9 de dezembro de 2019

Bancada evangélica se sacrifica para tentar obter apenas 2 cargos no governo Bolsonaro, enquanto olavistas recebem dezenas dos melhores cargos sem um pingo de suor e capacidade


Bancada evangélica se sacrifica para tentar obter apenas 2 cargos no governo Bolsonaro, enquanto olavistas recebem dezenas dos melhores cargos sem um pingo de suor e capacidade

Julio Severo
“Emissários da bancada evangélica no Congresso fizeram chegar aos ouvidos do presidente Jair Bolsonaro a seguinte proposta: em troca de dois ministérios de peso numa futura reforma, se comprometeriam a filiar ao partido Aliança pelo Brasil pelo menos 5 milhões de pessoas. Bolsonaro ainda não respondeu,” disse a revista Crusoé através do Antagonista.
Essa não é a primeira vez que a Frente Parlamentar Evangélica se sente com pouco espaço no governo Bolsonaro. Em março de 2019, houve a mesma queixa. No meu artigo “Líderes evangélicos desabafam críticas ao governo Bolsonaro por lhes dar pouquíssimo espaço,” eu disse:
Descontente com o fato de que o governo não tem dialogado com líderes evangélicos e tem dado pouquíssimo espaço para evangélicos em seus ministérios, a Frente Parlamentar Evangélica, tradicionalmente a força mais conservadora no Congresso Nacional, decidiu apoiar o governo Bolsonaro apenas em questões éticas como aborto e agenda gay. Deputados eleitos com apoio das igrejas evangélicas não estão poupando o presidente Jair Bolsonaro, que ajudaram a eleger, de críticas públicas nas redes sociais.
O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) disse que, “ideologicamente, jamais” a bancada irá “sabotar o governo”, mas alertou que “política se faz com diálogo ou cada um vai cuidar do seu mandato.”
Sóstenes, que é ligado ao televangelista assembleiano Silas Malafaia, acrescentou, com tristeza: “A bancada (evangélica) nunca teve espaço, mas agora está pior.”
Em resposta a essa queixa, logo depois Bolsonaro colocou o deputado federal Marco Feliciano, que é pastor assembleiano, como uma espécie de articulador especial de seu governo para os evangélicos, mas só depois que Feliciano fez uma romaria vergonhosa à casa do astrólogo Olavo de Carvalho para dizer em vídeo que ele nunca atacou os evangélicos.
Obviamente, depois de meses como assessor de Bolsonaro, Feliciano não satisfez à bancada evangélica, por atender muito mais aos interesses de si e Carvalho do que aos interesses dos evangélicos. Aliás, embora critique muito o socialismo e elogie muito Carvalho, Feliciano cometeu um erro que só um socialista cometeria: Ele usou 157 mil reais de dinheiro de impostos para pagar uma despesa dentária pessoal.
Seja como for, a bancada evangélica parece não se sentir representada por Feliciano, que representa muitíssimo bem as ambições do olavismo. Quando o General Santos Cruz chamou Carvalho de “vigarista profissional” em audiência no Congresso Nacional Feliciano prontamente defendeu Carvalho contra palavras “torpes,” sendo que há anos Carvalho emprega palavras torpes e palavrões contra todos, inclusive contra os evangélicos.
A presença de Feliciano hoje no governo só tem utilidade para o olavismo. Enquanto no passado ele era um idiota útil da esquerda, hoje ele é um idiota útil do olavismo.
Eu me senti representado por Feliciano em 2013 quando ele enfrentou o movimento homossexual ao ser nomeado presidente da Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados. Enquanto a esquerda e até evangélicos o atacaram, fui um dos únicos a apoiá-lo. Hoje, Feliciano já não representa os evangélicos. Cobrei dele pelo Twitter sua vergonhosa atuação como pastor assembleiano servindo aos interesses do olavismo. Cobrei também sua atitude socialista de gastar uma fortuna em seu tratamento dentário pessoal. Sua reação foi me bloquear no Twitter.
Bolsonaro percebe que os evangélicos estão atrás de cargos — enquanto os evangélicos parecem não perceber que ele continua dependendo do apoio deles para sobreviver politicamente. No final de novembro de 2019, ele fez uma visita a um grande templo da Assembleia de Deus prometendo indicar um ministro evangélico para o Supremo Tribunal Federal, enquanto sua equipe colhia assinaturas de seu partido ali mesmo no templo.
Logo depois da visita, Bolsonaro distribuiu gratuitamente mais cargos aos olavistas — como são conhecidos os adeptos de Olavo de Carvalho, conhecido como Rasputin de Bolsonaro. Ele deu cargos estratégicos e importantes para olavistas desqualificados e despreparados. Aos evangélicos, ele dá um ou duas promessas. Aos olavistas, ele é mais prático, distribuindo cargos a rodo.
Enquanto evangélicos se sacrificam e quase imploram de joelhos que Bolsonaro lhes dê um ou dois cargos, Bolsonaro vai dando de bandeja cargos e mais cargos para olavistas, sem que eles precisem fazer um único sacrifício.
Sou, com minha esposa, eleitor de Bolsonaro, mas não estou satisfeito com o modo como ele vem privilegiando, premiando e designando para cargos importantes olavistas às custas do sacrifício de evangélicos. Se os eleitores evangélicos de Bolsonaro não orarem, seu apoio e votos, no final das contas, vão servir apenas para fortalecer o olavismo no governo, que se tornou um grande cabide de empregos para a sanha oportunista dos adeptos de Olavo de Carvalho.
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5 comentários :

Flávio disse...

So com olavistas não se ganha eleição Bolsonaro, abre o olho.

Alexandre disse...

A verdade é que Bolsonaro suporta os evangélicos apenas por conveniência política e vice e versa.

Marcelo Victor disse...

FALTOU-LHE TER UM ENCONTRO REAL COM O MESTRE...CONTINUEMOS ORANDO!!!

Anônimo disse...

O governo Bolsonaro é repleto de maçons e olavistas católicos que adoram a Prostituta de Apocalipse 17. Isso para não falarmos do Ouroboros, símbolo ocultista da nova era que está presente nos logotipos de seu novo partido.

Marcelo Victor disse...

AO MUNDO O QUE É DO MUNDO E A DEUS O QUE É DE DEUS...