4 de novembro de 2019

Colisão ideológica entre Brasil e Argentina, com Trump optando por não apoiar o conflito de Bolsonaro contra a Argentina


Colisão ideológica entre Brasil e Argentina, com Trump optando por não apoiar o conflito de Bolsonaro contra a Argentina

Julio Severo
“Alberto Fernández disse na sexta-feira [1 de novembro de 2019] que Trump ligou para parabenizá-lo acerca da votação de domingo. Em comunicado, sua assessoria de imprensa disse que Trump declarou a ele que ele faria um ‘trabalho fantástico,’ que ele esperava encontrá-lo em breve e que sua ‘vitória’ havia sido comentada em todo o mundo,” disse a Associated Press.
O jornal Buenos Aires Times disse:
“Parabéns pela grande vitória. Nós assistimos na televisão,” disse Trump. “Você fará um ótimo trabalho, e espero me encontrar com você em breve. Sua vitória foi comentada em todo o mundo.”
Trump abordou a questão do FMI durante a ligação. “Instruí minha equipe do FMI a trabalhar com você, então não hesite em me ligar,” disse ele, assegurando a Fernández que entregou uma diretiva ordenando cooperação com a Argentina.
“Parabenizamos o povo da Argentina por realizar eleições presidenciais bem-sucedidas em 27 de outubro e estamos prontos para trabalhar com Alberto Fernández como o novo presidente da Argentina,” disse [o Secretário de Estado Mike] Pompeo em comunicado divulgado na segunda-feira após a eleição.
Trump, que está longe no norte, pôde parabenizar a Argentina. Contudo, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro não pôde dar parabéns, ainda que o Brasil seja o vizinho da Argentina.
Até o presidente direitista do Chile, Sebastián Piñera, parabenizou Fernández.
O que levou Bolsonaro a uma hostilidade contra Fernández foi o fato de que o novo presidente argentino é socialista e próximo do ex-presidente socialista brasileiro Luiz Inácio “Lula” da Silva. Poucas horas antes dos resultados das eleições o mostrarem vencendo as eleições presidenciais da Argentina em 27 de outubro, Fernández foi ao Twitter para desejar um feliz aniversário a Lula. Na foto, Fernández fez o sinal de “Lula Livre,” um gesto altamente provocativo que pareceu direcionado a Bolsonaro. Em seu discurso de vitória naquela noite, Fernández novamente pediu que Lula fosse libertado. Como punição, Bolsonaro ameaçou “excluir” a Argentina do bloco comercial do Mercosul e não comparecer à posse de Fernández.
No entanto, o que é complicado para Bolsonaro não é complicado para Trump.
Embora Bolsonaro tenha deixado claro que a Argentina, sob o socialista Alberto Fernandez, não terá congratulações ou apoio do Brasil, Trump fez exatamente o oposto: ele deixou claro que a Argentina terá congratulações e apoio dos EUA.
Se Bolsonaro não quiser congratular o presidente socialista da Argentina, Trump o congratula!
Se Bolsonaro não quiser fazer negócios com a Argentina socialista, Trump faz!
A mensagem clara de Trump é que ele não faz parte da guerra ideológica de Bolsonaro com a Argentina. Trump é independente, assim como Bolsonaro é independente. Aliás, Bolsonaro honrou Steve Bannon, que desonrou Trump. E Bolsonaro antagonizou Trump visitando o ex-presidente dos EUA George W. Bush, que não é fã de Trump. Portanto, Bolsonaro não tem nenhum direito de reclamar sobre Trump o antagonizando.
A única coisa importante são negócios. Com Argentina e Brasil. Independentemente de seus confrontos ideológicos. Para Trump, negócios estão acima de ideologia.
A congratulação de Trump ao presidente socialista argentino é um jogo de xadrez geopolítico e econômico. Trump parece entender tal xadrez. Bolsonaro não.
Como evangélico conservador engajado por décadas na luta contra o socialismo, não entendo Bolsonaro, que rejeita Cuba e Venezuela, mas não rejeita a China comunista. Pelo contrário, ele visitou a China durante a comemoração dos 70 anos de sua revolução comunista que matou milhões de chineses. E ele até chamou a China de “nação capitalista.”
Se Bolsonaro pode fazer negócios com a China, a maior nação comunista do mundo, sem se preocupar com suas violações de direitos humanos contra milhões de cristãos, por que ele não pode fazer negócios com nações socialistas como Argentina e Venezuela, que não são tão radicais e violentas contra os cristãos quanto a China? Talvez essa seja a lição que Trump está tentando ensinar a Bolsonaro.
A Argentina é vista pelos estrategistas dos EUA como um instrumento para deter as ambições geopolíticas e econômicas do Brasil nos assuntos internacionais. Isso explica por que a Argentina socialista está na frente do Brasil na OCDE, ainda que Bolsonaro tenha feito várias concessões para que Trump aprovasse o Brasil na OCDE em 2019.
Se esse é um jogo de xadrez geopolítico jogado por Trump, que se preocupa corretamente apenas em fazer e manter a América grande, Bolsonaro está jogando damas astrológicas sob a direção de Olavo de Carvalho, considerado seu Rasputin, que pensa ser especialista em:
* Educação: Ele mantinha seus filhos longe da escola, mas nunca os educava em casa porque estava ocupado envolvido em ocultismo e orgias. Dois de seus filhos são muçulmanos e um é astrólogo profissional. Mesmo assim, ele está por trás da nomeação do ministro da Educação Abraham Weintraub, que quer mais creches do que os governos socialistas anteriores. O ministro da Educação anterior escolhido por Carvalho era admirador de Hillary Clinton e odiador de Trump.
Durante muitos anos o próprio Carvalho foi um astrólogo profissional. Como os antigos astrólogos que aconselhavam os reis, ele é um “conselheiro” de Bolsonaro, assim como Rasputin foi para o czar direitista da Rússia.
Para jogar seu xadrez geopolítico independentemente, Trump expulsou seu próprio Rasputin, Steve Bannon, que é amigo de Carvalho. Ambos foram influenciados por Guénon.
Enquanto Trump joga xadrez, Bolsonaro está ocupado com suas damas astrológicas, apostando sorte no destino do Brasil.
Talvez se Bolsonaro imitar Trump e expulsar seu Rasputin, ele possa tomar decisões corretas — inclusive mudar a Embaixada do Brasil para Jerusalém — que realmente deixarão Deus tornar o Brasil grande.
Com informações de Associated Press, Washington Post, Buenos Aires Times, Americas Quarterly e Yahoo.
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Um comentário :

Thel disse...

Não concordo não, é necessário lealdade também. E Bolsonaro já mostrou em diversas oportunidades essa lealdade a Trump e aos Estados Unidos, que chega até a beirar o ridículo de tanto concessão que Bolsonaro já fez. Já Trump demonstrou diversas vezes que não tem caráter, nem honra e nem palavra.
É por essas e outras maldades que Trump vai cair por impeachment, principalmente por tratar os pobres que tentam entrar nos EUA como se fossem lixo (e Deus é vingador dessas coisas, pois Deus ama os órfãos, as viúvas e os estrangeiros).
Bolsonaro não pode desprezar a China por enquanto, infelizmente o Brasil precisa de investimento de vários parceiros comerciais para não agravar ainda mais a nossa situação, e a imprensa do nosso país não deixa o homem em paz um segundo sequer.
Já a Argentina, se não fosse pela questão do trigo, seria um peso morto e desnecessário para nós. Além disso, esse poste argentino vinha atacando os EUA e o judiciário brasileiro durante sua campanha, tão somente por causa da prisão do maior ladrão do mundo e que destruiu o Brasil: Luís Inácio Lula da Silva. Estou com Bolsonaro 100% nessa decisão de se afastar da Argentina e do Mercosul nessa atual situação política!