29 de novembro de 2019

Bolsonaro usa visita a uma grande igreja evangélica para coletar assinaturas para seu novo partido, mas logo depois dá mais cargos para adeptos de Olavo de Carvalho


Bolsonaro usa visita a uma grande igreja evangélica para coletar assinaturas para seu novo partido, mas logo depois dá mais cargos para adeptos de Olavo de Carvalho

Julio Severo
“Em viagem oficial a Manaus, na terça-feira, 26, o presidente Jair Bolsonaro participou de culto no templo da Assembleia de Deus da capital e, após um discurso rápido, aliados do presidente coletaram assinaturas para a criação do partido, idealizado pelo chefe do Executivo. O evento estava previsto na agenda oficial da Presidência, ou seja, fez parte da viagem oficial de Bolsonaro. Viagens deste tipo, em geral, são custeadas com dinheiro público.”
Bolsonaro recebendo oração de líderes da Assembleia de Deus em Manaus
No evento, Bolsonaro prometeu que irá indicar um ministro evangélico para o STF. “O meu governo lutará pela manutenção da família, porque nos governos anteriores colocavam até em livros escolares que (uma família) podia até ser formada por um juntamento de duas coisas. E tem duas vagas para ministro do Supremo, e um será cristão e evangélico”, disse ele.
Há meses a promessa de Bolsonaro mantém os evangélicos satisfeitos de que um ministro evangélico no STF basta para recompensar o apoio deles a Bolsonaro. Mas enquanto evangélicos aguardam o cumprimento dessa promessa, Bolsonaro vem recompensando fartamente outro grupo que muito mais que promessa, recebe uma concessão atrás da outra.
Logo depois de reafirmar sua promessa aos evangélicos em 26 de novembro de 2019, o governo Bolsonaro distribuiu cargos para adeptos de Olavo de Carvalho. Em 28 de novembro de 2019, foi anunciado o novo presidente da Biblioteca Nacional, Rafael Alves da Silva, que se apresenta como Rafael Nogueira. Ele é tão fanático por Carvalho que poucos dias antes da escolha ele estava em Portugal dando palestra sobre Carvalho.
Para presidir a FUNARTE foi escolhido o nome de outro olavista: Dante Mantovani.
Mas essas escolhas não são nem de longe os maiores exemplos de olavização do governo. Os ministros mais importantes do governo Bolsonaro são olavistas, que controlam o Ministério da Educação e o Ministério das Relações Exteriores. Sem mencionar muitos outros cargos.
O problema de Bolsonaro seguir cegamente as indicações de Carvalho é que as escolhas acabam se revelando um desastre no final. Em janeiro, assumiu o Ministério da Educação Ricardo Vélez, que, conforme avisei o público, tem histórico de gostar da esquerdista Hillary Clinton e não gostar de Trump. Mais tarde, o próprio Bolsonaro reconheceu que confiou cegamente na indicação que Carvalho fez de Vélez.
O televangelista Silas Malafaia havia recomendado outro nome, mas Bolsonaro deu prioridade à indicação de Carvalho, como ele vem fazendo sempre. Aliás, seguir as escolhas, indicações e “sugestões” de Carvalho virou padrão no govenro Bolsonaro.
Enquanto evangélicos se contentam com uma promessa, olavistas vão abocanhando tudo. É muito duvidoso que, radicalmente ambiciosos do jeito que são, eles se contentariam só com promessas.
Embora preguem valores supostamente direitistas, os militantes olavistas têm sido incapazes de se destacar economicamente de forma independente de cargos governamentais. Eles não se destacam como empresários independentes. Na verdade, eles estão usando o governo como cabide de emprego. Todos eles querem uma boquinha ou bocão.
Bolsonaro pode estar confiando cegamente em Carvalho, especialmente no que se refere a condecorações, promoções e concessões de cargos para olavistas nos cabides de emprego do governo. Mas na hora de buscar apoio prático para si e seu governo, o comportamento padrão de Bolsonaro é correr para os evangélicos.
É uma contradição ele buscar e usar a força e apoio dos evangélicos para fortalecer o olavismo.
A questão é: Os evangélicos só servem para dar escoro e apoio para Bolsonaro, que na hora de valorizar e dar os cargos mais importantes só se lembra abundantemente de olavistas?
Evangélicos que, como eu, votaram em Bolsonaro têm a responsabilidade de orar para que ele seja coerente, inclusive com seu uso regular das palavras de Jesus: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Que a verdade de Jesus possa trazer libertação de toda cegueira e dependência dele para com um homem que ele acabou transformando no Rasputin de sua vida.
Com informações do Estadão e Globo.
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5 comentários :

Rodolfo José Andrello disse...

Bom dia Julio. Uma vez li aqui um texto interessante sobre como nos primórdios da colonização nos EUA uma comunidade cristã tentou estabelecer um sistema sem propriedade privada, e como os resultados se demonstraram impraticáveis. Você teria o link do referido texto? Tentei encontrar no seu sistema de busca mas não tive sucesso.

Anônimo disse...

Acho que, passados mais de doze meses das eleições, já ficou claro que, infelizmente, o presidente da república usa os evangélicos como massa de manobra, como inocentes úteis. Tem umas castas evangélicas que apreciam essa proximidade com o poder, se iludem e ficam cegos de paixão pelo status. QUando a igreja acordar, será tarde. Alias, sempre me pergunto: por que ovelha é um animal tão burro?

Alexandre disse...

Não é à toa que os filhos desse distinto presidente se referem aos seus eleitores como GADO.

Marcelo Victor disse...

O COITADO NUNCA FOI CRISTÃO E NEM SEQUER SABE O QUE ISSO SIGNIFICA...SUA RELIGIÃO É A POLÍTICA!!!

Eliane Souza disse...

Parece que a família Bolsonaro caiu sob um encantamento, um feitiço desse bruxo.