10 de fevereiro de 2020

Mike Pompeo: O comunismo chinês é “a ameaça central dos nossos tempos”


Mike Pompeo: O comunismo chinês é “a ameaça central dos nossos tempos”

Julio Severo
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse com razão que o comunismo chinês é “a ameaça central de nossos tempos.” Ele chegou a essa conclusão depois de ver que a China está usando o capitalismo para se infiltrar nos governos federal, estadual e local dos Estados Unidos.
Pompeo disse em discurso na Associação Nacional de Governadores, em Washington, em 8 de fevereiro de 2020, que a China está adotando uma política de exploração das liberdades dos EUA para “obter vantagem sobre nós no nível federal, estadual e local.” Sua linguagem foi forte: “O Partido Comunista Chinês representa a ameaça central de nossos tempos.”
Seus comentários contrastam com a linguagem mais conciliatória do Presidente Donald Trump sobre a China. Em janeiro, Trump chamou o presidente chinês Xi Jinping de “muito, muito bom amigo meu” e disse que planejava visitar a China em um futuro não muito distante. Ele também visitou a China em 2017, no primeiro ano de seu governo. Trump também parabenizou a revolução comunista da China que matou milhões de chineses inocentes.
Ver uma ameaça antes que seus perigos se concretizem é visão. Ver uma ameaça somente depois que todos os seus perigos se concretizaram é falta de visão. Embora a avaliação de Pompeo esteja correta, ela se encaixa no último caso.
Não vendo a ameaça do comunismo chinês, durante décadas governo após governo nos EUA, democratas e republicanos, esquerdistas e conservadores, em menor ou maior grau, deram à China privilégios comerciais especiais, que ajudaram milhares de empresas americanas a se mudarem para a China, onde a mão-de-obra é barata.
A verdade é que os EUA usaram e abusaram da mão-de-obra chinesa para seus próprios lucros. Em troca, o Partido Comunista da China tirou vantagem lucrando com essas empresas americanas e a mão-de-obra chinesa para construir o maior exército comunista do mundo. O governo dos EUA e suas empresas nunca se importaram com trabalho escravo e perseguição contra cristãos na China.
Se os EUA podem usar — e realmente usaram — a China comunista para obter lucro, por que a China não poderia usar o capitalismo dos EUA para obter lucros ideológicos?
O capitalismo não é uma ferramenta moral. Só pode ser uma ferramenta moral se seus operadores forem pessoas com valores morais. Houve um tempo na América, que é a maior nação evangélica e capitalista do mundo, em que o capitalismo e os valores evangélicos andavam de mãos dadas. Mais tarde, eles se divorciaram, e agora o capitalismo dos EUA está à mercê e caprichos de seus operadores materialistas e não evangélicos, que não se importam com o casamento passado entre capitalismo e evangelicalismo na história dos EUA.
Assim, os operadores dos EUA, sem os valores evangélicos originais, usam e abusam do capitalismo da maneira que bem entendem. E a China, com seus valores comunistas, também usa e abusa do capitalismo da maneira que bem entende. Mas os EUA não estão satisfeitos com isso.
O capitalismo é puro materialismo. O evangelicalismo conservador é uma visão espiritual. Tanto os EUA quanto a China querem o capitalismo, mas nenhum evangelicalismo liderando o capitalismo.
Por falta de visão, na década de 1970, os EUA tiveram a ideia de transformar a China em uma potência capitalista para derrotar a União Soviética. O plano foi bem-sucedido: a China se tornou uma potência capitalista reconhecida por todos. O presidente brasileiro Jair Bolsonaro, ao visitar a China na comemoração de 70 anos de sua revolução comunista, disse: “Estou em um país capitalista.”
A China é um “país capitalista fabricado na América” — fabricado em uma América que divorciou o capitalismo do evangelicalismo.
O plano geopolítico dos EUA foi bem-sucedido ao transformar a China em uma nação capitalista para derrotar a União Soviética. O problema é que a União Soviética morreu em 1989, a Rússia voltou às suas raízes ortodoxas cristãs e a China substituiu a União Soviética como “a ameaça central de nossos tempos.” Ou seja, o plano dos EUA acabou virando um tiro pela culatra de forma miserável, porque tinha uma visão materialista, mas nenhuma visão cristã, espiritual ou evangélica conservadora.
A China não é o primeiro exemplo dos EUA financiando o comunismo. O nascimento da União Soviética foi financiado por banqueiros americanos, conforme foi discutido por Antony C. Sutton em seu livro clássico de 1974 “Wall Street and the Bolshevik Revolution: The Remarkable True Story of the American Capitalists Who Financed the Russian Communists” (Wall Street e a Revolução Bolchevique: A Notável História Verdadeira dos Capitalistas Americanos que Financiaram os Comunistas Russos.”
Mais tarde, o presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt, ajudou muito a máquina de guerra soviética, fornecendo equipamento militar e até comida aos soldados soviéticos famintos durante a Segunda Guerra Mundial, de acordo com o general William T. Still em seu livro “New World Order: The Ancient Plan of Secret Societies” (Nova Ordem Mundial: O Plano Antigo das Sociedades Secretas.” O plano de Roosevelt generosamente entregou a Europa Oriental e a Alemanha Oriental a Stálin.
Ninguém ajudou, equipou, financiou e alimentou a União Soviética mais do que o governo dos EUA e os capitalistas dos EUA.
Esses não são os primeiros planos dos EUA a falhar por falta de visão espiritual e por priorizarem metas materialistas. Para derrotar a União Soviética, a CIA treinou seu agente saudita Osama bin Laden na década de 1970 e deu a ele bilhões de dólares para fundar e financiar a al-Qaeda. No final, a União Soviética morreu e a al-Qaeda e bin Laden se tornaram a principal ameaça aos EUA. O plano dos EUA virou um tiro pela culatra.
Os EUA investiram pesadamente na al-Qaeda e não perceberam que esse investimento seria contraproducente. Aliás, os EUA investiram maciçamente, especialmente em termos militares, na Arábia Saudita e o que os americanos conseguiram? Terroristas sauditas que se tornaram os autores do maior atentado terrorista em solo dos EUA em 11 de setembro.
Em 2011, para cumprir o plano dos EUA de depor o presidente sírio, o governo dos EUA e a Arábia Saudita financiaram e armaram rebeldes sírios e os ISIS. Milhares e milhares de cristãos foram martirizados. No final, os EUA tiveram de combater o ISIS porque, novamente, a solução se tornou pior do que o alegado problema. O plano dos EUA virou um tiro pela culatra.
Embora os EUA tenham muitas bases militares no Oriente Médio, as comunidades cristãs que estavam sendo martirizadas pelo ISIS não receberam ajuda das forças militares americanas, que estavam ocupadas demais protegendo a Arábia Saudita e seus interesses.
Apesar das lições duras que os EUA deveriam ter aprendidos — a visão evangélica conservadora, espiritual e cristã é mais importante que os planos materialistas —, os EUA insistem em ver a Arábia Saudita hoje da mesma maneira que viam a China no passado.
É necessária uma grande visão para ver que os EUA estão criando outro monstro ameaçador? A lição dura não aprendida é que os EUA só verão a ameaça quando for tarde demais.
A essa altura, o governo dos EUA deveria estar se perguntando: “Por que nossos planos políticos e militares viraram tiros pela culatra durante décadas?” Os fundadores dos EUA, que liam e valorizavam a Bíblia, teriam algumas respostas úteis. Por exemplo, eles diriam: “Por que gastar trilhões de dólares para manter mais de 800 bases militares dos EUA em todo o mundo se nossas próprias fronteiras têm proteção decrépita?”
Então, em vez de dizer que o comunismo chinês é “a ameaça central de nossos tempos,” Mike Pompeo deveria ter dito: “Os EUA transformaram o comunismo chinês na ameaça central de nossos tempos.”
Há um ditado que diz que o sábio aprende com os erros dos outros. Aprendi muito com os erros atuais dos EUA, apesar de ter aprendido muitas lições mais positivas da história evangélica dos EUA.
A visão evangélica conservadora, espiritual e cristã que guiou os fundadores dos EUA está imensamente ausente na política doméstica e externa dos EUA de hoje. Pompeo, que é evangélico como eu, deveria saber disso melhor do que eu. Ele conhece a Bíblia. Aliás, em 9 de fevereiro de 2020, ele tuitou um versículo da Bíblia em sua conta pessoal no Twitter:
“Ame o Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma e com toda a sua força.” Deuteronômio 6:5
Não é isso falta de visão? Como um evangélico pode amar o Senhor com todo o seu coração, alma e força e, ao mesmo tempo, celebrar a sodomia, que Deus chama de abominação? Deus diz em sua Palavra:
“Não te deitarás com um homem como se deita com uma mulher. Isso é abominável!” (Levítico 18:22 KJA)
Como pode um evangélico com lealdades tão mistas ter uma boa visão para resolver questões políticas, geopolíticas e militares sem as falhas históricas dos EUA com a União Soviética, China, Arábia Saudita, al-Qaeda, ISIS e Osama bin Laden?
Como Deus pode abençoar uma nação onde até os evangélicos em cargos elevados no governo abençoam uma abominação?
Não é apenas a China que está explorando as liberdades dos EUA para “obter vantagem em nível federal, estadual e local.” A Arábia Saudita vem fazendo isso há décadas por amor ao expansionismo islâmico. A indústria americana do aborto vem fazendo isso há décadas lucrando bilhões com o sangue de bebês em gestação. O movimento homossexual também vem fazendo isso há décadas em sua agressiva campanha predatória contra as famílias e seus filhos.
Como evangélico, Pompeo deveria ter uma visão maior para grandes problemas.
O comunismo chinês é a ameaça central de nossos tempos.
O aborto legal é a ameaça central de nossos tempos.
A agenda homossexual é a ameaça central de nossos tempos.
O islamismo é a ameaça central de nossos tempos.
Expor uma ameaça e celebrar outras duas não é uma visão cristã, para um cristão normal ou um cristão em um cargo de alto nível no governo.
Com informações do DailyMail e da Associated Press.
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