16 de agosto de 2019

Militares do Brasil podem ter cometido erro ao marchar com Bolsonaro


Militares do Brasil podem ter cometido erro ao marchar com Bolsonaro

Presidente ultradireitista desconfia do exército e fica do lado de indivíduos paranoicos

Tom Hennigan
Comentário de Julio Severo: Disponibilizo a tradução deste artigo irlandês porque achei interessante que o autor, que não conheço, trata de como os militares no governo têm sido extremamente desrespeitados e xingados por Olavo de Carvalho e em vez de agir contra o xingador, o Presidente Jair Bolsonaro tem punido os militares com demissões e silenciado diante dos xingamentos. E num sinal de insulto maior, premiou o xingador com a condecoração mais elevada do governo do Brasil. Por muitíssimo menos Alexandre Frota foi expulso do partido de Bolsonaro. Não entendo realmente o comportamento de Bolsonaro, que tolera o xingador com extremo respeito, um xingador que ofende os judeus e evangélicos ao defender a Inquisição, ofende os evangélicos ao dizer que suas igrejas fizeram mais mal ao Brasil do que o marxismo e trata os militares com a mesma boca suja de um comunista. Até quando Bolsonaro, como se estivesse hipnotizado, vai afagar o xingador? Embora eu não concorde com a totalidade deste artigo, mesmo assim, há pontos importantes nele, especialmente na relação de Bolsonaro com os militares:
Para homens absortos em grandes estratégias, os generais que concordaram em servir no governo do presidente ultradireitista do Brasil, Jair Bolsonaro, parecem cada vez mais ter cometido um erro estratégico.
As primeiras expectativas de que esse grupo de oficiais seniores aposentados exercesse alguma influência e até mesmo uma medida de controle sobre o ex-capitão do exército instável e patentemente despreparado estão sumindo rapidamente.
Em vez de exercer um papel de moderadores e orientadores, os generais têm, em vez disso, sido regularmente humilhados pelo presidente e seus filhos, que são instigados pelo ex-astrólogo Olavo de Carvalho, que atua como guru ideológico deles.
As vítimas incluem três militares de alta patente no centro do governo — o vice-presidente Hamilton Mourão, o ex-chefe do exército Eduardo Villas Bôas e o ex-chefe da missão de paz da ONU no Haiti, Augusto Heleno. Todos sofreram insultos e ataques na internet, desde acusações de estupidez a insinuações de traição feitas por Carvalho e pelos filhos de Bolsonaro, as quais o presidente tem feito questão de não repudiar.
Quando o ex-general de três estrelas Carlos Alberto dos Santos Cruz, um herói da missão de paz da ONU na República Democrática do Congo, foi sumariamente demitido de seu cargo ministerial pouco depois de ser chamado de “bosta engomada” por Carvalho, ele não se conteve. Em uma entrevista, ele descreveu a maneira de agir dos Bolsonaros como tendo resultado em “um show de merda.”

Facção direitista fanática

Para um homem que professa adorar as forças armadas, Bolsonaro parece claramente desconfiar de alguns militares em seu governo, preferindo aliar-se à sua facção paranoica que é obcecada por notícias falsas inspiradas em Carvalho e liderada por seus filhos.
Ao fazer isso, ele confirmou uma observação feita pelo General Villas Bôas no ano passado, quando disse que Bolsonaro não representava o retorno dos militares ao poder: “A imagem dele como militar vem de fora [dos militares]. Ele é muito mais político.”
Apesar dos insultos, há motivos para a ala militar do governo, composta de oficiais aposentados e na ativa, mas que não é de forma alguma um bloco monolítico, permanecer parada em sua posição. Esses oficiais estão por trás da recusa do Brasil em concordar com uma discutível aventura militar dos EUA na Venezuela e, em geral, são um contrapeso à atitude estranhamente servil do clã Bolsonaro em relação ao governo Trump.
Mas isso implica riscos. Os militares trabalharam duro desde que sua ditadura terminou em 1985 para convencer a sociedade de que ela era feita com a política e se concentrava apenas em seu papel constitucionalmente designado. O alto comando atual sempre foi mais reticente em abraçar Bolsonaro do que alguns de seus antigos membros. Esse esforço de três décadas pode agora ser prejudicado pela presença de tantas figuras militares em um governo tão direitista.

Caótico e propenso a crises

Pior, as forças armadas, que se orgulham de seu profissionalismo, estão sendo associadas nas mentes de muitos brasileiros com uma presidência caótica e propensa a crises. Foi o próprio Villas Bôas quem alertou no ano passado, enquanto os generais se alinhavam para participar, que os militares poderiam acabar pagando a conta de uma presidência fracassada de Bolsonaro.
Se isso acontecer, a culpa será só dos militares. Afinal, eles sabiam muito antes do resto da sociedade brasileira como era Bolsonaro. Já em 1993, Ernesto Geisel, o quarto dos cinco presidentes militares da ditadura de 24 anos, rejeitou o então deputado federal como, entre outras coisas, “um mau soldado.”
Ele estava se referindo ao histórico de indisciplina e insubordinação de Bolsonaro, que culminou em acusações de um complô para bombardear, entre outros alvos, as principais redes de água do Rio, como parte de uma campanha para exigir melhores salários e condições.
Bolsonaro sempre negou as acusações e o suprema tribunal militar do Brasil o absolveu em um julgamento em 1988, com a maioria dos juízes decidindo que as dúvidas sobre as provas eram suficientes para anular a condenação de um tribunal inferior. Mas em um novo livro, o jornalista Luiz Maklouf Carvalho mostrou detalhadamente como o tribunal evocou as dúvidas sobre as provas para absolver Bolsonaro a fim de proteger a reputação das forças armadas.
Essa absolvição salvou-o da prisão e pouco depois ele lançou sua carreira política que agora, 30 anos depois, está causando todos os tipos de novas dores de cabeça para os oficiais de alta patente do Brasil.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do jornal irlandês Irish Times: Brazil’s military may have put foot wrong in marching with Bolsonaro
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4 comentários :

Unknown disse...

Realmente a situação é difícil. Esse espaço para os olavetes abre uma brecha no governo. Os liberais e o militares podem ou se unir ou se aliar ao "centrão" . E para variar, os evangélicos vão continuar chupando o dedo ....

Marcos Zequias disse...

O Bolsonaro não é perfeito, mas antes ele do que o PT no governo, teve efeitos positivos no governo dele, como economia crescendo denoco a o índice de homicídios caírem quase 30 por cento, só que tem parlamentares que querem aprovar leis pra complicar ainda mais a nossa situação, e tenho certeza que o Bolsonaro com todos os defeitos que tem irá vetar, oremos pela salvação e conversão de Bolsonaro ao evangelicalismo, pois se eu sendo evangelico fiquei encantado com Olavo de Carvalho, imagine Bolsonaro que é católico, enfim.

Pr Henrique EBD NA TV disse...

Na verdade é que tem acontecido de tudo para tentar afastar o apoio militar ao presidente, mas, graças a DEUS, sem sucesso.

Chauke Stephan Filho disse...

Júlio, agradeço a sua tradução do texto do jornalista irlandês. Artigo interessante.

Aliás, Júlio, tudo o que você escreve é interessante. Tenho aprendido bastante com você. Seus esclarecimentos sobre política e religião ampliaram muito os meus conhecimentos.

Não obstante, discordo de quase tudo o que você escreve. Minha desconformidade decorre também de minha condição irreligiosa: eu não tenho fé, eu não acredito em Deus. Além disso, não me agrada o seu servilismo para com os sionistas.

Falando sinceramente, Júlio, às vezes eu penso que você pode estar na Folha de pagamento dos assassinos do Mossad. Será por algum influxo demoníaco que se instila no meu cérebro esse pensamento, Júlio? "Sim!", você poderia responder, conhecedor que é das coisas do além. Não o creio, porém. Nada sei do além, mas tenho boas noções do que se passa no aquém. E neste mundo percebo que os judeus agem tal como faria o demônio.

O que digo não se pode contestar, se se tem em vista a intenção de atacar o Irã. Convenhamos: uma guerra contra o Irã seria coisa do diabo. Satanás ocuparia o posto de comandante-chefe dos aliados ocidentais na guerra para realizar o sonho judeu de destruir o Irã.

Outro assunto, agora, Júlio, a propósito da Irlanda. Dia desses ouvi na rede uma canção bacana. A letra inspira-se na luta daquela galera do IRA. Sugiro a você e seus leitores que a escutem. O título da canção é "The snyper's promise".