2 de março de 2020

Eduardo Bolsonaro é entrevistado por Breitbart, mas os leitores dos EUA não conseguem entender sua defesa de uma estranha história brasileira de anti-protestantismo e antissemitismo e a natureza real de suas ideias conservadoras


Eduardo Bolsonaro é entrevistado por Breitbart, mas os leitores dos EUA não conseguem entender sua defesa de uma estranha história brasileira de anti-protestantismo e antissemitismo e a natureza real de suas ideias conservadoras

Julio Severo
Eduardo Bolsonaro, filho do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, foi entrevistado pelo site americano Breitbart em fevereiro de 2020. A entrevista, intitulada “Globalistas estão tentando deletar nossa história,” apontou como ele acha que é importante para o Brasil restaurar sua história.
Eduardo Bolsonaro
O Breitbart disse:
Bolsonaro aplaudiu os americanos por estarem cientes de sua história, lamentando que ele não pudesse dizer o mesmo para muitos de seus compatriotas.
“No Brasil, se você for às ruas perguntando às pessoas, ‘quem são os fundadores do Brasil?,’ posso garantir para você que 90% das pessoas não saberão responder a essa pergunta,” previu ele. “Então isso é algo que temos de resgatar e o movimento conservador que está se fortalecendo no Brasil, estamos tentando melhorar, tentando resgatar, porque um povo sem memória é um país sem cultura.”
Pelo fato de que o público dos EUA é completamente incapaz de entender a história do Brasil, Bolsonaro tentou usar comparação, como se a história dos EUA e a história do Brasil tivessem os mesmos paralelos. No entanto, a comparação dele é real?
Mesmo sendo brasileiro, eu adoraria ver os EUA retornando às suas raízes e história. Contudo, seria bom ver o Brasil retornando às suas raízes e história?
Na época dos fundadores dos EUA, havia tolerância. Estou segurando na mão o livro “The Worthy Company: The Dramatic Story of the Men Who Founded Our Country” (Companhia Digna: A História Dramática dos Homens que Fundaram os EUA), de M.E. Bradford (CrossWay Books, 1988). Eu o li assim que foi publicado nos EUA e o carrego em todas as minhas viagens.
CrossWay Books é uma grande editora evangélica nos Estados Unidos.
The Worthy Company registra 55 autores da Constituição dos EUA. Dois deles eram católicos, e os outros autores eram evangélicos. Para um leitor americano, não é surpresa que, em uma população dos EUA 98% evangélica, a tolerância tenha permitido a participação de dois católicos na elaboração de sua constituição.
The Worthy Company contém o esboço biográfico de cada autor, sua teologia e fé em Deus.
A generosidade dos evangélicos conservadores dos EUA é impressionante. Quando expliquei para CrossWay Books em 1988 que eu não tinha condições financeiras de comprar os livros deles, eles me enviaram uma caixa deles. Totalmente conservadores e evangélicos. Grátis.
Se meus artigos conservadores são uma bênção para os leitores evangélicos hoje é porque os evangélicos conservadores dos EUA foram e têm sido uma grande bênção para mim.
Li também a “America’s God and Country Encyclopedia of Quotations” (Enciclopédia de Citações sobre Deus e Patriotismo da América), de William Federer, sobre como a fé em Deus é inseparável do verdadeiro patriotismo dos EUA. Eu li toda essa enciclopédia em 1996.
No Brasil, nenhuma grande editora evangélica conseguiria publicar um livro de história intitulado “Companhia Digna,” porque a história brasileira é cheia de perseguições contra judeus e evangélicos. Os judeus foram perseguidos pela Inquisição, que também operava no Brasil.
Assim, leitores evangélicos brasileiros, como eu, encontravam esperança apenas em traduções de livros dos EUA, inclusive o Manual Bíblico de Halley, que em suas primeiras edições mostrava que a fé em Deus é inseparável do verdadeiro patriotismo dos EUA. Mostrava a fé de George Washington e de outros presidentes dos EUA. Esse manual também explicava o que era a Inquisição. Eu li todo este manual em 1986.
De que adianta os evangélicos brasileiros lerem a história brasileira? Os evangélicos eram os hereges que deveriam ser exterminados. Aliás, os primeiros evangélicos que vieram para o Brasil no século XVI foram exterminados pelos jesuítas. Portanto, não surpreende que os “Fundadores do Brasil,” que Eduardo Bolsonaro pretenda resgatar, não tolerassem os evangélicos.
Um exemplo significativo foi o Nordeste do Brasil, colonizado no início do século XVII por calvinistas holandeses, que estabeleceram uma sociedade com tolerância a evangélicos, judeus e católicos. Essa foi a primeira sociedade no Brasil com verdadeira tolerância religiosa e tinha um paralelo real com os EUA. Aliás, sob esse governo reformado holandês, os judeus construíram uma sinagoga em Recife, a primeira sinagoga no continente americano. Tal sinagoga seria impossível no Brasil católico, mas não na colônia reformada holandesa no Nordeste do Brasil.
Os calvinistas holandeses acabaram sendo expulsos. E os judeus que viviam em sua sociedade livre escolheram segui-los até Nova Iorque para escapar da Inquisição católica brasileira. Esses foram os primeiros judeus em Nova Iorque, e eles fundaram o primeiro sistema financeiro dos Estados Unidos.
Os calvinistas holandeses deixaram para o Brasil pontes maciças, museus, teatros e outros edifícios que permanecem lindos até hoje. Isso é história real.
Os calvinistas holandeses poderiam ter construído muitos, muitos outros edifícios, mas foram mortos e expulsos. Os judeus expulsos poderiam ter construído no Nordeste do Brasil o bem-sucedido sistema financeiro que construíram em Nova Iorque. Mas os brasileiros escolheram a intolerância, o anti-protestantismo e o antissemitismo como base do novo Brasil. Portanto, não é surpresa que o Nordeste do Brasil tenha sido historicamente uma desolação de pobreza e desgraça.
A história dos EUA não tem Inquisição contra os judeus. A história brasileira tem a Inquisição contra os judeus. Como a história dos EUA e a história do Brasil podem ser paralelas? Parece que até Eduardo Bolsonaro, que revelou seu desejo pessoal de viver nos EUA, e não no Brasil, não conhece a história brasileira!
O Brasil católico lutou e exterminou a única e primeira sociedade com liberdade religiosa e com paralelo real à sociedade dos EUA. Qual lado Bolsonaro pretende resgatar — os opressores ou suas vítimas?
Quando eu era garoto estudando em uma escola pública sob o regime militar direitista, me ensinaram que a luta do Brasil contra os calvinistas holandeses era “patriotismo.” Embora os católicos brasileiros celebrem esse “patriotismo,” nunca fiz isso. Aliás, na escola, o protestantismo na história era ensinado como uma religião oprimindo, perseguindo e matando católicos. Esse era o sistema de escolas públicas no Brasil do regime militar.
Livros escolares de história chamavam os calvinistas holandeses de invasores “heréticos.” Havia um menino judeu na escola e ele era isolado por outros estudantes, que diziam, “Ele é judeu!” como se ser judeu fosse igual a ser algum tipo de indivíduo repugnante. Eu sentia muita pena do garoto por causa do tratamento que ele recebia de outros meninos.
Eu sabia o que o garoto judeu sofria, porque muitas vezes zombavam de mim só porque eu era evangélico. A maioria dos meninos era católica, de modo que, em uma escola pública onde tudo o que era católico era celebrado, um menino judeu e um menino evangélico eram vistos e tratados como anormais, com todos os tipos de apelidos.
Não consigo imaginar quanto ódio judeus e evangélicos holandeses sofreram no Brasil em séculos passados.
As aulas começavam com a professora forçando os alunos a rezar o rosário católico da Ave Maria. Como evangélico, eu não ficava feliz em ser forçado a fazer isso em uma escola pública e também em ver minha religião ser desprezada nos livros de história.
É essa história que Eduardo Bolsonaro pretende resgatar?
Embora Jair Bolsonaro tenha vencido a eleição por causa do apoio massivo dos evangélicos cansados de ver políticas socialistas promovendo o aborto e a sodomia, o governo Bolsonaro tem usado esse apoio evangélico apenas como uma plataforma para fortalecer outros grupos, inclusive monarquistas, que defendem que o Brasil no governo monárquico era melhor do que hoje.
Durante o regime monárquico, americanos e europeus que visitaram o Brasil disseram que a preguiça e a corrupção reinavam no Brasil. É essa “história” que Eduardo Bolsonaro pretende resgatar?
Durante a monarquia brasileira, a pena de morte foi abolida e a sodomia foi legalizada no século XIX. Então o Brasil foi possivelmente a primeira nação no continente americano, sob monarquia católica, a legalizar a sodomia. A pena de morte foi abolida porque a corrupção desenfreada afetava tudo, inclusive o sistema legal.
É verdade que o monarca brasileiro Dom Pedro 2 ficou tão maravilhado, quando visitou os Estados Unidos na década de 1860, com o progresso da sociedade americana e com o modo como os evangélicos americanos trabalhavam duro, que ele convidou os confederados derrotados a se mudarem para o Brasil . Ele estava tentando resolver a tradição brasileira de “preguiça e corrupção.” Cerca de 10.000 confederados se mudaram para o Brasil. Todos eles evangélicos.
Eles tiveram de viver em cidades separadas construídas por eles. Eles tiveram de construir cemitérios separados, porque não tinham permissão de enterrar seus mortos em cemitérios públicos. Eles tiveram de viver separados porque, mesmo no século XIX, o Brasil católico odiava os evangélicos.
Durante a monarquia, os evangélicos eram proibidos de ocupar cargos públicos e governamentais. Eles eram apenas cidadãos de segunda ou terceira classe.
Essa é a história brasileira. Se Eduardo Bolsonaro pretende resgatá-la, bom para ele e para os católicos. Mas não é bom para mim como evangélico. Uma história que perseguiu judeus e calvinistas holandeses, uma história que ostracizou evangélicos americanos, uma história que proibiu evangélicos de ocupar cargos no governo não me representa.
Então, existe um paralelo entre a história dos EUA e a história do Brasil, como Bolsonaro tentou mostrar? Somente na imaginação dele.
O Brasil tem uma triste história de preguiça, corrupção e altos impostos que começaram muito antes do nascimento de Karl Marx. Portanto, tentar culpar todos os problemas brasileiros no marxismo é simplesmente desonesto.
Durante o regime militar, que era de direita no padrão brasileiro, as linhas telefônicas eram tão caras quanto um terreno. Os carros brasileiros, que eram de baixa qualidade em comparação aos carros americanos, tinham um imposto massivo de 50%! Altos impostos são uma péssima tradição no Brasil. Ainda hoje, sob Bolsonaro, se você compra um carro, que também permanece com baixa qualidade em comparação aos carros americanos, você paga metade do valor em impostos.
Bolsonaro não pode culpar altos impostos nos socialistas, porque eles são uma tradição amaldiçoada na história brasileira.
A entrevista de Breitbart apresentou Eduardo Bolsonaro como “o representante do crescente movimento conservador em seu país que levou seu pai ao poder no ano passado, após mais de uma década de regime socialista.”
Não houve palavra ou sugestão do apoio evangélico maciço. Censura? Revisionismo político? Bolsonaro tem o hábito de descartar o papel dos evangélicos na eleição de seu pai e foi por isso repreendido por Silas Malafaia, o líder evangélico mais proeminente do Brasil.
O padrão latino-americano é onde os evangélicos aumentam seus números, reina o conservadorismo. Hoje, a Guatemala é 50% evangélica e, assim que um presidente evangélico foi eleito, a embaixada da Guatemala em Israel foi transferida para Jerusalém. Embora os evangélicos tenham votado massivamente em Bolsonaro, ele está adiando sua promessa de mudar a embaixada do Brasil para Jerusalém. Se Bolsonaro fosse evangélico, ele seria muito mais conservador e a embaixada brasileira já teria sido transferida para Jerusalém no primeiro ano de seu governo.
É uma pena que o Breitbart não entenda nada sobre a história e a política do Brasil. Se entendesse, poderia apresentar algumas perguntas relevantes a Bolsonaro, inclusive “por que, enquanto a história dos EUA é marcada pela tolerância evangélica aos judeus e católicos, a história brasileira é marcada pela intolerância católica contra evangélicos e judeus?”
Ele também poderia perguntar por que Eduardo Bolsonaro não fala sobre como os evangélicos foram fundamentais para a vitória de seu pai. “Fundamental” é o adjetivo exato que Jair Bolsonaro usou sobre os evangélicos quando foi entrevistado pela Rede de Televisão Cristã dos EUA em 2019.
A repórter do Breitbart disse: “O Bolsonaro mais velho ganhou a presidência em uma campanha de valores familiares, liberdade individual e divorciando o Brasil de forças internacionais malévolas, como os governos da China…” Se ela tivesse feito uma simples pesquisa no Google, ela veria que Bolsonaro visitou a China em 2019 no  aniversário de 70 anos de sua revolução comunista. Ao contrário dos conservadores, que dizem que a China é uma nação comunista, Bolsonaro chamou a China de “nação capitalista.”
Claro, em comparação com a Venezuela, o Brasil é um paraíso. Mas, em comparação com os EUA e sua história, o que é o Brasil? Se você está descontente em pagar cerca de 10% em impostos ao comprar um carro de alta qualidade nos EUA, venha ao Brasil pagar cerca de 50% em impostos ao comprar um carro de baixa qualidade!
A entrevista inteira mostrou que o entrevistador não sabe nada sobre o Brasil e sua história, e mostrou, para leitores atentos, quão ridículo Eduardo Bolsonaro foi ao tentar fazer da história dos EUA e da história do Brasil um paralelo digno de ser resgatado pelos conservadores.
Como evangélico conservador, apoio de coração os esforços para resgatar a história e as tradições dos EUA. Mas duvido que os evangélicos dos EUA, que são a principal base política de Trump, ficariam felizes em ver o resgate de uma história brasileira em que evangélicos, inclusive evangélicos americanos, e judeus eram maltratados e perseguidos.
Se o Breitbart não entende nada sobre a história brasileira, o que Bolsonaro realmente entende sobre conservadorismo? Em 2019, ele segurou uma bandeira gay na CPAC Brasil, que ele financiou com mais de 1 milhão de dinheiro de impostos. Os socialistas usam dinheiro de impostos para financiar seus eventos ideológicos privados. Mas verdadeiros conservadores nunca fazem isso. Uma coisa que o público conservador dos EUA não sabe sobre os direitistas brasileiros é que eles amam tanto os impostos quanto os socialistas.
Pela oportunidade que ele deu para a CPAC realizar — e pelo enorme dinheiro de impostos que ele deu para financiar — seu evento no Brasil, eles deram a ele um tempo especial na CPAC 2020 nos EUA.
“Conservadorismo” financiado por impostos não é uma ideia conservadora.
Na verdade, ele está pegando carona na enorme onda evangélica conservadora, mas não dá crédito a ela. Em vez disso, ele tem usado essa onda apenas como uma plataforma para promover outros grupos e suas próprias ambições.
Pelo bem dos leitores dos EUA que não conhecem a realidade brasileira, o Breitbart deveria agendar uma nova entrevista com Bolsonaro, com perguntas necessárias e pontuais. Poderia também aproveitar a oportunidade para lhe ensinar a verdadeira história brasileira.
A lição importante é: Não é por acaso que a maior nação capitalista do mundo — os Estados Unidos — seja também a maior nação evangélica do mundo. Não é também por acaso que o crescimento explosivo do conservadorismo no Brasil, que é a maior nação católica do mundo, segue o crescimento explosivo das igrejas evangélicas no Brasil.
Aliás, para combater o crescimento explosivo de partidos e movimentos socialistas na América Latina alimentados pela Teologia da Libertação promovida pela Igreja Católica, a CIA apoiou o pentecostalismo na América Latina por sua Teologia da Prosperidade, que é um inimigo conservador e natural do marxismo.
Como o Breitbart e Bolsonaro ignoram essa realidade tão óbvia?
O movimento católico conservador que está politicamente capitalizando em cima do crescimento dos evangélicos é estridentemente pró-Inquisição.
O crescimento explosivo do conservadorismo no Brasil é resultado do Brasil monárquico e colonial, onde reinava o anti-protestantismo e o antissemitismo, ou o resultado do crescimento explosivo do evangelicalismo? Sem tendenciosidade, essa é uma pergunta muito fácil de responder.
Contudo, Breitbart nunca apresentou essa pergunta a Bolsonaro.
Leitura recomendada sobre Eduardo Bolsonaro:
Leitura recomendada sobre Jair Bolsonaro e o conservadorismo evangélico no Brasil:

11 comentários :

Daniel Agl disse...

Muito bom o artigo, gostei.

Só senti falta de artigos linkados nalguns trechos quando se falou sobre o período monárquico sob a coroa portuguesa (era colonial, séculos XVI e XVII) e também do período monárquico brasileiro (século XIX) para mais informações sobre as perseguições.

Falando de monarquistas, quando eu participava das rodas do movimento brasileiro, se conversava mais sobre os benefícios do sistema parlamentarista com chefe de Estado neutro (monárquico). Porém lembro que quando havia algum elogio do período, eram por coisas mais pontuais específicas do que elogios gerais. Inclusive se conversava em que se houvesse uma restauração, apenas seria do sistema político do que das leis e costumes da época. Mas é fato notar que existem monarquistas de todo o tipo.

Mas eu agradeço muito à eles, porque foi por causa deles que eu tive contato com a política e material "da direita" e aprendi a ser mais atento e ativo para defender os valores cristãos dentro da política estatal.

Muito bom o artigo. Que Deus te abençoe. Escreva mais! ;)

Julio Severo disse...

Daniel, a menos que você seja totalmente alienado da realidade evangélica, qualquer literatura evangélica sobre o evangelicalismo do Brasil do século XIX e séculos anteriores trata muito bem da questão de perseguição. Os batistas têm sua história de sofrimento e perseguição na época, os presbiterianos também. Isso é história muito fácil de achar. Se você conseguiu achar literatura monarquista desonesta que retrata uma monarquia positiva e bela, não haveria por que você teria dificuldade de encontrar os fatos sobre isso, especialmente porque, no que se refere aos evangélicos e judeus, o Brasil dos monarcas brasileiros e portugueses foi tudo, menos bom.

Flávio disse...

Grande artigo. Os países católicos sempre foram inferiores aos protestantes em seu desenvolvimento, a diferença na renda, escolaridade, expectativa de vida entre ambos a 100 anos atrás é notável.

E em liberdade ninguém vencia os EUA, o mais protestante do mundo.

Adam disse...

Caro Julio, fugindo um pouco da temática do artigo, alguns amigos atribuem tudo que é bom dos EUA aos maçons, ainda que não sejam maçons. Para eles é simplesmente um tabu a questão do papel do evangelicalismo na formação dos EUA e na cultura local,de ordem e prosperidade, inclusive dizem que a Constituição americana é praticamente um documento maçom. O que acha? Os 53 evangélicos que redigiram a Constituição poderiam ser maçons? Forte Abraço!

Julio Severo disse...

Adam, de fato os EUA tiveram sua história inicial misturada com maçonaria, porque os evangélicos da época achavam chique ser maçom, assim como evangélicos hoje acham chique usar controle da natalidade, ainda que esses métodos causem graves problemas de saúde e também micro-aborto.

Os EUA têm dois destinos a seguir: Do Evangelho, que era a intenção original dos primeiros colonizadores dos EUA (os Peregrinos, do Mayflower, fizeram uma aliança com Deus, consagrando os EUA ao Evangelho) ou do satanismo, representado pela maçonaria. Aliás, há antigas profecias maçônicas de mais de 200 anos atrás que dizem que os EUA vão liderar a Nova Ordem Mundial. Infelizmente, isso já está acontecendo. Se os evangélicos americanos não reagirem, os EUA, que são a maior nação maçônica do mundo, vão conduzir o mundo num profundo satanismo político. Veja este artigo:

O Anticristo está escondido na história dos EUA?

Hagnaldo disse...

Julio, estou cursando historia e me chamou atenção de um fato que parece ser desconhecido pra muitos, pelo menos pra mim era, que embasa seu artigo sobre o período monárquico do Brasil. Me refiro aos registros em algumas fontes, da presença de HEITOR FURTADO MENDONÇA visitador da Inquisição que esteve na Bahia, em Pernambuco, em Itamaraca e na Paraiba entre 1591 e 1593. Essa regiao recebeu as chamadas visitações, quando representantes do santo oficio vinham investigar, sobretudo, praticas judaizantes e acabavam "investigandos" outras ocorrencias, que penso se tratar do protestantismo(Teoria da Historia, Antonio Fontoura Pag 43).
Vc tem mais referências sobre este fato?

Julio Severo disse...

Hagnaldo, a Inquisição operava no Brasil e há livros escritos por historiadores judeus sobre sua presença no Brasil. Clique neste artigo:

Historiador documenta 300 anos de Inquisição e perseguição aos judeus em São Paulo

Em Belo Horizonte, há o Museu da Inquisição, que documenta os crimes da Inquisição no Brasil. Clique neste artigo:

Museu da História da Inquisição no Brasil

E Pernambuco foi o primeiro estado brasileiro a instituir uma data anual em memória das vítimas judias da Inquisição. Clique aqui:

Assembleia Legislativa de Pernambuco cria Dia em Memória dos Judeus Vítimas da Inquisição

Ohelitom Sousa disse...

Bem que o julio poderia se dispor a escrever livros sobre a história da perseguição e inquisição no brasil seria bem vindo pra estes tempos. --PASSA A MACEDONIA JULIO!

Ohelitom Sousa disse...

Em sao Paulo ha o cemitério protestante vejam historia.
Um livro foi lançado com base nessas pesquisas chamado: “Cemitério dos protestantes- Repouso de ilustres”, em que há uma breve contextualização histórica do nascimento do Cemitério dos Protestantes e uma lista com nomes de personalidades importantes que foram enterradas no local.[1]

Marcos Zequias disse...

Vi um filme sobre a ocupação holandesa no nordeste brasileiro, "batalha dos Guararapes", um filme brasileiro produzido em pleno regime militar, inclusive com ajuda do exército brasileiro, o filme reflete a visão católica da invasão holandesa, os holandêses são retratados como hereges que trouxeram desgraça e exploração, quando na realidade era exatamente o contrário

Marcos Zequias disse...

Em relação a maçonaria, eu li que no começo a maçonaria deu apoio e cobertura prós evangélicos no período monárquico, ajudando a escapar da perseguição cega da igreja católica, alguns missionários americanos tinha contato com altoridades monarquistas e até com o imperador Dom Pedro 2, o mesmo apesar de ter sido católico, tinha simpatia pelos evangélicos, esses missionários acabavam escapando do furor das perseguições, porém os demais evangélicos sofriam hostilidade do resto da sociedade brasileira da época.