29 de outubro de 2019

Como a decisão de Trump de retirar as tropas americanas da Síria pode ajudar os cristãos sírios


Como a decisão de Trump de retirar as tropas americanas da Síria pode ajudar os cristãos sírios

Cristãos que creem na Bíblia em áreas curdas “são, na melhor das hipóteses, cidadãos de segunda classe”

William Murray
MANJIB, Síria — A cidade de Manjib, no nordeste da Síria, se tornou um ponto central para aqueles que atacam o presidente Trump por retirar as tropas americanas da Síria.
William J. Murray na Planície de Ninive em 2016
Colunistas de jornais, blogueiros da internet e até senadores acusam o presidente Trump de “abandonar os curdos” e apontam para o fato de que tropas do governo sírio estão se mudando para a cidade de Manjib como prova.
A cidade de Manjib é 80% árabe. Não é curda. Durante o tempo em que as tropas americanas estavam no norte da Síria, a cidade de Manjib foi dada aos curdos para administrar. Os árabes não tiveram permissão de participar da administração da cidade. A maioria da população árabe foi informada de que precisava aprender curdo para fazer negócios com a cidade.
Depois da retirada americana, as pessoas inundaram as ruas de Manjib para dar as boas vindas ao exército árabe sírio, agitando bandeiras da Síria e segurando retratos do presidente Assad. Na parte norte da cidade, a polícia militar russa patrulhava entre o exército sírio ao sul e o exército turco ao norte da cidade.
Vídeos publicados mostram a população árabe acenando e aplaudindo para a polícia russa. Eles viam as FDS controladas pelos curdos como opressores, não salvadores. (Os EUA estabeleceram as Forças Democráticas da Síria ou FDS. Ao lado dos curdos, as FDS têm unidades muçulmanas sunitas da Chechênia, Rússia, que lutaram contra o governo russo em um levante.)
Nas áreas cristãs controladas pelas FDS lideradas pelos curdos, a situação era deplorável para os cristãos assírios. As escolas cristãs foram fechadas e as crianças receberam ordens de frequentar escolas públicas e aprender curdo. Esse foi um grande problema para os cristãos assírios, cuja língua principal é o aramaico antigo e o segundo idioma, o árabe. Seus filhos estavam sendo forçados a aprender uma terceira língua.
Isto não é novo. Os curdos historicamente reprimem e massacram cristãos na Síria e no Iraque. Eles participaram do genocídio armênio.
A mídia tradicional retratou, durante anos, os curdos como anjos que nunca cometeram um crime em nenhum momento da história. Muitos cristãos americanos acreditam honestamente que os curdos são cristãos quando, na verdade, são muçulmanos sunitas, exceto o PKK (Partido dos Trabalhadores Curdos), que é marxista e está na lista de grupos terroristas dos EUA.
No lado positivo, os curdos iraquianos, na maioria das vezes, atualmente se inclinam para o secularismo. Mas a ajuda que os Estados Unidos enviam diretamente para a administração curda no norte do Iraque nunca chega à população cristã.
Erbil, no Iraque, está sob controle curdo. Novas construções estão sendo feitas em toda parte, e os sistemas de água e esgoto são de primeira qualidade, graças ao dinheiro dos americanos que pagam impostos. Contudo, esses benefícios não estão chegando à cidade cristã de Ankawa, próxima ao aeroporto de Erbil. As ruas são ruins, o abastecimento de água não é confiável e a cidade tem o odor de um sistema de esgoto deficiente. Quedas de energia são a norma.
O presidente Trump prometeu ajuda a minorias religiosas no Iraque, mas os resultados são escassos.
Conclusão: os cristãos nas áreas curdas são, na melhor das hipóteses, cidadãos de segunda classe.
Em meados de outubro, um repórter da Reuters me entrevistou sobre a decisão do presidente Trump de retirar as tropas americanas da Síria. Pareceu-me pelas perguntas dele que ele tinha uma agenda para criticar o presidente e manter os curdos como heróis.
Eu disse a ele que os curdos eram uma minoria na “área curda” da Síria estabelecida pelos Estados Unidos e que seus combatentes estavam sendo pagos pelos EUA para impedir que o petróleo fosse canalizado da rica área de petróleo da Síria para a área mantida pelo governo sírio.
Como exemplo, apontei para o fato de que a cidade de Manjib era 80% árabe e que os curdos os proibiam de participar de qualquer cargo público. Eu o informei sobre um artigo da National Review sobre a perseguição que os curdos fazem contra cristãos na Síria.
O artigo da National Review afirmou que uma autoridade cristã na área controlada pelos curdos confirmou o fechamento de escolas. O artigo dizia: “… a autoadministração curda está prejudicando ativamente as perspectivas de sobrevivência dos assírios na Síria por meio de uma tentativa de recondicionamento do sistema educacional, recrutamento forçado no YPG alinhado com os curdos (Unidades de Proteção do Povo, uma milícia), sistemas fiscais paralelos que dobram o imposto pago pelos assírios, e extensa hostilização e intimidação aos assírios que resistem às suas políticas.”
O repórter pareceu chocado ao saber que os curdos eram a minoria na área a leste do rio Eufrates que controlavam e que o governo sírio não tinha acesso a seus campos de petróleo naquela região.
No dia seguinte, o artigo apareceu nacionalmente nos EUA, e apenas uma linha foi uma citação minha. Nenhuma das informações que eu lhe forneci foi usada.
Por enquanto, os curdos no norte do Iraque parecem respeitar os EUA. Obviamente, o governo americano dá a eles centenas de milhões de dólares por ano para respeitar os EUA.
Os curdos na Síria pareciam respeitar os EUA quando tropas americansa estavam distribuindo dinheiro e protegendo-os. Quando as tropas americanas saíram da área curda neste mês, foram atingidas por ovos, frutas podres e batatas. Os vídeos estão na internet e são genuínos e mencionados pela Associated Press e outros veículos de notícias.
Muitas vezes, o respeito em outros países pelos EUA e por seus bravos soldados dura apenas enquanto os americanos entregam dinheiro a burocratas corruptos que se enriquecem primeiro e depois cuidam dos mais próximos a eles. Nos países muçulmanos, isso significa que os cristãos não recebem nada que os EUA marque para eles.
Quanto à retirada de Trump da Síria, isso durou alguns dias — até que os agentes do Estado Profundo ao seu redor o convenceram a mover centenas de tropas e tanques para o leste da Síria para “proteger” os campos de petróleo sírios contra o governo sírio.
A posição geral do governo Trump na Síria ainda é a do regime Obama/Clinton, que é estrangular a população em áreas controladas pelo governo da Síria cortando combustível para serviços de emergência essenciais. O objetivo é “punir” Assad cortando o acesso a alimentos, combustível e serviços médicos para a população em geral. Durante vários governos americanos, essa se tornou a política aprovada para lidar com as nações que o Estado Profundo vê como antitéticas aos objetivos da política global americana.
Nota: O programa de Natal para Refugiados de William J. Murray ajuda a levar o evangelho e a ajuda aos refugiados sírios e iraquianos no Oriente Médio.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): How Trump's withdrawal may help Syrian Christians
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Um comentário :

Marcos Cruz disse...

As relações políticas e religiosas no Oriente Médio são de uma complexidade sem tamanho.