18 de janeiro de 2020

Principal autoridade da cultura do Brasil foi demitida depois de citar nazista Goebbels enquanto falava sobre arte nacionalista em um vídeo que tinha o compositor favorito de Hitler tocando ao fundo


Principal autoridade da cultura do Brasil foi demitida depois de citar nazista Goebbels enquanto falava sobre arte nacionalista em um vídeo que tinha o compositor favorito de Hitler tocando ao fundo

Julio Severo
A principal autoridade de cultura no Brasil foi demitida em 17 de janeiro de 2020 depois de usar frases usadas pelo braço direito de Hitler, Joseph Goebbels, ministro de propaganda da Alemanha nazista.
Roberto Alvim
A indignação foi imediata, culminando em pedidos pela remoção de Roberto Alvim, que foi nomeado, sob a influência de Olavo de Carvalho, secretário especial de cultura do presidente nacionalista Jair Bolsonaro.
“Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência,” tuitou Bolsonaro. “Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas, como nazismo e comunismo, bem como qualquer tipo de ilação às mesmas.”
O escândalo de Alvim foi uma decepção para Bolsonaro, que disse recentemente sobre ele: “Depois de décadas, temos, sim, um secretário de Cultura de verdade.”
Roberto Alvim fez os comentários polêmicos enquanto discutia um novo prêmio de arte em um vídeo distribuído pelo governo Bolsonaro. Lohengrin de Wagner, o compositor favorito de Hitler, tocava ao fundo.
Alvim reconheceu a semelhança entre seu discurso e o discurso de Goebbels e até repudiou o nazismo, mas disse que era apenas uma “coincidência retórica.” Quando confrontado por um jornalista que seu discurso se baseava no discurso de Goebbels, Alvim admitiu que estava ciente da semelhança, mas ele defendeu seu uso, acrescentando que era perfeito.
A “coincidência retórica” de Alvim se tornou um escândalo internacional, com manchetes nos EUA dizendo:
* Washington Post: “Secretário de cultura do Brasil foi demitido depois de parecer parafrasear propaganda nazista em discurso.”
* New York Times: “Principal autoridade da cultura do Brasil foi demitida por evocar propaganda nazista.”
* Revista Time: “Ministro da Cultura do Brasil foi demitido depois de citar Joseph Goebbels em um discurso.”
Em seu discurso, Alvim disse:
“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional… profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada.”
Partes desse discurso são idênticas a um discurso citado no livro “Joseph Goebbels: A Biography,” do historiador alemão Peter Longerich, que escreveu várias obras sobre o Holocausto:
“A arte alemã da próxima década será heróica, romântica, realista e completamente livre de sentimentalismo, nacional com grande Pathos e comprometida, ou não será nada.”
Alvim disse em uma entrevista de rádio que ele próprio escolheu a música, porque essa música é transcendente e surgiu da fé católica de Wagner. Wagner era um católico que não gostava de judeus. Essa é a principal razão pela qual Hitler o adorava.
Falando em uma mensagem gravada separada, com uma cruz de madeira em cima de sua mesa, Alvim disse que quer que 2020 marque um renascimento cultural histórico para “criar uma nova e próspera civilização brasileira.”
Depois da divulgação de seu vídeo gravado, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) disse em um comunicado: “Emular a visão do ministro da Propaganda nazista de Hitler, Joseph Goebbels, é um sinal assustador da sua visão [de Alvim] de cultura, que deve ser combatida e contida,” acrescentando: “O Brasil, que enviou bravos soldados para combater o nazismo em solo europeu, não merece isso.”
A embaixada da Alemanha no Brasil condenou o discurso em um post no Twitter, dizendo que se opunha a “qualquer tentativa de banalizar ou mesmo glorificar” uma era que “trouxe sofrimento infinito à humanidade.”
Goebbels liderou o Ministério da Iluminação e Propaganda, cuja missão era fazer lavagem cerebral nas pessoas para que obedecessem aos nazistas e idolatrassem Adolf Hitler e seu nacionalismo. Seus métodos incluíam censura à imprensa e controle de transmissões de rádio, bem como controle de cultura e artes.
O presidente Jair Bolsonaro tomou a decisão de demitir Alvim depois da revolta de organizações judaicas, principais legisladores, partidos políticos, artistas e a associação de advogados do Brasil.
Jornais dos EUA sugeriram que a força orientadora do radicalismo de Alvim era o evangelicalismo. O jornal Washington Post disse: “Alvim tem sido um dos guerreiros culturais mais militantes do governo Bolsonaro… ele se converteu ao evangelicalismo depois de um diagnóstico quase fatal de câncer.”
A Associated Press disse que Alvim “é um cristão nascido de novo que encontrou uma fé renovada enquanto se recuperava de um câncer.”
“Nascer de novo” é um termo associado ao evangelicalismo. Mas Alvim não é evangélico nem protestante. Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, ele disse que tinha um tumor na barriga e febre permanente. Ele foi curado depois que a babá evangélica de seu filho pediu para orar por ele. Mas sua conexão com o evangelicalismo terminou nesse ponto. Depois dessa experiência dramática e miraculosa, em vez de procurar uma igreja evangélica, ele se envolveu com Olavo de Carvalho e seu movimento que inclui catolicismo sincrético. Ele começou a frequentar a Igreja Católica todos os dias.
Portanto, o esforço do Washington Post, da Associated Press e de outros meios de comunicação dos EUA para associar Alvim ao evangelicalismo não é realista. O radicalismo que eles viram nele não deriva do evangelicalismo, mas exclusivamente de Carvalho e seu catolicismo sincrético.
Em 11 de maio de 2019, Alvim disse em seu Facebook:
“Diante do tanto que o Professor Olavo de Carvalho fez por todos nós, diante dos livros magníficos que ele com tanto labor e cuidado nos legou, o mínimo que podemos fazer é apoiá-lo incondicionalmente.”
E em 15 de novembro de 2019, Carvalho, um brasileiro auto-exilado nos EUA desde 2005, disse em seu Facebook:
“Repito o aviso: Dos meus cursos e livros, quem é inteligente sai mais inteligente, quem é burro sai louco.”
Bolsonaro havia nomeado Alvim não porque os evangélicos o recomendaram. Ele foi nomeado por recomendação de Carvalho.
Então, como é que o Washington Post e a Associated Press sugerem que Alvim e seu radicalismo louco são evangélicos? Eles são 100% católicos e olavistas.
No Twitter, Alvim usa regularmente a hashtag DeusVult, ecoando o tradicional grito de guerra católico dos cruzados da Idade Média. Carvalho também tem uma fixação na Idade Média, especialmente na Inquisição, que ele defende apaixonadamente.
Se Carvalho e seus adeptos podem defender a Inquisição, que perseguiu, torturou e matou multidões de judeus, por que ele e seus adeptos também não podem defender o nazismo, que também perseguiu, torturou e matou judeus?
Se um homem inteligente se matricular no curso de Carvalho, ele verá facilmente a louca defesa que Carvalho faz da Inquisição contra os judeus. Se ele não vir, a profecia de Carvalho se cumpre nele: o burro acaba louco.
Por causa de uma reação negativa maciça, Carvalho repudiou seu ex-aluno Alvim.
No entanto, Carvalho, que é considerado Rasputin de Bolsonaro, recomendou Alvim a Bolsonaro não porque Alvim é burro. Pelo contrário, Carvalho recomenda apenas seus melhores alunos. E seu melhor aluno mostrou toda a cultura louca que aprendeu com seu mestre.
Embora Carvalho tenha repudiado Alvim, as conexões nazistas são reais. Durante anos, Carvalho foi o maior propagandista no Brasil do ocultista islâmico René Guénon, cujo discípulo mais proeminente foi Julius Evola, que escreveu livros defendendo o ocultismo e a ideologia de direita. Evola era um guru do ditador fascista italiano Benito Mussolini. Os livros de Evola também eram usados pelos nazistas.
Evola e Guénon foram elogiados por Steven Bannon, amigo de Carvalho. Evola e Guénon também foram elogiados pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, adepto de Carvalho.
O ocultismo tem conexões e confusões malucas. Como Alvim não poderia revelar tais traços religiosos?
O caso de Alvim é um sintoma do que pode acontecer se o governo Bolsonaro fracassar. Os jornais de todo o mundo, ignorando o fato de um Bolsonaro guiado por Rasputin ter enchido seu governo com ineptos adeptos de Carvalho, culparão inocentes evangélicos que votaram em Bolsonaro.
Com informações do DailyMail, Washington Post, BBC, New York Times, Associated Press e Antagonista.
Leitura recomendada:
Leitura recomendada sobre a Inquisição:

2 comentários :

Agatha Oliveira disse...

Relembrando alguns fatos:
- professora evangélica, aluna de Olavo, exibindo atividade onde fez mapa astral de seus alunos...;
- Marco Feliciano, olavette doente, que tem título de pastor, levando seu rebanho a apreciar Paulo Coelho - o bruxo? A Bíblia manda as ovelhas imitarem a fé de seus pastores... Também diz: não porei coisas más diante de meus olhos. Mas... Ao invés da Bíblia, o pastor Marco Feliciano prefere ler ocultistas. Com a oportunidade de louvar a Palavra de Deus em pleno Congresso, opta por louvar Olavo de Carvalho como "verdadeiro profeta";
- Evangélicos se convertendo a um catolicismo sincrético, junto ao olavismo... Inclusive propagando livro que tem por título elogio à Inquisição: "tribunal de misericórdia";
- Agora Roberto Alvim não resiste e expõe seu fascínio por conexões ocultistas ligadas a sistemas diabólicos de poder, como o nazismo?

Diante de fatos como estes, peço ao Senhor que encha o Brasil de discernimento espiritual. A grande armadilha a meu ver tem sido a busca pelo intelectualismo, que pode até encantar, mas é frio, vazio, ineficaz para salvar o homem. Daí, gurus como Olavo de Carvalho são exaltados como bezerros de ouro. O diabo não está de brincadeira. É estrategista. Está cauterizando mentes para poder cumprir seu projeto usando Olavo de Carvalho: perseguir o povo evangélico. Semear ódio contra povo evangélico. Como o orgulho de satanás, que quis ser maior que Deus, falsos mestres apontam 'soluções' baseadas em conhecimento demoníaco travestido de erudição e "Alta Cultura". Como se o conhecimento do Senhor Jesus Cristo não bastasse, como se João 16.13 fosse piadinha. O Senhor Jesus subiu aos Céus e deixou o Espírito Santo como guia para a Verdade. E pra se ter o Espírito Santo, é renúncia ao pecado e humilhação diante do Senhor. É ver o próximo como sendo superior a si mesmo (Fp 2.3). É dar toda glória a Deus, observando Sua Palavra. É gritante que Olavo de Carvalho não demonstra essa humildade, pois pelos frutos conhecemos a árvore. Alguns dos frutos estão aí: astrologia, idolatria, defesa da morte de inocentes,só porque pensam diferente e paixão nazista.

Flávio disse...

Não havia nenhuma outra opção liberal - conservadora. Esse governo não pode falhar, se isso ocorrer vai ser desastroso para eleger outro conservador. E convencer evangélicos a votar na esquerda não é impossível, já aconteceu na década de 90