EUA e outros paises enviam contribuições financeiras para a Visão Mundial alimentar crianças, não para alimentar o fanatismo esquerdista antifamília.
O ambiente da família natural é a maior proteção para a criança. Colocar a escola, especialmente a escola pública, como uma proteção maior do que a família é algo que só socialistas fazem, e algo que a Visão Mundial está fazendo ao se unir a 35 organizações esquerdistas radicais.
É hora dos cristãos que enviam suas contribuições para a Visão Mundial fazerem perguntas a essa entidade que deveria estar a serviço do Evangelho e do bem-estar das crianças, não do bem-estar do socialismo.
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25 de maio de 2020

Bolsonaro defende controle da natalidade e afirma que “pessoas que têm mais cultura têm menos filhos”


Bolsonaro defende controle da natalidade e afirma que “pessoas que têm mais cultura têm menos filhos”

Julio Severo
O Presidente Jair Bolsonaro se submeteu a uma vasectomia em 30 de janeiro de 2020, procedimento cirúrgico de esterilização para homens que desejam não ter filhos ou parar de ter filhos.
Embora durante a campanha presidencial de 2018 Bolsonaro tenha, em reação a grupos feministas que pregam esterilização e aborto, relatado, em tom de emoção, que desfez uma vasectomia para que sua terceira esposa, Michelle, pudesse engravidar, ele decidiu se esterilizar de novo.
Para Bolsonaro, que se considera católico, a esterilização é problemática, pois a Igreja Católica proibe esse procedimento. Talvez por isso ele tenha pedido sigilo sobre sua nova vasectomia.
Se exemplo é a maior de todas as pregações, Bolsonaro só fez com relação a seu procedimento pessoal de controle da natalidade o que ele já defende há muito tempo.
Não é a primeira vez que as atitudes de Bolsonaro se chocam com o conservadorismo católico. Em 2019, o presidente brasileiro defendeu políticas de planejamento familiar dizendo que “as pessoas que têm mais cultura têm menos filhos.”
Ele disse:
“Não é controle não… Planejamento familiar. Você olha que as as pessoas que têm mais cultura têm menos filhos. Eu sou uma exceção à regra, tenho cinco, tá certo? Mas como regra é isso.”
Bolsonaro tem histórico de defesa do controle da natalidade, que ele chama de “planejamento familiar,” ignorando que Margaret Sanger, que fundou a Federação Internacional de Planejamento Familiar (a maior entidade de planejamento familiar, educação sexual e aborto do mundo), criou o termo “controle da natalidade.” Não existe pois diferença entre planejamento familiar e controle da natalidade. Ambos vieram da mesma fonte.
Como deputado, Bolsonaro é autor do PL 4322, de 1993, que propõe “a realização de laqueadura tubaria e vasectomia para fins de planejamento familiar e controle de natalidade.” Se ele não fosse sério sobre isso ele mesmo não teria feito vasectomia.
Pelo menos, mesmo sendo um católico com mentalidade contraceptiva, Bolsonaro é democrático. Ele permitiu que seu governo, em meio à constelação de métodos de controle da natalidade oferecidos em serviços de saúde e educação sexual para adolescentes, também apresentasse a opção da abstinência sexual.
A propaganda típica de ativistas do controle populacional é mostrar imagens de ricos europeus e americanos com dois filhos em comparação com pobres africanos com dez filhos. Se o controle populacional não fosse tão amado pelos esquerdistas, não seria difícil ver racismo na comparação entre europeus brancos ricos e africanos negros pobres.
Provavelmente, ao ver a propaganda dos promotores de controle populacional Bolsonaro chegou à conclusão de que ter muitos filhos é sinônimo de pobreza. Mas, como ele deixou bem claro, ele é uma exceção — embora sua exceção foi ter 5 filhos com três esposas diferentes, o que significa que ele praticou muito controle da natalidade.
Contudo, por que usar africanos pobres como padrão de famílias grandes? Os africanos são o único exemplo e padrão? Claro que não. As famílias cristãs americanas tinham historicamente em média 8 filhos, e não eram pobres. Eles liam muito, especialmente a Bíblia, e trabalhavam muito. As famílias numerosas dos EUA ajudavam a preservar sua cultura e religião, que era predominantemente evangélica. A República dos EUA foi fundada por uma população 98 por cento evangélica.
Família numerosa sempre foi a norma e padrão dos EUA durante séculos. Os EUA do passado, com famílias numerosas que liam a Bíblia e trabalhavam muito, criaram os EUA de hoje com suas enormes riquezas. Não se cria riquezas sem trabalho. E não dá para se ter bênçãos em seu trabalho sem Deus e a Bíblia. Toda a riqueza acumulada hoje nos EUA é fruto de gerações de famílias numerosas passadas que, em grande parte, valorizavam a Bíblia e o trabalho duro.
Com o crescimento da mentalidade contraceptiva e a consequente diminuição das famílias, os EUA foram ficando cada vez mais longe de seu antigo padrão de família grande e foram ficando cada vez mais dependentes da imigração, com um número de imigrantes muçulmanos cada vez maior aproveitando o espaço deixado por milhões de americanos que foram impedidos de nascer pelo controle da natalidade ou deliberadamente mortos antes de nascer em clínicas de aborto.
A consequência óbvia do declínio das famílias americanas é que a cultura e religião originais dos EUA estão diminuindo. Hoje os evangélicos são menos de 50 por cento da população dos EUA enquanto os católicos são menos de 25 por cento.
Então, em vez de comparar as famílias americanas pequenas ricas de hoje com famílias africanas numerosas pobres, deveríamos comparar as famílias americanas modernas, que não são mais numerosas o suficiente para preservar sua cultura e religião, com as famílias americanas de 100, 200 e 300 anos atrás que eram numerosas o suficiente para preservar sua cultura e religião.
Os homens e as mulheres que construiram os EUA com seus melhores valores e riquezas tinham famílias numerosas. Portanto, não faz sentido aceitar a propaganda de controle populacional que escolhe apenas famílias numerosas pobres da Índia ou África quando o melhor exemplo são os milhões de famílias numerosas que construíram os EUA, tirando sua nação da pobreza espiritual, cultural e financeira e engrandencendo-a e tornando-a cristã.
Mesmo tendo muita riqueza, os EUA já estão enfrentando problemas demográficos com a baixa natalidade. Mas o Brasil, que nem alcançou o nível de riqueza dos EUA, também já está enfrentando semelhantes problemas demográficos.
A NPR disse:
“O Brasil passou por uma mudança demográfica tão dramática que está surpreendendo os cientistas sociais. Nos últimos 50 anos, a taxa de fertilidade caiu de seis filhos por mulher em média para menos de dois — e agora é menor do que nos Estados Unidos.”
A NPR mencionou mudanças de preferência, principalmente de mulheres, como a causa da baixa taxa de natalidade brasileira, mas não explicou o que a causou.
O que aconteceu 50 anos atrás, de acordo com a NPR, que mudou tanto o Brasil demograficamente a ponto de reduzir sua população?
Na década de 1970 a CIA criou um documento chamado NSSM 200 para o governo americano, classificando o Brasil como um dos principais países que deveriam ser alvos de políticas secretas de redução populacional. Entre essas políticas estavam disseminação generalizada do controle da natalidade e estímulos culturais para que as meninas e moças passassem o máximo de tempo possível estudando, como forma de evitarem casamento e gravidez.
O plano da CIA funcionou com tanta perfeição que hoje até um presidente brasileiro defende e pratica o controle da natalidade sem a menor dor na consciência. O presidente Jair Bolsonaro faz direitinho o que a CIA planejou 50 anos atrás.
O Brasil já está em processo de crise demográfica, mas Bolsonaro e outros defensores do controle da natalidade não percebem o perigo. Mais cedo ou mais tarde o Brasil será obrigado a importar milhões de imigrantes, pois a população brasileira já está sofrendo envelhecimento demográfico, e os países que têm esses milhões de imigrantes para enviar são os países muçulmanos.
Do ponto de vista da demografia e do catolicismo, é um erro Bolsonaro aceitar para si e para o Brasil políticas de controle da natalidade.
Como seguidor de Jesus, o que eu penso? Quem segue a Bíblia sabe que filhos são bênçãos. Família numerosa é a vontade de Deus. Nessa perspectiva, qualquer método de controle da natalidade atrapalha os planos de Deus de multiplicar bênçãos nas famílias cristãs.
Contudo, quem não segue Jesus e a Bíblia com seriedade é obrigado a ver filhos como bênçãos e ter uma família numerosa? Não. Aliás, a Bíblia diz que a descendência das pessoas que não conhecem a Deus desaparecerá. Nessa perspectiva, o controle da natalidade, na vida dessas pessoas, apenas ajuda a cumprir a vontade de Deus.
Os cristãos deveriam seguir o belo modelo das famílias numerosas da Bíblia e dos EUA em suas gerações evangélicas passadas que eram trabalhadoras, éticas e tinham muitos filhos.
Os que não seguem Jesus e a Bíblia deveriam ser livres para se esterilizar.
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