6 de novembro de 2019

Ex-calvinista Joshua Harris diz que o apoio cristão a Trump é “incrivelmente prejudicial para o Evangelho e para a igreja”


Ex-calvinista Joshua Harris diz que o apoio cristão a Trump é “incrivelmente prejudicial para o Evangelho e para a igreja”

Julio Severo
O ex-pastor conservador calvinista Joshua Harris criticou recentemente os cristãos que apoiam o presidente americano Donald Trump.
Joshua Harris numa parada gay no Canadá em 2019
Ele disse a Mike Allen no programa Axios da HBO que acredita que os evangélicos estão cometendo um erro ao apoiar Trump.
“Acho incrivelmente prejudicial para o evangelho e para a igreja,” disse ele. “… Acho que isso não vai acabar bem. E acho que você olha para o Antigo Testamento e a relação entre os profetas e realmente maus líderes e reis, e muitas vezes não é algo com que você se descontraia porque está realmente nas Escrituras apresentadas como o julgamento de Deus sobre a religião falsa da época.”
Quando perguntado se ele acreditava que os cristãos que apoiam Trump seriam julgados por Deus, Harris respondeu: “Acho que [esse apoio já] é julgamento. Faz parte do julgamento… Ter um líder como Trump, acho que faz parte da sentença de que esse é o líder que o povo deseja e talvez mereça. Isso mostra muito quem eles são.”
Embora Trump não seja uma escolha perfeita, ele não é muito melhor que Hillary Clinton, uma neocon fanática e militante pró-sodomia e pró-aborto? Harris a queria em vez dele?
Pelo menos Trump dá atenção aos evangélicos. Aliás, Trump, que nasceu na Igreja Presbiteriana — a mesma fé calvinista de Harris —, nomeou em seu governo a televangelista da teologia da prosperidade Paula White, que tem sido um apoio espiritual formidável para Trump.
A diferença é que, enquanto Trump com sua formação presbiteriana se tornou um calvinista muito liberal e nominal durante os anos e agora está abraçando as orações e conselhos de Paula em sua vibrante fé carismática, Harris com sua formação calvinista conservadora está adotando pura apostasia, inclusive apoio à homossexualidade.
O ano de 2019 foi um ano de grandes mudanças para Harris. Ele renunciou publicamente à sua fé cristã.
“Passei por uma grande mudança em relação à minha fé em Jesus,” Harris disse em 26 de julho. “A frase popular para isso é ‘desconstrução’, mas a frase bíblica é ‘desviar-se.’ Por todas as medidas que tenho para definir um cristão, eu não sou cristão.”
Além de renunciar à sua fé cristã, ele também declarou que abandonou suas visões conservadoras, inclusive sobre sexualidade e casamento.
“Para a comunidade LGBTQ +, quero dizer que sinto muito pelas opiniões que ensinei em meus livros e como pastor em relação à sexualidade,” disse ele. “Eu me arrependo de me posicionar contra o casamento gay, por não defender os homossexuais e seu lugar na igreja, e por qualquer forma que meus livros e palestras tenham contribuído para uma cultura de exclusão e fanatismo. Espero que vocês me perdoem.”
Depois de adotar uma postura pró-sodomia, ele anunciou que estava se separando de sua esposa Shannon Bonne depois de 19 anos de casamento.
Harris ganhou destaque nos círculos cristãos conservadores quando escreveu seu livro “I Kissed Dating Goodbye” (Eu Disse Adeus ao Namoro) em 1997 e, três anos depois, “Boy Meets Girl: Say Hello to Courtship” (Garoto Encontra Garota). Nos livros, ele encorajava os cristãos a evitar a cena do namoro e, em vez disso, seguir uma abordagem de orientação de grupo e família que ele chamava de cortejo.
Mas em 2015, ele deixou o cargo de pastor principal da Covenant Life, uma igreja calvinista.
Em 2018, ele escreveu uma declaração oficial pedindo perdão por seus livros conservadores e renunciando a eles. Ele abandonou tudo: sua fé cristã, sua igreja, sua esposa e suas posições conservadoras.
Talvez ele tenha renunciado à sua fé depois de ver a hipocrisia de seus velhos amigos calvinistas conservadores. Ele estava envolvido na Coalizão pelo Evangelho, que adota uma espécie de homossexualidade calvinista supostamente inativa. Aliás, alguns pastores calvinistas da Coalizão pelo Evangelho são homossexuais supostamente inativos.
Há esperança para Trump, porque mesmo com sua formação calvinista liberal, ele está aberto às orações e assistência espiritual de Paula White e outros cristãos carismáticos. Mas que esperança há para Harris, que despreza tais orações e assistência espiritual?
Com informações do Charisma.
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Um comentário :

Anônimo disse...

Sou presbiteriano, mas nao entendo por que os reformados não creem nos dons espirituais. Uma verdade não deixa de ser verdade apenas porque não estava em evidência nos últimos séculos. A salvação pela fé somente não deixou de ser verdadeira apenas por ter ficado "escondida" por séculos, debaixo da doutrina soteriológica do catolicismo. Da mesma maneira, os dons espirituais podem não ter estado em evidência nos últimos séculos, mas não quer dizer que não sejam verdadeiros hoje. Uma fé que não crê nos dons fatalmente ficará apenas na dimensão do intelecto, e não adentrará na profundidade da glória de Deus, permitindo assim a convivência com pecados horripilantes ou a apostasia, como ocorreu com esse tal de Joshua Harris. Uma fé que não aceita a atualidade dos dons espirituais nao pode ser chamada de reformada; no máximo, é uma fé DEFORMADA!


Ismael Viana
São Luís -MA