5 de março de 2020

Fumantes contaminam locais públicos com suas roupas: as roupas liberam substâncias químicas perigosas, como a nicotina, e só de estar perto delas pode ser tão prejudicial quanto inalar a fumaça do cigarro


Fumantes contaminam locais públicos com suas roupas: as roupas liberam substâncias químicas perigosas, como a nicotina, e só de estar perto delas pode ser tão prejudicial quanto inalar a fumaça do cigarro

Leigh Mcmanus para o Mailonline
Os fumantes “contaminam locais públicos” liberando produtos químicos perigosos do tabaco de suas roupas, afirmam os cientistas.
No primeiro estudo desse tipo, pesquisadores foram capazes de rastrear como os níveis de substâncias químicas em um cinema mudavam quando os fumantes entravam.
As toxinas disparavam durante filmes pornográficos ou violentos — quando os fumantes estavam presentes. Os freqüentadores de cinema eram expostos ao equivalente a até 10 cigarros de fumo passivo durante uma hora.
Essas revelações demonstram os perigos dos produtos químicos do tabaco suspensos no ar, em materiais como roupas e em superfícies como móveis — chamados de fumo passivo.
Pesquisadores da Universidade de Yale, em New Haven, Connecticut, disseram que, apesar das leis que impedem as pessoas de fumar no interior de prédios e casas, “os produtos químicos perigosos da fumaça do cigarro ainda estão penetrando ambientes de casas e prédios.”
O professor Drew Genter, pesquisador do estudo, disse: “As pessoas são transportadoras substanciais de contaminantes do fumo passivo para outros ambientes. Portanto, não é o caso de alguém estar protegido dos possíveis efeitos à saúde da fumaça do cigarro, porque não está diretamente exposto ao fumo passivo.”
A equipe usou instrumentos analíticos altamente sensíveis para rastrear produtos químicos em uma sala de cinema ao longo de uma semana durante filmes com classificações diferentes.
A espectrometria de massa, uma técnica para medir moléculas, detectou vestígios de fumaça em um cinema vazio para não fumantes antes da chegada dos espectadores e quando os participantes se sentaram.
A equipe constatou uma gama diversificada de compostos encontrados na fumaça do tabaco — como benzeno tóxico e formaldeído — disparada drasticamente quando certas audiências chegaram ao cinema.
Os aumentos eram menores nos filmes leves sem violência, mas o público dos filmes com classificação violenta e pornográfica — que tendem a ser adultos que podem fumar — liberou muito mais compostos químicos dentro do cinema.
Os resultados sugeriram que sentar na poltrona do cinema teve efeitos semelhantes à exposição ao fumo passivo.
O fumo passivo, que contém cerca de 4.000 produtos químicos, é o fumo que sai de um cigarro aceso ou é exalado pela pessoa que fuma.
Ficar sentado na poltrona do cinema por uma hora era como ser exposto a 10 cigarros de fumo passivo, disseram os cientistas. 
As emissões atingiam o pico quando as pessoas chegavam para o filme, mas não desapareciam quando os espectadores saíam.
Os pesquisadores conseguiram captar partículas de gás por dias depois que as pessoas deixavam a sala do cinema, em alguns casos.
Como em móveis de hotéis ou no interior de carros de aluguel, descobriu-se que a fumaça se agarrava aos estofos e móveis. Isso é chamado de fumo passivo.
A exposição passiva pela inalação de gases ou pós evaporados que se depositam nas superfícies depois do ato de fumar, ou ao tocar ou ingerir a poeira relacionada ao cigarro nas superfícies, foi identificada como uma ameaça à saúde.
“Em particular, notamos que a nicotina era de longe o composto mais proeminente,” disse a co-autora Jenna Ditto, aluna de doutorado no laboratório do professor Gentner.
Esses resultados confirmam estudos anteriores que encontraram nicotina em superfícies em inúmeros ambientes para não fumantes.
Portanto, os pesquisadores acreditam que suas descobertas são aplicáveis a muitas áreas internas públicas.
Eles acrescentaram ainda que evidências de maiores concentrações de produtos químicos perigosos podem aparecer em espaços menos bem ventilados, como nos transportes públicos, em bares, escritórios e em casa.
Pesquisadores da Universidade Estadual de San Diego descobriram recentemente que meses após a liberação da fumaça, resíduos tóxicos ainda revestem as superfícies em áreas internas onde antes era permitido.
Eles descobriram que décadas de fumo intenso em cassinos causaram acúmulos maciços de resíduos tóxicos em paredes, móveis e tapetes. Os resíduos diminuíram depois da proibição de fumar em um cassino do norte da Califórnia.
Mas mesmo seis meses depois, o fumo passivo tóxico permaneceu acima dos níveis encontrados em hotéis onde no passado era permitido fumar ou casas particulares onde as proibições foram introduzidas.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Riverside, descobriram que a exposição ao fumo passivo pode prejudicar seu cérebro e fígado, afetando seus maneirismos, aumentando seu risco de doenças neurodegenerativas e arruinando seu metabolismo.
A equipe de pesquisa analisou como as pessoas eram afetadas pela inalação de fumaça da roupa, cabelo, casa ou carro de outra pessoa.
Em estudos anteriores em ratos, os mesmos cientistas mostraram que o fumo passivo pode causar diabetes tipo 2, hiperatividade, danos ao fígado e aos pulmões e complicações na cicatrização de feridas.
O fumo, para quem fuma e para quem fica perto de um fumante ou seus resíduos, causa cerca de sete em cada 10 casos de câncer de pulmão no Reino Unido, entre muitos outros tipos de doenças pulmonares.
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