19 de março de 2020

Na pandemia, é cada nação por si mesma


Na pandemia, é cada nação por si mesma

Patrick J. Buchanan
“As lâmpadas estão se apagando por toda a Europa; nunca mais as veremos acesas durante a nossa vida,” disse o secretário de Relações Exteriores, Sir Edward Gray, a um amigo na véspera da entrada da Grã-Bretanha na Primeira Guerra Mundial.
Observando de longe a pandemia de coronavírus que assola o Velho Continente, as palavras de Grey voltam à mente. E como a Grande Guerra mudou a Europa para sempre, a pandemia do COVID-19 parece estar mudando a maneira como os povos europeus se veem.
“Todos por um e um por todos!” Essas foram as palavras pelas quais “Os Três Mosqueteiros” de Alexandre Dumas viveram suas vidas.
Esse foi o ideal sobre o qual a UE e a OTAN foram construídas. Um ataque contra um é um ataque contra todos. O Acordo de Schengen, pelo qual os cidadãos da Europa são tão livres para viajar pelos países de seu continente quanto os americanos para viajar de Maryland para a Virgínia, está enraizado nesse ideal.
Entretanto, de repente tudo isso parece pertencer ao passado.
Como os estados-nações da UE estão reagindo à crise do coronavírus traz à mente outra frase, uma frase francesa, “Sauve qui peut,” cuja tradução aproximada é: “Todo homem por si.”
O jornal New York Times escreveu sobre a nova realidade. Na reportagem principal de domingo, “A Europa se paralisa e enfrenta a crise à medida que o vírus se espalha,” o Times escreveu:
“Enquanto alguns líderes europeus, como o presidente da França, Emmanuel Macron, pediram uma intensificação da cooperação entre nações, outros estão tentando fechar seus países. Da Dinamarca à Eslováquia, os governos entraram no modo agressivo de combate ao vírus com o fechamento de fronteiras.”
Descrevendo uma série de países que atendem ao chamado de tribalismo e nacionalismo, o Times lamenta segunda-feira:
“Hoje, os europeus estão… erguendo fronteiras entre países, dentro de suas cidades e bairros, em torno de suas casas — para se protegerem de seus vizinhos e até de seus próprios netos. Confrontando um vírus que não conhece fronteiras, esta Europa moderna sem fronteiras as está construindo em todos os lugares.”
Dentro de alguns dias, a Europa das fronteiras abertas vai se tornar história do passado.
“À medida que a pandemia se espalha da Itália para Espanha, França, Alemanha,” informa o Times, “há uma sensação crescente da necessidade de métodos severos e até autoritários, muitos deles adotados da China.
“A Europa está aterrorizada com a Itália. De repente, muitos dos países do continente estão tentando se trancar, se proteger a si mesmos e a seus cidadãos. A ideia de solidariedade europeia e de uma Europa sem fronteiras, onde os cidadãos são livres para viajar e trabalhar, parece muito distante.”
A Itália, país mais atingido depois da China, está totalmente fechada. A Alemanha está fechando suas fronteiras com a Áustria, Dinamarca, França, Luxemburgo e Suíça. A República Tcheca, Chipre, Dinamarca, Letônia, Lituânia, Polônia e Eslováquia anunciaram que fecharão as fronteiras para todos os estrangeiros. O presidente Donald Trump expandiu sua proibição de viajar para a Europa para incluir dois dos amigos mais antigos dos EUA, Grã-Bretanha e Irlanda.
A Eslovênia fechou sua fronteira com a Itália. A Noruega está totalmente fechada. Os viajantes internacionais que chegam à Noruega arriscam uma quarentena obrigatória de 14 dias, independentemente de sua saúde.
O primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou que o Canadá está impedindo a entrada de todos os viajantes que não são cidadãos ou residentes permanentes. As únicas exceções são tripulações aéreas, diplomatas e “neste momento” cidadãos dos EUA.
O que estamos testemunhando é o choque das reivindicações da natureza humana e da ideologia.
Através da história, a maioria dos homens colocou ligações de família, tribo, fé, país, raça e nação acima das reivindicações da ideologia liberal.
Mas, embora todos os cidadãos possam ter o mesmo direito à vida, dado por Deus, e o direito constitucional de “igual proteção das leis,” todas as pessoas não têm direitos iguais às nossas afeições ou preocupações.
Para a maioria dos homens, as reivindicações do coração são superiores às da mente. Pessoas estrangeiras não têm as mesmas reivindicações que as nossas. Em uma crise, as pessoas colocam famílias, amigos e país em primeiro lugar.
Na Declaração de Independência, Jefferson declara que “todos os homens são criados iguais.” No entanto, o que realmente parece enfurecê-lo e justificar a rebelião contra George III são os crimes que o rei cometera e que ele era “surdo à voz da justiça e da consanguinidade.”
O rei havia violado as reivindicações de nosso sangue comum, enquanto nós americanos não estávamos “querendo atentar para nossos irmãos britânicos.”
Fechar fronteiras é uma ofensa grave contra o liberalismo que supostamente está enraizada no pecado da xenofobia. Mas o que os governos da Europa estão dizendo ao fechar suas fronteiras, o que os americanos estão dizendo ao proibir viagens da Europa, é que, embora todos os homens tenham sido criados iguais, sempre colocaremos nosso próprio povo em primeiro lugar, à frente do resto.
Quando chega uma crise, seja uma guerra em que a sobrevivência da nação esteja em risco ou uma epidemia em que a saúde e a sobrevivência de nosso povo estejam em risco, cuidamos primeiro de nosso próprio povo.
Essa é a natureza humana. É assim que o mundo funciona.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): In the pandemic, it's every nation for itself
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Um comentário :

Alexandre disse...

Resumindo:Cada um por sí e Deus por todos.