7 de julho de 2019

Filipe G. Martins, o assessor de Bolsonaro que confunde esoterismo fascista com conservadorismo


Filipe G. Martins, o assessor de Bolsonaro que confunde esoterismo fascista com conservadorismo

Julio Severo
Fico só vendo a imaturidade de Filipe G. Martins, assessor internacional de Bolsonaro, escolhido exclusivamente por ser olavista. Pelo fato de que Bolsonaro está, como já disse um líder proeminente do PSL, “apaixonado por Olavo de Carvalho,” ele nomeia cegamente pessoas indicadas por ele, mesmo quando dá tudo errado. E tais indicações têm dado errado.
Filipe diz admirar Trump, mas é amigo de Steve Bannon, a quem Trump expulsou da Casa Branca chamando-o de traidor e oportunista. Isso é uma grande incoerência e muito confuso.
Filipe diz que o Brasil está se reaproximando dos EUA. Isso pode ser verdade politicamente fora da esfera evangélica, mas não é grande feito para nós evangélicos, que sempre vivemos muito próximos de americanos. Quem é evangélico, como eu, sempre viu americanos pregando nas igrejas no Brasil e até mesmo pregando em reuniões da Frente Parlamentar Evangélica. É impossível quebrar o vínculo inquebrável que os evangélicos do Brasil têm há mais de 100 anos com evangélicos americanos.
A literatura que eu mais lia (e continuo lendo!) era evangélica e a vasta maioria dessa literatura era (e continua sendo!) americana. No meu caso, comecei lendo livros traduzidos do inglês publicados no Brasil pela Editora Vida e Editora Betânia décadas atrás e hoje só leio livros em inglês. Essas duas editoras, que eram as principais na década de 1980, eram intimamente ligadas a americanos.
Minhas Bíblias principais hoje são em inglês. Faz quase 30 anos que não leio a Bíblia em português. Só leio em inglês. Foi daí que obtive principalmente meu conservadorismo. Sim, o conservadorismo verdadeiro vem da Bíblia. Sem ela, é tudo perda de tempo.
Mesmo na época do governo militar, a maior fonte de conservadorismo eram as igrejas evangélicas. Durante o governo militar, nem a imprensa nem os militares elogiavam o conservadorismo de Ronald Reagan. Então onde se fazia tal elogio? Dentro das igrejas evangélicas.
Se não fosse o contato entre igrejas evangélicas brasileiras e missionários e televangelistas americanos, eu e muitos outros evangélicos nada saberíamos do conservadorismo de Reagan. Quem é evangélico e viveu naquele tempo recorda que enquanto a cultura brasileira era hostil a Reagan, dentro das igrejas evangélicas louvava-se Reagan por seu papel contra o comunismo que ameaçava os cristãos.
Enquanto em 1982 a imprensa e o governo militar do Brasil não estavam a favor dos ingleses, apoiados por Reagan, na Guerra das Falklands (chamadas de Malvinas pelos argentinos), eu estava entusiasticamente apoiando Reagan, Margaret Thatcher e os ingleses, por causa de televangelistas americanos que já haviam nos explicado a realidade dos habitantes majoritariamente evangélicos das Falklands. Então enquanto naquela época o Brasil católico tinha proximidade com a Teologia da Libertação e nenhuma proximidade com americanos, nós evangélicos brasileiros sempre vivemos em muita proximidade com americanos e seu conservadorismo. Nunca pois precisamos de reaproximação porque nós evangélicos nunca vivemos desunidos dos americanos.
Contudo, tal reaproximação política que quer Filipe tem um preço. O discurso de Bolsonaro é que todo cidadão de bem merece o direito de posse e porte de armas. Isso naturalmente deveria também se aplicar a nações. Se o Brasil quiser ser um país que sabe se proteger, precisará produzir armas nucleares. Mas se tentar fazer isso, vai enfrentar a fúria dos esquerdistas desarmamentistas internacionais. Não só deles, mas também dos EUA, que não gostam que as nações se armem de armas nucleares.
O que o Brasil, sob a imaturidade de Filipe G. Martins e seus conselhos olavistas, pode fazer é se submeter aos EUA no que se refere à proteção nuclear, assim como cidadãos em sociedades esquerdistas desarmamentistas se submetem à polícia deixando para ela usar armas. Ou assumir sua independência e fabricar armas nucleares para sua própria defesa, atraindo assim a fúria simultânea dos EUA e da esquerda desarmamentista internacional.
Ficaria melhor se o Brasil se oferecesse para ser adicionado como 51º Estado dos EUA. Assim, teria automaticamente armas nucleares e nós evangélicos estaríamos como sempre estivemos: Perto de evangélicos americanos, seu conservadorismo e sua rica literatura conservadora. Afinal, os EUA são a maior nação evangélica do mundo. Qual é evangélico brasileiro que se oporia a essa união?
É preciso destacar que quando Filipe fala em suposta união com americanos mediante valores judaico-cristãos, sua concepção sobre isso e política externa é guiada por Olavo de Carvalho, que também guia o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, que vê valores judaico-cristãos apenas como instrumentos a serviço do perenialismo e ocultismo do bruxo islâmico René Guénon.
Araújo já declarou que tem como referência conservadora Guénon e seu discípulo mais importante, Julius Evola, que escreveu vários livros promovendo direitismo e bruxaria. Curiosamente, os livros de Evola serviram de base para o fascismo italiano e o nazismo alemão, que eram movimentos populistas de direita. Quem discordar disso deve explicar como esses movimentos poderiam ser de esquerda se eram assessorados pelo direitista ocultista Evola, que hoje é referência para o direitista Araújo, que comanda a política externa do Brasil.
Com quem foi que Araújo aprendeu a usar Evola e Guénon como referência conservadora? Com Olavo de Carvalho, que simultaneamente louva e condena essas próprias referências — comportamento semelhante ao de Guénon, que também simultaneamente condenava e louvava a maçonaria. Mas todo aluno-discípulo-adepto dele sabe que o ocultista Guénon está há décadas entre as recomendações mais elevadas de Carvalho.
A união dos evangélicos com americanos é guiada por valores evangélicos, mas a união de Filipe, Ernesto e Olavo é inteiramente guiada por ocultismo e fatalmente terminará em desastre. Aliás, se Trump expulsou da Casa Branca o ocultista Steve Bannon chamando-o de oportunista e traidor, por que Araújo e Filipe insistem em mantê-lo num pedestal?
Bannon é o Olavo americano e Olavo é o Bannon brasileiro. Aliás, os dois são amigos e ambos foram fortemente inspirados e influenciados por René Guénon. Tudo esotérico e ocultista.
Não dá para se ter uma união com americanos que não seja evangélica. O evangelicalismo está no próprio alicerce da fundação dos EUA. Sem um fundamento na Palavra de Deus, os EUA não são nada. Isso os evangélicos entendem bem.
Quando os EUA foram fundados, os evangélicos eram 98 por cento da população. Em 1880, os evangélicos eram 90 por cento da população americana. Hoje, eles são menos de 50 por cento. Esse declínio acentuado é péssimo para os EUA, enquanto a maçonaria, que é esoterismo e ocultismo, continua forte. Aliás, os EUA são hoje a nação mais maçônica do mundo e desde 200 anos atrás a meta da maçonaria é usar o governo dos EUA para guiar a Nova Ordem Mundial. Isso já está acontecendo.
Portanto, só os evangélicos estão em condições de ter com os americanos uma união que ajude Brasil e EUA. Esotéricos como Filipe G. Martins e Ernesto Araújo, que são adeptos de um ocultismo tão destrutivo quanto a maçonaria, só podem acentuar uma união das trevas.
Enquanto Filipe, em sua imaturidade e submissão olavista, busca submissão do Brasil por amor a interesses ocultistas travestidos de valores judaico-cristãos, os evangélicos só buscam maior união, por amor a interesses evangélicos, com quem sempre tiveram união.
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