2 de setembro de 2019

A glorificação de Olavo de Carvalho na Embaixada do Brasil em Washington D.C.


A glorificação de Olavo de Carvalho na Embaixada do Brasil em Washington D.C.

Embaixador brasileiro em Washington declara que “Olavo recuperou imensidões espirituais” para o Brasil

Julio Severo
“Olavo de Carvalho desenvolveu desde a década de 80 a formação de uma nova classe intelectual no Brasil… O professor não pára de ensinar há mais de 40 anos, por todos os meios a seu alcance, em cursos, seminários, livros, apostilas, artigos de jornal, podcasts, hangouts, live streaming, cursos online, etc.,” disse Nestor Forster, embaixador da Embaixada do Brasil em Washington D.C., EUA.
Nestor Forster e Olavo de Carvalho
O embaixador dirigiu essas palavras na cerimônia em homenagem a Olavo de Carvalho, que recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Rio Branco, que é a condecoração mais elevada do governo brasileiro. A cerimônia ocorreu em 29 de agosto de 2019. O discurso dele também retratou Olavo como o homem que tem soluções espirituais para o Brasil.
Confirmando o que Nestor disse, em 17 de maio de 2016 Olavo declarou enfaticamente:
“Todas as mudanças culturais que aconteceram no Brasil nos últimos anos, com as conseqüências políticas que as acompanharam, foram o resultado, em parte direto, em parte indireto, de um PLANO que comecei a aplicar a partir de meados dos anos 80.”
Embora o público conheça hoje Olavo por seu discurso antimarxista, há 40 anos, data que Nestor afirma que Olavo estava engajado em formar uma classe intelectual, ele estava na verdade ativamente envolvido em esoterismo puro. Em 1980, Olavo foi entrevistado pela revista Veja como um dos maiores astrólogos do Brasil. Anos depois ele foi entrevistado pela antiga TV Manchete na sua condição de astrólogo. Veja este vídeo: https://youtu.be/-XDFh_eLgPI
Assim, está publicamente atestado e confirmado que 40 e 30 anos atrás Olavo estava engajado no ocultismo e formando ativamente pessoas no ocultismo. Mas Nestor não citou uma vírgula desse passado famosamente astrológico. Ele também não mencionou que esta não é a primeira vez que Olavo recebe uma condecoração governamental. Na década de 1980, Olavo recebeu da ditadura islâmica da Arábia Saudita uma premiação por uma biografia de Maomé que ele escreveu. Nestor não quis computar isso como uma das “imensidões espirituais” que Olavo recuperou para o Brasil.
O mistério que Nestor deveria explicar é como é que Olavo estava envolvido em antimarxismo e treinamento de uma suposta elite antimarxista desde a década de 1980 se na década de 1990 Olavo advertiu seus leitores para que não tentassem enxergar nele um autor “hidrófobo antipetista.” Ele disse:
“Votei em Lula para presidente e o faria de novo, com prazer, se ele tomasse [certas] providências.”
Mais que isso, Olavo disse: “Lula é um homem decente.”
Portanto, diante dessa realidade, dizer que Olavo começou a levantar uma conscientização antimarxista desde a década de 1980 é no mínimo oportunista.
Desde que ouvi falar pela primeira vez do nome de Lula décadas atrás eu já sabia que ele era indecente, imoral, socialista, comunista, etc. Como é que Olavo, que se gaba de ver e prever perfeitamente as coisas, o viu como homem decente? Nunca votei em Lula e no PT por sentir nojo de suas ideias socialistas. Meus valores eram e continuam os mesmos: Valores cristãos.
Olavo tinha valores esotéricos e era grande propagandista do ocultista islâmico René Guénon durante décadas. O que esperar dos adeptos de Guénon? Ninguém definiu melhor um adepto de Guénon do que o Presidente Donald Trump, que enxotou Steve Bannon da Casa Branca chamando-o de oportunista e traidor.
Bannon é adepto de Guénon. Bannon elogia abertamente Guénon e seu discípulo mais importante, Julius Evola. Olavo e Bannon são hoje amigos, debaixo da comunhão espiritual de Guénon. Evola foi um populista de direita que inspirou e influenciou o nazismo e o fascismo italiano com seus livros promovendo a direita e o ocultismo.
Então direita e ocultismo não é um fenômeno que começou em Olavo. Está também em Bannon. E estava em Evola.
O populismo de direita que está fazendo sucesso hoje às custas do conservadorismo cristão e muitas vezes explorando o conservadorismo cristão existiu há quase 100 anos, na Alemanha e Itália. Esse populismo é sinônimo de oportunismo.
Em seu discurso, Nestor destacou que Olavo é autor de mais de 20 livros, destacando os de aparência filosófica, mas omitindo completamente livros escritos por Olavo como:
* A Imagem do Homem na Astrologia. São Paulo: Jupiter. (1980)
* Questões de Simbolismo Astrológico. São Paulo: Speculum. (1983)
* Astros e Símbolos. São Paulo: Nova Stella. (1985)
* Astrologia e Religião. São Paulo: Nova Stella. (1986)
* A Nova Era e a Revolução Cultural: Fritjof Capra & Antonio Gramsci, Rio de Janeiro: Instituto de Artes Liberais & Stella Caymmi. (1994)
Não é de admirar que Nestor tenha omitido que Olavo é autor de livros ocultistas, pois é costume de adeptos esconder as inconveniências da seita e principalmente de seu líder máximo. Nestor é um olavista roxo.
Nestor deixou claro que “a decisão do Presidente da República Jair Bolsonaro de conceder ao professor Olavo de Carvalho a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco nada tem de rotineira, mas, ao contrário, possui um caráter verdadeiramente extraordinário.”
A condecoração foi originalmente dada no final de abril de 2019, mas pelo fato de que Olavo não quis viajar ao Brasil para recebê-la, a entrega foi feita na Embaixada do Brasil em Washington. A explicação de Olavo para sua saída do Brasil teve duas causas principais. Em uma entrevista para a revista americana New American em 2010, sobre a primeira causa ele disse que saiu do Brasil porque estava cansado de receber ameaças semanais de morte de maníacos esquerdistas. Mas como o Brasil hoje tem um presidente que é capitão do Exército e que o adora, haveria proteção de sobra para Olavo visitar o Brasil para pelo menos receber a condecoração.
Sua relutância de voltar ao Brasil seria na verdade o temor de enfrentar processos de ex-alunos que se sentiram ludibriados por seus cursos de astrologia e ocultismo? Seria o temor de enfrentar processos de ex-parceiros e parceiras?
A segunda causa que ele usou como explicação foi que ganhou emprego no jornal Diário do Comércio para ser correspondente nos EUA, embora não esteja claro como esse jornal, que é não de grande porte, conseguiria dar ao Olavo um salário elevado compatível que pudesse garantir um visto de correspondente nos EUA.
Como é que o Diário do Comércio, um jornal de pequena tiragem (apenas 25 mil exemplares), pôde sustentar o visto de correspondente de Olavo nos EUA durante anos é um mistério. Esse jornal cessou sua edição impressa em 2014.
Seja como for, não havia razão para Olavo evitar receber pessoalmente sua condecoração em Brasília em abril. Sua segurança estava e está garantida contra as tais “ameaças semanais de morte de maníacos esquerdistas.” Mas não se sabe se tal garantia pode protegê-lo de possíveis processos de ex-alunos e ex-parceiras e parceiros.
Araújo foi um aluno de Olavo tão dedicado nos estudo que absorveu uma das maiores referências literárias recomendadas por ele: o ocultista islâmico René Guénon, que fundou a Escola Tradicionalista. Guénon e seu discípulo Evola são citados de forma positiva por Araújo como base de seu “conservadorismo.”
Paixão por Olavo não se restringe a Araújo. Conforme um elevado líder do PSL, o partido de Bolsonaro, o que leva Bolsonaro a fazer propagandas e homenagens ao Olavo é paixão — a mesma paixão que dirigiu todo o discurso de Nestor, que disse:
“Talvez o aspecto mais visível do caráter extraordinário dessa homenagem ao professor, é que não se trata apenas de uma homenagem do Presidente da República, de nosso Chanceler e de todo o Itamaraty, de seus milhares de alunos no Brasil e no exterior, mas de todos os brasileiros de bem que, cansados de ver a pátria aviltada e assaltada por criminosos, saíram às ruas em protesto com cartazes em que proclamavam ‘Olavo tem razão.’”
O lema “Olavo tem razão,” amplamente usado por Olavo e seus adeptos, não é original de Olavo. O ditador fascista italiano Benito Mussolini, que era assessorado por Evola, tinha uma propaganda cujo lema era que ele tinha razão.
Nestor atribuiu a Olavo a iniciativa do povo de protestar nas ruas contra os socialistas, quando todos sabem que alguns adeptos de Olavo, aproveitando protestos feitos por outros movimentos, pegaram carona para fazer propaganda dele. O que Nestor fez foi transformar atos isolados de propaganda de Olavo em atos essências da manifestação. Tal pai, tal filho; mestre oportunista, adepto oportunista. Para ele, Olavo foi o grande responsável pela transformação do Brasil. Tal ideia bajuladora é também adotada por Eduardo Bolsonaro, que ambiciona o cargo de embaixador brasileiro em Washington.
“Vem agora seu filho, aprendiz de político, dizer que Olavo de Carvalho é o maior responsável pela vitória do pai. SIMPLESMENTE RIDÍCULO!”
Apesar do empenho de Malafaia, persiste a mentalidade no governo, apoiada pelo próprio Bolsonaro e ministros olavistas indicados por ele, de que “sem Olavo, não haveria a eleição de Jair Bolsonaro.”
A visão olavista que retrata Carvalho como “salvador” vai contra a realidade. J.R. Guzzo, jornalista da revista Veja, disse em um tuíte de 13 de janeiro de 2019:
“O fato puro, simples e sem enfeites, é o seguinte: os evangélicos são hoje a maior força anti-esquerda do Brasil. São mais fortes, mais numerosos e mais ativos que as três Forças Armadas juntas. Nunca houve isso. A esquerda não tem a menor ideia de como ganhar essa parada.”
Olavo vê diferente. Percebendo que os evangélicos são hoje a única força que compete com sua ambição de ocupar o lugar de líder da resistência antimarxista no Brasil, Olavo acusou sem rodeios as igrejas evangélicas de terem feito mais mal ao Brasil do que a esquerda inteira.
Em seu discurso, Nestor falou sobre como Olavo combate o marxismo repetindo várias vezes “Olavo tem razão” e então acrescentando: “Olavo tem razão também quanto ao tratamento que recomenda para curar essa doença espiritual.”
Nestor colocou Olavo como um homem que pode resolver problemas espirituais do Brasil sendo que ele não consegue resolver seus vastos problemas ocultistas pessoais. Dois dos filhos de Olavo são muçulmanos e outro é astrólogo.
Quem pode curar a doença espiritual do Brasil? Só Jesus Cristo. Mas elevados membros do governo Bolsonaro acham que Olavo tem a resposta espiritual.
Nestor menciona escritores que Olavo tornou conhecidos no Brasil, mas esquece de citar René Guénon, há décadas recomendado por Olavo. Tão recomendado que o ministro das Relações Exteriores é fã declarado de Guénon e Evola.
Mesmo assim, sem querer Nestor revelou uma conexão com Guénon ao dizer em seu discurso que Olavo tornou conhecido no Brasil Wolfgang Smith, um notório geocentrista adepto de Guénon, mas que Nestor teve todo o cuidado de apresentar como “crítico da ciência,” sem maiores detalhes. Os detalhes explicariam tudo. “Crítico da ciência,” no caso do guenoniano Smith, é criticar a postura da ciência que defende que a terra gira em torno do Sol. Smith simplesmente não acredita nisso. Terraplanistas usam as teorias de Smith para defender a ideia de que a Terra é plana, não um globo.
Bannon, Smith e Olavo se consideram “católicos,” mas os três têm uma coisa em comum: Eles são adeptos de Guénon.
Quando o nome de Guénon não era amplamente criticado, Olavo o recomendava à vontade. Depois que alertei os conservadores brasileiros de que Guénon era um homem ocultista, Olavo não mais ficou à vontade para elogiar sua principal fonte espiritual. Hoje o mesmo caso ocorre com Olavo recomendando e elogiando Wolfgang Smith. Logo que o público descobrir que Smith é ocultista, Olavo de novo vai estrategicamente parar de louvar sua conexão e referência ocultista.
Nestor também citou proeminentes nomes do Brasil que louvaram Olavo. Mas tal prática é incomum no Brasil?
Tradicionalmente, até mesmo presidentes católicos brasileiros consultam médiuns espíritas e outros ocultistas. Há o caso de João Teixeira de Faria, conhecido como “João de Deus.” Ele era consultado por presidentes e celebrado por celebridades internacionais, inclusive Oprah Winfrey.
Como é que um médium espírita se tornou uma celebridade no Brasil, a maior nação católica do mundo?
A realidade é que o sincretismo religioso é generalizado entre os católicos brasileiros. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Fórum do Centro de Pesquisas Pew sobre Religião e Vida Pública, mais de 60% da população urbana do Brasil afirma filiação católica. No entanto, há uma capa de religiões afro-brasileiras (como o candomblé, a quimbanda e a umbanda) com crenças e práticas católicas, que muitos brasileiros católicos não consideram incompatíveis com sua fé.
Astrólogos, médiuns espíritas e videntes são imensamente populares no Brasil. Paulo Coelho, um autor esotérico brasileiro que é visto como um “católico místico,” tem vários livros publicados em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos. Até mesmo Bill Clinton, quando era presidente dos EUA, tinha seus livros como leitura favorita. A fanpage de Coelho no Facebook tem cerca de 30 milhões de seguidores.
Paulo Coelho é, de longe, o maior escritor esotérico do Brasil. Uma pequena busca de Google dá 23 milhões de resultados para o nome dele.
O falecido médium Chico Xavier dá quase 6 milhões.
Em 2017, o nome de Olavo dava quase 800 mil resultados no Google, mas com a intensa propaganda que Bolsonaro vem fazendo para ele, o número disparou para mais de 3 milhões.
Hoje, a fanpage de Facebook de Olavo tem mais de 500 mil seguidores, praticamente o mesmo número de fãs de Walter Mercado, astrólogo porto-riquenho que ficou famoso na TV brasileira com seu bordão “Ligue Djá!” na década de 1990. A fanpage de Facebook do porto-riquenho tem mais de 500 mil seguidores.
Astrólogos, médiuns espíritas e videntes no Brasil têm um histórico de encontros com políticos e artistas proeminentes, que os consultam em busca de soluções espirituais.
Com sua condição de astrólogo nas décadas de 1970 e 1980, não seria de estranhar se Olavo afirmasse que ele conheceu muitas pessoas importantes no Brasil.
Nestor então frisou: “Olavo recuperou imensidões intelectuais e espirituais para a vida cultural do Brasil.”
Em que exatamente Olavo tem, de acordo com Nestor, razão em questões intelectuais e espirituais?
Indivíduos intelectualmente afetados por Olavo se tornam zumbis defensores da Inquisição, exatamente como indivíduos afetados por Marx se tornam zumbis defensores de atrocidades comunistas.
Em que exatamente Olavo “recuperou imensidões espirituais” se a essência da vida espiritual é Jesus Cristo e todos os indivíduos que conheci que foram afetados pela “filosofia” do Olavo sofreram uma deterioração substancial de suas vidas espirituais? Quem lia a Bíblia começou a ler menos para poder ler mais os livros do Olavo e livros recomendados por ele, inclusive livros de Guénon. Isso não é melhoramento espiritual. Isso é deterioração espiritual.
Os indivíduos, mesmo evangélicos, afetados por Olavo confessam que aprenderam a valorizar mais o ocultismo graças ao Olavo. Isso não é melhoramento espiritual. Isso é deterioração espiritual.
O Brasil tem então um presidente apaixonado por Olavo. Um ministro das Relações Exteriores apaixonado por Olavo. Um embaixador do Brasil nos EUA apaixonado por Olavo. E se Eduardo Bolsonaro conseguir a vaga de embaixador, será outro apaixonado.
Só a paixão cega vê tudo espiritualmente bom quando nada está bom. Os apaixonados sempre bajulam, louvam e premiam o homem que é alvo de sua paixão. Essa paixão produziu no governo brasileiro uma característica comum nos regimes comunistas: Culto à personalidade.
Frequentemente Eduardo e seus irmãos se queixam de que outros pegaram carona na eleição de Bolsonaro para se engrandecer. Mas não é exatamente isso o que Eduardo & Cia estão fazendo com os milhões de evangélicos que elegeram Bolsonaro? Usam os evangélicos para engrandecerem quem eles querem, e um dos engrandecidos às custas dos evangélicos é exatamente Olavo.
O mais problemático é que se Olavo foi apresentado como homem que tem soluções espirituais para o Brasil é porque os homens que o elogiaram e condecoraram acreditam que ele teve soluções espirituais para eles. Não é a Igreja Católica e muito menos a Igreja Evangélica que tem soluções espirituais para o Brasil. Na mente dos adeptos e condecoradores de Olavo, só ele tem essas soluções.
Leitura recomendada:

Um comentário :

O Sousa da Ponte - João Melo de Sousa disse...

Julio :

Você não está a perceber o cerne da questão.

Jair Bolsonaro não é o Brasil.

É o que o brasileiro quer ser.

Um país de maioria negra ou parda quer ser branca e até racista.

Contra os negros e pardos.

Bolsonaro, que sendo brasileiro deve ter ascendencia negra, odeia negros, pardos, gays, evangélicos, divorciados - excepto ele- e desvios ao ser branco, militar e heterossexual.

Nao vai pactuar com coisa de pobre e negro que é ser evangelico ou macumbeiro.

Coisa de pobre, negro ou pardo.
O olavo é o maia parecido com branco e americano.

Linha Trump com religião de branco.

Nos EUA ser católico é mau.

Parwce coisa de irlandês ou italiano.

Bolsonaro tem de ser católico no Brasil. Para não confundir com evangélico, negro ou pardo.
Nem tanto católico para não ser espanico nos EUA.

Vai ser reeleito, se não tiver impedimento ou for preso, com os votos dos negros, pardos e evangélicos.

A bem da Europa e Estados Unidos da América.

A unica coisa que me assusta nele é a coisa da amazonia.

Parece me que a coisa vai ser controlada e ele vai continuar a garantir a entrega da matérias primas do Brasil.

O Lula ou Dilma eram mais complicados.

Este parece boa gente.

E muito mais barato.